Revista O Martelo
 
 
  

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SALDANHA NELES!

Escaldados pela participação constrangedora do escrete canarinho na última copa do mundo, e sem perder tempo, iniciaram a caça aos culpados. Escolheram o treinador em primeiro lugar e mais um ou outro jogador, para não perder a viagem. Apesar de termos sido campeões cinco vezes, sem incluir o campeonato moral, quando disse “escaldados” no primeiro parágrafo, me referi ao fato de que deveríamos ter aprendido algo com nossas derrocadas, mas pelo visto isso ainda não acorreu plenamente.

Nos faz falta uma observação isenta da história, uma análise equilibrada que nos coloque, por assim dizer, em observação. Uns dizem “Não se mistura música ou futebol com política”, enquanto outros afirmam que sim. Fica a dúvida: quem está com a razão?

Lançado pela Editora Livros de Futebol, “Quem Derrubou João Saldanha” do botafoguense Carlos Ferreira Vilarinho (Editora Livros de Futebol - 235 páginas) cai em nosso colo no momento certo. Saldanha (Alegrete, Porto Alegre, 3 de julho de 1917 — Roma, 12 de julho de 1990), comunista e jornalista notório foi convidado cinco vezes para ser técnico: 1958, 1966, 1967, 1968 e 1969. Acabou aceitando. Ninguém refuta que, apesar das corretas modificações de Zagallo na seleção campeã de 1970 (considerada por muitos, como a melhor de todos os tempos), assim que assumiu o comando daquelas “feras”, o verdadeiro pai da criança foi Saldanha, afastado do comando pelo seu maior defeito: ser comunista pavio curto, que não levava desaforo para casa.
Como uma ditadura de direita poderia conviver com um técnico comunista e sem papas na língua erguendo a taça Jules Rimet?
O livro de Vilarinho nos conta em deliciosos e intragáveis detalhes, o processo de desgaste e fritura a que João Saldanha foi submetido. Das críticas à sua escolha, tanto de jornalistas, técnicos e jogadores, incluindo Pelé, até as críticas infindáveis de Armando Nogueira, tudo serviu de pretexto para o seu afastamento.
Mas sem Saldanha, o Brasil sagrou-se campeão pela terceira vez.  O “capita” Carlos Alberto Torres, trouxe a taça Jules Rimet em definitivo para o nosso país, mas devido ao fato de ter sido “emacumbada” pelo momento em que foi ganha, com torturas e perseguições políticas ao seu redor, a mesma foi roubada em 1983 e derretida pelos ladrões para se perder nas lembranças esmaecidas de uma época política que nada teve de ouro. E nem precisou da turma do Casseta para fazer isso.

“Não abandono uma missão no meio, no jornalismo e no futebol sou assim”, João Saldanha.

 

ENTREVISTA

O carioca Carlos Ferreira Vilarinho, 55 anos, é bacharel em Jornalismo e Direito, bancário por ofício, e escritor por aptidão. "Quem Derrubou João Saldanha" é o seu primeiro livro. Mas sua experiência como escritor não começa agora. Engajado na luta contra a ditadura militar, atuou na imprensa do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro. Atualmente, publica textos sobre momentos não muito conhecidos da história do futebol brasileiro, crônicas esportivas no universo online e faz pesquisas para um novo livro sobre o seu Botafogo.

1) Você nos mostra João Saldanha como um sujeito íntegro e coerente, mas de pavio curto. Há espaço no mundo de hoje para mais Saldanhas? Há algum Saldanha, no momento na política e no mundo dos esportes?

RESPOSTA: O tal “pavio curto” pode ser explicado por seu temperamento e formação familiar. Não só há espaço como há necessidade de pessoas como Saldanha no mundo de hoje. Não vejo ninguém parecido com ele no Brasil atual.

2) Em outubro de 1964 (se não me engano, a data é essa), Saldanha prestou um depoimento ao Ministério Público sobre tráfico e uso de psicotrópicos pelos jogadores de futebol. Você diz que ele “atraiu a ira de médicos e dirigentes”. Nos detalhe esse depoimento e nos explique por que houve tanta indignação.

