Biografia

Posted domingo, outubro 4th, 2009
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Elvis Não Morreu

Elvis Não Morreu

História pregressa:

Em outubro de 2001 a banda assinou com a gravadora independente Old School Nice Lesson para a gravação oficial do “Rock ‘n’ Roll Junkfood”, o seu primeiro trabalho, após uma demo-tape lançada em 2000. A decisão da banda de se vestir apenas de vermelho nasceu juntamente com esse primeiro disco e é tanto uma homenagem à fase “comunista” da banda americana The New York Dolls (que se vestia assim) como à força que o vermelho sangue representa.

“Rock ‘n’ Roll Junkfood” foi lançado no primeiro semestre de 2002, juntamente com uma versão em vinil picture disc (em inglês) e uma versão em LP vermelho (em português). Em seguida, o trio foi convidado para tocar no 8º Goiânia Noise Festival, onde gravou dois clipes ao vivo e para a abertura da banda sueca Backyard Babies em São Paulo. Por sinal, esse último show gerou uma das letras mais sarcásticas da banda: “Cheiro de Mijo Guardado” que apenas seria registrada no segundo CD da banda.

Oxymoro: “Pode-se perceber nitidamente que é um CD cheio de visceralidade e paixão” (Site Poppycorn)

Em 2004, a Monstro Discos de Goiânia assinou com a banda lançando o CD “Oxymoro”, que recebeu críticas entusiasmadas da imprensa especializada. Oxímoro é uma frase de duplo sentido, que se contradiz, como por exemplo: “inteligência da polícia”. Esse é o conceito do disco: falar sobre contradições. Das letras ainda mais irônicas, destacam-se a popular “Rosana Está?” escrita para um ex-Paquito da Xuxa que se tornou transformista; as sensuais “Ela Lê a Bíblia”, “Amor Pansexual” e “Contato”; a feroz “Muito Além” e a homenagem ao seriado de TV “Gilmore Girls”. A contracapa traz a imagem de um Che Guevara sorrindo com os lábios pintados com batom rosa. Sacrilégio?

Entre os CDs “Rock ´n Roll Junkfood” e “Oxymoro” não há exatamente lacunas, mas sim texturas diferenciadas. Um trabalho completa o outro, mas não o cancela ou anula. É um constante aprender e evoluir.

Para fechar 2004 tocaram no 10º Goiânia Noise Festival onde iriam abrir o show da célebre banda americana MC5, mas definido o fato que os gringos não viriam, o grupo carioca não perdeu a chance de homenagear seus ídolos tocando uma versão matadora para “Kick Out The Jams”, o emblema musical do MC5 escrito no revolucionário ano de 1968. Esse momento ficou registrado no livro 10 Anos de Goiânia Noise Festival – Em terra de cowboy quem toca guitarra é doido” do jornalista Pablo Kossa.

Tá Tudo Mudando: “Uma forma de arte celerada, desavergonhadamente escrachada, que o Mustang leva na marra, a partir de uma bem humorada mescla de citações” (Arthur G. Couto Duarte – Estado de Minas)

O Mustang deu a partida em 2006 lançando o CD “Tá Tudo Mudando… Mas Nem Sempre Pra Melhor” e o clipe de “Sexo Virtual”, faixa inspirada nas histórias contadas por amigos que flertavam na internet. A capa é uma homenagem à cultura rock e ao clássico álbum “Let It Bleed” dos Rolling Stones.

As fotos do encarte e contra-capa foram feitas em um misto de sebo de LPs, antiquário e bar na Paulicéia. Na entrada do bar (ainda) há um Elvis de cartolina, em tamanho natural, com uma flor (de verdade) no bolso e luzinhas Made in China em torno da figura que fazem, inconscientemente, uma estranha analogia entre o rei do rock e sua pretensa divindade.

O título do álbum surgiu de um pensamento, tornado palavra, em face à uma alteração urbanística no bairro do vocalista/guitarrista. A reflexão que nada teve de saudosista, foi a conclusão de que muitas mudanças “para melhor” realmente nada significam e isso tanto diz respeito às nossas vidas como à própria cena musical, moldada na necessidade de construção e destruição de ídolos. “Tá Tudo Mudando…” carrega em seu bojo faixas exóticas como “Véu e Grinalda” (quero casar com você de véu e grinalda) e “Cueca e Meia” (me dá um beijo, me dá um abraço, mas não me dá mais cueca e meia); assim como a indignada “Geração Perdida”; “Janis Joplin” (sobre a passagem meteórica dela pelo Rio de Janeiro), “5 Contra 1” (sobre solidão sexual); “Febem” (um rockão); “Rock And Roll City” (homenagem ao concretismo de São Paulo) e “Despertar” (sobre um desencarnado que não quer acreditar que morreu).

A SANTA FÉ da banda MUSTANG:

O quarto trabalho de estúdio do trio Mustang se chama “Santa Fé” exatamente porque fé é o que não falta ao grupo. Fé em seu trabalho e em sua capacidade de entreter 15 mil pessoas (na Virada Cultural em São Paulo em 2009 abrindo os Titãs) durante uma hora com seu rock and roll vigoroso, dançante e pensante. E o grupo tem orgulho de dizer que não toca apenas rock, mas sim MPR, “música popular roqueira”, o resultado de anos de experimentação e confiança.

“Santa Fé” foi lançado encartado na revista O Martelo (http://www.omartelo.com) no início de 2009. As 12 faixas do CD trafegam sem problemas entre a psicodelia pura de “Doktor Alzheimer”; o pop psicodélico de “Guarda-Chuva” e “Sai dessa Cruz”; o soul de “Peso Morto” e “Eu Não Faço”, assim como nas baladas rock “Lugar Distante”, “Amor” e “Pouca Chance” e em temas de puro rock com frases matadoras de guitarra como em “Esperança” e “10 Horas da Manhã”. As letras falam de amor, desilusão, morte, vida e esperança através de uma roupagem de ópera rock não assumida. Mustang pode ser muitas coisas, inclusive uma banda de rock com um nome associado à máquinas velozes, cavalos selvagens e mulheres fáceis, mas o Mustang não é “apenas rock and roll e eu gosto”. É rock sim, mas também é soul, punk, country, psicodélico, mod, folk, tropicalista, lindo, leve e solto. Melhor dizer: MPR. O Mustang pode ser da largura do mundo, na exata dimensão do seu ouvido e corajoso o suficiente para assumir a sua “Santa Fé”.