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Os seriados são exibidos na madrugada no canal a cabo Nickelodeon na sessão Nick at Nite.

Letra do tema A Feiticeira (nunca usada na série)
Música composta por Howard Greenfield
Letras de Jack Keller


Bewitched, bewitched,
You've got me in your spell.
Bewitched, bewitched,
You know your craft so well.
Before I knew what you were doing,
I looked in your eyes.
That brand of woo that you've been brewin'
Took me by surprise.
You witch, you witch!
One thing that's for sure,
That stuff you pitch,
Just hasn't got a cure.
My heart was under lock and key,
But somehow it got unhitched.
I never thought my heart could be had.
But now I'm caught and I'm kind of glad
To be bewitched. Bewitched.

Para os que compraram as caixas dos DVDs ou para quem acompanha os seriados sessentistas Jeannie é um Gênio (I Dream of Jeannie) e A Feiticeira (Bewitched) na madrugada da TV a cabo, uma pergunta se faz necessária: por que tantas coincidências entre as séries? Por que será que as protagonistas louras tinham parentes maluquinhas idênticas, sensualíssimas e com cabelos pretos? (obs: uma era a irmã de Jeannie e a outra, prima de Samantha, também com cabelos escuros, que se chamava Serena)

 

Por que a introdução das séries era um desenho animado? Teria sido coincidência? Quem copiou quem?

 Você sabia que as duas atrizes, Barbara Eden (Jeannie) e Elizabeth Montgomery (Samantha) engravidaram logo no início das séries?

 

Pois é, para tudo há explicação. Estamos aqui para destrinchar os bastidores das comédias “mágicas” mais deliciosas de todos os tempos. Oh sim, esqueça a refilmagem de A Feiticeira, feita para o cinema em 2005, com Nikole Kidman, apesar da atriz ser musa total (e cá entre nós, Shirley MacLaine no papel de Endora, a mãe de Samantha foi uma ótima escolha). Só para constar: as atrizes Jennifer Aniston, Cameron Diaz, Gwyneth Paltrow e Alicia Silverstone foram cotadas para o papel principal.

A primeira série a estrear foi A Feiticeira. Jeannie é uma cópia e um dos poucos casos de plágio descarado que chegou aos pés do original.

A Feiticeira estreou no dia 17 de setembro de 1964 com fulgurante sucesso. O piloto havia sido gravado no dia 22 de novembro de 1963, o mesmo dia do assassinato do Presidente Kennedy em Dallas, mas toda a equipe e atores foram trabalhar, mesmo consternados. A atriz principal, Elizabeth Montgomery e seu marido William (Bill) Asher, o produtor, haviam participado efetivamente da campanha de Kennedy. Inclusive, Asher produziu o famoso vídeo de aniversário de Kennedy no qual a amante (dos Kennedys) Marilyn Monroe canta o sussurante “Happy Birthday to yoooouuuuu...”. Coisa horrorosa! Jeannie estreou em setembro de 1965, exatamente um ano depois da série inspiradora.

Ambas as séries possuíam um tema comum: uma mulher superior (gênia ou feiticeira) envolvida com um ser de classe inferior (humano). O marido de Samantha era o publicitário James Stephens (o nome do personagem em inglês era Darrin, que foi trocado no Brasil para James), interpretado pelo ator Dick York e o “namorado” de Jeannie, um astronauta, o capitão (e depois major) da NASA, Anthony Nelson (Larry Hagman).

Uma das primeiras opções para o papel de Stephens, foi Dick Sargent, que não pode atuar nas primeiras temporadas. Ele aceitou o trabalho após um incurável problema de coluna que abateu o ator Dick York, que teve que deixar a série.  Sargent, entrou em seu lugar, sem quaisquer explicações por parte da emissora. Sargent havia participado do episódio "Os Truques da Defesa" (março de 1969) de Jeannie é um Gênio antes de assumir o papel do maridão em A Feiticeira. E ele deu sorte, porque o produtor Bill Asher proibia que qualquer ator que trabalhasse em Jeannie, desse as caras em A Feiticeira porque ele considerava que havia sido roubado pela concorrência. Mas na realidade, o conceito de A Feiticeira não veio de Asher, mas sim de Harry Ackerman, que havia proposto a idéia dois anos antes, sem sucesso.  A condição imposta por Asher, para encampar a idéia de Harry era que a sua esposa interpretasse a bruxa bonita. 

