EDIÇÃO 25

   P.O. BOX 33132, ZIP CODE 22440.970 RIO DE JANEIRO, BRASIL omartelo@omartelo.com
Google

Translate / Übersetzung / Traduction / Traducción / Traduzione / 翻訳 Click Here

Comunidade: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=69819489


Compartilhar no Orkut    Compartilhar no Facebook    Compartilhar no Twitter

 

Logo na introdução de Doutor Goebbels – Vida e Morte (350 páginas – Madras) os autores Roger Manvell e Heinrich Fraenkel falam sobre a imagem que o líder nazista “pôde criar sobre si mesmo”, enquanto estava nos altos cargos do regime alemão. Ou seja, era apenas uma imagem, algo superficial, longe da verdade, distante do âmago do personagem histórico. O que os autores dessa obra pretendem é demolir a superficialidade das análises e foram à luta, atrás de depoentes, das fontes. E a fase menos falada e biografada é a de sua juventude até aos 27 anos, antes mesmo de Goebbels descobrir os nazistas e deles o descobrirem.


Fraenkel escapou da Alemanha bem a tempo de evitar ser preso na noite do incêndio do Reichstag e depois participou da fundação do movimento Alemanha Livre na Grã-Bretanha. Após a guerra, Heinrich Fraenkel assistiu aos julgamentos de Nuremberg e obteve informações em primeira mão dos que estiveram diretamente associados a Hitler e Goebbels. Fraenkel foi à Alemanha com a ajuda da irmã de Goebbels, Maria Kimmich, teve contatos essenciais com pessoas que conviveram com Goebbels quando menino e adolescente em Rheydt, sua cidade natal. Através dos vários personagens encontrados durante a pesquisa, Fraenkel conseguiu informações detalhadas sobre sua infância como estudante, aspirante a escritor e finalmente, como aprendiz de política.  Todos os entrevistados permitiram ao autor, citar as várias cartas de Goebbels a eles, e além disso, o autor teve acesso ao diário não publicado escrito a mão entre 1925 e 1926 e aos arquivos da Sociedade Albertus Magnus, uma sociedade beneficente em Colônia, para pesquisar a sua educação universitária.

 

Paul Joseph Goebbels (1897 – 1945), já adulto, tinha um pouco mais de um metro e meio, 45 quilos, mancava, e apesar desses elementos o desfavorecerem, era vaidoso e não se fez de coitado. Como tinha pouquíssimo dinheiro, soube desde cedo que se não empregasse suas habilidades sociais para se destacar, perderia feio para o mundo e ao empregar a voz, tanto afetuosa como trovejante, e o magnetismo em seu olhar, descobriu a arte da propaganda.


Joseph Goebbels foi o Ministro da Propaganda do regime de Adolf Hitler, tendo sido também o responsável pelas instituições educacionais. Não era considerado pelo Führer, como um de seus sucessores, mas foi ele quem acompanhou o seu líder até ao fim, tendo se suicidado sem pestanejar, juntamente com sua esposa Magda, e seus seis filhos pequenos. Na verdade, Goebbles detestava a maioria dos líderes nazistas, mas isso é pouco lembrado. Em 1941, Goebbels, que considerava a desconfiança um traço superior de grandeza, desprezava Göring. Diz-se que os russos possuem o registro microfilmado de seus diários, que ele ordenou serem fotografados durante os últimos meses da guerra, mas esse material nunca foi publicado.
Aos quatro anos, o jovem Joseph Goebbles, que estava sentado no sofá da sala, chorou tão compulsivamente que um médico foi chamado para atendê-lo. Ele ordenou uma operação imediata: era paralisia infantil. Pobres, da classe trabalhadora e sem instrução, os pais fizeram o possível para amenizar o seu desconforto, mas sempre dentro de valores fortes. De igreja em igreja, o menino foi levado pela mãe, para pedir a Deus de joelhos, forças para suportar o fardo de sua fraqueza física. Essa deficiência era compensada pela grande inteligência do jovem, mas no colégio, Goebbels escapou várias vezes de apanhar por ser aleijado, uma delas porque havia denunciado um colega de cabular a aula. Os pais desejavam que ele se tornasse um padre, mas não o filho seguiu outros caminhos, não muito cristãos, por assim dizer. Como toda família alemã gostava de ter um filho chamado de Herr Doktor, Goebbles foi estudar História e Literatura, se especializando nessa fase, no estudo das obras dramáticas de Goethe.

 

Em 11 de novembro de 1918, a Alemanha derrotada assinou o armistício no trem particular do marechal Foch, que um dia, Joseph Goebbles traria de volta a Compiègne, quando a Alemanha celebrou seu triunfo sobre a França ocupada. Em 1918, contra o governo liberal da Alemanha, pós-primeira guerra, Joseph se voltou para tudo o que fosse crítico ao sistema, como Marx e Engels, ao comunismo, ao pacifismo, a qualquer forma de crítica. Descobriu o misticismo emocional de Dostoievski para solucionar problemas espirituais e sociais até descobrir o niilismo, a descrença generalizada. Essa liberalidade ocorrida após a derrota alemã em 1918, causou um forte impacto na juventude: as moças de família não viam mais razão em continuarem castas e a liberdade sexual espalhou-se por toda a capital e pelas maiores cidades. O marco, que antes valia um xelim em 1918, havia perdido totalmente o seu valor em 1923. Em seus diários do período entre 1925-1926, Goebbels se gaba de ser um grande amante, assim como mostra ser obcecado pela sua pobreza. Chegou a pensar em suicídio.


