EDIÇÃO 24

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QUEM É.


Osho, em sua autobiografia, diz que sua iniciação espiritual começou aos 21 anos, com uma revelação: em uma noite de março de 1953 ele foi acordado por uma energia forte em seu quarto, correu para o jardim onde meditava e viu tudo iluminado. Ficou 3 horas em estado contemplativo e 7 dias sem falar. “Dias se passavam e eu não sentia fome, não sentia sede. Desde aquela noite, nunca mais estive em meu corpo.” A luz trouxe a percepção de que não há nada a ser obtido, pois o ser humano já é perfeito.


Formado em filosofia, Chandra Mohan Jain, ou Osho (sinônimo de “oceânico”), polemizava com seus ataques às religiões tradicionais, no final dos anos 50, na Universidade de Jabalpur, na Índia. Osho indicava como santo remédio, a meditação. A quantidade de pessoas que o buscavam era tão grande que em 1962 ele abriu um centro de meditação e começou a viajar para palestrar. Em 1964, suas palavras foram publicadas pela primeira vez no livro O Caminho Perfeito. Dois anos depois, Osho abandonou o universo acadêmico para dedicar-se exclusivamente à vocação de guru. Em 1968, Osho foi convidado para palestrar sobre o amor. Seu discurso revolucionário incentivou a libertação sexual, e está contido no livro Do Sexo à Supraconsciência.

 

Em 1971, Osho mudou seu nome para Bhagwan Shree Rajneesh ou “Rajneesh, o senhor abençoado”, em sânscrito. Os neosanias, ou seus seguidores, passaram a vestir roupas vermelho-alaranjadas, um colar de 108 contas e um medalhão com a imagem do líder. No fim dos anos 70, o centro recebia cerca de 100 mil pessoas por ano. Em 1981, Osho e seus seguidores mais próximos mudaram-se para um terreno amplo no deserto de Oregon, nos EUA


Osho ficou famoso por sua coleção de 93 Rolls-Royces, “doados por discípulos ricos para ajudar a construir a cidade”. A comunidade norte-americana Rajneeshpuram começou a sofrer boicotes da comunidade local, alvarás foram negados e o visto de residente de Osho foi negado. Em 1985, acusado de violar a lei de imigração, passou 6 dias preso e foi libertado sob fiança de US$ 400 mil e a promessa de deixar o país. Tendo o visto negado em 21 países, foi obrigado a voltar à Índia. Antes de morrer, em 1990, Rajneesh voltou definitivamente a ser Osho ao assumir a alcunha de vez. A placa sobre suas cinzas diz que ele “nunca nasceu, nunca morreu. Apenas habitou este planeta Terra entre 1931 e 1990”. (Reprodução: SuperInteressante / Bianca Nunes)

 

A CRIATIVIDADE.

 

“A maior parte das calamidades cairá sobre a humanidade no dia em que todos os sonhadores desaparecerem.” Friedrich Nietzche.

 

O livro “Criatividade – Liberando sua força interior” de Osho (Cultrix – 208 páginas), nos propõe “dicas para uma nova maneira de viver”. Em seguida, de cara, a primeira linha da primeira página já diz que “a criatividade é a maior forma de rebeldia da existência”. E prossegue: “A mentalidade coletiva não tem criatividade; seus membros levam uma vida enfadonha, eles não conhecem realmente a dança, a melodia, a alegria: são seres mecânicos.”


Osho explica que diferentemente do passado, quando os criativos precisavam se isolar da sociedade, hoje quase todas as pessoas são praticamente induzidas a lidar com seus desafios diários com criatividade, essa força poderosa e tão necessária para nosso crescimento interno e externo.


O guru explicita as diferenças entre as pessoas livres ou aprisionadas (“tente fazer algo com perfeição e ele se tornará imperfeito”), e mais uma vez retifica que a meditação é a ferramenta mais poderosa mais alcançar o entendimento consciente e aconselha a “relaxar enquanto age”.  Parece algo impossível, mas cabe a cada um dos interessados testar.  Sendo assim, o guru refuta o conceito de que “mente vazia é oficina do diabo”. Osho afirma que “mente vazia é sim, oficina de Deus!” É claro! O diabo não conseguiria entrar em uma mente vazia, desprovida de centenas de milhares de pensamentos, o diabo morreria sufocado pois não pode influenciar uma mente esvaziada de boas ou más intenções, esvaziada de medo e violência. Meditação, esvaziar a mente é uma boa resposta, é claro. É tão óbvio, mas não paramos para pensar nisso. Osho afirma que “90% de nossas energias são gastas com atividades e quando chega o momento de agir, não há energia. Uma pessoa relaxada é despreocupada e a energia se acumula nela”. Para os ocidentais parece uma proposta bisonha, mas é a mais pura das verdades. O guru alerta contra a tagarelice; alerta sobre a imposta necessidade de se ocupar; nos abre os olhos contra a violência de um simples mastigar de chiclete ou de fumar cigarros, que escondem ações mal utilizadas.

 

“Quanto mais você pensa, mais você é. O ego não é nada, senão todas as ideias que você acumulou no passado. Quando você não é, DEUS é – isso é criatividade e  criatividade é ser possuído por Deus.”


“Você pode por a responsabilidade no demônio como fazem os cristãos, como os hindus que responsabilizam o karma do passado, os marxistas que dizem que a culpa é do sistema econômico, ou os psicanalistas que dizem que a culpa está na relação entre mães e filhos. A causa é sempre outra coisa, jamais você.”

“Se você ama uma doutrina, ela é falsa. Se a mansidão é cultivada, ela é falsa. Se a compaixão é fomentada, ela é falsa. Mas se isso vem espontaneamente, sem nenhum esforço de sua parte, então sua realidade é sublime.”


“O paradoxo é que o verdadeiro criador, o verdadeiro artista, sabe que não criou nada. A existência é que tem trabalhado através dele. Ela o possui e cria algo através dele. Ele é mero instrumento. Isto é arte de verdade, no qual o artista desaparece. Ali, não há questionamento do ego. E assim, a arte se torna religiosidade. Ali, o artista é um místico, não apenas tecnicamente correto, mas existencialmente autêntico. O ego é muito perfeccionista. O ego é neurose.”


“A mente é passado. Passado e nada mais. Mente significa memória. Ser contemporâneo é não ter mente. A pessoa realmente viva é do aqui e agora. O momento atual é tudo. Aquilo que um Michelangelo cria é palpável, é visível. Aquilo que um ser iluminado cria é absolutamente invisível. Só dois tipos de pessoas criam: os poetas e os místicos.”

 

“Criatividade não tem nada a ver com algum tipo de atividade em especial. Qualquer coisa que você faça com amor, se a sua razão de fazê-la não for puramente econômica, será criativa. Seja meditativo quando estiver fazendo, independentemente do que seja. Existir e ser criativo são sinônimos. Todas as nossas atitudes com a vida são governadas pelo dinheiro e dinheiro é uma das coisas mais sem criatividade. Dinheiro, poder, prestígio são coisas em que não há criatividade. Se quiser fama, não fale em criatividade. Jesus não foi famoso em seu tempo.”


E Osho nos dá quatro chaves para a criatividade: Volte a ser criança; Mantenha-se disposto a aprender; Procure a felicidade nas coisas simples e Seja um sonhador.

 

 

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