Não posso deixar de elogiar! Esse novo álbum do Mustang é bom demais! Você fez uma “salada” de estilos em algumas músicas que ficaram ótimas! Na minha humilde opinião, esse é o seu melhor trabalho! De nível nacional, nunca ouvi nada que se compare! De nível internacional, esse CD duplo está entre os 10 melhores da história na minha opinião! É claro que tem infinitas bandas que não conheço e outras que todo mundo acha foda, mas eu não gosto. Aí é questão de gosto mesmo. No meu gosto, o CD está perfeito, foda!
Trabalhar sem compromisso e com amor é o que faz as obras se tornarem grandiosas! Acredito em ousadias! Os grandes gênios sempre foram ousados, mal compreendidos mas depois reverenciados. É muito possível que o reconhecimento apareça embora hoje em dia esteja mais difícil… Entendo porque você não se preocupa em ser reconhecido pelo passado. É uma nova fase da vida, com ideias e ideais novos; renovados e amadurecidos. Você deve sentir alguma intuição! Intuições não falham. Com o tempo elas mostram “o porquê”…
(Eduardo Rodrigues – Rio de Janeiro)

“Amor Cego” é candidato sério a hit desse CD.
(Nilton Junior – Rio de Janeiro)
O Mustang V tá muito bom, eu vejo que a banda atingiu sua maior evolução musical neste álbum, e remete a elementos que me lembram coisas interessantes, por exemplo, a levada meio “surf music” e alternativa de “Osiris” (a que mais curti) e a pegada a lá Mutantes de “Bons Amigos” e a zeppeliana “Brasileirismo”. Ta aí, talvez seja mais um clássico da banda, além dos clássicos Oxymoro e Tá Tudo Mudando…
(Écio – Lavras – Minas)
Caprichou nas composições, hein Carlão, bons arranjos, boas melodias, refrãos grudentos, enfim, show de bola! Destaco as seguintes: “Nada Pra Mim”, “Fracasso e Glória” e “Concidências”, mas o CD todo tá redondinho.
(Marcelinho – Rio de Janeiro)
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Sabe quando as pessoas ficam no seu ouvido o dia inteiro falando
Te aconselhando sobre o que você deve fazer e você escutando?
Quem sabe falar deveria saber escutar
O bebê lambe o dedo, a empregada lava e passa
O patrão paga as contas e não sobra nada
Sabe aquela coisa de família que todo mundo tem uma opinião, fala, fala e não resolve nada?
Quem sabe falar deveria saber escutar
Quando escrevi essa canção olhei bem pra multidão
E constatei que o HOMO SAPIENS não anda muito bem
Não sou homem de mentir.
Sabe a cara de quem parece que já leu todos os livros, já viu todos os filmes, mas não viu nada?
Sabe aquela frase de efeito pra falar na hora certa, aquela que empolga a platéia? Essa mesmo, mas não empolga nada.
Sabe essas pessoas deslumbradas, carreiristas, interesseiras, que dizem o que você quer escutar?
É um povo cheio de pose, de história, a maior conversinha e tem gente que dá atenção.
Quem sabe falar deveria saber escutar
Quando escrevi essa canção olhei bem pra multidão
E constatei que o HOMO SAPIENS não anda muito bem
Não sou homem de mentir.
Entrevista sobre arte, música e literatura:
http://fivetorock.wordpress.com/2009/10/27/entrevista-mustang-carlos-lopes/
Entrevista sobre mercado musical:
http://pontolit.com.br/blog/2009/10/a-crise-fonografica-parte-iii-sob-o-olho-do-artista/

Por Carlos Eduardo Lima
Carlos Lopes, ex-Dorsal Atlântica, lança livro e batalha com sua banda Mustang

A injustiça somente pode ser combatida com três ações: “o silêncio, a paciência e o tempo.” A frase do filósofo grego Sêneca, citada recentemente pelo senador José Sarney, é repetida pelo carioca Carlos Lopes para definir sua maneira de reagir aos detalhes do mundo globalizado. Não que isso signifique omissão, pois Lopes é um discreto, mas dedicado, empreendedor. Edita o site O Martelo, pilota as guitarras e as composições do Mustang, escreve livros (seu terceiro, O Segredo J, sobre teorias conspiratórias em geral, saiu em pequena tiragem independente e aguarda uma editora interessada) e ainda apresentou e produziu um programa sobre heavy metal na Rádio Venenosa FM.
Você lê esta matéria na íntegra na edição 37 da Revista Rolling Stone, outubro/2009

