A partir desta edição, abrimos espaço para os nossos leitores amantes das letras.
O convocado da hora se chama Adriano Villa, tem 33 anos, é designer gráfico e escritor. Gosta de Megadeth, Zé Ramalho, Metallica e Engenheiros
do Hawaii; O Senhor dos Anéis, Forrest Gump, O Ùltimo Samurai, Entrevista com Vampiro; admira Marion Zimmer Bradley, Érico Verissimo, José de Alencar, Jorge Amado, Clive Baker e Stephen King.
POEMA A TERRA
Tantos poetas sobre teu corpo pisaram
Tantas palavras escritas na areia de suas encostas
Sentiste no âmago o amargo do sangue
De inocentes e condenados
Se pudesse falar
Que história nos contaria?
Falaria sobre as triunfantes batalhas antigas
Tróia existiu? Ulisses realmente se perdeu no mar?
Ou tudo isso não se passa de uma epopéia para a grandeza do ser
Que tornou-se realidade pela complexidade e perfeição?
Nos contaria o sangue jorrado pelas cruzadas
Ou os sacrifícios pela inquisição?
Nos contaria da flor que o homem jogou
e de todas as lágrimas que marcou?
Poderíamos falar de todo seu progresso
Mas como podemos festejar algo
Sendo que sabemos que se vai o essencial
Para ficar o comodismo?
Jamais vi nenhuma palavra em tua homenagem
A tua grandeza e sabedoria
Já vi muitas paisagens desenhadas
mas nenhuma como si própria queria...
Existe algo dentro de você além de calor
Algo que nos mantém girando no vazio
Num espaço negro onde nos ronda o frio
Se não fosse pela estrela quente e brilhante
Ficaríamos gelados como nossos próprios corações
Mas do barro Deus fez o homem
E barro nada mais é que a própria terra
Então, somos um pouco do que pisamos e matamos
Pois em teus seios enfiamos grandes estacas de metal
Para elevarmo-nos acima da terra para alcançar os céus
Para lutar contra os problemas que criamos
Para estar próximo a Deus
E longe da terra, endereço do Hades
E um dia nascemos de teu órgão
Expelidos para a vida, flores humanas
Independentes da mãe e incapazes de olhar para trazer
E dizer obrigado mãe terra.
Mas sentimos falta apenas do que nos é tirado.

VINTE E CINCO
Eu vejo as luzes brilhantes
Como tapetes nas avenidas
Eu vejo no sorriso das pessoas
Uma alegria intrometida
Entre seus medos mais silenciosos
E perdidos
Que agora se tornam apenas
Mais uma lembrança em suas galerias
Agora é o momento
Para pensar em tudo que passou
Em tudo que esta por vir
Deixar as mágoas para traz
E assim a vida seguir
Pois tudo que já foi não volta mais
E nem as águas do mar
São as mesmas que passaram pelo nosso olhar
Então olhe as luzes que brilham na imensidão
São estrelas para auxiliar a direção.
Vinte e cinco dias para tentar
Vinte e cinco anos para escutar
Vinte e cinco minutos para apreciar
Vinte e cinco segundos para se acostumar
Com os dias que se passam sempre iguais
Com as promessas de que um dia tudo pode mudar
E se Ele permitir? E se nós desistir?
E se nós persistíssemos? Seria culpa de quem?
Portanto, rezarei por você esta noite
E por todos os dias que passarem
Pois não existe somente um dia especial
Temos vida e um dia após o outro.
Hoje é um dia especial
Dia do nascimento
Do sacrifício
De sentir na pele o que é ser eu e você
De ter as duvidas, os medos e a coragem
De seguir e fazer algo acontecer
a vida não é uma miragem
a luta pode ser uma sangrenta paisagem
mas é o que nos leva a alcançar
os grandes feitos da humanidade
e se hoje existe uma nuvem negra sobre seus olhos
é por que você precisa aprender a caminhar também na escuridão.
UMA CARTA PARA QUEM POSSA
Não existe razão para mim nesta vida
Estou cansado de perseguir uma primavera
E deparar-me com um inverno constante no peito
Não venha me dizer que qualquer um erra
Pois caminhando pelas ruas
Vejo pessoas sorrindo
Eu sinto nelas o perfume da felicidade
E ele arde em meu interior
Fazendo transbordar em mim um sentimento
De inveja e de inferioridade
Estou cansado desta vida, eis a verdade...
Mas, como estar cansado de alguém
Que julgo não ter...
Minha vida fora roubada num instante de um beijo
No calor de um abraço
No labirinto maldito de um olhar de mulher
E o que me resta agora?
Além desta maldita solidão
Da lembrança de um corpo que tive entre os braços
E que agora nada mais é que uma silhueta disforme?
Meu corpo arde em desespero
Preferia mil vezes sentir a sede do deserto
Do que sentir o vazio deixado por teus lábios
E, dizem os sábios, o amor enlouquece.
Alguns enobrece, mas a maioria
Se perdem em devaneios alheios
A verdade que caminha
E o que posso fazer sendo um simples mortal?
Nada além de ter a coragem do sacrifício
De libertar minha alma de seus pensamentos
E mesmo rumando para o vale maldito
Talvez lá seja minha penalidade
Pela minha mais brutal atrocidade
Mas ao menos não verei teus olhos olhando para outro
Não verei teus lábios encontrando outro
E nem imaginarei teu corpo frágil contra um corpo forte
Só de pensar minha alma se enche de cortes
É por isso que vou, leve como a brisa
Passageiro como um dia ensolarado
E quando esta notícia chegar aos teus ouvidos
Encontre o cupido e condene-o por mim, pois este amor significou meu fim
Adeus minha querida, para sempre seu
Werther.
Meus olhos agora se fecham para sempre para você
E para toda minha vida... descanso em paz, já não existe mais a ferida.