Apesar da propaganda oficial alegar que em 1922, Goebbles se “comoveu ao presenciar um discurso de Adolf Hitler. Para ele, uma experiência transcendente”, ele só encontrou o Führer em 1925, um ano após começar a sua carreira política. E um não gostou do outro, de cara. Em seu diário privado, diferente da versão oficial, Joseph Goebbles mostra sua repugnância às visões reacionárias de Hitler, em cada um dos pontos principais da política – restituição aos príncipes alemães, a santidade da propriedade privada, a destruição do bolchevismo e Itália e Grã-Bretanha como aliados da Alemanha.


Nessa mesma época, as sementes do radicalismo e do antissemitismo de Goebbels estavam sendo plantadas. Em 1925, os nacional-socialistas já haviam se reorganizado após o fracassado golpe de dois anos antes. Em 26 de outubro de 1926, Hitler o nomeou Gauleiter do partido em Berlim e ele se encheu de vaidade e exibicionismos. Goebbles havia sonhado em trabalhar em teatro, e munido dessa ferramenta, ele empregou a técnica interpretativa em seus discursos. Ele sempre estava mais preocupado com o efeito que exercia sobre o público do que a importância do que estava dizendo.


“Eu quero ser um apóstolo e um pregador”.


“A arte da propaganda consiste em ser capaz de despertar a atenção do público por meio de um apelo aos sentimentos. A compreensão das massas é fraca e eles esquecem tudo rapidamente, por isso toda propaganda eficaz deve ser restrita aos essenciais, expressos na medida do possível, em fórmulas estereotipadas. Os slogans devem ser repetidos persistentemente, até que o último indivíduo tenha entendido a ideia”.

 

Em 1930, Hitler decidiu resolver uma contenda interna no partido, entre nazistas de direita e de esquerda (os Strasser). O Führer simplesmente optou pela direita por questões práticas: era o lado dos industriais e onde estava o dinheiro.


Em 12 de dezembro de 1931, Goebbles se casa com a simplória, porém rica e excelente anfitriã, Magda, que dizem, queria mesmo era ter se casado com Hitler, que foi o padrinho da união. Magda, fazia o papel de mãe de Hitler, incentivando-o a passar suas noites em sua casa em conversas sem fim. Ela até preparava refeições para ele.


Já como Ministro da Propaganda e do Esclarecimento Público, uma das decisões mais sagazes de Goebbels foi adotar o primeiro de maio, dia dos trabalhadores, dia dos comunistas, como o dia de comemoração nacional para os nazistas. E Hitler adotara a tática de dividir para governar. Em 1934, com a morte de Hindenburg, Hitler se tornava presidente, enquanto continuava chanceler. Daí em diante, piadas não podiam mais ser ditas em cabarés, os judeus foram proibidos de praticar o jornalismo, livros foram censurados e os artistas precisavam de permissão dos Presidentes das Seções. Em 1937, as pinturas consideradas imorais foram retiradas dos museus e galerias de arte. Apesar de ser inteligente, era completamente ignorante em relação a países estrangeiros, em toda a sua vida, passou apenas algumas semana no exterior, nada mais. Ele certamente não entendeu a reação contrária do mundo à perseguição nazista aos judeus. Goebbles trocava trabalhos indicados pelo Ministério da Cultura por sessões de sexo com as atrizes alemães. Era a vingança do coxo. E nada disso poderia chegar aos ouvidos de sua esposa Magda. Hitler ficou furioso quando soube desses casos e também porque Goebbels havia pensado em se separar da mulher.

 

A rádio alemã desse período era dividida entre distrair e instruir. Para acalmar principalmente as Forças Armadas, em 1941, escreveu artigos defendendo o “abrandamento das regras”, já que até então, era terminantemente proibida a radiodifusão do jazz, representante, segundo os nazistas, do “espírito judeu ou negro”.

 

No diário de 1942, fica claro que ele e o Führer tinham conhecimento e haviam planejado o extermínio dos judeus na Europa. Essas passagens seriam o suficiente para condená-lo em Nuremberg, caso estivesse vivo.
A história completa de Goebbles como homem e propagandista é de grande interesse psicológico: tanto a sua vida pública quanto a privada se conectam. Sem ele, o nazismo jamais poderia ter obtido o poder nos anos de 1932 e 1933 e ele, somente baixo de Hitler, entendia de fato a exploração do poder. Goebbles era fanático pelo trabalho árduo, por discursos e agitações públicas, além de prestar atenção aos detalhes de organização e administração. Era um homem fundamental. Quando a crise de 1944-45 chegou, apenas ele, entre o grupo original de líderes nazistas, permaneceu lealmente ao lado de Hitler e do mito do poder racial que ambos haviam criado e disseminado.


Goebbles não teria existido sem a imprensa popular do século XX, o rádio, o filme, o alto-falante, arregimentação e gravação das massas. Tanto o rádio como o filme sonoro davam os primeiros passos, quando ele os adotou, quando usou essas novíssimas ferramentas de propaganda para influenciar e mostrar as maravilhas e os perigos da propaganda em mentes fáceis de serem ludibriadas.

 

 

  VOLTA AO TOPO

 


Compartilhar no Orkut    Compartilhar no Facebook    Compartilhar no Twitter

Textos, músicas, vídeos, entrevistas
Leia mais >

ENTREVISTA COM RONNIE LANE DOS FACES SOBRE ESCLEROSE MÚLTIPLA
Leia mais >

ENTREVISTA COM PIN UP BROOKLYN BABYDOLL
Leia mais >

2011 @ Designed by Claudio Lopes clsa@clnetsys.com