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CDS: A BOLHA / EUROPE / CABARET / RUNIC / VENOM / VIRGIN STEELE / ROCKSTAR SUPERNOVA / MACHINE HEAD / STUCK MOJO /THE MARS VOLTA / WISHBONE ASH /VOIVOD :
CABARET- O Palco Não Pode Ser Pouco (Rastropop) Este CD só não faz parte da sessão "de cabeceira" porque quando o recebi pela primeira vez - uma versão advanced que ninguém sabia por quem seria lançado - imediatamente o coloquei "lá em cima" (onde está até hoje na edição 1 do seu Martelo!) por considerá-lo uma pequena obra-prima sem nepotismos ou amizades antigas. Sou o primeiro a ser sincero com o que escuto pois meu ouvido não é penico. O Cabaret, se tudo der certo, veio para ficar. Este é um álbum de grandes letras, ótimas composições sintonizadas com um jeito de ser, com uma visão da vida, com a vida em Copacabana, com um conceito de rock and roll e liberdade musical e sexual que dificilmente se vê por aí. Assisti um par de shows da banda e testemunhei o poder de envolvimento que essas composições causam na platéia. Na verdade o povo fica chocado. O vocalista Márvio (ou Marvel) é um show-man na melhor tradição do mestre Fred Mercury. Totalmente liberado ninguém o segura. O cara é rock and roll puro. Não faz estilinho, ele é o que é, um ser andrógino, violento, amoroso, sedento de paixão e grande vocalista. Sei que muitos não estão vendo o que eu vejo mas posso lhes assegurar: isso é a última coisa que me precocupa pois o meu dever é com a música e não com o lugar comum. Fora os rocks deste álbum, para lá de ótimos, as baladas são o néctar: "Brilhar", "O Amor e a Guerra", "Lingerie" e "Tudo O Que Aprendi" são exemplos de tudo o que escrevi. E que não me deixam mentir. Esse Cabaret é o máximo. (CL)
Não há como explicar a explosão que foi ouvir o Venom no início da década de 80. Éramos todos adolescentes procurando pela mulher mais legal, o amigo mais foda e a banda perfeita. Enfim, só queríamos que nossas vidas fossem divertidas e vividas à velocidade da luz. Por falar em velocidade o que procurávamos era o simulacro da violência, algo explosivo e sujo. Rápido. Para isso, o Venom se adequava como uma luva (satânica). Seu primeiro disco "Welcome To Hell" foi um arraso. Eles nos mudou (isso antes do Metallica). Analisando do ponto de vista atual era um disco com grandes músicas (de rock and roll e não de "black metal" apenas) com uma produção capenga. O baterista Abaddon era muito fraco e deixava a banda pior. Nossa senhora! Passados tantos anos, Conrad Lant (vulgo baixista Chronos) tenta nos remeter ao som daquela época com uma banda e uma gravação melhores. O nome "Metal Black" - o inverso do nome do seu segundo álbum - pode ser entendido como uma sátira a tudo o que o Venom representou. Filosoficamente falando pode ser "o contrário de nada é nada"... Ou simplesmente a constatação que ser óbvio é o melhor remédio para uma carreira retomada das cinzas. Acabamos virando paródias de nós mesmos se deixarmos. E creio que mister Chronos autorizou. Disso não tenho dúvidas. Mas por que não brincar com nossa própria desgraça? O resultado deste CD pode ser considerado bom, se pensarmos que 20 anos não se passaram e que o Venom não perdeu seu charme pelo caminho. (CL)
Esse é um caso típico de um equívoco cometido após o outro, quando tudo o que pedimos que não aconteça infelizmente ocorre. Não é um álbum mal tocado mas certamente é equivocado, as medidas estão erradas, a começar pela mixagem que não se acerta em momento algum. Por um lado não há peso suficiente e nem há equilíbrio nos detalhes. A bateria e o baixo estão mal equalizados e sem essa "cama" não há disco que funcione. Isso sem contar as composições e os arranjos conservadores toda vida. A segunda faixa "Adorned With The Rising Cobra" tenta simular um sentimento setentão de heavy rock na escola do Rainbow mas a faixa peca por esquecer de algo básico: que é necessária uma boa canção. Sem isso nada feito. "The Ineffable Name" começa com um riff também meio Rainbow onde não se ouve o riff de guitarra! Uma loucura. Este CD precisa urgentemente de uma remixagem. (CL) ROCKSTAR SUPERNOVA – Rockstar Supernova (Sony)
Banda formada por Tommy Lee, Gilby Clarke e Jason Newsted mais o vocalista Lukas Rossi que foi escolhido em um programa de TV. Esse é o CD de estréia dessa banda-projeto, e que consegue ser ruim do começo ao fim. Músicas repetitivas e uma produção muito polida caracterizam este álbum, demonstrando que foi feito às pressas para aproveitar a audiência do programa. Além disso, é impossível não reparar na péssima performance do vocalista que tem um timbre comum e bem limitado. Bem que eles poderiam ter escolhido um vocal melhor. Com certeza esse é um dos piores álbuns do ano. (PG) MACHINE HEAD – The Blackening (Roadrunner Records)
