Revista O Martelo
 
 
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por Rodrigo Schiavini 

 

TEMPOS DE PAZ

Em um monólogo, Dan Stulbach ganha o filme.


Preguiça e monotonia era a palavra que me definia, ou melhor, era o sentimento que me fustigava, ao assistir o trailer de Tempos de Paz (2009). Pensei comigo, mais uma trama global com aspectos novelescos, assim como foi Olga. Ao ver a primeira cena com Dan Stulbach a bordo de um navio falando um polonês que provavelmente, com a ajuda dos gloriosos dedos mágicos da equipe de som, fora redublado em estúdio, fastio essa é a palavra certa começava a acometer-me. Mas dessa vez, minhas previsões se enganaram e o diretor global Daniel Filho (se eu fosse você, primo Basílio, muito gelo e dois dedos d’água) me surpreendeu. O que não me surpreendera em termos negativos fora a atuação dos dois atores e personagens da trama, Tony Ramos e Dan Stulbach.
 Stulbach faz Clausewitz, um polonês que vivenciou os horrores da segunda guerra mundial, e agora quer esquecer tudo que viveu e viu imagens que nenhum homem gostaria de ter presenciado, e que agora só pensa em recomeçar a vida em sua nova pátria, o Brasil, trabalhando duro com a enxada na mão, arando a terra. Mas ele chama a atenção dos agentes da imigração devido ao fato de falar um português fluente, até mesmo recitando com maestria os versos do poeta Carlos Drummond de Andrade. Não demora para ele ser enviado para os escuros calabouços do cais, onde conhece o ex- oficial da polícia de Getúlio Vargas, Segismundo (Ramos) que forçadamente, devido ao fim da guerra, estava sem rumo no que diz respeito a sua tarefa de descobrir nazistas recém chegados ao Brasil.
 Porém Segismundo tenta fazer do pobre imigrante o seu último caso a todo custo. Suas mãos macias e lisas, sua boa fluência no idioma, sua alegria contagiante e sua viagem sem bagagens induz Segismundo a não acreditar que o imigrante polonês seja um simples agricultor. O inflexível ex-oficial tenta conseguir uma propina, mas Clausewitz não tem nada, além de suas dilacerantes memórias que ele desejaria apagar de sua memória para sempre.

O oficial faz então uma estranha proposta: se o polonês fizê-lo chorar, ele está liberado para viver em paz no Brasil. Antes, porém, conta ao imigrante, com uma frieza digna e não muito diferente da insensatez e maldade dos oficiais da polícia de Hitler (gestapo), o que ele fazia como ex-torturador da polícia de Getúlio Vargas (ótimo momento de atuação de Tony Ramos). E daí em diante entra em cena o arrebatado Dan Stulbach. Em um monólogo ele transforma um filme até então regular em bom. Cena digna de ser recomendado para os amigos ou então um delicioso pretexto para conquistar as futuras namoradas, exibindo os dotes cinematográficos do respectivo pretendente. O monólogo de Dan Stulbach é uma daquelas cenas merecedoras de ser imortalizadas como um dos mais emocionantes e comoventes da historia do cinema.


 O mérito do diretor Daniel Filho? Todos. Divisar na peça, novas diretrizes em tempos de paz, de Bosco Brasil, interpretada pelos mesmos Dan Stulbach e Tony Ramos, uma história que demonstra não apenas maturidade, mas sensibilidade à flor da pele. Filmá-la em apenas 10 dias e custando cerca de 1,5 milhões de reais, dinheiro este que é esmola comparável às grandes produções norte americanas, realmente é um feito e tanto. Impossível de se dizer por aí que o filme tem cara de televisão, não ele tem cara de teatro e bom teatro, sendo assim possível inserir as interpretações exacerbadas do teatro devido à necessidade do ator se expressar de modo inteligível com seu público na linguagem do cinema, que usa e muito os recursos da luz, da fotografia, da edição e do toque sutil de seu diretor para conseguir uma boa interpretação de seus atores. Neste momento eu estou em tempos de paz, reconciliado com o diretor Daniel Filho, pelo menos até Se Eu Fosse Você 3.

