
O quinto trabalho da banda Mustang é um disco duplo que se chama Mustang V. Como este é o quinto disco de carreira, e como o quinto algarismo romano lembra um V, o símbolo da paz (simbolizado pelos dedos indicador e médio levantados), a capa do CD (realizada pelo baixista Vinícius Dantas) faz diversas associações com o número cinco.
V é um disco através do qual a banda expande sua musicalidade para além dos trabalhos anteriores. O repertório do álbum, composto em menos de um mês, mescla country, baladas, soul, rock e MPR (música popular roqueira). O funk e o soul, que se manifestaram nos CDs anteriores, agora se expandem com uma nova batida calcada nos ritmos de umbanda e candomblé. Baião e marchinha de carnaval fazem parte do novo repertório, que liberta a banda de vez da possibilidade do Mustang ser visto, apenas, como parte de grupos que idolatram o que vem do exterior sem olhar para o Brasil. Beatles são uma influência constante, mas dessa vez o tropicalismo e os primeiros discos de Caetano Veloso e Gilberto Gil são influências reconhecíveis, assim como os Afro-Sambas de Baden Powell. E todas essas delícias musicais estão muito bem mescladas com o pulsante rock do Mustang.
Em 2010, o trio carioca comemorou sua primeira década de vida com o CD duplo V.
…
Entrevista de Carlos Lopes para “Papo de Boteco” (2011):
Qual a importância do ecletismo para a evolução de um artista?
A arte reflete a visão do artista, inclusive religiosa, social e política. Dizem que música não deveria se misturar com política, mas quando se canta em inglês não se escolhe apenas divulgar um trabalho no exterior, mas se externaliza uma visão globalizada, muitas vezes submissa da vida. O ecletismo depende do talento de quem cria, depende da verdade das criações, depende de uma soma de talento e percepção. Na minha vida artística e pessoal, se não encontrar novos desafios, eu morro.
A constante mudança sempre foi a tônica de sua carreira. Como você avalia o artista que prefere o conforto da estagnação e de fórmulas pré-concebidas?
Graças a Deus, tenho o dom da insatisfação artística. Vou te contar uma história curiosa: quando éramos pequenos, minha mãe proibiu que eu e meu irmão tivéssemos animais em casa, pois ela dizia que um dia eles morreriam e que nós sofreríamos. Ela não queria ver isso, ela não queria que conhecêssemos a dor da perda. Fazendo isso, ela não nos educou, não nos disse que todas as escolhas implicam em perdas e ganhos e que opções implicam em alegria e dor, partes inerentes da vida. Não há vida sem dor, como não há artista de verdade sem ousadia. O resto é funcionário público.
Voltando à música, como você avalia a primeira década de sua banda atual, Mustang?
O Mustang foi criado em 2000, juntamente com a Usina Leblond (http://www.clnetsys.com/usinaleblond/), para resgatar o prazer de fazer música que eu havia perdido. A primeira nasceu para misturar rock clássico com punk e psicodelia; a segunda para fundir mpb com jazz e rock. Cresci como músico e produtor com ambas, o processo de aprendizado foi e é uma constante. O – ou A – Mustang gravou 5 discos em dez anos, sempre caminhando para uma sonoridade própria. Como artista isso é motivo de orgulho, para o mercado talvez seja burrice. Eu sou livre e prefiro continuar livre.
Entrevista Carlos Lopes em: http://www.papodeboteco.net.br/2011/03/papo-com-o-talento-1-carlos-lopes.html


Um dos Melhores Álbuns de ROCK de 2010
Entrevista Carlos Lopes (Banda Mustang) no site da OI NOVO SOM:
http://oinovosom.com.br/portal/noticia?nid=cd2614ae-a7f6-41dc-bfd8-ad5497ba1f66

Entrevista Carlos Lopes para Márcio Baraldi na revista Comando Rock número 69 nas bancas.

A Coluna de Música do jornalista João Ricardo Lima publica a lista dos filmes musicais favoritos de Carlos Lopes do Mustang, que deita e rola entre rock e mpb.

YOUNG AT HEART

The Hellacopters

Ópera do Malandro