
Ato ou efeito de sangrar, sangradura. Perda de sangue provocada por agressão ou acidente. Sangue que se extravasa ao se abater um animal cuja carne é destinada à alimentação. Espécie de bebida refrigerante preparada com vinho, enfraquecido pela adição de água e, às vezes, açúcar. Fato, acontecimento, situação urgente que exige cuidado e providências imediatas. Essas são algumas acepções contidas no dicionário Houaiss da Língua Portuguesa para o vocábulo Sangria. No entanto, nos últimos três anos, essa palavra ganhou, gradativamente, outro significado no universo musical brasileiro. Surgida no seio da cena do rock independente baiano remanescente dos anos 90 e integrada por ex-membros das extintas bandas Úteros em Fúria e Dinky Dau, Sangria passou a ser sinônimo de um grupo que sobe ao palco para fazer rock sem concessões a nenhum formato. Grunge, heavy metal, pós-punk, neo-hardcore, stoner rock, squizo hard rock ou new metal. A estética musical deles não se encaixa por inteiro em nenhum dos rótulos existentes no supermercado do mundo rock.
A Sangria faz, sim, uma música pesada de qualidade com uma intensidade de grito primal como é característica da essência originária do rock and roll. Um gênero musical rebelde e irrequieto por excelência, por mais romântica e ingênua que possa parecer adjetivar a essa altura esse “vovô” de mais de 50 anos. A Sangria fincou seu alicerce criativo no espaço astral onde o rock se faz mais nervoso e urgente. Sem reinventar a roda, mas fazendo o gênero reiterar sua profissão de fé.
O vocalista e letrista Mauro Pithon, o baixista Pedro Rocha, os guitarristas Marcos “Bola” e Apú e o baterista Emanuel Venâncio, com idades variando dos 28 aos 35 anos, se uniram a partir do desejo comum de extravasar as angústias e, claro, se divertirem embalados por um rock pesado autoral com musicalidade à toda prova.
Se a intenção de se expressar artisticamente os fez encarar os palcos e os “perengues” da capital baiana e de outras cidades do país, os “sequelados” da Sangria - como o vocalista costuma falar - pretendem mostrar que é possível fazer rock pesado em português e alcançar um público mais abrangente do que o do circuito alternativo. O som da banda não integra a categoria do rock mais facilmente absorvido pela mídia radiofônica, mas o inverso não é de todo impossível, principalmente, em relação às emissoras segmentadas. Após dois videoclipes com alguma projeção na MTV, o grupo vem conquistando admiradores em todo país. Eles se preparam agora para dar o “pulo do gato” ao gravar, num estúdio de ponta, o seu primeiro cd, que periga ser o mais instigante do rock brasileiro em 2007. Para falar sobre a trajetória da Sangria, Pedro Rocha e Apú soltaram o verbo numa entrevista exclusiva para o Martelo.

Primeiramente, gostaria de saber como surgiu a banda.
Apú – O projeto começou com Mauro e comigo há três anos, que queria fazer uma música mais violenta e agressiva. Seis meses depois, é que começou a banda mesmo porque foi quando eu chamei Pedro, Emanuel e o Bola, que entrou por último. No início, a intenção era fazer um som para largar a raiva. Um som que pudesse ser o mais nervoso possível. A temática das letras é toda dentro desse contexto sombrio, sobre malezas da humanidade. O cotidiano que vemos todo dia.
E as influências?
Pedro – Uma mistura de vários estilos. Todo mundo da banda ouve coisas diferentes, que gosta de vários tipos diferentes de música. Eu, particularmente, gosto de tudo que é bom, incluindo qualquer tipo de música. Todos na banda seguem esse pensamento. Tudo que tem valor, simplesmente tem valor além do rótulo. Mas o que sai na Sangria é a junção de todo mundo. É natural, sem pré-intenção nenhuma.
