![]() |
|---|
| P.O.BOX: 33132, ZIP CODE: 22440-970, Rio de Janeiro, Brasil / OMARTELO@OMARTELO.COM |
|---|
|
|
Filha de uma brasileira com um diplomata chileno, Adriana nasceu em Buenos Aires. Com apenas 16 aninhos fez seu primeiro filme no Brasil “El Justiceiro” dirigido por Nelson Pereira dos Santos, trabalho posterior ao clássico “Vidas Secas”. Residindo em Quintino Bocaiúva no subúrbio carioca; de manhã estudava na Tijuca e no cair da noite batalhava por papéis em teatro em Copacabana. O filme de Nelson era uma sátira escrachada aos militares, à burguesia e à turma da esquerda. Talvez tenha sido o filme Cinema-Novo-Rio-Zona-Sul mais diabólico já produzido. Gerou ódios e paixões. “Foi o filme de Nelson Pereira mais proibido pela ditadura, prova de que não entenderam nada. Implicaram com as gozações pra cima do pai de El Jus, El General, e por conta disso limaram parte do som dos diálogos. Depois resolveram apreender o filme, e levaram cópias e negativos, e o que se tem do filme, um contratipo e cópias, só foi possível graças a uma cópia em 16mm esquecida em Pesaro, por conta de um festival na época, e encontrada por David Neves”(Daniel Caetano). Mas foi logo nessa estréia conturbada que Prieto recebeu o Prêmio Governador do Estado do Rio de Janeiro de melhor atriz coadjuvante. Dizem que Nelson fez o filme meio nas coxas, de mava. Mas a menina nascida portenha com sangue brasileiro exibiu desde cedo raro talento e beleza. Viveu praticamente para e do cinema, coisa rara hoje em dia. As palavras para descrevê-la iam de “envergonhada” a “deslumbrante de linda” (Arnaldo Jabor). Outro filme famoso de Adriana é “Lúcia McCartney” dirigido por David Neves em 1971. Roteirizado por Rubem Fonseca, autor dos dois contos que serviram de base à história da garota de programa o filme termina com esse texto: “Os homens, os mais jovens em menor medida, e os adultos plenamente, vão ao bordel em busca de ficção”. Por Lúcia, a mais famosa fã dos Beatles da literatura brasileira, Adriana recebeu o Prêmio Air France. David morreu pobre, deprimido, portador do vírus da aids e abandonado pelos amigos. A história de Prieto foi entremeada por momentos difíceis: teve um pai ausente; um irmão homossexual controlador que morreu de aids e uma mãe com a qual se relacionava dubiamente. Apesar de ter sido internada em um colégio de freiras onde foi molestada, ao mesmo tempo se preocupava com ela, pois afinal de contas era a sua mãe. Adriana só se naturalizou brasileira aos 21 anos. “Adriana ganhara de meu pai, um ex-morador do subúrbio carioca e por isso rodriguiano nato, um apelido carinhoso — Moitinha —, que pegou instantaneamente, de tão perfeito. Embora reservada, ela tinha uma maneira peculiarmente delicada, só dela, de se proteger da curiosidade alheia: ao estímulo, durante nossas conversas à mesa, respondia com uma deliciosa gargalhadinha marota e absolutamente infantil, baixando os cantos da pequena boca como que a domar um possível excesso de euforia. Risinho de alma impenetrável. Às vezes, seu olhar quase a traía, ameaçando entregar os segredos da dona, mas Adriana se abria muito pouco e não se queixava. Era seu jeito de ser: "na moita".” (Márcia Lessin Rodrigues) Tragédia anunciada As jovens Adriana Prieto e Cláudia Lessin, morta em um caso muito comentado na época. “Tiveram mortes trágicas, indiretamente intermediadas pelo mesmo homem: um desses seres-abutres que, embora vivam e se vistam como nós, habitam as trevas e de lá saem, (...), apenas para sugar às mulheres a vida e, quando conseguem, semear-lhes a morte. Adriana morreu vítima de um acidente de automóvel, conduzida pelas mãos desse homem que, anos depois, apresentou minha irmã, dependente química, aos seus futuros assassinos” afirmou a atriz Márcia Rodrigues, irmã de Cláudia e amiga de Adriana, em depoimento. Adriana havia insistido com Arnaldo Jabor para fazer o papel de Glorinha em “O Casamento”. Paulo Porto, co-produtor do filme não ia com a cara do Carlinhos Prieto, irmão da Adriana. Ela entrou no filme sem o irmão. O próprio Jabor explica: “Ela tinha uma violência interna, uma revolta que eu não sei bem o que era. Um ódio. Ela se sentia muito usada, inclusive pelo namorado. Era muito bonita e as pessoas ficavam só querendo comer ela. E ao mesmo tempo ela era muito solitária.” Sobre as coincidências trágicas do filme: “... Eu tinha medo que ela morresse. Ela estava tão desesperada, numa crise de namoro, não lembro com quem era. Ela saía com o carro, ela tinha um Volks, saía com aquela porra daquele carro quando terminava a filmagem e eu falava: "Adriana vai devagar”. Realmente, esse filme... até gosto de bater na madeira. Paulinho já morreu, morreram todos. Paulo Porto, Adriana e Carlinhos, morreram os três, puta merda. Esse filme é um filme fúnebre. Morreu o dono da casa onde eu filmei. Morreu o cara que fez o som, de 28 anos: teve um ataque cardíaco e caiu morto. O sócio do meu filme se suicidou, o produtor Sidney Cavalcanti, meteu a cabeça no forno, tinha 27 anos de idade. Morreu Abel Pera. Tem uma seqüência em que Adriana tem um pesadelo e sonha que está morrendo depois de um aborto, no mesmo lugar onde ela morreu de verdade, no hospital Miguel Couto. E ela foi colocada na mesa do necrotério onde ficou o namorado dela no filme, que morre num desastre.” (Arnaldo Jabor) A atriz de 25 anos morreu em 1975, de acidente de automóvel, na véspera de natal sete dias depois de terminar as filmagens de “O Casamento”. Seu fusca foi atingido violentamente por um carro de polícia. A atriz Norma Blum dublou Adriana/Glorinha que não teve tempo de gravar as vozes definitivas.
![]() 1975 - O Casamento (Arnaldo Jabor) Fontes: http://www.classicvideo.com.br ![]() ![]() ![]() ![]() |