RESPOSTA: Em três de outubro de 1963. Saldanha compareceu ao Ministério da Justiça para depor no inquérito sobre tráfico e uso de psicotrópicos pelos jogadores de futebol. Ele afirmou que os campeonatos do Rio e de São Paulo eram disputados com os jogadores, em sua maioria, dopados. Alguns se dopavam por vontade própria, “visando a alcançar renome ou a um bicho compensador”. Outros, sem saber, “vítimas que são de interesses desumanos de paredros que, para ganhar uma partida, alcançar um título de campeão, não hesitam em destruir, muitas vezes, um time inteiro”. Saldanha denunciou que muitos clubes contratavam macumbeiros para dar “apoio espiritual” aos jogadores, dando-lhes fartamente as chamadas “pílulas de São Jorge”. Sugeriu a contratação de laboratoristas para examinarem a saliva e o suor de cada jogador, após os jogos, como se fazia na Itália. As denúncias causaram irritação em vários médicos. No dia 5, Saldanha contra-atacou: “Palavra que não sei que iria repercutir tanto o negócio das ‘bolinhas’. Afinal de contas, o emprego dos estimulantes em futebol é tão intenso e conhecido que não me parecia uma novidade deste tamanho. Há muito tempo que eu e outros colegas temos falado no assunto. A coisa era sempre levada para o lado pitoresco. Como uma coisa engraçada que era feita para passar o adversário para trás e depois gozá-lo. O emprego dos estimulantes em futebol, para o pessoal do meio, é tão vulgarizado como o é o jogo-do-bicho para o povo em geral. Ambos são realizados quase que abertamente. É mesmo em boa hora que está sendo feita a campanha e o inquérito federal. A coisa está atingindo níveis alarmantes, de rotina. (...) É facílimo acabar com isto no futebol e sugeri que fosse feito pelas autoridades o exame de material colhido imediatamente após os jogos. Assim como é feito no Jóquei Clube após os páreos. As possibilidades de êxito serão maiores. No Jóquei, quando o exame é positivo fica difícil perguntar ao cavalo como é que ele foi tomar aquilo. No futebol, é mais fácil”. No dia 10, escreveu: “Estranho profundamente a posição de alguns doutores esportivos, esperneando de acusações que não lhe foram feitas. Os doutores, na Itália, fizeram ao contrário: pediram e conseguiram que fosse organizado o serviço de repressão que acabou definitivamente com o negócio. Aliás, isto foi feito por iniciativa das próprias federações. Aqui, eles preferem combater a quem combate o doping, o que, evidentemente, não será muito bem compreendido pelo público.” No dia 12, insistiu: “Quando foi organizada a comissão antidoping na Itália, há alguns anos, colegas autênticos dos doutores que aqui estão esperneando também botaram a boca no mundo e disseram que não havia nada disto na Itália. Acontece que, por outro lado, a comissão de repressão era toda constituída de médicos (êta classe desunida – a da Itália, naturalmente), que acreditavam na existência do doping e puseram mãos à obra. (...) Alguns médicos daqui estão insistindo que isto não existe no esporte. Aconselho-os a que leiam a matéria publicada hoje na primeira página do segundo caderno de O Jornal, sob o título “A França lança mão da lei antidoping”. Lamento não poder transcrevê-la na íntegra por se tratar de copyright. Nesta reportagem estarrecedora, os doutores que negam a existência de doping nos esportes poderão encontrar coisas assim: As drogas têm morto mais jovens do que monstros fez a talidomida. Esta frase foi do professor Boissier, de Paris, e foi proferida na campanha que o Comissário de Desportos francês, o desportista Hertzog, está travando para atacar pela raiz os casos que as provas esportivas de grande envergadura têm evidenciado”.

3) Ao assumir em 1969, o cargo de técnico da Seleção, Saldanha disse: “... Sei que vou brigar contra a inveja, a calúnia e a perfídia.” Em seguida, Paulo Machado de Carvalho (ex-chefe da comissão técnica da Seleção) alardeou que a Federação Paulista de Futebol havia sido traída (Machado queria um coronel do Exército no comando da Seleção ou o técnico Yustrich). Depois, Aymoré Moreira (técnico vitorioso de 1962), também se considerou traído, pois acreditava que seria escolhido (havia recusado contratos milionários na Espanha e no Peru por causa disso), pois contava com o fato que só um técnico diplomado poderia trabalhar e Saldanha não era. Qual é a sua análise sobre a convocação de Saldanha? Não havia melhor nome àquele momento? Foi em parte para agradar parte da imprensa?

RESPOSTA: João Saldanha já fora convidado em 1958, 1966, 1967 e 1968. A CBD chamou Saldanha porque ele era uma autoridade em futebol e porque pretendia conquistar o apoio da imprensa carioca, a mais influente do país, neutralizando a oposição da imprensa paulista. Foi uma jogada de mestre. E os generais avalizaram porque eram pragmáticos. Saldanha topou na hora porque era a coisa que ele mais queria fazer. 


 
4) A CDE (Comissão de Desportos do Exército) influía na CBD? Cite a maior ingerência do Governo ou do Exército na Seleção.