As influências musicais que geraram o Santa Fé são muitas. Beatles é um manancial eterno de idéias. Há bastante coisa nessa história: o punk 77 (The Jam, The Clash, Sex Pistols), soul music sessentista (“Eu Não Faço”) e rock brasileiro dos anos 70 e 80 no estilo Tim Maia e Secos e Molhados, incluindo os sempre presentes Mutantes da fase da Rita Lee.
As letras, criadas depois das melodias, encontraram o seu rumo no início de 2008, quando decidi escrever sobre amor e desilusão. Na verdade, era a única coisa sobre a qual consegui escrever, pois nada se revelou mais importante. E afinal de contas, o que é mais importante do que amar? As letras sobre paixão, amor e dor, várias alegóricas e outras textuais, retratam uma fase da minha vida, basicamente entre 2006 e 2008, que me deixaram marcas muito profundas e me indicaram os passos a seguir nos dias de hoje. Fase, na qual muitas coisas deixaram de fazer sentido e outras que ressurgiram mais fortes de um período de trevas.
Um amigo me disse que a composição “Dk. Alhzeimer” lhe soava muito mórbida. Não sem razão, pois compus essa música para ter um clima angustiante que mesclasse algo do Álbum Branco dos Beatles, com o primeiro disco solo do John Lennon, que eu amo, misturado com a voz do baterista Keith Moon do The Who,como o Uncle Ernie. Então é claro, optei pela morbidez para passar uma mensagem, que nem tudo pode ser alegre pois a vida não é assim. Mas até mesmo na dor, encontrei humor. Mórbido, humorado e sarcástico.
As vozes foram gravadas em poucos takes, sem afiná-las posteriormente com plug-ins. Muitas das versões definitivas ocorreram entre o primeiro e o terceiro take. É um processo complicado porque no meu caso, durante os ensaios toco guitarra e canto e não me dedico a aprimorar a voz. Só canto mesmo, e solo, em casa. Houve uma sessão, a segunda, na qual não saiu nada. No dia seguinte, percebi que isso devia ser tensão, responsabilidade, preocupação como dinheiro voando e antes de entrar no estúdio,bebi um pouco com os dois técnicos de gravação, uma hora antes da sessão. Carreguei meus CDs de soul, Otis Redding, Sam & Dave e preparei o clima geral para a gravação. A faxineira do estúdio dançou ao som dos CDs e o clima liberou geral. Gravei as duas vozes de “Eu Não Faço”, a principal e segunda voz, de primeira. Mentalizei o Otis Redding com Elza Soares e mandei ver.
A banda que gravou o disco, Vinícius Dantas no baixo e Bráulio Azambuja na bateria entenderam a história e contribuíram de forma espetacular para o resultado final.
A guinada,que creio,houve entre os discos anteriores e o Santa Fé,é que desde o início da banda,pretendi que além dos elementos de classic rock tocados à nossa maneira, houvesse espaço para canções psicodélicas ou simplesmente canções com a cara e o jeito da década de 60, inclusive com influência do tropicalismo brasileiro. Creio que neste último trabalho consegui dosar todos esses elementos, ao somar baladas rock com soul music, canções e punk rock 77. E apesar da faixa “Esperança”, que considero a melhor linha melódica e harmônica que escrevi, ser mais rebuscada e ousada, ela convive bem com canções mais simples como “Guarda-Chuva” (cuja linha melódica inicial em Mi Maior foi inspirada em “Alegria Alegria” de Caetano Veloso) e “Sai Dessa Cruz”, ambas também calcadas no som mod dos Small Faces e do The Who.

Componho quase tudo no violão, e minha teoria é que se não funciona no acústico, não rola. As músicas e os arranjos dos Mutantes são complicados, mas os temas, as melodias são muito fortes, pegam e é isso que faz a diferença. Uma vez o guitarrista e produtor Robertinho de Recife me disse que o segredo de uma boa canção é a escala pentatônica na voz. Entendo o que ele quis dizer, mas eu fujo um pouco dessa máxima. Boa melodia nem sempre está ligada à simplicidade, mas, ele fez uma análise correta. Música é principalmente timbre, a escolha dos acordes, dos arranjos, que faz toda a diferença. Ouça a mesma música gravada por 3 artistas e as compare. O Santa Fé, mesmo que não pareça, é o mais brasileiro dos discos que já compus, no qual de fato toco MPR (música popular roqueira), a soma dessas várias vertentes. Uma das matrizes de inspiração é o afro-samba “Canto De Ossanha” (Vinícius De Moraes / Baden Powell) – que me arrrepia desde criança – com uma triste melodia que sentencia: “O homem que diz “dou” não dá porque quem dá mesmo não diz. O homem que diz “vou” não vai porque quando foi já não quis. O homem que diz “sou” não é, quem é mesmo é não sou tô, não tá…”
O rock and roll “10 Horas da Manhã” tinha um andamento bem diferente, mudei em cima da hora e ficou bem melhor, mais na praia dos Rolling Stones/ACDC. Passei a tocar o acorde com os dedos e não mais com a palheta. “Amor” foi a última música a ser composta e saiu de uma tacada só, tipo o último chute ao gol aos 47 minutos do segundo tempo. “Terceiriza a Culpa” foi a primeira a ser composta, toda feita no primeiro ensaio (mesmo) durante umas 2 ou 3 horas de levada de som, só eu e o baterista Bráulio Azambuja.
O timbre geral das guitarras nasceu do meu querido compressor da MXR dos anos 70, nenhum outro, o mesmo que usei em todo o disco. O som é penas um compressor e a guitarra, sem conversa. Foram 2 amplificadores utilizados: o JCM 800 da Marshall e um Fender True Reverb de 1972, ambos captados com 8 ou 9 microfones. A mixagem desses microfones todos é que fez o som final, 80% do que se ouve vem do Fender, uma revelação para mim, que sempre toquei com Marshalls. Toco ao vivo com outros compressores, mas sinto que o timbre velho, original só vem mesmo com esse pedal das antigas. O pedal fuzz Big Muff usado apenas no solo de “10 Horas da Manhã” proporcionou um timbre metálico, antigo e de violino, lindo. Pra constar: tenho horror de distorção. Testei o Big Muff novo, Tube Screamer novo e MXR novo, mas não curti, são bem diferentes dos originais. Usei corda 013 no estúdio, que desafina menos e tem um som mais encorpado, mas ao vivo não dá.
Mais e mais análises e confidências sobre o disco virão em outros capítulos.