SentimentalQuem SomosHomeCDs e DVDs
P.O.BOX: 33132, ZIP CODE: 22440-970, Rio de Janeiro, Brasil / OMARTELO@OMARTELO.COM
Stories
Interviews
CDs e DVDs
My Favourite LP, CD, DVD
Bizarre CD, LP, DVD
Shows
Banda Desenhada
Literature, Magazines
Tv and Movies
Ai, que męda...
Pinups
Short Novel
Archives

 

 

CDS E DVDS

DISCOS DE CABECEIRA

DRAGONTEARS – 2000 Micrograms From Home (Bad Afro)

Essa gravadora dinamarquesa nunca me deixa mentir. Por diversas vezes escrevi que não há um único disco que venha desse selo que não me faça abrir um baita sorriso. Muitos marotos outros de pura estupefação. Até agora não acredito no que estou escutando. Por diversos motivos já explico. O Dragontears é um projeto feito pelos músicos do Baby Woodrose (boa banda) e do On Trial. Seus respectivos grupos originais são legais (bem acima da média é bom frisar), mas nada como isso aqui. Esse é o resultado de se juntar forças em prol da música: um dos discos psicodélicos mais legais que já escutei na vida! E não estou mentindo. Se é esteriótipo? Claro que é, mas quem liga para isso se a música é ótima? As canções surgiram de improvisações, mas não têm cara de coisa largada ou mal feita. A produção é muito eficiente, tudo é tão bem timbrado que fica difícil acreditar que alguém não tenha ouvido falar desse trabalho. "Microdof" é pura viagem; "Borderline" usa uma batida eletrônica que não prejudica a canção em nada; "Hobbitten´s Drom" parece uma mistura lisérgica de Neil Young com Jethro Tull (sem os excessos), Floyd do Syd Barrett! Nossa! "The Doors of Prescription" parece a parte da viagem do Jimmy Page no filme do Led Zeppelin emendando em uma levada de baixo que nos remete ao Satanis Majesties Request dos Rolling Stones. Essencial

 

THE DEFECTORS – Bruised and Satisfied (Bad Afro)

Já havia resenhado "Turn Me On" o trabalho anterior desses dinamarqueses há dois anos. Correntes, sussuros na madrugada e boas canções sempre estiveram presentes mas aqui a palavra psychobilly faz muito mais sentido. Filmes de terror B, teclados com sons de almas penadas e vocais de rock and roll compoêm um disco absolutamente delicioso. Só espero que essa delícia não seja de carne humana... Quando se ouve o CD dá uma vontade danada de sair pulando com uma noiva cadáver. Claro que se as partes em decomposição ainda estiverem bem firmes no corpo. "Dancing Ghouls", "Resurrection", a já clássica faixa título (só escutando!), "The Final Thrill" um mix de Billy Idol com Chris Isaak dos infernos; "Gettin It On"; a porrada "Lose It"; "Fuck You Cause You´re Looks Good" (bom título); "You Better" entre outras fazem desse lançamento um exemplo de como incorporar u estilo estrangeiro e fazê-lo seu.

 

THE ANSWER – Rise (Albert Productions)

Tinha tudo para não gostar desse CD. Apesar de simpatizar com muita coisa de classic rock ainda tenho certos problemas com o estilo se a criatividade não imperar, o que convenhamos é bastante difícil. Sendo assim o que pode sobressair num caso desses é o quesito composição ou o talento para repetir velhas fórmulas como se fossem novas. Assim que escutei esse CD entrei em contato com a banda para entrevistá-los (ler nesta edição). O negócio aqui é danado de bom. Se você está de saco cheio de gente cabeluda e conservadora dê uma chance para essa que pode ser a nova sensação do hard rock mundial (cru com estilo). "Under The Sky" que abre os trabalhos é puro suíngue hard com ecos de Zeppelin, Aerosmith antigo e Bad Company. A faixa seguinte. "Never Too Late", "No Questions Asked" e a porrada "Come Follow Me" parecem ter sido extraídas do Zeppelin 2. Essa então chega a arrepiar. A balada soul "Be What You Want" é linda sem ser brega; "Memphis Water" é um blusão com guitarras cheias de delay; "Into The Gutter" foi engravidada pelo riff de Paranoid do Black Sabbath e "Leavin´Today" é filha de Communication Breakdown. Quer mais? A gravação é excelente e os timbres matadores, mas o destaque é Cormac, esse danado de vocalista. Não se incomode se você nunca ouviu falar dos caras. Certamente irá.