Apú – O baixo de Pedro é mais pós-punk. O lado metal vem por minha causa porque eu ouvi muito metal. Bola tem influência de guitarra mais punk. Emanuel é uma batera mais louca, psicopata, porque ele gosta de Mr. Bungle e de Mars Volta.
Pedro – Ele gosta de coisas também como Cordel do Fogo Encantado.
Apú – Mauro quer fazer rock pesado. Então, fica em torno de Black Sabbath, Alice in Chains e Metallica, que é uma coisa natural.
Como é o processo de composição? Primeiro vem a melodia ou a letra? Ou tudo derivado de jam em estúdio?
Pedro – Normalmente, eu crio os temas, os riffs de guitarra, os pedaços de músicas, e no estúdio arranjamos tudo. Mauro faz a letra. Normalmente, creditamos a música à banda inteira. Eu levo uma idéia central, um riff, uma idéia de refrão e lá montamos e fazemos a passagem.
Dentre as várias cidades onde já tocaram, onde tiveram melhor receptividade? Tem muita diferença do público de Salvador?
Pedro - O melhor show talvez tenha sido em Goiânia (Bananada 2006) por causa da receptividade mesmo. O lugar estava cheio e o pessoal lá gosta de rock e gostou da banda mesmo. A estrutura era legal. O último show que fizemos com o Matanza na Outs, em São Paulo, também teve uma receptividade legal pela primeira vez, mesmo sendo o terceiro show nosso lá. Foi o primeiro que houve uma reciprocidade maior entre o público e a banda. Aqui em Salvador, o último com o Cachorro Grande. Foi o terceiro show que fizemos com o Cachorro Grande aqui. Foi, na minha opinião, o que tocamos melhor aqui em Salvador. Teve também Vitória da Conquista (Ba) que foi legal. Belo Horizonte também.

Qual é o sentido de fazer um rock, sincero e autoral, num mundo tão cada vez mais superficial?
Pedro – O rock é quase uma religião. É uma maneira de ver a vida. Desde pequeno que eu me identifiquei com isso e continuo assim. É, sem dúvida, para uma realização pessoal, não financeira ainda, que eu toco. Apesar de quere viver de música, trabalhando com música com todos os gêneros. Agora, eu a Apú estamos abrindo um estúdio e isso envolve música também. Tocar para mim é uma questão de colocar para fora. Tem gente que faz um esporte, tem gente que faz outro tipo de trabalho. Eu faço com o rock.
Apú – É uma forma de se expressar mesmo e por diversão também porque rock, antes de tudo, é para se divertir. Nunca parei para pensar em tocar em banda por ganhar dinheiro. O capital tem de ser uma consequência do trabalho. Mas, principalmente, porque seja uma das poucas coisas que eu faço direito.
Como vocês situam o som da Sangria no cenário do rock brasileiro?
Pedro - Eu situo a Sangria como uma banda nova, emergente, de boa qualidade, o que é, infelizmente raro no país hoje em dia. E Salvador é uma grande produtora de bandas desse nível, como Cascadura, Rônei Jorge (e Os Ladrões de Bicicleta) e todas outras que vêm se sobressaindo. Desde Raul Seixas, temos bons exemplos do rock. Aqui nunca faltou rock. Falta só divulgar o rock. Nós somos mais uma delas. Quanto ao estilo musical da Sangria, ele é agressivo, mas tem musicalidade. Eu não conheço nenhum estilo musical que dê para nos enquadrar. Alguns nos chamam de stoner rock, outros de heavy metal. Eu acho que é rock de verdade. Tudo que é de verdade é intenso, sai com intensidade. Podia ser qualquer estilo de música que ia ser meio estranho porque é bastante intenso.
Por falar em intensidade, muitos adoram a Sangria por causa do vocal esganiçado de Mauro. Outros não gostam da banda justamente por causa desse vocal. Como vocês analisam essa marca registrada estética do grupo?