 


Endora, a bruxa mãe, interpretada por Agnes Moorehead foi cogitada para o papel, mas por acreditarem que ela não aceitaria, ninguém a procurou. Foi Montgomery, a futura filha, que a encontrou em uma loja e a convidou pessoalmente. 

A série só foi ao ar porque a Chevrolet bancou a idéia. Os produtores tinham medo da reação do público que poderia estranhar assuntos relacionados à magia e feitiçaria. Os tempos eram outros, bem mais ingênuos certamente.

As curiosidades de bastidores são muitas: Elizabeth Montgomery engravidou duas vezes durante a série (com Asher teve três filhos: Robert, William e Rebecca). A personagem Samantha teve uma linda menina chamada Tabatha (em inglês Tabitha) e depois deu a luz ao menino mortal Adam.  A atriz começou a filmar a série 24 dias após ter dado a luz na vida real, e os 5 primeiros episódios já haviam sido filmados, por isso seu rosto aparecia constantemente em close-up. Samantha engravidou pela segunda vez ainda com o ator Dick York como seu "marido", mas a boa bruxa só deu a luz mesmo, quando Sargent já era o novo James. O segundo filho do casal da TV foi interpretado por um par de gêmeos, Greg e David Lawrence que haviam sido escolhidos para interpretar os filhos do casal Maxwell Smart e 99 da série Agente 86, mas como este programa foi cancelado, eles partiram para A Feiticeira. 

O pai de Samantha, Maurice (o ator inglês Maurice Evans) preferia que lhe chamassem de “Morris”, mas o elenco, Dick Sargent especialmente, gostava de irritá-lo e o chamava de “Maurice”, o que fazia o ator corrigir os companheiros aos gritos. Larry Tate (David White), o patrão do maridão James tinha os cabelos brancos. Elizabeth o chamava de “cabelo de algodão”, o que também irritava o ator, e ela fazia isso especialmente quando interpretava a rebelde Serena.  Para não interromper as gravações, Tate se calava. Mas não gostava.

 

E como nasceu a “mexida” de nariz da Feiticeira? William Asher havia reparado que a esposa “torcia” o nariz quando se irritava, mas ela mesmo nunca havia percebido isso. Asher tanto insistiu que Montgomery torceu o nariz irritada e aí ela compreendeu o que deveria fazer.

Um dos parentes mais populares de Samantha era a Tia Clara (Marion Lorne), a feiticeira que falhava nas magias mais simples, como atravessar paredes. Lorne faleceu no dia 9 de maio de 1968, de ataque cardíaco, após 28 interpretações da fofa Clara. Para seu lugar foi contratada a atriz Alice Ghostley para assumir a personagem Esmeralda.

A cor favorita de Agnes Moorehead era lavanda e por isso a chamavam de “Dama Lavanda”. As roupas e os móveis de sua casa eram dessa cor. A atriz faleceu de um câncer misterioso em 3 de abril de 1974. Alguns afirmam que muitos dos participantes do filme The Conquerer (1956) faleceram porque as filmagens ocorreram em um local no qual foram feitos testes nucleares e que a areia dessa paragem foi levada para o set de filmagem. John Wayne, Dick Powell e Susan Hayward, que participaram do mesmo filme, também faleceram de câncer.

O ator Dick Sargent trabalhou durante anos na organização de Olimpíadas para deficientes e também na coleta de alimentos para países mais pobres. Devido ao crescimento no suicídio de homossexuais na época decidiu revelar ao público que ele também era homossexual.  Outros dois atores, apesar de não assumirem, provavelmente também eram: Paul Lynde (que na Feiticeira fez o tio Arthur) e Bill Daily, o Major Roger Healey de Jeannie.

A atriz Sandra Gould (foto à esquerda) interpretou a mexeriqueira vizinha Gladys Kravitz de 1966 a 1972, substituindo Alice Pearce, que na vida real era filha única do presidente do National City Bank. Pearce sabia que estava doente quando entrou em A Feiticeira, vindo a falecer em 3 de março de 1966.

Tanto Dick York quanto Dick Sargent morreram com 64 anos.

Conta-se que certa vez, quando Elizabeth estava caracterizada como Serena, a sensual prima de Samantha, depois da filmagem ela e o marido foram direto para um quarto, sem que a atriz se desfizesse da roupa da personagem.

Em 2004, a rede de televisão TBS produziu uma versão nipônica de Bewitched.