CDS:  A BOLHA / EUROPE / CABARET / RUNIC / VENOM / VIRGIN STEELE / ROCKSTAR SUPERNOVA / MACHINE HEAD / STUCK MOJO /THE MARS VOLTA / WISHBONE ASH /VOIVOD

:

A BOLHA – É Só Curtir (Som Livre)

Me sinto um daqueles museólogos acostumados a viver entre dois mundos: o que se foi e o que há. Por isso mesmo é complexo transmitir ao leitor um naco dos nossos sentimentos a respeito do mundo que passou. Ouvir este CD é entrar nessa viagem. Como diz o título "é só curtir". Mas não é tão simples assim. Antes fosse... Aqui estão as faixas nunca gravadas pela mítica banda carioca A Bolha de 3 décadas atrás. Por causa disso há uma certa irregularidade no balaio das composições: tem desde o iê-iê-iê da faixa título e "Matermatéria; até o rock pesado de "Não Sei", "Sem Nada" e "Rosas"; a boa "Cinema Olímpia" de Caetano Veloso; o Rolling Stones de "Sub Entendido"; a mais que clássica "Não Pare Na Pista" de Raul Seixas (obra prima!) e a progressiva-viagem-tô-muito-louco "Desligaram Os Meus Controles". As letras, para variar falam da "onda" que os músicos tiravam pelas esquinas do Rio. E bota "curtição" nisso. Tô só imaginando. Este CD é mais importante como um registro histórico do que como um álbum só para "curtir". É preciso antes de tudo entender. (CL)

Leia a entrevista com o baterista Gustavo Schroeter da Bolha nesta edição. Clique aqui.

EUROPE – Secret Society (Dynamo)

Essa banda de hard rock, que já teve um hit mundial há 20 anos, encerrou as atividades durante alguns anos para retornar à ativa há pouco tempo. O resultado pelo que vemos neste novo álbum mostra que os elementos que lhes fizeram a fama ainda estão evidentes e a garra com que tocavam parece não ter esmorecido, pelo menos a primeira audição. Ao hard melódico e pop do Europe foram acrescentados elementos de rock and roll e metal mais moderno (a afinação e os timbres da guitarra e do baixo) que deram uma rejuvenescida no pacote. Porém certos vícios continuam presentes, o que é compreensível. Boas canções como "Always The Pretenders", "The Gateway Plan", a boa balada "Wish I Could Believe", a estilo U2 "Brave And Beautiful Soul"

Voltar para lista

CABARET- O Palco Não Pode Ser Pouco (Rastropop)

Este CD só não faz parte da sessão "de cabeceira" porque quando o recebi pela primeira vez - uma versão advanced que ninguém sabia por quem seria lançado - imediatamente o coloquei "lá em cima" (onde está até hoje na edição 1 do seu Martelo!) por considerá-lo uma pequena obra-prima sem nepotismos ou amizades antigas. Sou o primeiro a ser sincero com o que escuto pois meu ouvido não é penico. O Cabaret, se tudo der certo, veio para ficar. Este é um álbum de grandes letras, ótimas composições sintonizadas com um jeito de ser, com uma visão da vida, com a vida em Copacabana, com um conceito de rock and roll e liberdade musical e sexual que dificilmente se vê por aí. Assisti um par de shows da banda e testemunhei o poder de envolvimento que essas composições causam na platéia. Na verdade o povo fica chocado. O vocalista Márvio (ou Marvel) é um show-man na melhor tradição do mestre Fred Mercury. Totalmente liberado ninguém o segura. O cara é rock and roll puro. Não faz estilinho, ele é o que é, um ser andrógino, violento, amoroso, sedento de paixão e grande vocalista. Sei que muitos não estão vendo o que eu vejo mas posso lhes assegurar: isso é a última coisa que me precocupa pois o meu dever é com a música e não com o lugar comum. Fora os rocks deste álbum, para lá de ótimos, as baladas são o néctar: "Brilhar", "O Amor e a Guerra", "Lingerie" e "Tudo O Que Aprendi" são exemplos de tudo o que escrevi. E que não me deixam mentir. Esse Cabaret é o máximo. (CL)