 

O FENÔMENO LUA NOVA.

Curioso assistir, numa plateia de adolescentes, o filme adaptado da saga 'Crepúsculo', de Stephenie Meyers.
 Vamos direto ao ponto – sob certos (múltiplos) aspectos, Lua Nova é horrível como 2012. A dramaturgia do filme do alemão Roland Emmerich é o que Hollywood tem de mais raso. Resumindo – trata-se de uma saga familiar, discutindo a autoridade (do pai) e na qual o mundo quase acaba para que uma menininha resolva seu problema de fazer xixi na cama. Mas os efeitos são tão impressionantes que – Deus nos livre – só mesmo o apocalipse real, antecipado pelos maias em seu calendário para daqui a três anos, poderá sobrepujar a fantasia de horror proposta pelo cinema. O mundo não acaba em Lua Nova, mas, para Bella, ser abandonada por Edward Cullen é pior que isso.

Você pode nem estar ligado no saga Crepúsculo, mas com certeza já ouvir falar de que se trata de um fenômeno. A série de livros de Stephenie Meyers virou o hit entre adolescentes do mundo todo. Crepúsculo foi um grande sucesso sem investimentos exagerados, feito por uma empresa produtora independente, a Summit, depois que a major Warner não se interessou pelo projeto. Com Lua Nova, houve mais investimento, não só na produção, com efeitos mais caros – tudo o que envolve os lobisomens –, mas também no lançamento. Antecipadamente, mais de 100 mil ingressos foram vendidos para o fim de semana na rede Cinemark.

Assistir a Lua Nova em meio a uma plateia de adolescentes é uma experiência e tanto. As garotas, principalmente, se descontrolam. Logo no começo, Bella chega à escola em sua velha camionete. Ela conversa com colegas. Entra em cena o carro do ‘gostoso’ – isto é, Edward, o doce vampiro. O diretor Chris Weitz adota o ponto de vista da garota. Edward desce do carro e avança em direção a ela. Weitz desacelera o movimento, cria um efeito de câmera (meio) lenta. Edward caminha como quem balança o corpo, como James Dean caminhava ao encarnar a rebeldia da juventude nos anos 1950. Mais tarde, Edward desapareceu – Bella pensa que ele a abandonou por não gostar mais dela – e aí é a vez do amigo Jacob tirar a camisa e exibir os bíceps reforçados. Esse desenvolvimento muscular tem razão de ser, mas Bella ainda não sabe. O importante é o impacto da primeira cena de Jake sem camisa, que leva as garotas – e os garotos, alguns por desejo, outros porque gostariam de ser ele – a uma explosão de histeria.


Nada disso prepara o espectador mais adulto para o que ocorre no desfecho. O filme termina com uma pergunta de Edward a Bella, que o diretor corta antes da resposta, que fica para o próximo exemplar da série, Eclipse. Na pré-estreia no Cinemark Eldorado em São Paulo, as garotas levantaram-se das poltronas, aplaudiram, pularam, muitas choraram.

É a vitória do romantismo. Lua Nova não é só romântico – é exageradamente romântico. Stephenie Meyers, vale lembrar, é professora de literatura, como também era Erich Segal, autor de outro best seller, Love Story, que virou filme (de Arthur Hiller) e um marco da produção hollywoodiana por volta de 1970. Kristen Stewart, a Bella, disse – em entrevista ao jornal Estado de São Paulo – que Lua Nova não tem nada a ver com as velhas perversões dos filmes de vampiros. O filme retorna a Romeu e Julieta, cujos versos o Romeu das trevas recita de forma lânguida. Edward é o vampiro que não beija o pescoço da amada, não lhe suga o sangue. Sua atração sobre as plateias femininas vem disso. Apesar dos símbolos fálicos presentes ao longo do filme, Edward nem Jake concretizam as fantasias de sexo de quem quer que seja, incluindo as próprias.