AMOR SÉCULO XXI
Boa noite?
Teclas de onde?
Eu estou na terra no sentimento
Onde quero lhe trazer para ver o firmamento
Me dê alguns momentos
É tudo que preciso para lhe prender
Eu sou a realização de seus sonhos
A personificação do homem na terra
Eu posso lhe dar tudo que quiser
E com o tempo, será minha única mulher
Eu tenho todas as respostas para suas perguntas
Eu tenho todos os resultados para este jogo
Então, pergunte o que desejar
E aperte o botão enviar
E neste espaço iremos viajar
E você verá em meus olhos
O azul do mar
E terás em meus braços
Um lugar para pousar
Seu corpo cansado
E suado pelo meu próprio calor
Ei, eu sou aquilo que precisa
Sou o único que pode te levar lá
Através desta máquina
Com os olhos presos ao monitor
Eu lhe trarei aquele amor
Pois você é a parte que procurava
E eu, sou tudo que buscava
Em alguém do sexo oposto
Mas, teremos uma regra
Não verás meu rosto,
Serei apenas um nome piscando
No canto inferior esquerdo da tela plana
E através dele criaremos a chama
E pelas madrugadas imaginaremos uma cama
Onde podemos nos deitar para nos amar
E não será falho, basta clicar no ícone do atalho
Para nos conectar mais uma vez
Ou até mesmo em mais de um
Comemorando assim
O amor vazio e cibernético
Do século XXI.

O BEM AMADO
Seu encanto
No meu canto
Ouço prantos
Dos tempos que passaram
Hoje um novo caminho
Uma nova paixão
Em minha mente
Novas paisagens se formam
Claras como o verão
E nos invernos passados
Eu vivi tantos anos sem você
E mesmo sem lhe conhecer
Me entristeci com tua partida
Deixara todos que lhe amavam
Realmente era muito amado
Somente pelos parentes?
Não, claro que não
Talvez até pelo céu
Pelo mar, por Iemanjá
Que tantas vezes chamou pelo seu nome
Que desenhou seus cabelos nas noites de lua sobre o mar
Ah! Eu avistei os barcos vindo ao longe
Cortando as águas escuras, as noites tempestuosas
O brilho dos olhos repletos de vida
Mesmo com a pobreza em todo lugar
Mesmo com todas feridas ainda abertas
Acariciadas pelo vento sul
Somente seus olhos poderiam avistar tais belezas
Tantas riquezas onde nada há além
de um dia após o outro presenteado por Deus
Eu lhe conheci tarde, eu chorei na despedida...
Senti a dor de todas as feridas
Mas, pelo mundo você é e sempre será amado
Nosso baiano mais querido
Nosso saudoso Jorge Amado.
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