Voltar para lista

RUNIC – Liar Flags (Dynamo)

O death metal melódico praticado por essa banda espanhola não é de se jogar fora. Todos os ingredientes estão muito bem representados (e executados), tipo receita daquele bolo favorito da nossa avó. Velha receita mas que sempre faz sucesso. Coloque uma flautinha aqui e outra ali (para dar um ar étnico), mais um vocal "lagártico", um violão matreiro, sons de tubas épicas e as guitarras dobrando frases bonitas sem excessos desagradáveis. Em comparação com o velho Carcass (da fase mais "musical") ainda tem que pagar uma prenda, mas em relação ao que se anda fazendo (ou desfazendo) atualmente na música pesada... Apesar de não ser nada criativo ainda é bem melhor do que o que andam (des)fazendo com o metal. (CL)

Voltar para lista

VENOM – Metal Black (Dynamo)

Não há como explicar a explosão que foi ouvir o Venom no início da década de 80. Éramos todos adolescentes procurando pela mulher mais legal, o amigo mais foda e a banda perfeita. Enfim, só queríamos que nossas vidas fossem divertidas e vividas à velocidade da luz. Por falar em velocidade o que procurávamos era o simulacro da violência, algo explosivo e sujo. Rápido. Para isso, o Venom se adequava como uma luva (satânica). Seu primeiro disco "Welcome To Hell" foi um arraso. Eles nos mudou (isso antes do Metallica). Analisando do ponto de vista atual era um disco com grandes músicas (de rock and roll e não de "black metal" apenas) com uma produção capenga. O baterista Abaddon era muito fraco e deixava a banda pior. Nossa senhora! Passados tantos anos, Conrad Lant (vulgo baixista Chronos) tenta nos remeter ao som daquela época com uma banda e uma gravação melhores. O nome "Metal Black" - o inverso do nome do seu segundo álbum - pode ser entendido como uma sátira a tudo o que o Venom representou. Filosoficamente falando pode ser "o contrário de nada é nada"... Ou simplesmente a constatação que ser óbvio é o melhor remédio para uma carreira retomada das cinzas. Acabamos virando paródias de nós mesmos se deixarmos. E creio que mister Chronos autorizou. Disso não tenho dúvidas. Mas por que não brincar com nossa própria desgraça? O resultado deste CD pode ser considerado bom, se pensarmos que 20 anos não se passaram e que o Venom não perdeu seu charme pelo caminho. (CL)

. Voltar para lista

VIRGIN STEELE – Visions Of Eden (Dynamo)

Esse é um caso típico de um equívoco cometido após o outro, quando tudo o que pedimos que não aconteça infelizmente ocorre. Não é um álbum mal tocado mas certamente é equivocado, as medidas estão erradas, a começar pela mixagem que não se acerta em momento algum. Por um lado não há peso suficiente e nem há equilíbrio nos detalhes. A bateria e o baixo estão mal equalizados e sem essa "cama" não há disco que funcione. Isso sem contar as composições e os arranjos conservadores toda vida. A segunda faixa "Adorned With The Rising Cobra" tenta simular um sentimento setentão de heavy rock na escola do Rainbow mas a faixa peca por esquecer de algo básico: que é necessária uma boa canção. Sem isso nada feito. "The Ineffable Name" começa com um riff também meio Rainbow onde não se ouve o riff de guitarra! Uma loucura. Este CD precisa urgentemente de uma remixagem. (CL)

Voltar para lista

ROCKSTAR SUPERNOVA – Rockstar Supernova (Sony)

Banda formada por Tommy Lee, Gilby Clarke e Jason Newsted mais o vocalista Lukas Rossi que foi escolhido em um programa de TV. Esse é o CD de estréia dessa banda-projeto, e que consegue ser ruim do começo ao fim. Músicas repetitivas e uma produção muito polida caracterizam este álbum, demonstrando que foi feito às pressas para aproveitar a audiência do programa. Além disso, é impossível não reparar na péssima performance do vocalista que tem um timbre comum e bem limitado. Bem que eles poderiam ter escolhido um vocal melhor. Com certeza esse é um dos piores álbuns do ano. (PG)

