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Desde a criação dessa coluna, fugi da escolha óbvia que seria incluir de cara a mais do que aclamada Bettie Mae Page (22 de abril de 1923 em Nashville, Tennessee), a rainha dos posteres das oficinas-mecânicas. Mas dois anos após a fundação do Martelo, meio que para comemorar reverenciamos a rainha. Única e definitiva. Bettie não foi apenas carase bocas, ela foi a melhor. E fez todo um estilo, do cabelo às danças. Bettie foi mais fotografada e mais admirada do que todas as fotos de Marilyn Monroe juntas.


Betty Mae Page
foi a segunda de seis filhos de Walter Roy Page e a Edna Mae Pirtle. A família vivia em condicões financeiras precárias não repousando por muito tempo no mesmo lugar, com a queda da bolsa em 1929, a situacão piorou. Os pais se divorciaram em 1932. No ano anterior Walter havia sido preso por alcoolismo e desordem. Edna Pirtle se estabeleceu em dois empregos, enviando Bettie e duas de suas irmãs para um orfanato por um ano. Aos quinze anos de idade de Bettie foi violentada pelo próprio pai, quando ele retornou para morar com a família.
Entre o coro da igreja e o salão de beleza que Edna trabalhava, Bettie passava o tempo costurando. Bettie foi considerada uma estudante excepcional, demostrando interesse pelo cinema e a vida de modelo. Coordenou um grupo de arte dramática e se formou Bacharel em Artes no Peabody College em 1943.
No mesmo ano, casou-se com o namorado Billy Neal. Mudaram-se para São Francisco onde obteve o seu primeiro trabalho como modelo. Ainda com Neal, viajou para o Taiti aonde teve a revelções das peles bronzeadas pelo sol. A partir daí se exercitava e tomava banhos de sol nuzinha em pelo. O casamento durou cinco anos e vai para Nova Iorque. Conhece o policial Jerry Tibbs em Coney Island, por volta de 1950. Tibbs, que era fotógrafo amador, cria a "pin-up" Bettie Page. Ele mencionaria que sua testa era larga demais pra usar o cabelo partido ao meio. Bettie eterniza a franja convexa lisa. Bettie criou seus maiôs e biquinis e a tanga clássica de oncinha.

 

Mas foram os fotógrafos Irving Klaw e Bunny Yeager que imortalizariam a Pin Up Bettie Page. Bettie há muito havia trocado a cadeira de secretária pela vida de modelo. Os horários eram independentes, a carga horária menor e o sálario maior. Quando ela resolveu posar para Klaw aceitou o contrato dele que afirmava que o pagamento só seria disponível mediante poses com bondage . O então presidente do Senado, Carey Estes Kefauver contrário as fotografias de Irving Klaw, pela apologia ao sadomasoquismo requisitou a própria modelo a depor. Várias publicações da época como Eyeful, Beauty Parade ou Wink a procuraram. Em janeiro de 1955 foi capa da Playboy e no mesmo ano recebeu das mãos de Hugh Hefner (da Playboy) o título de A Miss Pin Up Girl do Mundo. Casou-se novamente com Armand Walterson, e em 1958 desapareceu da vida pública após 7 anos trabalhando como modelo. Alguns culpam o caso Kefauver x Klaw outros atribuem ao casamento com Walterson. Sabe-se que após seu casamento com Walterson, Bettie tornou-se uma devotada religiosa.


"Quando Page desapareceu no fim dos anos 50, os rumores davam conta que ela tinha sido morta pela máfia. Como veio a se descobrir, ela simplesmente havia enlouquecido. Na década de 70, ela manteve o terceiro marido e a filha dele na ponta de uma faca. Depois subiu sobre uma senhora em sua cama, apontando-lhe a faca e gritando que Deus a havia mandado matar a mulher. Page foi presa por tentativa de assassinato, declarada mentalmente perturbada e passou a maior parte da década em sanatórios.”
A Dominatrix laid bare, Gaby Wood (The Guardian, 2006)

O fotógrafo Don Whitney fez várias sessões com Bettie em 1957. Em uma de suas cartas ele descreveu a modelo para Bunny Yeager:
"Tive a sorte de poder trabalhar em uma sessão privada em estúdio com Bettie Page em Nova Iorque na metade dos anos 50. Fiz 20 fotos com filme Ektrachrome e eu mesmo as revelei. Recentemente transferi os slides para o Kodak Photo CD e fiquei surpreso com o resultado. Betty era uma modelo fantástica, e como você mesmo disse, era quase impossível fazer uma foto ruim dela. O crédito deve mesmo ir para a Bettie que fez de tudo para a sessão ficar maravilhosa. Lembro, depois das fotos, de ter dado uma volta por perto do estúdio na West 56th Street, na Broadway por alguns quarteirões até nos separarmos. Foi a última vez que a vi”.

Mais vídeos após a sessão de fotos abaixo

 

 

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