Home Page
 
 
   home ¥ quem somosarquivos ¥ cds e dvdsbizarro ¥ matériasentrevistas ¥ literatura
 
 
 
 
 


 
P.O. BOX 33132, ZIP CODE 22440.970 RIO DE JANEIRO, BRASIL omartelo@omartelo.com

O VERDADEIRO LET IT BE ???

por Carlos Lopes

  Essa matéria compara os dois Let It Be, o original e o “novo” CD Naked dos Beatles, a versão “dita” definitiva. Let It Be foi lançado em 1970 após o término da banda, com arranjos de Phil Spector, e sem a presença de Paul McCartney. Esse mesmo produtor conduziu jóias raras na Motown mas, tristemente, destruiu com “algum” mal gosto esse álbum dos Beatles e o End Of The Century de 1980 dos Ramones, só para citar dois.

  Em 2003, no ano do acerto de contas, retiraram os tais arranjos do Spector, e lançaram o produto como Naked. A simplicidade que seria a proposta inicial para a produção do Let It Be, originalmente nomeado de Get Back, foi abortada, após McCartney ter sido posto contra a parede por seus companheiros e, por isso mesmo, “saído” da banda. Apesar que Lennon cansou de dizer que os motivos não foram esses, mas quem sabe... Eles que são insetos que se entendam. Spector prosseguiu, na mesma época, com Lennon no CD/LP Imagine, só para ver o tamanho da parceria, ou da encrenca.

 O CD-duplo Naked (literalmente “desnudo”) gravado pela banda e pelo tecladista-convidado Billy  Preston é considerado a versão definitiva. Meia verdade, meia cascata.  Se a banda toda não aprovou na época, nunca haverá versão definitiva, e ponto final. O som do Naked tem apenas uma questionável vantagem em relação a antiga versão:  é cristalino em comparação ao antigo LP e ao Anthology 3 de 1996.  Naked traz ainda um segundo CD de 22 minutos com trechos/versões interrompidas das mesmas canções, mais os famosos diálogos nos intervalos entre as canções. Fly On The Wall, o CD 2,  peca por ser apenas uma faixa de 30 minutos com os ensaios e as conversas. Não podemos escolher qual passagem se quer ouvir. Bola fora. Apesar da idéia, esse Naked não chega aos pés das versões piratas, se a análise for feita no quesito “quem é mais cru”.

  Let It Be/Get Back,  o primeiro LP sem a produção de George Martin (que só voltou a trabalhar no seguinte, Abbey Road, porque Paul confirmou que Lennon aceitou que Road fosse produzido pela boa e velha política de Martin) , seria gravado ao vivo, sem acréscimos posteriores. Filmado, primeiramente dentro de um galpão, depois na sala de ensaios, com o intuito de mostrar aos fãs o processo de criação e finalização de um álbum, o que aconteceu foi que a filmagem mostrou um clima angustiante, entre os quatro, além da  presença onisciente da criatura/concubina nipônica, Yoko Ono. As rusgas entre George Harrison e Paul McCartney tornaram-se lendas e uma delas, a “Eu toco o que você quiser, Mestre” virou clássica. A alegria do Hard Day’s Night, a ação frenética de Help, o vanguardismo do Magical Mistery Tour cederam espaço a melancolia e as caras feias de Let It Be. Somos todos felizardos pela banda ainda ter gravado o Abbey Road. Deus realmente existe!

 O filme/CD Let It Be é entremeado por esporádicos covers em uma luta desesperada para  motivar a banda a “atuar”  dentro do desconforto da situação. Let It Be, talvez seja o disco menos brilhante dos Beatles, mas não menos adorável., apesar do filme/resultado final deprê. Paul estava tão afetado – com caras e bocas - quanto Mick Jagger no concerto em homenagem a Brian Jones.
Jann S, Wenner, fundador da Rolling Stone entrevistou o Beatle mais sarcástico em 1970 (entrevista editada no livro “Lembranças de Lennon” da Conrad), e o próprio disse entre outras coisas que: “Quando o Spector apareceu, nós dissemos: “Se você quer trabalhar com a gente, aí está o seu teste.” Ele penou feito burro de carga. Ele sempre quis trabalhar com os Beatles e recebeu o lote mais cagado de gravações malfeitas já realizado. Ainda por cima repleto de maus sentimentos. E conseguiu tirar alguma coisa. ”, e Lennon ainda acrescentou que o filme “foi preparado pelo Paul, para o Paul.”