Lua Nova é um permanente coito interrompido. A pergunta final do heroi fornece a chave para o que ele pretende – comprometimento. Edward não é um vampiro tradicional. É o príncipe encantado, daí as reações que ele (ainda) provoca. Lua Nova pode ser ruim como cinema. Não importa. É um fenômeno. Nasceu com a vocação de cult e, isso sim, para seu público, é o que conta

 

2012, O FILME.

Sempre existirão profecias. Seja o ano de 1999, que conta com o 666 de ponta cabeça, ou o famoso e assustador Bug do Milênio (quem se lembra dessa?), em que todos os computadores seriam reiniciados após uma pane e o mundo iria virar um caos.
Essas duas citadas são as mais recentes, de milhões de profecias antigas que citavam o fim da humanidade, que nunca aconteceu.
Infelizmente, para assustar a população, a profecia de 2012 é a com o maior número de crentes e fontes. Ela foi anunciada por Nostradamus, e agora vários cientistas estão abraçando a "teoria" pelo estado precário em que nosso planeta se encontra (fruto do luxo em que o ser humano insiste em ostentar, sem preservar o meio).
Esta profecia existe muito antes do filme, e por alguns ela era conhecida antes do merchandising em massa feito pela Sony.
Séculos atrás, os maias nos deixaram o seu calendário, com uma data final em um dia determinado e tudo o que isso sugere. Desde então, astrólogos o discutem, numerólogos encontraram padrões que o preveem, geólogos dizem que Terra se encaminha para isso e nem os cientistas do governo podem negar que um cataclismo planetário de proporções épicas se anuncia para 2012. A profecia que surgiu a partir dos maias já se encontra hoje bem documentada, debatida, destrinchada e analisada. Vale lembrar que ela não anuncia o FIM do mundo, mas sim várias mudanças extremas na maneira em que os sobreviventes à profecia terão de viver.

De qualquer maneira, estamos aqui para falar do filme. O que esperar de '2012'? Um amontoado de efeitos especiais, com um enredo tão ruim que, infelizmente, os maias não chegaram a prever.


O fato, na verdade, é que este tipo de filme não precisa ter uma historia plausível para divertir e entreter. O diretor alemão Roland Emmerich já tinha feito exatamente igual em 'Independence Day' e 'O Dia Depois de Amanhã', dois filmes com efeitos especiais de ponta, divertidos, e com um roteiro beirando o ridículo.
Afinal, a fórmula de suas historias nunca muda: tem o bondoso presidente dos EUA, o herói que está longe de casa e/ou precisa reconquistar a família, o animal de estimação fofo, o(s) filho(s) inteligentes mas inocentes, etc... E acredite: esta fórmula acaba funcionando.
Esquecendo o enredo batido, o resto é só alegria. A fotografia do filme é incrível, e os efeitos especiais são tão bem feitos que chegamos a acreditar por muito tempo que estamos vendo em nossa frente a destruíção em massa de nosso planeta. E nenhum lugar do mundo está ileso. Seja por cenas em que o herói está presente (e ele quase sempre está) ou por reportagens na TV, vários lugares importantes do mundo são destruídos de maneiras mirabolantes e inacreditáveis...

Para os que esperam mais do Cristo Redentor, não se animem. Era só aquilo do trailer mesmo!

O elenco é de primeira. John Cusack consegue passar drama e vivacidade para nosso herói Jackson Curtis, um escritor fracassado e divorciado que tenta salvar sua família (clichê). Amanda Peet, a esposa, está belíssima e serve bem para o papel que lhe foi oferecido. Mas a maioria das cenas são roubadas por um divertido e quase caricato Woody Harrelson, que vive o maluco Charlie, e pelo sério Chiwetel Ejiofor, um cientista.

