Revista O Martelo
 
 
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Banda formada em 2001 na cidade de Pirassununga, interior de São Paulo. Jéssica (vocal e guitarra) Gislaine (guitarra) Renatinha (baixo) e Geisa (bateria) apresentam um repertório recheado de composições bem humoradas e cheio de críticas. O som é simples e direto, como manda a cartilha do bom punk rock.

Quais foram as primeiras bandas que vocês escutaram e que disseram: “Uau! Quero tocar esse tipo de música!” ou “Eu quero ser assim!”? Renatinha: No começo, o que despertou mesmo a vontade de tocar foram bandas que tinham mulheres em sua formação: Bikini Kill, Runaways e Joan Jett, Dominatrix, Bulimia, Menstruação Anárquica, etc, além de bandas que pertencem a boa e velha cartilha do punk rock: Ramones, The Clash, Misfits, etc

Por que Bisk8/Biscoito? Há alguma conotação sexual? Renatinha: Embora as pessoas pensem, não há nenhuma conotação sexual. O nome surgiu sem uma razão... Já ensaiávamos e não tínhamos um nome pra banda. Levávamos nosso "lanchinho" para os ensaios: Biscoito e suco, então ficou "biscoito com refresco". Depois de um tempo percebemos que a maioria das pessoas chamavam a banda só de Biscoito. Pensamos: Já que é para encurtar, vamos encurtar de vez, e então: Bisk8.

Vocês consomem musicalmente o mesmo estilo que tocam, ou se interessam por outros estilos de música e de rock? Jéssica: Consumimos e muito. Ouvimos, frequentamos shows, buscamos e trocamos materiais de bandas novas... Mas, o nosso repertório musical vai muito além do punk rock, ouvimos de tudo: ska, reggae, metal, grunge, mpb, blues, jazz... etc.

O estilo que vocês tocam não é necessariamente “novo”, é uma perpetuação de um estilo decano.  E vocês seguem padrões e clichês como a totalidade das bandas de rock. Vocês consideram que os artistas contemporâneos não tem a mesma força dos artistas do passado? Geisa: Sim, consideramos. Antes as pessoas não tinham a liberdade que tem hoje, por isso tudo soava novo, tudo tinha um sentido de atitude, rebeldia, protesto, etc. E tudo era mais difícil também, não era fácil ter uma banda, descolar um estúdio pra ensaiar, gravar e divulgar o seu trabalho, não existia toda essa tecnologia a nosso favor. Sentimos sim, que hoje o artista contemporâneo está banalizado, já não recebem a mesma atenção das pessoas. Porque existem MUITAS bandas, muita gente fazendo trabalhos parecidos e tudo isso está aí, disponível pra quem tiver a fim na hora que quiser. Isso gera um pouco de desinteresse. Antes as pessoas esperavam com expectativa o lançamento do álbum de uma banda, hoje elas tem o álbum antes mesmo de ser lançado...

Vocês não consideram o termo “rock de calcinhas” pejorativo? Se a luta da mulher é estar ao lado do sexo oposto em iguais condições, por que ser rotulado como rock de calcinhas, rock gaúcho, paulista, etc? O que vocês têm a dizer sobre suas próprias experiências como indivíduos e como banda sobre inserção no mercado, mesmo o independente? Jéssica: Não consideramos pejorativo porque achamos que não há nada ofensivo em "rock de calcinha", é apenas uma maneira de criar uma identidade, assim como o "rock gaúcho", o paulista, etc. Vimos uma declaração de Thurston Moore (vocalista do Sonic Youth) há alguns dias atrás que fala um pouco disso. Ele dizia que você precisa dar nome á sua musica porque senão algum imbecil o fará (rs) . Já ouvimos dizer que somos punk rock adolescente... Pô bixo! Não me ofende nem um pouco, mas já que a musica é minha, prefiro chamá-la de punk rock de calcinha, nos define melhor. O nosso som tem mesmo uma "pegada" menininha.

Falem sobre Pirassununga, contem como é sua relação com a cidade. Renatinha: A banda nasceu lá, mas hoje está em São Paulo. Duas ex-integrantes continuam morando lá e de vez em quando vamos para “Pira” só para visitar amigos e passear. Shows rolam poucos, porque a cidade é pequena, não tem uma cena movimentada. Tocamos lá no começo desse ano mas foi uma coisa mais entre amigos mesmo...

Quais são seus objetivos como banda e quais são suas pretensões pessoais?
Gislaine: Objetivo como banda é lançar um CD pra registrar o nosso trabalho (que já tem 8 anos) e continuar tocando, viajando e nos divertindo, cada vez mais! Pretensões pessoais inclui ser bem sucedida profissionalmente. Trabalhar em algo que te dê tesão, e continuar tocando para sempre porque é algo que a gente curte. É uma pena que seja tão difícil viver de música no Brasil... Juntar as duas coisas seria fantástico!

Qual música ou músicas do Biscoito não podem faltar no show?
Gislaine: Daqui a 80 anos e Mamãe eu quero.

Qual o sabor favorito de biscoito de cada uma de vocês? Essa pergunta é séria.
Todas: Chocolate predomina! \o/

Em quem vocês gostariam de dar uma boa martelada? Todas: Casas de shows que não valorizam os artistas, mal humorados, enxeridos, hípócritas, machistas, preconceituosos,egoístas, corruptos, arrogantes e idiotas em geral.

OS DEZ DISCOS FAVORITOS DO BISK8:

1- Ramones - Rocket to Russia
2- Ramones - Pleasant Dreams
3 - The Runaways
4 - Misfits - American Psycho
5 - The Donnas - Turn 21
6 - The Devotchkas - Live Fast, Die Young
7- Cólera - Tente mudar o amanhã
8 - Flicts - Canções de Batalha
9 - Dominatrix - Girl Gathering
10 - SP Punk Vol. 1

 

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