Engraçados esses Let It Be piratas

Existem diversos no mercado, geralmente com as mesmas faixas, mas com alcunhas diferentes. Dos que conheço melhor, cito o Let It Be Original (que utilizei para essa matéria), o Headlines da Rock Solid em vinil, e os The Let it Be Rehearsals, Volumes 1 e 2, The Complete Rooftop Concert (30 de janeiro de 1969) editado pela Yellow dog em 1992. O Let It Be Original (que nome...) começa com uma versão “animadinha” para Don’t Let Me Down. É curiosa, pode ter algo a ver (“Não me Deprimam”) mas não na real a versão definitiva  foi a melhor solução encontrada para uma canção-reclamação.
Antes mesmo da versão “mais tradicional” para Don’t Let Me Down, Paul puxa o riff de Dig A Pony (que viria logo na seqüência do pirata), como se Paul já estivesse afim de tocar logo a música ao invés de iniciar pelos desabafos amorosos do parceiro. O Paul parece uma criança querendo fazer uma voz de resposta toda hora. O “nada a ver” mais evidente dessa atitude (que pode ser conferido no Anthology) é a versão televisiva para Revolution com o dubdubadá de fundo, que acabou sendo retirado da versão oficial. O “tatibitáti” entre as faixas era uma constante, virando uma marca registrada/analítica daquele momento. Sabe quando falam em demasia para criar um clima artificial de amizade....
 Teorizando, acredito que o acréscimo do segundo CD no Naked, com as falas dos Beatles entre as canções (transcritas no encarte do CD e no livro Let It Be) deve ser fruto de uma necessária proximidade-sentimental-estilística com esses piratas (que tem algumas dessas falas), tanto por questões de comparação, como de historiografia, pois a real do Let It Be sempre foi ser ao vivo, e  nada melhor do que manter a idéia.

O Let It Be ideal, o Super-Naked

Aqui uma decisão difícil mas feita com muito carinho entre quatro boas opções: a nova versão, um dos vários piratas na praça, o terceiro volume do Anthology e o CD/LP original. Depois discutiremos sobre a seqüência das canções. Voilá.

Get Back – PIRATA ou ANTHOLOGY - O ÚHH! do Paul (esse veio lá de dentro) e a volta do riff no pretenso final da música fazem a versão do pirata matadora. No Naked esse final contagiante é cortado na mixagem – e a voz do Paul tá “qualquer coisa”...  A versão do Anthology, que como todas foi gravada ao vivo no telhado da Apple, é definitivamente a melhor.  O que a oficial tem de legal é o diálogo inicial e final entre os músicos. Inesquecível. Por causa da pressão dos “polícia”, nota-se um certo, e útil, nervosismo da banda na versão do Anthology, que foi o terceiro Get Back a ser gravado/tocado. Os policiais desligaram os amplis no meio da música e durante um brevíssimo momento, quase como um arranjo, só ficaram a voz, o teclado de Billy Preston e a bateria. Clássico total!

Dig A Pony  - PIRATA ou ANTHOLOGY ou OFICIAL - Lennon ri, o que já é o suficiente para angariar a versão do pirata como uma ótima candidata. No início e no final dessa música, era de praxe Lennon dizer “All I Want Is You”, mas na mixagem oficial essa frase foi limada. Bola fora. No oficila tem a guitarra se preparando para começar antes da banda mandar ver. Isso é legal. No pirata, Paul canta um hu-hu-hu final enqüanto Lennon responde “Yes, I Do”. A palavra “Because” cantada/chorada antes do solo na versão do Naked e do LP é o máximo. Preferencialmente, escolho o pirata.

For You Blue –ANTHOLOGY ou NAKED – O slide tocado por Lennon  faz dessas versões as melhores. No oficial, os detalhes ficam abafados na mixagem. Os detalhes caíram muito bem nesse Blues de maluco. A versão crua do Anthology é demais!

The Long And Winding Road – NAKED, OFICIAL ou ANTHOLOGY –  A versão sem o arranjo com cordas de Phil Spector (feitas sem a  presença de McCartney em primeiro de abril de 70 – que data!) é belíssima, muito digna em sua simplicidade. Na verdade, a versão oficial e a do Anthology são a mesma. Mas, como dizia o profeta cresci escutando a versão oficial que, apesar da breguiçe, me toca mais profundamente.

Two Of Us – OFICIAL ou ANTHOLOGY - A versão do Anthology é bastante crua (como deveria ser, afinal) e muito legal, apesar de alguns deslizes. A intro com a voz de Lennon, que só pertence a versão oficial, sentimentalmente faz falta.