Apú – Se você conhecer a Sangria, ouvir o repertório todo vai ver que tem muitas músicas que são gritadas, têm pedaços de várias músicas, mais da metade do repertório, que têm partes gritadas e partes não gritadas. Eu acho que é uma estética que choca. Quem tem costume de ouvir rock pesado, não se choca tanto assim. Mas, quem não conhece, se choca.
Pedro – Tem outra coisa. Gosto, cada um tem o seu. Por isso, tem gente que gosta e tem gente que não gosta.
Falem sobre os videoclipes.
Pedro – “Capotagem” foi direção, produção, idéia, execução foi tudo de “Bola”. Ele já mostrou pronto. Fizemos um show num hotel em Patamares (orla de Salvador) e era aniversário de alguém da banda, que eu não me lembro de quem. Talvez de Apú. Filmamos a festa toda, indo para o show, no camarim, voltando. Demos a sorte (ops!) de presenciar um acidente de carro, coisa que foi filmada também. E aí ele em casa, sozinho, passando o tempo fez e apresentou a banda já pronto. O outro clipe, “Acerto de Contas”, foi dirigido por Ricardo Spencer e tem os atores Nilda Spencer e Wilson Melo, Tiago do Cascadura e vários outros amigos. O roteiro foi de Spencer e foi financiado, custou dinheiro. Fizemos independente. Arrumamos dinheiro, nos bancamos e fizemos tudo. Foi filmado em 16 milímetros (película) e as locações foram no Pelourinho e na FTC (uma universidade da cidade), onde nessa segunda criamos uma locação de um cenário de um hospital e o cenário onde a banda toca ao vivo. Então, envolvemos muita gente. Todos eles praticamente de graça. Só amigo mesmo. E foi um trabalho conjunto. Foi legal. Tenho certeza que todo mundo se divertiu bastante. Foram três dias de trabalho árduo, desde de conseguir as roupas até pegar material que saiu no clipe que conseguimos na feira de São Joaquim (tradicional feira da cidade), como vísceras e essas coisas.
Qual foi o retorno dos clipes para a trajetória da banda?
Pedro – Os dois clipes passaram na MTV. Eu tive a sorte de assistir duas vezes de madrugada. Mas, sem dúvida, o segundo passou mais e teve uma repercussão bem maior, principalmente, pela internet. A MTV ajudou porque por esse clipe (“Acerto de Contas”) tivemos acesso ao “Banda Antes”, “Jornal MTV” e a uma série de programas. E para o pessoal administrativo da engenhoca que é a MTV nós já existimos depois desses clipes. Isso é importante. Mas, o mais importante que eu acho foi a parte da internet, que surpreendeu um monte de gente quando viu através do site o clipe. Recebemos e-mail de gente do país todo, do Rio Grande do Sul ao Amapá falando bem do clipe. E as pessoas que vão para os shows já viram o clipe. Algumas delas falam bem. É mais importante fazer um clipe e colocar na internet do que fazer uma demo. Funciona bem amais a união da imagem com a música. Hoje em dia, isso é fundamental.
Vocês pretendem fazer um terceiro videoclipe?
Apú – Queremos fazer o clipe depois do cd pronto para escolher a música certinha.
Pedro – Para ter um nível de gravação e musicalidade melhor no clipe.
Vocês já pagaram “jabá” para tocar em algum lugar?
Pedro – Nunca pagamos “jabá” absolutamente nenhum. O máximo que fizemos foi acordo com outras bandas para fazer troca de shows. Eu produzi shows deles aqui e eles shows da gente com eles lá. No caso, aconteceu com o Matanza. Tocamos com eles em São Paulo e eles tocaram com a gente aqui. Mas foi uma troca de amizade. Gostamos do som deles e eles gostaram da gente. Foi uma troca de favores. Foi o máximo do que pode se chamar de acordo que a gente fez. Com relação à MTV, não tem absolutamente nada. Todas as vezes que nós fomos, fomos convidados por eles. Não teve pressão nenhuma .