O piloto exibido no Brasil, a abertura do programa chamava a série de "As Feiticeiras", um erro comum do tradutor, que não pôde ver o episódio antes de começar a dublagem.

 

As então novatas Helen Hunt e Jodie Foster foram testadas para o papel de Tabatha.

Com o sucesso de A Feiticeira transmitida pela ABC, sua rival NBC, bem no estilo da Rede Record, que contrata funcionários da Globo (melhor comparação que essa é impossível) contatou o novelista Sidney Sheldon, para que ele criasse uma série semelhante, que viria a se chamar Jeannie. Preocupado com a questão ética, Sheldon procurou Ackerman. Por fim, Asher o autorizou e aconselhou o escritor como proceder.

A Noviça Voadora, A Feiticeira e Jeannie eram filmadas no mesmo estúdio da Columbia. A atriz (e noviça voadora) Sally Field revelou que Montgomery e Eden dividiam o mesmo espaço para maquiagem. Elizabeth era a primeira a chegar e Eden, a última. “Jeannie” sempre chegava cantando de manhã, o que irritava Elizabeth Montgomery que exigia silêncio absoluto. No mês no qual Jeannie começou a ser filmada no estúdio ao lado de A Feiticeira, Elizabeth Montgomery entrou de licença maternidade. Barbara Eden, casada com o ator nascido na Síria, Michael Ansara (que muitos podem não lembrar mas ele participou de váááárias séries, inclusive de Jeannie como o gênio azul Blue Djinn) engravidou no primeiro ano da série, a fase preto e branca (que se vê colorizada nos DVDs), o que quase a fez desistir do papel.

Para disfarçar a barriga, os figurinistas aumentaram o véu que saía do chapéu de Jeannie que dava a volta no pescoço, e o desceram até a barriga. O filho de Barbara e Ansara chamado Matthew, já crescido, deu muito trabalho à mãe, que algumas vezes falou à imprensa sobre o seu drama pessoal, a luta para ajudá-lo a abandonar o vício. 

No dia 25 de junho de 2001, Mathew, filho de Barbara Eden morreu no interior do seu carro em Los Angeles, vítima de uma overdose de heroína.  

A questão da garrafa de Jeannie foi uma decisão “moral”: Como poderia um homem solteiro dormir com uma mulher no mesmo quarto nos pudicos anos 60? Problema resolvido: ela dormia na garrafa que nunca ficava no quarto do seu “amo” (master em inglês).

E como a sua “casa-garrafa” surgiu? O modelo foi inspirado em uma garrafa de uísque (escolhida por Sidney Sheldon) e a pintura feita por Robert Purcell.  Foram criadas 3 garrafas, cada uma ao custo de 200 dólares, valor altíssimo para a época. As garrafas da irmã de Jeannie e de Blue Djinn não eram pintadas. Quando Jeannie foi cancelada, uma garrafa foi dada a Barbara Eden (que também ficou com o primeiro modelo, que nunca foi usado), outra a Larry Hagman e a terceira foi dada a Bill Daily, que por sinal, a vendeu.  O cenário do interior da garrafa, ficava suspenso quando não era usado, para evitar a curiosidade alheia. Hagman levou essa peça para casa no final da série. 

O interior da garrafa, e a fumaça que surgia quando Jeannie entrava e saía da mesma, foram criações do chefe de efeitos especiais, Richard Albain. Os cenários eram compartilhados: a casa de Tony foi usada em alguns episódios de A Noviça Voadora e a casa do pobre Doutor Bellows também foi o lar dos Stephens em A Feiticeira.

O mais conhecido tema de abertura de Jeannie, foi criado por Hugo Montenegro e Buddy Kaye para o segundo ano da série.  

E a atriz que tão bem dublou Jeannie se chamava Líria Marçal (Lins, SP, 6 de junho de 1935 — São Paulo, SP, 8 de julho de 1996).

As esquisitices dos bastidores da comédia Jeannie não ficam atrás das feitiçarias da concorrente. Para o papel principal de Tony Nelson, foi escolhido Larry Hagman, que praticamente já havia perdido as esperanças após 9 meses procurando trabalho em Nova Iorque, apesar de ser filho de uma atriz da Broadway, Mary Martin. De Nova Iorque foi com a família para Los Angeles e na semana na qual foi contratado, ele estava vivendo com a família praticamente na praia com 20 dólares no bolso.

