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Mustang clipe "Rosana Está?"

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Entrevista Carlos Lopes (Banda Mustang) no site da OI NOVO SOM:

http://oinovosom.com.br/portal/noticia?nid=cd2614ae-a7f6-41dc-bfd8-ad5497ba1f66

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Entrevista Carlos Lopes para Márcio Baraldi na revista Comando Rock número 69 nas bancas.

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A letra de Perdão do CD V da banda Mustang fala sobre compreender e perdoar os próprios erros ou os dos outros. O diretor e desenhista Manaus compila figuras difíceis de perdoar, não apenas por terem causado muito mal à humanidade, mas porque elas mesmo parecem não compreender suas próprias falhas. São dirigentes, políticos, religiosos, policiais e extremistas de todos os tempos e ideologias. As imagens históricas, trabalhadas com o auxílio dos documentaristas e animadores Arthur Moura, Papatinho e Maikeon “Bactéria” mostram como é difícil perdoar de verdade.

Clipe Perdão da banda Mustang

Ofender e Perdoar

Ofender e Perdoar


Este texto é sobre a questão humana e técnica, durante uma gravação. O Santa Fé tem história a dar com o pau (no santo do pau oco?); é quase como escrever um livro sobre os bastidores do disco.

"Se eu pedir a Deus.." foto: Michael Meneses

"Se eu quiser pedir a Deus.." foto: Michael Meneses

Meu método de trabalho é pouco convencional. Gravo dois períodos (12 horas) todos os dias em um planejamento que envolve 2 semanas ininterruptas de trabalho (no mínimo), incluindo, se possível, os finais de semana, ou pelo menos o primeiro deles.  Não consigo interromper um trabalho, macular o andamento da obra, pode se perder o clima, a alma do disco, por isso é necessário um sério comprometimento. Pouquíssimos estúdios e pouquíssimos técnicos aceitam tal carga horária, mas tenho conseguido administrar essa situação no estúdio Staccato na Tijuca no Rio de Janeiro. Por isso gravamos nossos discos lá.

Gravo praticamente ao vivo nos 3 ou 4 primeiros dias, guitarra (incluindo dobras) e bateria. Depois incluímos o baixo em 2 períodos no dia seguinte e alguns acréscimos de guitarra e violão na sexta. Preciso dispor de tempo livre para que tudo isso funcione, pois me dedico integralmente à gravação, fora acumular as funções de músico e produtor.

Durante a gravação tivemos um pequeno problema, pois um dos técnicos estava em aberto conflito com o dono do estúdio, isso gerava um nível de tensão entre os dois e reclamações mútuas. Já estavam naquela fase na qual um fala e o outro não escuta.  Todos somos pessoas diferentes com sensibilidades diferenciadas e administrar essa situação não era impossível, mas gerava um certo “climão”.

Após meses de atraso, pois o estúdio estava sendo reformado, decidi que ou entrava de uma vez por todas, ou essa situação iria se prolongar, acarretando mais problemas, o maior deles retardar ainda mais o lançamento do CD. Pedi ao dono que nos deixasse começar em uma sexta às 10 da manhã. Ele alegou que faltavam 2 portas, eu disse “dou meu jeito”. Quando olhei para o interior do estúdio era só entulho, pó e ripas de madeira e não havia nada montado. Faltava terminar várias coisas e o vazamento entre as salas era um fato, que foi minimizado com carpete colado nas paredes e teto.

Com muita boa vontade, dois técnicos (um deles nem me conhecia) montaram todo o equipamento e nós varremos o chão, recolhemos o lixo e deixamos o estúdio pronto para ser utilizado. O dono não acreditava na ação daquela cambada de doidos. Negociei com os marceneiros e pedreiros para só fazer barulho quando não estivéssemos gravando. Foi engraçado pedir aos “operários” que fizessem ouvidos moucos ao dono para que o nosso trabalho não fosse prejudicado, mas era uma queda de braço constante e irritante, como quando o dono marcava algumas horas de gravação para outros clientes entre as minhas horas previamente marcadas.  É compreensível devido aos problemas financeiros da empresa, mas não é muito educado. Eu pedia para que não fizesse isso, mas assim mesmo quando chegava para gravar no dia seguinte (sendo que muitas vezes dormi no local pois não valia a pena sair e voltar em algumas horas) lá estavam duas horas marcadas no meio da nossa sessão de bateria, que não poderia ser interrompida pois não se podia mexer nos microfones. E o que aconteceu? As duas vezes nas quais foram marcadas horas durante nossas sessões, os clientes simplesmente não apareceram! O dono disse que eu tinha “proteção”.

