
Resenha intitulada “Gritos de Guerra”- Revista Bravo! – out de 2004
Os Mustangs são roqueiros cheios de humor e visceralidade. Ouviram de tudo: o punk do GBH, o rock dos Stones e do Black Sabbath, o glitter rock do New York Dolls, o thrash do Metallica e do Napalm Death. Ouviram, mas não copiaram. Antropófagos, fizeram deles acordes e compassos alheios. E com tanta convicção que até parecem originais. O disco abre com “Muito Além”, cujo início é perfeito: o vocalista Carlos Lopes grita como se fosse um indígena descendo rumo ao combate. A seguir vem a bateria com sua marcação quase punk e solos nervosos de guitarra. Rock destrambelhado e vivaz.
Rock Brigade – 220 – novembro de 2004 – Nota: 8,5 – Antonio Carlos Monteiro
Carlos Lopes é o sujeito que nos habituou a prestar atenção em tudo o que ele faz. Sua língua sempre afiada, a metralhadora giratória verbal que nunca teve medo de ligar, pouco se importando com as consequências, e principalmente sua postura enquanto artista contestador ajudaram a gerar essa natural reação a tudo que vem de sua lavra. Assim, merece atenção redobrada seu novo grupo, o Mustang. A banda faz uma fusão de estilos toda particular. É como se Iggy Pop resolvesse cantar no Judas Priest ou se Johnny Thunders inventasse de tocar no Iron Maiden – ou, mais louco ainda, como se Lux Interior dos Cramps decidisse que ia dobrar vozes com Mick Jagger nos Stones. A roupagem tosca, típica da gravação ao vivo que a banda fez em estúdio e que já se tornou sua marca registrada, continua presente neste trabalho – que, por outro lado, se mostra mais elaborado musicalmente, com Carlos voltando a mostrar seu enorme talento como guitarrista. As letras, por sua vez, são daquelas que merecem uma atenção redobrada, mesmo que se pense – equivocadamente – que resvalam no deboche. Afinal, quem mais escreveria uma música como “Rosana Está?” dedicada a um paquito (lembra disso?) que virou travesti?
O velho e o adolescente por Jairo Souza – outubro de 2004 – site Poppycorn
Quando eu era adolescente meu maior sonho era ter uma banda de rock. Eu cresci, encaretei e nunca coloquei o som da guitarra alto o bastante para incomodar meus pais no quarto ao lado. Minhas letras nunca viraram música e minhas músicas nunca foram ouvidas por ninguém. Não costumo me sentir frustrado por isso, mas hoje um pequeno disco de 12 cm chegou nas minhas mãos e me deixou com uma grande sensação de inveja. O disco possui o estranho nome de “Oxymoro” e o dono é o experiente Carlos Lopes e sua banda, o Mustang.
Carlos conseguiu fazer o que nós sonhávamos na puberdade: uma banda de rock ´n´roll básico, músicas compostas com o desleixo de quem não está muito preocupado com o resultado final, letras simples e diretas. Tudo em volta de uma atmosfera de descontração e improviso.
Como Carlos já tinha dito em uma entrevista para o PoppyCorn, o rock é sua noção de liberdade e assim o homem que se livrou das amarras de ser um ex-metaleiro conseguiu criar um disco para um público bem menos segmentado e com uma qualidade musical muito maior do que a de seu tempo de Dorsal Atlântica.
Oxymoro é o resultado de quem acreditou em seus sonhos de adolescente, transpôs os obstáculos e colocou o amplificador de guitarra no máximo. Um disco que nos deixa com a vontade de vibrar novamente as cordas daquela velha guitarra empoeirada que ficou esquecida na casa dos pais.
Texto de Gisele Santos do site Mundo Rock – set de 2004
Por mais de uma semana fui acordada por um cara gritando, cantando e rindo, e isso ia MUITO ALÉM do que eu queria, pois logo cedo o agito rock já começava naquele velho aparelho de som programado para despertar às 8h da manhã, no volume 10, e eu ainda pretendia dormir naqueles básicos 10 minutos que iriam se estender por mais uma ou duas horas. A primeira faixa acabava e eu tentava fingir que não era comigo, com o travesseiro cobrindo meu rosto, logo pensava: NÃO, A ROSANA NÃO ESTÁ, PORRAAAA. Vou ter que levantar mesmo, né? Hummmm…. O CD é legal… OXY… OXYM… Nome complicado pra falar logo cedo! OXYMORO me fazia levantar da cama ainda atordoada, muito mais por causa da pancadaria na orelha do que o próprio sono interrompido. Ficamos íntimos em uma semana inesquecível… Já estava em pé e nem desligava o som… continuava ouvindo, ouvindo… Rolava até um ou dois repeats, enquanto eu ia acordar de uma vez por todas embaixo do chuveiro, depois tomar um café puro e aproveitando para puxar os e-mails que mais parecem coelhos (não param de procriar). Pó, essa banda é legal meu. Até estão perdoados por me acordarem e não é CARIDADE, pois realmente mandam bem. Não fiquei de SACO CHEIO logo cedo… Também TE AMO, Mustang.
Habilidades em outros gêneros da música por Marcelo Benevides – Folha de Pernambuco – 18/09/2004
Oxymoro é o título do segundo álbum do Mustang, que já havia registrado Rock ´n´Roll Junkfood (2002) – a palavra combina dois termos gregos completamente contraditórios, talvez pelo fato de reunir referências setentistas e inusitados momentos de bom-humor, atípicos em letras de gêneros como o heavy metal. No encarte do CD, a própria banda faz uma sátira a suas influências, com uma montagem sobre uma foto antiga dos Secos & Molhados com os dizeres: Secos & Mustangs. Sem medo de parecer datado, Carlos Lopes e seus companheiros de grupo gravaram as 15 faixas inéditas ao vivo em estúdio no Rio de Janeiro.
Entre as “figuras” homenageadas no álbum está Paulo Cezar, ex-paquito que hoje é transformista e se chama Rosana Star – a faixa aproveita o nome do artista e foi batizada de Rosana Está?. Com letras que, em geral, falam de amor, o Mustang também ironiza outros esteriótipos em composições como “Cheiro de Mijo Guardado”, “Ela Lê a Bíblia” e “Amor Pansexual”.
Revista Valhalla, número 28 – Nota: 8 – Rodrigo Helfenstein
O trabalho abre com a excelente “Muito Além”, rock sujo de garagem e embala com seu pequeno hit “Rosana Está?”, que começa com riff de psycho que não engana ninguém: excelente! Então o álbum segue com boas composições das quais destaco a sacana “Saco Cheio”, a pop “Eu Te Amo”, a sessentista “Gilmore Girls”, a boa levada de “Cheiro de Mijo Guardado” e a profana “Ela Lê a Bíblia”.