I’ve Got A Feeling   - PIRATA ou ANTHOLOGY com “That’s Right!”  -  Mais um heavy metal dos Beatles (como Helter Skelter e  I Want You). A boa versão do Naked está com a guitarra rasgada com o som mais claro (e o teclado essencial de Billy Preston), mas prefiro a versão mais crua do pirata/anthology 3 (que é a primeira de doze versões), apesar de Lennon ter dado uma de Paul respondendo “Yes You Have”. A “esperadinha” no meio do riff no pirata/anthology 3 é o máximo. “That’s Right!” falada no começo da versão oficial faz falta.

One After 909 – O PIRATAÇO PELO AMOR DE DEUS OU O ANTHOLOGY I ! - Indubitavelmente as versões que existem no primeiro Anthology  (mais rápida – a melhor!) e no Let It Be Original Vol 1 são o máximo. Acredito que a versão do Naked, seja a mesma do pirata. A oficial é devagar quase parando.

Don’t Let Me Down – PIRATA - Let It Be Original Vol 1 sem sombra de dúvida, apesar dos faniquitos do Paul. A versão do Naked é boazinha. Para o Naked  trouxeram essa música que pertencia ao compacto. É assim??? Então vamos ver na seleção “da casa”...

I Me Mine - OFICIAL - A versão crua do Anthology é ótima, mas fico com a “original”. E por que entre aspas?, questionaria o leitor.  A versão gravada em 3 de Janeiro de 70 (a última música gravada pela banda) só possuía um minuto e  34 segundos. Phil Spector copiando e recortando, a esticou até dois minutos e vinte e cinco segundos. Valeu Spector! Nessa tu deu dentro!

Across The Universe –  NAKED  -  Agora é questão de gosto. As cordas de Phil Spector arrancadas do Naked soavam bregas, mas se você for um(a) sujeito(a) sentimentalóide... A guitarra nua e crua, sem os arranjos soa bem interessante. Dá um certo ar Álbum Branco na coisa. Os acordes crus do Naked liberam um certo aroma de soul music pelo ar, muito agradável.  Mas como citado anteriormente, as cordas impregnaram-se sentimentalmente e contra isso, não há quem possa lutar... Pelo menos, o cello no final da versão oficial dá uma saudade...

Let It Be – ANTHOLOGY ou  NAKED com os solos do OFICIAL – Tem que ser sem cordas. Não dá... Porém os solos distorcidos da versão oficial, no meio e no final da música, são clássicos reconhecíveis. A troca no Naked foi para pior, overdub ou não-overdub.

 

Ordem do Let It Be oficial:

Two Of Us

Dig A Pony

Across The Universy

I Me Mine

Dig It (como vinheta para Let It Be)

Let It Be

Maggie May

I’ve Got A Feeling

One After 909

The Long And Windind Road

For You Blue

Get Back

 

Ordem do Naked:

Get Back

Dig A Pony

For You Blue

The Long And Winding Road

Two Of Us

I’ve Got A Feeling

One After 909

Don’t Let Me Down

I Me Mine

Across The Universe

Let It Be

 

Versão do articulista:

Get Back
For You Blue
The Ballad Of John And Yoko
One After 909 (versão acelerada)
Across The Universe (sem cordas)
I’ve Got A Feeling
I Me Mine
Dig A Pony
The Long And Winding Road (sem cordas)
Old Brown Shoe (lado B do compacto The Ballad Of John And Yoko)
Two Of Us
You Know My Name (look up the number) - (lado B do compacto Let It Be) - BRIAN JONES! BRIAN JONES!
Let It Be

CONCLUSÃO:

Compre o pirata correndo ou mantenha seu Let It Be oficial bem guardado em casa.

Harrison estava no ápice do talento

Deviam estar todos com problemas em casa

Dig A Pony, For You Blue, Two Of Us e I’ve Got A Feeling, ainda são as melhores, piratas ou não

Retiraram do Naked as músicas certas: Maggie May e Can You Dig It? que sempre foram retalhos horríveis.

You Know My Name em nível de estranheza é a melhor, sem sombra de dúvida.

Teddy Boy tinha que ter ido mesmo pro disco solo do Paul.

All Things Must Pass tinha que ter ido mesmo pro disco solo do George.

Child Of Nature ou melhor dizendo,  Jealous Guy tinha que ter ido mesmo pro disco solo do John.

Come And Get It deveria estar no Abbey Road.

Os Beatles são os maiores

Esse CD com proteção contra pirataria é ridículo porque travou, quando apenas foi requerido dele que tocasse e não que fosse copiado. Comprando a  versão pirata do camelô por três reais pude ouví-lo em qualquer lugar. Não é bizonho???

VOLTA PARA O INÍCIO