'2012' cumpre o que promete: acabar com o planeta Terra usando um clichê de situações non-sense para juntar um cataclismo a outro. E essa destruição toda é, realmente, visualmente perfeita!
E para alegar quem realmente está com vontade de ver: '2012' é infinitamente melhor que o último trabalho do diretor, o medonho '10.000 a. C.'.

 

JOGOS MORTAIS VI.


   
Pra começar, eu estava com o pé atrás quando entrei na sessão de Jogos Mortais VI, apesar de ter gostado das partes IV e V, eu não botava fé nesta parte.
Pois é, lá estava eu marcando presença, mas sempre com o pé atrás, claro. E fico até que contente em dizer que Jogos Mortais VI não é tão ruim quanto eu esperava. Claro, continua sendo mais do mesmo, mas a essa altura do campeonato, quem está ligando?
O filme continua com mortes sangrentas, uma historia, digamos ‘’complexa’’ e por aí vai. O que continha nos outros filmes, está lá.
Se você estava com o mesmo sentimento que eu, eu vou lhe dizer, veja sem medo. Você vai ver armadilhas até certo ponto criativas e muito, mas muito sangue mesmo.
O filme não é a oitava maravilha do mundo, mas garante boa diversão para aqueles que estão procurando um divertimento passageiro.
O que mais me chamou a atenção, foi que deu a impressão de que eles voltaram a essência dos primeiros filmes, mostrando o rapto das vítimas e os motivos que a levaram a estar lá, dando grande ênfase no porque delas estarem passando pelas armadilhas. Isso foi um ponto, mais do que positivo. Uma cena bem legal é a do labirinto de vapor e a do carrosel. Cenas muito legais e tensas. A maioria das pontas soltas dos outros filmes foram solucionadas neste filme, o que faz o tagline do filme ter mais sentido. ‘’O JOGO COMPLETA SEU CICLO’’.
Como é de praxe na série, o final ‘’surpresa’’ está cada vez menos ‘’surpresa’’ nos filmes, mas me pegou de jeito.. claro que não foi tão impactante como os três primeiros, mas foi bem legal.
Enfim, como eu disse acima, se você for esperando a ’’bomba’’ do ano, de uma chance, pois o filme não é tão ruim assim. Deixe o cérebro fora da sala do cinema e aproveite.

 

PLANETA 51.


Desde que a humanidade é humanidade, o universo exerce fascínio sobre os humanos. Um exemplo disso é a diversidade  da produção cinematográfica  que leva em consideração viagem a outros planetas e contatos com seres desses corpos celestes. A hipótese de vida semelhante a humana em outros planetas  vão de demonstrações sarcásticas como em Marte Ataca (Tim Burton), a singelas, como em  ET: O Extraterrestre (Steven Spilberg).  
A produção, que é uma parceria entre os Estados Unidos e a Espanha, com duração de 91 minutos e dirigida por Jorge Blanco e roteiro de Joe Stillman, tem como mote principal a inversão dos papéis, colocando os humanos como alienígenas. O Capitão Chuck é o descobridor do Planeta 51. Ao chegar lá ele descobre que o local é civilizado por criaturas que seriam humanas, não fosse a falta de nariz e a pele verde.
O estilo desses seres assemelha-se ao dos humanos. O local lembra qualquer cidade pequena dos Estados Unidos na década de 1950. A chegada do capitão Chuck (a voz de Dwayne Jonhson) demonstra todos os problemas que um contato desse causaria. No entanto, o que diverte é que os produtores do filme tentam contar a história a partir do ponto de vista dos alienígenas.   A partir daí, uma sucessão de confusões acontece, e o capitão terá que ser salvo pelo Lem (dublado por Justin Longon), que acaba de conseguir o emprego como gerente júnior do planetário.