RESPOSTA: Em fevereiro de 1969, Antônio do Passo, ao expor o plano de trabalho da CBD, mostra claramente essa subordinação. A maior ingerência foi a demissão de Saldanha. Lembremos que, dois dias após a demissão de Saldanha, a cúpula do futebol foi convocada por Passarinho para prestar contas. Passarinho tratou de convocações com Médici e depois deu uma coletiva de imprensa sobre o tema. Já os dirigentes de CND/CBD foram direto ao Palácio do Planalto para três reuniões: 1) com o chefe da Casa Militar, general João Baptista de Figueiredo; 2) com o chefe da Casa Civil, Leitão de Abreu; 3) com o chefe do SNI, general Carlos Alberto da Fontoura. No mesmo dia, Zagalo fez cinco convocações, incluindo Dario.

5) Saldanha não levava desaforo para casa. Perante a provocação continuada de Geraldo Bretas na TV Bandeirantes, em São Paulo, o técnico falou para “aguardá-lo na saída para resolver no braço”. Na véspera de um jogo em Assunção, no Paraguai, após ter a paciência enchida pelos torcedores paraguaios que não deixavam a Seleção descansar, inclusive buzinando, Saldanha deixou a casa onde estava com 5 ou 6 jogadores e resolveu no braço mesmo. Em um programa de TV no exterior, o apresentador lhe perguntou sobre “a matança de índios no Brasil” e Saldanha respondeu: “Nosso País tem 470 anos e nesse período foram mortos menos índios do que em dez minutos de uma guerra provocada por vocês. Os selvagens são vocês.” O mundo atual está politicamente correto demais ou com certos “cafajestes”, como ele mesmo gostava de citar, só se resolve “no braço”?

RESPOSTA: O mundo atual não tem nada de politicamente correto. O capitalismo, afundado numa crise terminal, está colocando em risco a sobrevivência da Humanidade. Saldanha nunca foi cafajeste, mas nem tudo pode ou deve ser resolvido “no braço”.

6) João era amigo de Carlos Marighella da Aliança Libertadora Nacional, executado em São Paulo. Quando perguntado no exterior, meses após o assassinato do amigo, e já no papel de técnico do Brasil se havia tortura no país, sua resposta foi: “Tem sim, e pacas!” Essa resposta saiu no jornal inglês The Observer, e no francês Le Monde. Você diria que a partir daí, a sua condição de técnico se tornou insustentável, ou isso era até administrável, caso o Médici não tivesse “convocado” o Dario do Atlético Mineiro (cortando o Toninho e culpando o técnico) para em seguida, o Saldanha dizer que quem mandava na Seleção era ele? Saldanha foi “saído” porque desagradou a todos, como uma espécie de Simonal “do bem”?

RESPOSTA: A organização dirigida por Marighella chamava-se Ação Libertadora Nacional (ANL). Não tinha tática nem estratégia. Só tinha ação, daí o nome escolhido. Após a classificação para o México, Saldanha perdera a utilidade. A ditadura não admitia que um líder comunista retornasse nos braços do povo, carregando em definitivo a Jules Rimet. E João Saldanha sabia disto. No princípio de janeiro de 1970, na Cidade do México, encontrando-se com Didi, Saldanha confidenciou-lhe “que não duraria muito na Seleção em virtude de vários problemas”. O episódio “Dario” foi apenas uma provocação. A resposta ao repórter da TV Gaúcha mostrou a Médici que Saldanha seria uma pedra no sapato. Daí a quatorze dias, Saldanha foi demitido.

7) Um dos que mais pegavam no pé do Saldanha era o provocador técnico Yustrich do Galo. Após uma vitória de 2x1 no Mineirão sobre a Seleção, Yustrich alardeou para a Rádio Inconfidência, que Saldanha era um “charlatão”. Em 70, após mais declarações infelizes do já técnico do Flamengo Yustrich (que acreditava que seria o técnico da Seleção), Saldanha resolveu resolver o assunto a bala, que só não ocorreu porque Yustrich não estava no local. Se o sujeito era do tipo militarzão (autor da frase “Baixa o sarrafo!”), escorado no Flamengo e no governo militar (“O Exército pode até intervir na Seleção”, disse), por que ele não foi o técnico e sim, Zagalo?

RESPOSTA: Embora relativamente novo na profissão (desde 1967), Zagalo já mostrara o seu grande valor, conquistando vários títulos com o Botafogo. Em 1969, ele era o terceiro nome da lista da CBD, depois de Saldanha e Yustrich. Quando Saldanha foi demitido, os jogadores ameaçaram debandar se o substituto fosse Yustrich.

