
O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS
Brasil, 2006, Direção: CAO HAMBURGER, Roteiro: CLAUDIO GALPERIN, BRÁULIO MANTOVANI, ANNA MUYLAERT, CAO HAMBURGER, Produção: FABIANO GULLANE, CAIO GULLANE, CAO HAMBURGER, Fotografia: ADRIANO GOLDMAN, Montagem: DANIEL REZENDE, Música: BETO VILLARES, Direção de arte: CÁSSIO AMARANTE Som direto: ROMEU QUINTO, Elenco: MICHEL JOELSAS, GERMANO HAIUT, DANIELA PIEPSZYK, SIMONE SPOLADORE, CAIO BLAT, LILIANA CASTRO, PAULO AUTRAN, EDUARDO MOREIRA. Duração: 110 minutos. 
Sinopse
1970. Mauro (Michel Joelsas) é um garoto mineiro de 12 anos, que adora futebol e jogo de botão. Um dia sua vida muda completamente, já que seus pais saem de férias de forma inesperada e sem motivo aparente. Na verdade os pais de Mauro foram obrigados a fugir por serem de esquerda e estarem sendo perseguidos pela ditadura, tendo que deixá-lo com o avô paterno (Paulo Autran). Porém o avô enfrenta problemas, o que faz com que Mauro tenha que ficar com Shlomo (Germano Haiut), um velho judeu solitário que é seu vizinho. Enquanto aguarda um telefonema dos pais, Mauro precisa lidar com sua nova realidade, que tem momentos de tristeza pela situação em que vive e também de alegria, ao acompanhar o desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo.
Cao Hamburger, diretor de O Ano em que meus Pais Saíram de Férias, pertence a uma geração que viveu o auge da ditadura num estado de relativa inconsciência, tentando decifrar os acontecimentos pela ótica infantil. Ele também foi goleiro na infância e seus pais, em algum momento, “saíram de férias”. Trinta e cinco anos depois, ele inseriu traços dessas memórias no seu segundo longa-metragem para cinema (depois de Castelo Rá-tim-bum – O Filme). De alguma maneira, é sua tentativa de “compreender” artisticamente o que tanto afetou sua família e o país.
A euforia da Copa de 70, a repressão do governo Médici se estabeleceu como pólos dramáticos no cinema brasileiro. No filme de Cao Hamburger esse tema não ganha um tratamento diferente de todos os outros filmes com mesmo tema, até por que isso já está me soando como um subgênero do cinema nacional, Os gols da Seleção, as ruas desertas e os militantes espancados se repetem como clichês, amenizados apenas pela abordagem oblíqua e “inocente”, fruto da visão de Mauro, um menino de 12 anos.
O filme começa com um ritmo meio lento, uma certa demora pra aceitar a história desse menino que é deixado pelos pais na porta de avô que justamente acaba de morrer, mas com o andamento do filme, tudo vai se desenrolando na medida em que o filme explora a solidão de Mauro no bairro judeu de São Paulo e a tensão da espera por um retorno dos pais – em tudo análogos à solidão e à tensão dos goleiros que tanto impressionam o menino.

A amizade de Mauro com as crianças vizinhas têm um caráter de descoberta do mundo, que aproximam a narrativa semi-autobiográfica do diretor a hits do filme de formação como Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios, de Emir Kusturica, e o argentino Valentin, de Alejandro Agresti. Hamburger, inclusive, não nega que quis fazer uma contraparte brasileira desse filme argentino e do chileno Machuca.
“O Ano em que meus Pais Saíram de Férias”, é um filme forte, comovente, que consegue tocar o espectador. Um belíssimo trabalho do fotógrafo Adriano Goldman, um ótimo roteiro, que levou quatro anos pra ficar pronto, oito semanas de filmagens. Ganhou o Troféu Redentor de Melhor Filme - Júri Popular, no Festival do Rio. Ganhou o Prêmio do Júri - Menção Honrosa e o Prêmio Petrobras Cultural de Difusão - Melhor Filme de Ficção, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Posso me arriscar a dizer que este é o melhor filme nacional desde o “Cidade de Deus” com uma direção de arte impecável e uma fotografia de primeira. Realmente um filme lindo.

