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P.O. BOX 33132, ZIP CODE 22440.970 RIO DE JANEIRO, BRASIL omartelo@omartelo.com

Depois de 14 anos de trabalho incessante, com a participação de mais de 10 mil colaboradores de 111 países e ao custo de quase US$ 10 bilhões (o mesmo investimento feito no Eurotúnel. A Estação Espacial internacional custou 157 bilhões de dólares!) entrou em funcionamento o maior acelerador de partículas já construído, o LHC ou Large Hadron Collider (Grande Colisor de Hádrons, na sigla em inglês) coordenado pelo Cern (Organização Européia de Pesquisa Nuclear). O LHC está localizado em Genebra, na Suíça. Através de um túnel de 27 km de extensão localizado a 90 metros abaixo da superfície, serão enviados prótons à velocidade da luz, que colidirão em uma explosão espetacular, criando uma situação muito semelhante à existente após o Big Bang (considerado o "nascimento" do Universo). O LHC vai usar ímãs supercondutores hiperfrios para acelerar núcleos de átomos e fazê-los se chocarem entre si (daí o nome da máquina: núcleos são compostos de prótons e nêutrons, partículas da classe dos hádrons). O choque produz uma quantidade grande de energia, que então dá origem a uma série de partículas. Algumas são bastante triviais, como os elétrons. Outras não existem soltas em meio à matéria ordinária.  Uma dessas partículas, prevista em teoria, é o chamado bóson de Higgs. Sua existência pode explicar por que a matéria possui massa.

 


Para colocar a máquina em operação é preciso resfriar algumas de suas peças a uma temperatura muito menor que a do inverno suíço: -271C, o que tornará o interior do LHC o lugar mais frio do Universo.  A explosão gerará 14 trilhões de volts, e o experimento consumirá 120 megawatts, suficiente para iluminar 40 mil casas. Essa micro-explosão criará um buraco negro microscópico e instável, que desaparecerá alguns segundos depois. Entre as novidades que podem ser descobertas com esse experimento, estão a matéria negra, outras dimensões, a "partícula de Deus", entre outras. E não serão conquistas apenas para a ciência “tradicional”, mas para todos que utilizam qualquer sistema de comunicação: é certa uma mudança drástica na forma como se transmite e armazena dados, pois haverá uma melhor compreensão do mundo sub-atômico. Na medicina, novas tecnologias poderão ser criadas, ajudando no tratamento do câncer e melhor entendimento do corpo humano, e a humanidade também poderá se beneficiar com a criação de novas fontes de energia, como a fusão atômica controlada.


Os que criticam o LHC acham que o experimento criará um buraco negro que engolirá o nosso planeta. Por causa disso alguns cientistas já receberam ameaças de morte. No final de agosto, um grupo de cientistas apresentou uma denúncia no Tribunal Europeu de Direitos Humanos, em Estrasburgo, para que não se permitam o funcionamento do acelerador, devido ao perigo de que a experiência gere buracos negros.


Segundo matéria do Estado de São Paulo: “O Brasil, apesar de não ser país-membro do Cern, tem cientistas e estudantes contribuindo em quase todos os detectores do LHC. Um deles, de valor especial para o país, pode ajudar a explicar um fenômeno descoberto pelo físico curitibano César Lattes (1924-2005). Vários físicos brasileiros, no entanto, estão em busca de outro fenômeno. Na caverna onde está o detector CMS (Solenóide Compacto de Múons), eles esperam encontrar um "centauro" --um ser quase tão mitológico quanto o meio-homem-meio-cavalo dos gregos. Centauro foi o nome dado por Lattes a estranhos jatos de partículas que ele detectara em montanhas da Bolívia em 1975 usando placas de um filme especial. Neste caso, as partículas incomuns não vinham de um acelerador, mas da colisão de raios cósmicos, a radiação de alta energia que chove do espaço sobre a atmosfera terrestre. Como o centauro é um evento registrado poucas vezes na natureza e nenhuma em laboratório, um grupo de físicos que inclui gregos, brasileiros e russos quer tentar usar a energia do LHC para provar que ele existe e não é um mito --e talvez explicar de onde ele vem. Usando dois subdetectores batizados de Castors, idealizados pelo grupo do físico grego Apostolos Panagiotou, físicos esperam extrair informação sobre a natureza dos centauros das colisões entre prótons.


"Sem a evidência de um experimento em aceleradores", diz o grego, fica difícil convencer outros físicos de que o fenômeno é relevante. O problema é que só um dos Castors, que ficam dentro do CMS, deve ficar pronto neste ano. Um outro, que dobraria a probabilidade de detecção dos centauros, ainda depende de financiamento. "Isso poderia ser uma possibilidade do Brasil, se nós conseguíssemos um financiamento adequado", diz o físico Alberto Santoro, da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). O brasileiro, que há dois anos tenta articular patrocínio para a construção do aparelho, diz que seu custo seria da ordem de US$ 500 mil. Pensando no custo-benefício científico, não é tão caro, comparado ao valor total estimado do LHC: US$ 8 bilhões. A missão brasileira que levou um astronauta ao espaço em 2006 gastou US$ 10 milhões e os experimentos feitos por ele não lidavam com ciência de ponta. Sem dinheiro para o detector, o Brasil provavelmente não poderá apitar nos projetos que darão prestígio aos eventuais primeiros "criadores" de um centauro. Mesmo assim, Santoro tem contribuído para melhorar a qualidade do Castor. Seu aluno de doutorado Dilson Damião, por exemplo, participa dos testes de calibragem do primeiro detector, que entrará em operação até o fim do ano. Em princípio seria um trabalho relativamente simples, porque existe uma aparelhagem criada para isso, mas Damião está tendo de criar uma estratégia nova para a calibragem. "Depois que o detector está todo construído, você não tem mais espaço físico para fazer esse tipo de medida."

O que seria algo trivial virou um desafio tecnológico, que tem de ser superado para que um centauro dê as caras.
Outros alunos de Santoro trabalham diretamente na montagem de uma parte do detector ainda não instalada. É o caso de um pesquisador incumbido de recortar peças de um papel e de uma lâmina especiais usadas pelo Castor. "Você deve imaginar que aqui no Cern tudo é feito no método mais automatizado", diz. "Não é a opção neste momento. Eu estou cortando na mão todos eles com um rolinho de cortar pizza", conforma-se.

 

 

O expert em modelagem 3D (para Google Earth), Joey Wade, elaborou um diagrama do LHC que, para facilitar o entendimento, é visto flutuando logo acima do solo onde está enterrado.

O modelo pode ser baixado usando o seguinte link
http://bbs.keyhole.com/ubb/download.php?Number=1061036
( é necessário ter o Google Earth instalado para ver o modelo)

 

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