8) Em 68, Pelé pensou em não jogar pela Seleção (CBD) porque iria ganhar mais dinheiro (e precisava) no Santos. Em 1970, Saldanha enfrentou problemas táticos com o Rei (inclusive Saldanha falou: “Olha aí, crioulo, abre o olho, estão te dando o diabo para jogar!” – o antibiótico Penbritin/Binotal receitado pelo médico da Seleção, Lídio Toledo). Pelé muitas vezes foi displicente em campo e quando viu o circo pegar fogo, tirou o corpo fora ao ser o único jogador que não demonstrou solidariedade na saída do técnico. Saldanha disse uma frase famosa: “Saí porque no meu time, Pelé não jogava mais”, que foi mais associada à dita “miopia” do rei. Para a TV Globo, Saldanha, demitido disse: “O problema do negão é a falta de dinheiro”, e disse que o tirara para poupá-lo até o México. Para você, como Pelé se comportou em toda essa história? O Rei foi usado?

RESPOSTA: A miopia de Pelé foi revelada pelo Jornal do Brasil um dia após a demissão de Saldanha. O jornal afirmou que Saldanha declarara na tarde anterior que Pelé não enfrentaria o Chile, no dia 22, por estar em má fase técnica e sofrer de miopia. Isto não corresponde aos fatos. Na verdade, como já fizera com Gérson, poupado no treino contra o Bangu, Saldanha decidiu poupar Pelé no amistoso seguinte. E Pelé achou ótima idéia. Nessa época, havia um grave conflito entre Pelé e a CBD envolvendo cotas por jogo. Além disso, toda a programação financeira da CBD estava baseada na escalação de Pelé, que estava acima do peso e no bagaço. O advogado de Pelé, Mário Raimondini, por pouco, não processou a CBD. Saldanha comprou a briga de Pelé e foi mal compreendido. 

9) Em seu livro, você desmantela e desmistifica vários mitos e inverdades sobre a saída de Saldanha da Seleção e aponta os culpados (mais claramente entre as pgs 124 a 130). Qual foi a verdade mais difícil de apurar ou provar, tanto por falta de testemunhos como de dados concretos? Você apontaria o Armando Nogueira como uma das peças fundamentais da fritura? Por quê?

RESPOSTA: Todas as verdades reveladas estão nas coleções dos jornais. Os personagens, bons e maus, estão lá, sem disfarces. O trabalho consistiu em ler e montar o quebra-cabeça. Sim. Em 28 de janeiro de 1970, Armando Nogueira transmitiu o primeiro “esclarecimento” de Médici (Dario x Toninho) em sua coluna do JB. Daí a vinte dias, o médico da seleção, Lídio Toledo, cortou Toninho por causa de uma sinusite. E Saldanha o substituiu por Dario? Claro que não. Convocou Zé Carlos. Armando Nogueira, diretor de jornalismo da TV Globo, tomou um avião para bater papo com Médici no Palácio da Alvorada. Na sua coluna do JB (em 28 de fevereiro), abriu espaço para que Médici mandasse um novo recado. Três dias depois, houve a provocadora pergunta do repórter da TV Gaúcha (repetidora da TV Globo, de Armando). Em 15 de março, Armando Nogueira ocupou um quarto de página para “arrasar” o técnico da seleção e condenar a solidariedade da CBD a Saldanha, após este ser insultado por Yustrich.

10) Falando em mal comportamento em seleção, dois jogadores que “aprontaram” em 1966, Gérson e Brito, foram considerados não mais convocáveis, logo em seguida à desclassificação na Inglaterra. Em 1970, Gérson e Brito sagraram-se campeões no México. Romário é outro exemplo muito citado de mal exemplo. Saldanha disse: “O mau-caráter pode ser um grande craque, está cheio deles por aí. Mas se for mau-caráter demais, mando ele embora. Vai tomar banho. Chamo outro.” Logo depois do fracasso da seleção em 2010, Dunga foi criticado por não convocar “bandidos” ou “bad boys” para a seleção, em seguida ocorre o caso do goleiro Bruno, um típico “bad boy”, que não teria espaço na seleção do Dunga, mas que talvez agarrasse mais do que o titular Júlio César. A história parece se confirmar e se contradizer em uma velocidade impressionante. Compare a derrocada brasileira de 1966 com a de 2010 - teça seus comentários à vontade, prós e contras sem preocupações de espaço.

RESPOSTA: Gérson e Brito foram bodes expiatórios. Não há termo de comparação entre as seleções de 1966 e de 2010. Naquela época, a CBD estava inteiramente subordinada ao governo militar. Mas representava o futebol brasileiro. Hoje, a CBD está inteiramente subordinada aos anunciantes e age em parceria estreita com a TV Globo. E só representa a si mesma.

11) E por fim, de botafoguense para botafoguense, qual é o caminho das pedras para o Botafogo atual ser campeão? Dá ou tá muito difícil?

RESPOSTA: O Botafogo não será campeão brasileiro de 2010 porque Jobson e Maicosuel chegaram tarde demais e porque o sistema de jogo (3-5-2) é obsoleto e contrário às características dos jogadores. Atuando no 4-3-3 e contratando um técnico mais sério, o Botafogo disputará todos os títulos a partir de 2011.

 

 

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