A equipe brincou com Barbara Eden no terceiro ano de Jeannie, no episódio “Como Se Uma Não Bastasse”. A partir desta temporada, Eden passou a interpretar a irmã gêmea e gênia de cabelos negros. O diretor Claudio Guzman colocou a atriz dentro de um vidro gigante para gravar uma cena. Logo depois ele chamou a equipe para almoçar, deixando a atriz para trás. A coitada gritou muito acreditando que havia sido esquecida. Os gritos de socorro deste episódio são de verdade e estão bem registrados!

O ator Larry Hagman, que teve um fígado transplantado, disse ao entrevistador Larry King que sempre fazia algumas cenas após ingerir algumas doses de álcool, que o deixava mais "alegrinho". Além de beber, fumava maconha e tomava LSD na época da série.

Cansado de Jeannie, Sheldon mudou de vida e tornou-se escritor de verdade na terceira temporada. Dos 133 episódios, Sheldon escreveu 54, sendo que 12 foram escritos para o terceiro ano.  No quinto e último ano, o golpe mortal: a emissora decidiu que Tony e Jeannie deveriam se casar, desgostando os atores principais.

A série foi cancelada em 1970, época na qual o homem já havia chegado à Lua, os hippies dominavam o mundo e a guerra do Vietnã não havia acabado. Por falar em hippies, Hagman adorava chegar nas gravações vestido com roupas psicodélicas e cordões. Inclusive quando só precisavam filmar da cintura para cima, ele não tirava as calças e os sapatos hippies.

Em 1968, a série foi adquirida pela Rede Excelsior de São Paulo, que tratou de providenciar a segunda temporada devido ao enorme sucesso. O ator Larry Hagman veio ao Brasil e se assustou com a sofisticação de uma produção da emissora.  Com seus 70 anos, Barbara Eden somente veio ao nosso país nesta década, convidada para o lançamento de um canal a cabo.



Montgomery e Eden se separaram dos seus maridos após o término das séries. Em 1974, Elizabeth conheceu o ator Robert Foxworth com quem viveu até a sua morte em 18 de maio de 1995, vítima de câncer. Barbara se separou de Ansara em 1973, na época na qual perdeu seu segundo filho, aos sete meses de gestação.

William Asher, diretor de A Feiticeira dirigiu o filme "Jeannie é um Gênio: 15 Anos Depois" em 1985. Larry Hagman não interpreta Anthony Nelson neste fraco trabalho. Em 1991, tentaram novamente com "Jeannie Ainda é um Gênio". O resultou ficou ainda pior, tanto pela ausência de Hayden Rorke (o Doutor Bellows) que havia falecido como do personagem de Tony Nelson. Durante bastante tempo a desculpa oficial foi que Hagman estaria preso a outros compromissos (em especial com a série de TV Dallas) para não ter trabalhado no filme. Hoje sabe-se que o ator foi sondado por telefone em 1985, mas que havia recusado os 5 mil dólares oferecidos. Ele queria o mesmo cachê de Barbara Eden. Wayne Rogers de "M.A.S.H." assumiu o papel de Tony Nelson. Isso teria decepcionado bastante o ator Bill Daily.

Hagman teria admitido que apesar de ter o filme em casa, nunca o viu por falta de coragem.  

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Receita do drink "Jeannie na Garrafa"

28 gramas de tequila (multiplique por 10 para obter o ml)
28 gramas de Baja Tango - licor cremoso de laranja
120 gramas de suco de abacaxi.

Bata no liquidificador com gelo e sirva em um copo grande.

 

Entrevista de Barbara Eden para o SBT Repórter em 2 de maio de 2002

http://barbaraedenpage.vilabol.uol.com.br/principal.html

Hermano Henning, apresentador: Na TV, ela era capaz de conseguir tudo o que queria. Mas nenhuma mágica iria livrá-la do drama da vida real: há poucos meses, o filho único de Barbara Eden morreu, e o mundo descobriu que ela guardava um segredo de partir o coração. (Pequena pausa. Algumas imagens de Barbara, com uma cara bem triste, são exibidas enquanto a narração recomeça).

Não importa o que ela faça: para milhões de espectadores, Barbara Eden será sempre a Jeannie. É difícil acreditar que o seriado "Jeannie É Um Gênio" tenha durado apenas 5 anos, de 1965 a 1970. Depois disso, os capítulos são reapresentados sem parar em TVs de todo o mundo. E ninguém reclama. (Enquanto esta última parte é narrada, são exibidas diversas imagens da série).