Banda Mustang - Foto Michael Meneses

Banda Mustang - Foto Michael Meneses

Como disse anteriormente meu método de produção não é muito convencional, prefiro não usar metrônomo, gosto muito da interpretação diferenciada, mesmo que isso acarrete em alguns erros, que considero musicais e não falhas. Não acredito em erro, o que acontece é que, com os plug-ins ninguém quer soar desafinado, sair do andamento, todos têm medo de crítica, até parece que ninguém “erra”. E cá entre nós, nunca gostei de música de robô, 100% precisa. Vivemos em um mundo que idealiza e ilude, que acredita em exterioridades e não no coração.  Prefiro que nossa música seja registrada da maneira mais real e humana possível, o “erro” faz parte do pacote. Mesmo assim, o baterista Azambuja, que não estava acostumado a trabalhar com esse método, e necessariamente não concorda com meu ponto de vista “artístico”, ponderou e decidimos gravar com o metrônomo. Íamos checando os andamentos, se soavam adequados e o resultado soou bem humano. Ganhamos todos, enfim.

A bateria ficou com um som impressionante, mas as guitarras me decepcionaram, apesar de ter passado horas tirando o som. Essa é uma lição que é difícil explicar (e convencer) às bandas que produzo, que se tivermos que ficar uma semana para alcançar o som perfeito, isso não é atraso, é vitória. E que não é desperdício de dinheiro, é investimento. Reposicionamos os microfones perante os alto-falantes, e fomos delicadamente escutando um a um, timbrando–os separadamente, partindo do zero. Quando abrimos todos os canais e toquei um acorde aberto de sol, a sala toda tremeu. A guitarra soava de verdade, natural, sem excessos, como um violão encorpado, exatamente como se a guitarra do Angus Young estivesse sendo gravada para um dos eternos clássicos do AC/DC. E na Tijuca! Escrevi, talvez no texto anterior, que tenho horror de distorção. O som do pedal ou de um drive de um amplificador turbinado realmente não faz a minha cabeça. Sou a favor de guitarras cruas e sinceras.

O som do baixo foi timbrado para preencher as frequências disponíveis entre os timbres de bateria e guitarra. O procedimento básico é esse: se o som da caixa estiver na mesma região do médio da guitarra, um anula o outro e o trabalho vai por água abaixo. O baixo tem que se destacar sem brigar por espaço. Testando amplificadores diferentes e microfonações diversas alcançamos um resultado muito satisfatório. Tente imaginar o CD sem o baixo e verás que um não existe sem o outro, eles se completam e isso é ótimo para o bem da música.

As dobras de vozes foram todas criadas em casa e levadas escritas para o estúdio para serem testadas, na maior parte dos casos terças menores e maiores, mas foram usadas também quintas, sextas e oitavas, tudo para personalizar o babado. Beatles, nem precisava dizer,  é a inspiração constante.

E a maior surpresa: durante a mixagem, não usamos nada mais do que um compressor “humilde” para dar um ganho, não houve equalização. Talvez tenha sido a primeira vez nos álbuns do Mustang que não equalizamos alguns canais por causa de problemas com choques de freqüências.

Acima de tudo, o ideal é trabalhar dentro do seu próprio universo, desenvolver sua criatividade e personalidade sem medo. E creia, isso é bem difícil quando se interage em grupo, pois majoritariamente técnicos e músicos seguem um padrão pré-estabelecido do que é “certo” ou “errado” mas o pior certamente é o público, que se quiser, por medo, ignorância ou modismo, põe sete palmos de terra sobre qualquer trabalho que não seja compreensível para o ouvido médio e o gosto regular de muitos.