Qual foi o apoio que Pitty deu à carreira da Sangria?
Pedro – Eu acho que pelo fato de falar bem da gente. O fato dela gostar da gente. Ela como uma pessoa influente nacionalmente por ser uma artista conhecida o que ela fala o público ouve. E o fato dela falar bem de uma coisa, repercute bem. Foi a única e exclusiva ajuda que ela nos deu.
No meio rock de Salvador, o CD da Sangria está sendo muito aguardado como o lançamento do ano depois do Cascadura e Rônei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta terem feito bonito em 2006. Como está o processo de confecção do mesmo?
Apú – Estamos em fase de pré-produção. Estamos ensaiando o repertório. Queremos colocar no cd 13 músicas. Temos hoje uma faixa de 19 a 20 músicas prontas. Só que queremos gravar 15 e escolher 13 para ficar no CD.
Pedro – Estarão no CD, as músicas: “O Gole”; “Cadaverina”; “Estados Alterados da América”; “Acerto de contas”; “Cobaia”; “Último clichê do inferno”; “Amnésia”; “Náusea”; “Rua da Amargura”; “Hospício azul do sol poente”; “Mofirna”; “Capotagem”. Tem algumas músicas que a gente está vendo se vai encaixar ou não. É para isso que existe a pré-produção. Estamos rearranjando de forma final as músicas. A intenção é ter 15 músicas prontas para delas escolher 13. Já existem as 15 músicas e agora estamos na fase de seleção.
Apú - Temos hoje uma faixa de 19 a 20 músicas prontas. Só que queremos gravar 15 e só queremos colocar no cd 13, as que ficaram melhor. 
Depois de muita especulação, finalmente quem será o produtor musical do CD?
Pedro – Sem dúvida, metade da produção é da banda. E vamos chamar um produtor de fora. No momento, estamos pensando em chamar algum produtor da cidade. E, provavelmente, vamos conversar e tentar chegar a alguma conclusão com Jera (Cravo), que já vem trabalhando com a gente desde as demos. Ele fez todos sons ao vivo da banda. Ele é o técnico de som dos shows e, em estúdio, também já vem sendo há algum tempo. Então, para evitar problemas, até de relacionamento, estamos pensando em optar por ele, mas depende também da aceitação dele. Mas, um dos nomes mais cogitados, é o dele mesmo pelo entendimento que a banda tem com ele e ele tem com a banda.
Quem seria esse cara de fora do Brasil?
Pedro – Seria Sal (Salvatore) Villanueva, que já produziu várias bandas gringas. Ele é filho de italiano, mas é de New Jersey (EUA).
Qual é o conceito que vocês têm de produtor musical? É o cara que tem de ser um amigo da banda ou sacar de engenharia de som ou ser um bom músico? Ou o mix disso tudo?
Pedro – Tem de ser o mix disso tudo aí.
Apú – Todo produtor trabalha com um técnico de som. Não é ele que mexe diretamente na mesa. Ele dá um conceito da banda.
Pedro - O papel do produtor é acrescentar a concepção dele na musicalidade da banda e acrescentar à banda alguma coisa. Fazer a banda soar melhor. Tirar da banda o melhor possível. Isso é ser o produtor musical. Isso a gente está dividindo com algum produtor, além da banda, para fazer junto com a gente.
Apú – Como trabalhamos de uma forma independente, até que ponto vale gastar muita grana contratando um produtor de fora para ter um retorno interessante. Como é o primeiro CD da banda, é melhor você ter um trabalho que vai ser honesto, mas que seja um pouco mais cru. Do jeito que é feito por produtor de fora. Mas, você vai ter dinheiro para fazer um clipe e trabalhar outras coisas, a banda poder viajar? Para que gastar uma fortuna com um produtor para o CD ficar lindo e não ter como trabalhar?

Qual vai ser o papel desse estúdio (deve ser inaugurado em março) na trajetória do grupo e por que ele será tão especial?