O Machine Head é uma das melhores e mais respeitadas bandas de metal moderno que existem, tendo até mesmo um de seus álbuns (Burn My Eyes) entre um dos melhores da história do metal. Nesse novo trabalho a banda mantém a linha do anterior “Through the Ashes of Empires”, com músicas longas e sem refrões, mais voltado para “riffs” mais guitarras melódicas e trabalhadas. A produção mais uma vez é impecável, com um peso fora do normal, que já é uma característica do Machine Head. Para quem gostou do CD anterior, com certeza vai aprovar esse novo trabalho. (PG) STUCK MOJO – Southern Born Killers (Independente)
Novo albúm do Stuck Mojo após alguns anos sem lançar nada. O detalhe interessante é que o álbum está disponibilizado de forma gratuita no site oficial da banda http://www.stuckmojomedia.com/ onde também é possível comprar o mesmo álbum com a capinha e um DVD bônus direto com a banda. Mas falando sobre a música, o CD é muito bom, com ótima produção e músicas excelentes, mostrando aquela verdadeira mistura de rap com metal, de uma forma que só eles conseguem fazer. São de longe a melhor banda nesse gênero. O CD inteiro é ótimo, mas é impossível não destacar o trabalho das guitarras com timbres pesadíssimos e os vocais que alternam entre a melodia e o puro rap lembrando às vezes o Bo-ya-Tribe. Nas músicas o destaque vai para a pesadíssima “Metal is Dead” e a melódica “The Sky is Falling”.(PG)
Terceiro trabalho da dupla texana (e latina) Cedric Bixler-Zavala (vocal) e Omar Rodriguez-Lopez (produtor e guitarra) que uniu forças após a partilha da banda At The Drive-In e do DeFacto. Difícil dizer se eles são rock progressivo, jazz rock alucinado, salsa metal ou punk experimental. Tanto faz. A cidade de São Paulo já teve o prazer de vê-los detonar ao vivo. E que show! Esse disco de nome complicado é uma verdadeira obra prima. 8 faixas de 8 a 12 minutos cada. Viagem pura. Ansiedade. Guitarra fuzzeada. Agonia. Mente. Loucura. Raiva. Lisergia. Dissonância rock. Explosão. Abstracionismo. Improviso. King Crinsom e Led Zeppelin dão as caras e a inspiração. Não é som para todos. Mas isso não parece ser nenhum problema. É um trabalho que cresce a cada audição. Cresce e aparece. Quem não entende ou não gosta que fique com o óbvio. Todo mundo sai ganhando. A faixa “Tetragrammaton” parece “Clara e Ana” da cantora Joyce travestida com uma roupagem demolidora. Cedric canta muito, além de ser um ótimo letrista. Omar é um pequeno gênio em tudo o que toca. A acústica “Asilos Magdalena” cantada em espanhol exibe a latinidade dos hermanos. A bilíngüe Led Zeppeliniana “Viscera Eyes” é uma viagem fantástica por sons coloridos com metais trinando por todos os espaços vagos. Jimmy Page ficaria orgulhoso. Page saberia, sim, que os rapazes poderiam ter-lhe falado a verdade: que o Zep hoje é uma paródia de clichês, e que o Mars Volta é a prosódia do acento que acerta. O som da dupla é como ir a marte, sem nunca voltar ao estágio de antes, evoluindo de carne a espírito sem pit-stops. (CL) WISHBONE ASH – CLAN DESTINY – ST2
VOIVOD – KATORZ – Metal Maximum O guitarrista original do grupo canadense, Denis “Piggy” D´Amour deixou o mundo material após uma longa e trágica doença. Como uma homenagem póstuma, seus companheiros de banda gravaram esse novo álbum, que soa como o canto do cisne do quarteto. Após vasculhar algumas músicas inacabadas deixadas no computador do guitarrista, os Voivod decidiram dar prosseguimento à obra, ainda com Jason Newsted (ou Jasonic) do “Rock Star Supernova” no baixo. “The Gateway”, a boa faixa de abertura lembra qualquer canção escrita pelo Motörhead nesses últimos 100 anos, mas não é necessariamente a cara do trabalho. O som que o Voivod pratica há tempos é uma boa mixagem de rock pesado, psicodelia (Pink Floyd da fase Syd Barrett é claro como a luz do dia), e rock alternativo (Snake canta muitas vezes como Peter Murphy dos Bauhaus) e não mais aquele metal rock and roll sujo do primeiro LP (que está sendo remixado e re-equalizado para futuro relançamento) que se era bom para a época, não pode mais ser considerado representativo em relação à maturidade que os canadenses alcançaram nessas mais de duas décadas de carreira. A partir da terceira faixa (“Mr. Clean”) o CD segue bem uniforme com boas composições pesadas-lisérgicas como “After All”, “Odds & Frauds”, “Red My Mind” e “The X-Stream”, mas nenhuma faixa em especial é um clássico. Alguns criticam a evolução musical da banda, mas é necessário acrescentar que o artista, e não o repetidor de fórmulas, não se satisfaz em agradar à massa, mas sim em crescer e dividir suas naturais descobertas com quem de direito. Mas a maldição do rock tenta prender os de fraco entendimento eternamente a uma condição infantilóide de Peter Pan, tanto porque querem, como porque não podem ansiar algo a mais. O Voivod é parte da resposta às necessidades de quem gosta de rock, mas não é estúpido. Infelizmente – e apesar de tudo o que dissertei - o Katorz não possui grandes e memoráveis momentos de gozo. Se o Voi continua ou se o Vod encerra as atividades isso ainda é uma incógnita, mas pelo bem do metal é importante que eles continuem produzindo mais e melhores discos. (CL)
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