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Culto à Personalidade no Rock – Um mal bem mais abrangente do que o simplesmente político...

por Marcos Garcia, professor, baixista e arqueólogo do rock.

            Conforme descrição da Wikipédia, “O Culto da Personalidade ou Culto à personalidade é uma estratégia de propaganda política baseada na exaltação das virtudes – reais e/ou supostas – do governante, bem como da divulgação positivista de sua figura.

            Cultos de personalidade são freqüentemente encontrados em ditaduras, embora também existam em democracias.  O termo culto à personalidade foi utilizado pela primeira vez por Nikita Khrushchov no “Discurso secreto” para denunciar Josef Stalin, Khrushchov citou uma carta de Karl Marx, que critica o “culto do indivíduo”. Um culto da personalidade é semelhante ao apoteose, exceto que ele é criado especificamente para os líderes políticos.”

            Não excluindo o termo de um sentido ainda mais amplo do que o meramente politiqueiro, no qual os presidentes brasileiros pós redemocratização estão bem mais que inclusos, o culto à personalidade se encontra freqüentemente em todas as sociedades ocidentais, e mesmo nas orientais, onde ele cumpre o seu papel: transformar pessoas de pensamentos falidos e suas idéias mortas em deuses atuais, e como tais, incontestáveis. E muitas vezes, mesmo depois de mortos, alguém evoca seus nomes para ter algum benefício escuso.

 

            Mas o que isso tem com o Rock’n’Roll? Simples: TUDO!

            Vivemos uma época de revival de bandas, e muitas se reúnem apenas para uma tour onde se ganha milhares de dólares, a despeito de suas reais intenções.
            Querem exemplos?
            Queen e Thin Lizzy ilustram bem o que eu quero dizer, pois ambas voltam sem suas respectivas figuras centrais, e fazem show e shows caça níqueis, não respeitando nunca a importância histórica de ambas, querendo faturar mais um pouco. E olha que se comenta sempre numa possível volta do Led Zeppelin!            Mas será que Freddie Mercury, Phil Lynott ou John Bonham iriam aceitar algo assim? Que seus nomes e memórias servissem apenas para alguns sujeitos (bandas e empresários) ganharem uma grana bem fácil nas costas dos saudosistas?

            Bem, cada um pense no que quiser, mas está mais do que na hora de parar estes ‘cultos’ quase religiosos aos que partiram (isso também vale para as bandas que apenas acabaram, sem que nenhum fator fora a vontade de seus componentes tenha influído nisso), aceitar que o tempo passa e que as novas gerações possuem seu valor. Podemos gostar ou não delas, mas o valor ninguém pode negar.
            Muitos perguntam ‘que mal isso poderia causar?’, e a resposta é muito simples: quando um estilo musical fica estagnado, ou ele se recria ou se extingue tal qual ocorre com os animais, conforme afirmado pela teoria da evolução das espécies de Darwin. E é justamente isso que o Rock tem passado.
            Então, que tal darmos uma chance aos novos e deixarmos os cadáveres apodrecerem em paz?

 

Um inventário do Rock Brasileiro pensado em discos de 1964 a 1985. E nada mais.

por Carlos Lopes

Roberto Carlos - É Proibido Fumar (64)
Roberto Carlos - Jovem Guarda (65)
Roberto Carlos - Roberto Carlos (66)
Roberto Carlos - Em Ritmo De Aventura (67)
Tropicália Ou Panis Et Circencis (68)
Baobás (68)
Mutantes (69)
Mutantes - A Divina Comédia Ou Ando Meio Desligado (70)
Som Imaginário (70)
Tim Maia (70)
Sociedade da Grã-Ordem Kavernista (71)
Mutantes - Jardim Elétrico (71)
Novos Baianos - Acabou Chorare (72)
Gilberto Gil - Expresso 2222 (72)
Clube Da Esquina (72)
Sá, Rodrix & Guarabira - Terra (73)
Secos & Molhados (73)
Jorge Ben - Tábua De Esmeralda (74)
Raul Seixas - Gita (74)
Arnaldo Baptista - Loki (74)
Som Nosso De Cada Dia - Snegs (74)
Erasmo Carlos - Banda Dos Contentes (75)
O Terço - Criaturas Da Noite (75)
Rita Lee - Fruto Proibido (75)
Cassiano - Cuban-Soul (76)
Banda Black Rio - Maria Fumaça (77)
Banda União Black - (77)
Rita Lee - Babilônia (78)
Joelho De Porco (78)
Cor do Som - Ao Vivo em Montreaux (79)
Pepeu Gomes - Na Terra A Mais De Mil (79)
Arrigo Barnabé - Clara Crocodilo - (80)
Gang 90 & As Absurdettes - Compacto Perdido na Selva (81)
Arnaldo Baptista - Singin' Alone (81)
Grito Suburbano (82)
Lobão - Cena De Cinema (82)
Rock Voador (82)
Blitz - As Aventuras Da Blitz (82)
Barão Vermelho (82)
Sub (83)
Camisa De Vênus (83)
Paralamas Do Sucesso - O Passo Do Lui (84)
Legião Urbana (84)
RPM - Revoluções Por Minutos (85)
Ira! - Mudança de Comportamento (85)
Cazuza - Exagerado (85)

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