O CÉU DE SUELY
Brasil/2006, Direção Karim Ainouz, Roteiro: Maurício Zacharias/Felipe Bragança/Karim Ainouz música Berna Ceppas/Kamal Kassin, Fotografia: Walter carvalho edição Isabela Monteiro de Castro/Tina Baz Lê Gal, Elenco: Hermila Guedes/Maria Menezes/Zezita Matos/João Miguel/Marcelia Cartaxo/Georgina Castro/Flavio Bauraqui, Duração: 88 minutos.
Sinopse:
O Céu de Suely conta a história de Hermila, uma jovem que volta de São Paulo com seu filho recém-nascido para a casa de sua família, no interior do Ceará. Ela espera a chegada do marido que deve reencontrá-la. Mas ele nunca chega. Sozinha, Hermila tenta reeinventar a sua vida, mas continua com o sonho de ir embora para o lugar mais longe possível.
O bairro da Lapa no Rio de Janeiro e Iguatu no Ceará são cenários completamente diferentes e respectivamente ambientam os dois longas (Madame Satã e O Céu de Suely) de Karim Aïnouz. Mas o que chama mesmo a atenção nos filmes de Karim é o conflito emocional e pode-se dizer até mesmo existencial entre os personagens. Hermila é uma personagem cheia de paixão, paixão que acaba se tornando um martírio. Este sentimento se perde em meio a tanta angústia, uma mulher perdida com um filho e abandonada pelo marido, não vê outra solução a não ser rifar seu próprio corpo. Assim se desenrola a dramática história de Hermilia em o Céu de Suely. O Diretor Karim e o fotografo Walter Carvalho trabalharam com muita sutileza em pequenos movimentos do personagem, fazendo compreender a personalidade e intimismo do mesmo. Em alguns momentos faltou um pouco de sensibilidade técnica, mas que os atores acabaram suprindo na frente da câmera, tanto os amadores, quanto os profissionais.
A suavidade da trilha incidental acaba por explodir, em um breve instante, numa batida eletrônica e a mesma sensação transpassa Herminia, que esta sempre a beira de extravasar sua emoção a flor da pele, mas só poucas lágrimas são vertidas.Essa construção demonstra o amadurecimento do cineasta em sua contenção emocional, que promove uma experiência sensorial no espectador.
No festival do Rio em meio a tantos filmes com temas parecidos, como ditadura militar, exclusão social, premiou o lírico e singelo Céu de Suely, melhor atriz, filme e direção. Merecido, porém confesso que tecnicamente poderia ter sido um pouco melhor trabalhado. Enfim, um ótimo filme.
Dicas de filmes:

O Beijo No Asfalto 
Elenco: Tarcísio Meira, Ney Latorraca, Daniel Filho
Direção: Bruno Barreto
Duração: 79 minutos
O beijo espontâneo dado por Arandir, homem de coração puro, em um sujeito que acaba de ser atropelado, gera uma série de mal-entendidos. Um jornalista presencia o beijo e, junto com o delegado corrupto Cunha, transforma a história do último desejo do agonizante em manchete principal. O Beijo no Asfalto é inspirado na famosa peça homônima de Nelson Rodrigues, que por sua vez se baseou em uma história verídica.
Um filme um tanto arrastado que não consegue desgrudar muito bem da linguagem teatral. Em algumas cenas tive a impressão de estar assistindo uma peça filmada. Enfim, mas vale a pena dar uma olhada. Um bom filme com um elenco de primeira.
Os Infiltrados 
Elenco:
Leonardo DiCaprio (Billy Costigan)
Matt Damon (Colin Sullivan)
Jack Nicholson (Frank Costello)
Martin Sheen (Oliver Queenan)
E outros...
Direção: Martin Scorsese
Duração: 149 minutos
Dessa vez Scorcese veio pra buscar o Oscar.” Os Infiltrados” é uma obra de arte, dirigido por um dos maiores cineastas no mundo. Di Caprio fazendo sua parte muito bem feita, assim como fez no “ O Aviador” e Gangues de Nova York também dirigidos por Scorcese. Um filme que dispensa comentários. Imperdível!
Volver 
Elenco: Penélope Cruz (Raimunda)
E outros...
Direção: Pedro Almodóvar
Duração: 121 minutos
"Volver é do mesmo nível de "Tudo sobre minha mãe",é inteligente, sem ser piegas...emociona muito... Almodóvar veio disposto a levar o oscar de melhor estrangeiros e também rendeu a indicação de melhor atriz para a atuação impecável de Penélope cruz. Mais uma obra de arte do espanhol Almodóvar.
Você sabia?
Matar ou Correr foi o último filme da dupla Grande Otelo e Oscarito.
Em Fitzcarraldo (1982), do alemão Werner Herzog, filmado na selva do Peru, Grande
Otelo quase enlouqueceu o ator Klaus Kinski, que tinha o ego do tamanho da Amazônia.
Otelo precisava fazer uma cena em inglês, mas resolveu falar espanhol, idioma que
Kinski desconhecia. Irado, Kinski retirou-se do set. Quando o filme estreou na
Alemanha, aquela foi a única cena aplaudida pelo público, contou depois o diretor.
Mexicanos entram em Hollywood pela porta da frente
Poucas cinematografias recentes estão conseguindo tanto êxito quanto os mexicanos.
"Babel" (Alejandro Iñárritu), "O Labirinto do Fauno" (Guillermo Del Toro) e "Filhos da Esperança" (Alfonso Cuarón) reúnem 16 indicações para o Oscar desse ano. O filme que mais se destacou foi “Babel”, sete indicações, incluindo as principais, de diretor e filme.
Filme sobre Brasil "violento e corrupto" vence em Sundance
Um documentário americano sobre corrupção e seqüestro no Brasil ganhou, neste sábado, o prêmio do júri de melhor documentário no Festival de Cinema Sundance, em Utah, nos Estados Unidos.
O documentário Manda Bala, dirigido pelo cineasta Jason Kohn, retrata o Brasil como “um dos países mais violentos e corruptos do mundo”.
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ler coluna de Paulo Gustavo