Voltar para lista

MACHINE HEAD – The Blackening (Roadrunner Records)

O Machine Head é uma das melhores e mais respeitadas bandas de metal moderno que existem, tendo até mesmo um de seus álbuns (Burn My Eyes) entre um dos melhores da história do metal. Nesse novo trabalho a banda mantém a linha do anterior “Through the Ashes of Empires”, com músicas longas e sem refrões, mais voltado para “riffs” mais guitarras melódicas e trabalhadas. A produção mais uma vez é impecável, com um peso fora do normal, que já é uma característica do Machine Head. Para quem gostou do CD anterior, com certeza vai aprovar esse novo trabalho. (PG)

Voltar para lista

STUCK MOJO – Southern Born Killers (Independente)

 

Novo albúm do Stuck Mojo após alguns anos sem lançar nada. O detalhe interessante é que o álbum está disponibilizado de forma gratuita no site oficial da banda http://www.stuckmojomedia.com/ onde também é possível comprar o mesmo álbum com a capinha e um DVD bônus direto com a banda. Mas falando sobre a música, o CD é muito bom, com ótima produção e músicas excelentes, mostrando aquela verdadeira mistura de rap com metal, de uma forma que só eles conseguem fazer. São de longe a melhor banda nesse gênero. O CD inteiro é ótimo, mas é impossível não destacar o trabalho das guitarras com timbres pesadíssimos e os vocais que alternam entre a melodia e o puro rap lembrando às vezes o Bo-ya-Tribe. Nas músicas o destaque vai para a pesadíssima “Metal is Dead” e a melódica “The Sky is Falling”.(PG)

Voltar para lista

 

THE MARS VOLTA – AMPUTECHTURE – Universal

Terceiro trabalho da dupla texana (e latina) Cedric Bixler-Zavala (vocal) e Omar Rodriguez-Lopez (produtor e guitarra) que uniu forças após a partilha da banda At The Drive-In e do DeFacto. Difícil dizer se eles são rock progressivo, jazz rock alucinado, salsa metal ou punk experimental. Tanto faz. A cidade de São Paulo já teve o prazer de vê-los detonar ao vivo. E que show! Esse disco de nome complicado é uma verdadeira obra prima. 8 faixas de 8 a 12 minutos cada. Viagem pura. Ansiedade. Guitarra fuzzeada. Agonia. Mente. Loucura. Raiva. Lisergia. Dissonância rock. Explosão. Abstracionismo. Improviso. King Crinsom e Led Zeppelin dão as caras e a inspiração. Não é som para todos. Mas isso não parece ser nenhum problema. É um trabalho que cresce a cada audição. Cresce e aparece. Quem não entende ou não gosta que fique com o óbvio. Todo mundo sai ganhando. A faixa “Tetragrammaton” parece “Clara e Ana” da cantora Joyce travestida com uma roupagem demolidora. Cedric canta muito, além de ser um ótimo letrista. Omar é um pequeno gênio em tudo o que toca. A acústica “Asilos Magdalena” cantada em espanhol exibe a latinidade dos hermanos. A bilíngüe Led Zeppeliniana “Viscera Eyes” é uma viagem fantástica por sons coloridos com metais trinando por todos os espaços vagos. Jimmy Page ficaria orgulhoso. Page saberia, sim, que os rapazes poderiam ter-lhe falado a verdade: que o Zep hoje é uma paródia de clichês, e que o Mars Volta é a prosódia do acento que acerta. O som da dupla é como ir a marte, sem nunca voltar ao estágio de antes, evoluindo de carne a espírito sem pit-stops. (CL)