 

Além deles, o “elenco” é composto pelo Skiif (dublado por Sean Willian Scott), que é amigo de Lem e trabalha na loja de gibis local e é viciado na temática alien. Neera (na voz de Jessica Biel), por quem Lem nutre uma paixão e que terá de disputar a atenção com Glar (Alan Mariott), ativista e meio hippie. A história conta ainda com a participação de Eckle (Freddie Benedict), irmão de Neera.  A “trupe” é fechada pelo robô Roover, que, embora seja uma sonda, comporta-se mais como um cachorro e, inclusive, tem sentimentos. Caberá ao General Graw (a voz de Gary Oldman) resolver os problemas causados com a chegada de terráqueos.
 A trama é divertida, mas o diretor nos apresenta aliens com conhecimentos mais limitados do que os nossos e que imaginam que a extensão do universo não supera a medida de 800 quilômetros. Também há espaço para discutir toda a questão do preconceito e como ela nos faz sair por aí propagando uma série de inverdades: no filme, o ser humano teria a capacidade de ler pensamentos e transformar os habitantes do Planeta 51 em zumbis.

 

Embora o objetivo seja contar tudo do ponto de vista alien, não se vai muito longe, porque o que percebemos é uma transposição do olhar terráqueo, americano para aquele lugar idealizado. Mas isso não é suficiente para tirar o brilho da animação, que também diverte, entretém e garante bons momentos.


Como não poderia ser diferente, o filme é carregado de referências e no distante Planeta 51, há espaço até para a região 9, o que poderia equivaler a famosa área 51, que leva até a um trocadilho com o título do filme em português (os fãs de sci-fi vão entender). A sequência em que o local é apresentado é bastante divertida.

 

 

 

OS FANTASMAS DE SCROOGE.


O personagem principal de “Os Fantasmas de Scrooge”, do diretor e roteirista Robert Zemeckis, interpretado por Jim Carrey, é um senhor de idade altamente ranzinza e que o ano inteiro trata as pessoas exatamente da mesma forma mal educada e grosseira. Ele não consegue manter cinco minutos de conversa com alguém, é alheio aos problemas que os outros passam e nem deixa que as pessoas de sua própria família se aproximem dele. Parece até que ele gosta de sua solidão e adora que as pessoas o deixem em paz – não porque elas queiram, diga-se de passagem, mas porque elas são obrigadas a isso. 
 A grande mensagem que “Os Fantasmas de Scrooge” nos passa é a de que nunca é tarde para a gente fazer mudanças positivas em nossa vida. O Sr. Scrooge viveu muito bem assim até uma determinada véspera de Natal, em que ele começa a receber a visita de três fantasmas que fazem com que ele enxergue a realidade que o rodeia, especialmente os problemas pelos quais passam seu leal funcionário, Bob Cratchit (Gary Oldman), e a maneira pela qual ele é visto pelo próprio sobrinho. Ao conhecer estas outras perspectivas e ver um mundo que ele recusava a enxergar, Scrooge percebe que tem uma segunda chance para consertar as coisas e ser uma pessoa melhor. 
Baseado em uma das obras mais clássicas (e adaptadas) do aclamado escritor Charles Dickens, “Os Fantasmas de Scrooge” é mais um passo que Robert Zemeckis dá na sua nova direção de fazer cinema e a constatação que a gente pode fazer é a de que, a cada nova obra, o diretor e roteirista aperfeiçoa seu método de captura de performance. Especialmente na construção de Scrooge, temos um desenho perfeito de um ser expressivo e cujas emoções nos são totalmente palpáveis. Alguns acertos ainda precisam ser feitos, mas Zemeckis está totalmente no caminho certo. Esta é sua melhor obra em muito tempo e é um tributo à força do material escrito por Dickens. 

 

TÁ CHOVENDO HAMBURGER.


