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Brian Fuller é o cara. Idealizador e produtor de algumas das melhores séries de todos os tempos, como a famosa Heroes, além de sabidamente fanático por Jornada Nas Estrelas, Fuller é o sujeito que não descansa e cria sem parar. Seu currículo inclui a não muito popular (mas incrível) “Dead Like Me” de 2004 e a excepcionalmente bem recebida comédia fantástica “Pushing Daisies”.

Pushing Daisies conta a história do amor "intocável" de Chuck e Ned. No Brasil, a comédia romântica estreou no dia 10 de Abril de 2008, no Warner Channel, às 21 horas.
Ned (Lee Pace) descobre, aos 9 anos, 27 semanas, 6 dias e 3 minutos, que tinha o dom de trazer os mortos de volta à vida. Porém, logo o garoto Ned descobre uma desvantagem, pois ao trazer a sua mãe de volta, depois que uma artéria se rompeu no cérebro dela, Ned percebe que outra pessoa deve morrer em seu lugar em exatos 60 segundos. A vida trocada pela vida da mãe de Ned, foi a do pai de Chuck (Anna Friel) garota pela qual é apaixonado.


Mas logo o pequeno Ned, descobre mais um efeito do seu dom, ao receber um beijo de sua mãe descobre que o primeiro toque devolve a vida à pessoa, e o segundo toque faz a pessoa morrer de novo, desta vez para sempre. O jovem Ned não poderia tocar jamais alguém ressuscitado pela segunda vez.
Ele cresce, e junto a Emerson Cod (Chi McBride), um investigador local, começa a trazer vítimas de assassinatos de volta à vida para descobrir quem as matou, e assim ganhar o dinheiro das recompensas.
Mas, quando Ned devolve a vida à Chuck, seu antigo amor de infância, que sofreu assassinato aos 28 anos, 24 semanas, 3 dias, 11 horas e 51 minutos, ele não a toca novamente. Chuck permanece viva por mais de um minuto, e conseqüêntemente, outra pessoa morre. Agora Ned tem a oportunidade única de continuar seu romance com Chuck. Porém, nunca mais poderá tocá-la. Caso contrário, ela morrerá.

 

Antes que Pantanal prossiga até o seu milhonésimo final (foi exibida pela primeira vez de 27 de março a 10 de dezembro de 1990), o Martelo não pode deixar de tecer algumas palavras a favor da obra. Como se sabe, Pantanal escrita por Benedito Ruy Barbosa e dirigida por Jayme Monjardim, Carlos Magalhães, Marcelo de Barreto e Roberto Naar é uma velha pedra no sapato da Globo. A toda poderosa tentou embargar a exibição da novela no SBT quando soube que ela voltaria a ser exibida, sem sucesso. A posse dos direitos é do empresário José Paulo Vallone, que também adquiriu “Ana Raio e Zé Trovão” em um leilão do espólio da extinta Rede Manchete. Pantanal foi reapresentada em duas ocasiões: às 19h30, de 17 de junho de 1991 a 18 de janeiro de 1992, e às 21h30 e na íntegra, de 26 de outubro de 1998 a 14 de julho de 1999. Esta segunda reprise tem uma particularidade interessante: entrou no ar em substituição à novela Brida, que acabou com os recursos da emissora. A Rede Manchete seria vendida pouco depois dessa reestréia de Pantanal e se tornaria a RedeTV!.

Revendo a novela em 2008, fica claro o estilo, o tom e o ritmo que a Manchete impregnava em suas obras. Sem dúvida é um estilo bem definido, que perde tecnicamente em alguns detalhes (a imagem parece um VHS melhorado) mas em relação a atuação irrepreensível de todos os envolvidos não há nada a acrescentar.  O repertório é hipnótico, de Marcus Viana a Sérgio Reis, do progressivo ao sertanejo. Isso sem contar a versão maravilhosa de Pepperland, o tema instrumental dos Beatles (na verdade do produtor George Martin) com a guitarra singular de Robertinho de Recife. O tema principal do progressivo mineiro Sagrado Coração da Terra é memorável.

O ingênuo sotaque interiorano dá um tom um pouco debilóide ao Tadeu (Marcos Palmeira) e a Zefa (Giovana Gold) ao mesmo tempo, que os torna puros, humildes, sem instrução mas simpáticos. Simples aos olhos de quem, como eu, está cansado da falsidade da cidade grande. O anseio pela pureza, pelo mundo novo, que o Pantanal do centro desse país representa, promete mais do que uma novela. É a mesma esperança que o país democratizado teve ao eleger Collor à época. O Brasil ainda era um país jovem, inexperiente, sem tato com eleições e isso se refletia nos temas debatidos durante a exibição do folhetim. Fosse do “Plante que o João Garante” (do presidente Figueiredo) à promoção de uma marca de remédio para o gado, nada parece antiquado, apenas lembranças de um país que nunca foi, que sempre tentou ver-se adiante mas não se encontrou. Como sempre, há o maniqueísmo das pessoas-totalmente boas (como a família do Zé Leôncio) e a família-totalmente-perversa como a do Tenório, Guta e Maria Bruaca. Mas isso não parece mais incrível do que uma mulher que vira onça quando está com "réiva".

Mesmo com personagens repelentes como esses, a novela exala a constante sensação de um mundo mágico. Seja o contato direto do peão Trindade (Almir Sater) com o “cramulhão”, ou a Juma Marruá (Cristiana Oliveira) se transformando em onça para finalizar com o Velho do Rio (Cláudio Marzo) que mesmo depois de (aparentemente) morto pode virar sucuri. Histórias como essas que eu, menino lia nos livros de Monteiro Lobato; causos que envolviam lobisomens, sacis e mulas sem cabeça. Pantanal é a possibilidade de atravessar uma porta mágica onde saímos do Rio de concreto para o Rio das águas límpidas, um reino de Nárnia possível e nosso.

A bola fora é a nova abertura: como pode uma novela que fala da vida animal usar aquelas imagens de bichos quase estáticas? Apesar das deficiências técnicas, a abertura original ainda dá de dez.

Pantanal foi e é um sucesso porque continua sendo uma excelente novela. Se naquela época, 1990 eu não estava muito interessado em assuntos regionais, revendo a novela com os olhos de hoje, revejo minhas opiniões sem o mínimo constrangimento. O que antes em 1990 era simpatia hoje se mostra afirmação de um trabalho que merece a perenidade que alcançou com méritos próprios.

Vocabulário: Réiva, cramulhão, tapéra, porquêra, inté, ocê, oiándo, óia, quarqué, pocê, antão, posso tê previsão

 

Cuidado! Esse é o link para o último capítulo da novela!

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