Barbara Eden: É. É ela. Essa é a garrafa. Essa é a garrafa que apareceu no último capítulo que nós gravamos. (A garrafa é focalizada em uma estante enquanto Barbara fala. Ao seu lado, há réplicas da garrafa e uma Barbie Jeannie)

Hermano Henning, apresentador: Mas Barbara Eden quase desistiu do papel de Jeannie por causa do filho. Em 1965, já estava casada há sete anos com o ator de TV Michael Ansara. Ela recebeu a notícia de que estava grávida no mesmo dia em que o seriado "Jeannie É Um Gênio" foi ao ar. Imediatamente Barbara falou com o produtor. (Durante esta parte, são exibidas cenas de Barbara com Michael e cenas do primeiro episódio da série)

Barbara Eden: Ele olhou para mim e disse "Tá bom. Você está grávida." Ele não acreditava. Não acreditava. E eu disse "É! Eu não posso mais fazer o seriado." Foi assim. "Mas antes vim contar para que você possa me substituir."(Barbara conta esta parte com muita alegria)

Hermano Henning, apresentador: Mas Barbara não desistiu. Ao invés disso, a emissora concordou em aceitá-la e nos primeiros 13 episódios esconderam sua barriga com truques e véus. Quando a série estava no auge, o pequeno Matthew nasceu. (Começam a ser exibidas imagens, provavelmente vídeos caseiros, de Matthew quando bebê, com os pais)

Barbara Eden: Ele tinha cabelos muito escuros quando nasceu, tinha as pestanas longas. Eu ganhei muito peso na gravidez, ele era um bebê muito gordinho. Ele era lindo.

Hermano Henning, apresentador: Barbara e pai do bebê estavam orgulhosos. Matthew era o centro de suas vidas. Eles até sonharam em ter mais filhos. Mas o sonho não durou muito. Depois que "Jeannie É Um Gênio" saiu do ar, Barbara ficou grávida novamente. Mas perdeu o neném.

Barbara Eden: O cordão umbilical, nesse caso, foi comprimido. Então, o bebê estava bem até o sétimo mês, e morreu. Era um menino também.  Não recebia nutrição suficiente.

Hermano Henning, apresentador: Barbara continuou trabalhando e começou a usar antidepressivos. O casamento desmoronou e ela se divorciou. Nessa mesma época, sem que Barbara soubesse, Matthew começou a usar drogas. (Agora são exibidas imagens de Matthew já um pouco maior)

Barbara Eden: Ele me falou que havia começado quando tinha 9 ou 10 anos. Ele costumava brincar com nossos vizinhos de rua mas parece que os pais deles cultivavam maconha no quintal. E eu acho que foi aí que ele começou a experimentar. 

Hermano Henning, apresentador: Quando Matthew tinha 12 anos, Barbara Eden casou-se com um executivo e mudou de cidade. Planejava levar o filho, mas Matthew queria ficar. O ex-marido ameaçou entrar na justiça pela guarda do filho e então, nos 6 anos seguintes Matthew morou com o pai. (São exibidas imagens de Barbara com o segundo marido, Charles Fegert, e de Barbara com Matthew e Michael Ansara).

Barbara Eden: Eu acho que provavelmente ele ia morar com o pai, quer eu estivesse casada ou não.
Hermano Henning, apresentador: Barbara Eden nunca parou de trabalhar. Ela começou um novo seriado de TV e Matthew apareceu ao seu lado. Em 1983, divorciou-se do segundo marido. Na mesma época, descobriu que Matthew havia se tornado um adolescente problemático e envolvido com más companhias. (Agora é mostrada uma foto de Barbara com Matthew no seriado "Harper Valley PTA" e uma foto dos dois em casa)

Barbara Eden: Ele não era mais o menino alegre que eu conhecia.

Hermano Henning, apresentador: Quando ele estava na faculdade, quase se matou.

Barbara Eden: Numa noite, de madrugada, eu recebi um telefonema. O carro dele tinha capotado, tinha dado muitas voltas. Por sorte,  quebrou apenas o nariz e fraturou a clavícula. Mas, naquela ocasião, eu não pensei em nada a não ser, "Meu Deus. Que sorte." É óbvio que agora sei que as drogas foram as culpadas.

Hermano Henning, apresentador: Barbara não percebeu que o filho estava usando drogas.

Barbara Eden: Talvez porque não conhecíamos o problema.