Voltar para lista

WISHBONE ASH – CLAN DESTINY – ST2

Nem o Iron Maiden, nem o Thin Lizzy criaram o duo de guitarras gêmeas que tanto lhes fez a fama. O autor dessa proeza foi o senhor Andy Powell no final dos anos 60. Quem já teve o prazer de se deleitar com obras como o LP “Argus” de 1972 sabe a que nível criatividade e musicalidade podem alcançar quando unidas em prol do bem estar comum. O novo CD “Clan Destiny” deve estar próximo do quadragésimo lançamento da banda, incluindo os ao vivo. “Clan” é exatamente o trabalho que mais se aproxima do som que o Wishbone Ash praticava há décadas. Em certos casos esse comentário pode ser encarado como demérito, mas falando do Ash sabemos que é exatamente o contrário: eles lidam com a essência da grande alma que gera a melhor música. É isso aí. E voltar ao passado, no caso deles, não é simplesmente manter uma tradição, mas respeitar o ouvinte. “Eyes Wide Open” o boogie que abre o disco parece saído de um dos álbuns antigos, com tudo o que tem direito: bonitas vocalizações com solos lentos e melódicos. Que bom. Por falar em solos, a atual formação conta com o guitarrista Muddy Manninen que substituiu o anterior Ben Granfelt (ambos tocavam na banda finlandesa Gringos Locos) sem perda alguma de qualidade. Muddy foi o mestre de Ben, afinal de contas. As espetaculares faixas “Dreams Outta Dust”, “Healing Ground”, a instrumental “Surfing A Slow Wave” que pega onda entre tubos bem concisos, “Slime Time”, “Capture The Moment”, a enigmática e simbólica “The Raven” e a saidera “Motherless Child” (de certa forma, inspirada em alguma faixa perdida dos Beatles do disco Abbey Road) mostram que alguns vivem de moda, outras de talento. O guitarrista e vocalista Andy Powell, o único remanescente da formação original, deleitou os fãs brasileiros por duas vezes com suas inesquecíveis composições e um som matador de guitarra. Claro que uma longa carreira inevitavelmente tropeça em pedras pelo caminho. Podemos dizer que o Ash escorregou algumas vezes, mas nunca caiu: o conjunto da obra absolve. E “Clan Destiny”, depois de 4 anos de espera, é fruto de um momento para lá de inspirado. (CL)

Voltar para lista

VOIVOD – KATORZ – Metal Maximum

O guitarrista original do grupo canadense, Denis “Piggy” D´Amour deixou o mundo material após uma longa e trágica doença. Como uma homenagem póstuma, seus companheiros de banda gravaram esse novo álbum, que soa como o canto do cisne do quarteto. Após vasculhar algumas músicas inacabadas deixadas no computador do guitarrista, os Voivod decidiram dar prosseguimento à obra, ainda com Jason Newsted (ou Jasonic) do “Rock Star Supernova” no baixo. “The Gateway”, a boa faixa de abertura lembra qualquer canção escrita pelo Motörhead nesses últimos 100 anos, mas não é necessariamente a cara do trabalho. O som que o Voivod pratica há tempos é uma boa mixagem de rock pesado, psicodelia (Pink Floyd da fase Syd Barrett é claro como a luz do dia), e rock alternativo (Snake canta muitas vezes como Peter Murphy dos Bauhaus) e não mais aquele metal rock and roll sujo do primeiro LP (que está sendo remixado e re-equalizado para futuro relançamento) que se era bom para a época, não pode mais ser considerado representativo em relação à maturidade que os canadenses alcançaram nessas mais de duas décadas de carreira. A partir da terceira faixa (“Mr. Clean”) o CD segue bem uniforme com boas composições pesadas-lisérgicas como “After All”, “Odds & Frauds”, “Red My Mind” e “The X-Stream”, mas nenhuma faixa em especial é um clássico. Alguns criticam a evolução musical da banda, mas é necessário acrescentar que o artista, e não o repetidor de fórmulas, não se satisfaz em agradar à massa, mas sim em crescer e dividir suas naturais descobertas com quem de direito. Mas a maldição do rock tenta prender os de fraco entendimento eternamente a uma condição infantilóide de Peter Pan, tanto porque querem, como porque não podem ansiar algo a mais. O Voivod é parte da resposta às necessidades de quem gosta de rock, mas não é estúpido. Infelizmente – e apesar de tudo o que dissertei - o Katorz não possui grandes e memoráveis momentos de gozo. Se o Voi continua ou se o Vod encerra as atividades isso ainda é uma incógnita, mas pelo bem do metal é importante que eles continuem produzindo mais e melhores discos. (CL)

Voltar para lista


 

Cds e Dvds