  Chega um momento da animação “Tá Chovendo Hambúrguer”, dos diretores Phil Lord e Chris Miller no qual a gente deseja morar na cidade de Chewandswallow. Não porque lá chove hambúrgueres e outras comidas gostosas, mas porque os habitantes da cidade são verdadeiras figuras raras; pessoas com qualidades e defeitos, os quais refletem aquilo que faz do ser humano uma espécie totalmente peculiar. Tome-se como exemplo o personagem principal deste longa: Flint Lockwood (dublado por Bill Hader, do elenco do humorístico “Saturday Night Live”).
Flint é alguém com quem qualquer um de nós pode se identificar, pois já fomos ele em algum período de nossa vida. Quando estudante, Flint sempre vivia à margem dos colegas, era excluído simplesmente porque não compartilhava dos mesmos interesses de outras crianças de sua idade. Desde cedo, o personagem sempre soube que seu negócio era mexer com ciência, ser inventor e tentar fazer algo que fizesse a diferença não só na vida dele, mas na da cidade em que ele morava – até porque a localidade de Chewandswallow vive tempos difíceis, afinal a sua maior atividade econômica entrou em crise e a população do local, por causa disso, anda meio perdida. 
É aí que entra aquela que vai ser a maior invenção de Flint Lockwood: uma máquina faz com que, ao invés de chover água, se tenha uma tempestade de alimentos apetitosos, como hambúrgueres, spaghettis, sorvetes, tortas, jujubas, entre outras guloseimas. A partir deste instante, “Tá Chovendo Hambúrguer” começa a fazer uma metáfora muito interessante utilizando como mote a mostra de como a ganância, a gula e a ambição podem ser maléficos para o homem – na medida em que a invenção de Flint é tão desvirtuada de seu propósito (trazer o bem para Chewandswallow e seus habitantes) que se transforma na causa de uma “catástrofe” de proporções mundiais.


Animação produzida pela Sony Animation Pictures (responsável por outras excelentes obras do gênero como “A Casa Monstro” e “Tá Dando Onda”), “Tá Chovendo Hambúrguer” é um filme que consolida o nome do estúdio como aquele que produz os melhores filmes de animação ao lado da Pixar Animation Studios. A receita? Apostar numa fórmula infalível: premissas originais (a deste filme, em particular, pode parecer estapafúrdia, mas tem apelo com o público infantil) e que carregam mensagens para lá de legais. A de “Tá Chovendo Hambúrguer” é: acredite nos seus sonhos e seja você mesmo. Assim, você conquista o amor e o respeito das pessoas.

 

 

ATIVIDADE PARANORMAL.


 
“Atividade Paranormal” bateu o recorde de lucratividade numa estréia nos EUA que antes era de “A Bruxa de Blair“. Não é coincidência que os dois filmes tenham sido feitos da mesma forma, com um custo baratíssimo (nesse caso 11 mil dólares), arrecadando milhões (aqui, mais precisamente 9 milhões de dólares). Ambos têm outra coisa em comum: são muito, mas muito ruins e teve o marketing informal como o pilar pra atrair tanta gente.
 
“Atividade Paranormal” lembra muito aquele programa do Discovery Channel onde se contam casos de experiências sobrenaturais. Aqui um casal decide documentar esses eventos com uma câmera própria, os quais podem estar interligados com a esposa Katie (o nome dos personagens e dos atores são os mesmos). Os eventos se tornam mais intensos e o imbecil do marido, Micah, ao invés de procurar ajuda especializada quer tentar controlar tudo sozinho.
Primeiro que esse cara é um pé no saco. Aliás, eu estava numa torcida pessoal para que ele morresse logo. Segundo que metade das melhores cenas (leia-se os sustos) está no trailer – e estamos falando de um trailer de 1.44 minutos. Isto é, tirando quase 5 minutos de sustos, o resto é pura enrolação. E enrolação com o propósito de fazer o expectador acreditar que aquilo é o cotidiano do casal e que tudo é verdade. O próprio crescente da tensão (se é que há uma) é feito de maneira esquemática, no contar das noites e ainda usa clichês como falsos sustos.

O final, abrupto e tosco quanto o da Bruxa de Blair soa tão artificial quando uma nota de três reais, mas dá aquele sustinho básico. Poucos sustos, sem explicação pra nada, pelo menos um dos atores chatíssimo e cenas descartáveis, descambam para uma das maiores frustrações, tal qual “A Bruxa de Blair“.

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