Hermano Henning, apresentador: Como muito pais, ela não reconheceu os sintomas. Matthew tinha 19 anos e já usava drogas há 10 quando ela descobriu. (Agora é mostrada uma foto de Matthew com a mãe de Barbara).

Barbara Eden: Ele estava indo para a universidade e esqueceu os livros em casa. Eu os vi, e então eu disse "Oh, como ele vai assistir as aulas sem os livros?". Peguei o carro, desci a ladeira e percorri todo o campus procurando por ele. Fui até a sala do diretor, e ele não estava matriculado. Então tivemos uma briga imensa. Enorme. A nossa primeira. Eu o interpelei sobre drogas, eu disse: "Você está usando drogas. Tem alguma coisa errada." Ele ficou uma fera e disse: "Por que eu não usaria? A minha vida é uma porcaria." A coisa foi feia. (Neste momento, Barbara tem os olhos cheios de lágrimas).

Hermano Henning, apresentador: Barbara e o pai de Matthew entraram em um programa para reabilitação de drogados. Esse era o início de uma batalha de 16 anos. Matthew foi parar em clínicas por 7 ou 8 vezes. Quando ele tinha uma recaída, Barbara recebia instruções para ser durona.

Barbara Eden: Eu disse que não poderia morar comigo se insistisse em a usar drogas. Ele teria que sair. E ele saiu. E o pai dele e eu ficamos atordoados. Procuramos por ele e não sabíamos onde ele poderia estar. Ele foi dormir nas ruas.

Hermano Henning, apresentador: Matthew chegou a roubar a mãe para pagar as drogas.
Barbara Eden: Ele tirou dinheiro da minha carteira, da carteira de meus amigos, ele roubou objetos de prata.

Hermano Henning, apresentador: Aos 31 anos, Matthew mudou. Ele encarou o problema, e já conseguia ficar sem usar drogas por período cada vez maiores. Ele se tornou um fisiculturista. Ganhou corpo, raspou a cabeça, deixou crescer o bigode e começou a fazer papéis no cinema. Fez um presidiário, neste filme, semanas antes de morrer. Mais importante que a carreira, Matthew se apaixonou. (Durante esta parte, são mostradas fotos de Barbara com Matthew e uma cena de Matthew em um filme.)

Barbara Eden: Ele tinha se acertado na vida. Tinha uma namorada adorável, estavam noivos e iam se casar em um mês. (Neste momento, Barbara dá um grande suspiro)

Hermano Henning, apresentador: Mesmo com tudo isso a seu favor, Matthew encontrou novas tentações no mundo do fisiculturismo. Ele passou a usar anabolizantes. E um dia parou neste posto de gasolina. A câmera de segurança gravou o carro às 6:30 da tarde. Duas horas depois, Matthew foi encontrado caído sobre o volante. (São mostradas imagens do posto de gasolina)

Barbara Eden: Aparentemente, ele havia injetado uma dose de heroína. Matthew não fazia isso há bastante tempo, cerca de 2 anos. Ele morreu. Seu coração parou.

Hermano Henning, apresentador: No carro de Matthew a polícia encontrou pequenas quantidades de heroína, de maconha, de anabolizantes, e uma seringa.

Barbara Eden: Ele puxou meu tapete. Eu convivi com esse medo. Convivi com isso durante anos. Ele estava fazendo progressos. Ele estava vencendo a guerra. (Neste momento, Barbara começa a chorar de verdade. Ela não consegue continuar e se levanta da cadeira.)

Hermano Henning, apresentador: Matthew perdeu a guerra dele. Mas Barbara está determinada a não perder a dela. Agora tem uma missão. Avisar aos pais para se intrometerem, para se envolverem. E para buscarem ajuda se suspeitarem de qualquer coisa.

Barbara Eden: Eu cresci numa família em que cada um tinha seu armário, suas gavetas, nunca abríamos as gavetas um do outro. Nunca. Acho que chegamos a um ponto nas nossas vidas que temos que esquecer a privacidade no que diz respeito aos nossos filhos. Abrir as suas gavetas para saber o que está havendo. (Agora são mostradas diversas fotos de Matthew, que estão espalhadas sobre uma mesa. Depois que Barbara termina de falar, é exibida uma imagem de uma entrevista de Barbara (Matthew está ao lado dela). O repórter pergunta: "Qual é o nome de seu filho?", ela responde: "Matthew.")

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