Pedro – O nome ainda é um segredo. O estúdio é especial porque foi feito com cuidado, coisa que não é comum na Bahia: tomar cuidado com os detalhes. Ele foi feito desde a fundação. Demolimos um prédio e construímos todo ele de novo, desde a fundação com cuidados necessários para que ele viesse a ser um estúdio pensado, calculado e tecnicamente cuidadoso desde o princípio. O arquiteto acústico do estúdio foi Renato Cipriano, que trabalha na WSDJ de Nova Iorque, que faz estúdio lá famosos e já vários fez daqui. O engenheiro executivo, que construiu a estrutura, foi o Tiago Barros. Ambos são de Belo Horizonte e, no caso de Renato, único representante dessa empresa na América do Sul. Ele, evidentemente, sugere o engenheiro que construa o projeto que ele faz. E ele sugeriu Tiago, que já fez estúdios, como o AR, a Toca do Bandido e grandes estúdios do Brasil. Foram dois anos de árdua coleta de dinheiro para fazer isso acontecer porque quando se quer fazer as coisas com qualidade, sabe-se que qualidade é dinheiro.
Quando e como o CD será lançado?
Pedro – Acredito que até junho deve estar nas lojas.
Apú – Na verdade, vamos fazer o CD independente. Porém, uma vez pronto tem algumas pessoas interessadas em olhar.
Pedro – Mas todas elas independentes. O pessoal da Monstro sempre gostou da gente, sempre se mostrou interessado. Pessoal lá do Rio e de São Paulo também se mostram interessados. Pessoal daqui se mostra interessado. Além de tudo, o estúdio vai ser uma gravadora também. Existe uma grande possibilidade de nós sermos o primeiro lançamento dessa gravadora.
Qual a diferença de tocar ao vivo e tocar em estúdio?
Pedro – Para mim pode-se tocar ao vivo no estúdio. Bem comum inclusive. Só que ao vivo tem a platéia e como qualquer coisa que a envolve é muito importante a reposta do público no desempenho de quem está tocando. Acredito que no esporte também seja assim. Isso muda muita coisa. Mas, eu, particularmente, gosto muito de trabalhar em estúdio mais do que ao vivo. É onde eu apuro os detalhes das coisas.
Pedro, você costuma ter problema com essa coisa do instrumento ao vivo?
Pedro – Não tenho problema. Geralmente, tenho problema com o equipamento, que é oferecido para que nós tocarmos. Isso é normal. O baixo é bom. Quem ta tocando nem tanto. E a caixa é pior ainda. Geralmente, é isso que acontece.
Se tivesse que dar uma martelada em alguém ou em alguma coisa, separando o joio do trigo? Em quem ou que seria?
Apú - Tinha que dar uma martelada nos políticos. Mas, como eu não vou ficar tão inocente, eu tinha que dar uma martelada nessa indústria musical inteira (gravadoras, rádios, tudo) porque estão destruindo a música, a cultura brasileira.
Pedro – Na verdade, em todos os meios de comunicação porque são os responsáveis pela aculturação que nós sofremos hoje em dia no nosso país. A nossa dieta cultural, infelizmente, é imposta por eles e, é por isso, que está todo mundo faminto de cultura.
Aonde vocês querem chegar para se julgarem satisfeitos com o trabalho da banda?
Pedro – No reconhecimento como uma banda de verdade, uma banda digna, uma banda com longevidade, que não esteja aqui só para fazer marketing, fazer carreira, ganhar dinheiro. Que ela não seja uma banda de preguiçosos, que não estejam dispostos a trabalhar contra as coisas.
Uma mensagem final.
Pedro – Eu espero que o Rio de Janeiro volte a ser o que sempre foi e deixou de ser de uns tempos para cá: um centro cultural do país. Esperamos tocar no Rio assim que sair o CD porque faremos uma tour nacional.
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