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CDS E DVDS

DISCOS DE CABECEIRA

METALLICA – Death Magnetic

É difícil colocar nesses termos, mas o Metallica estava na dívida. Foi importante que eles tivessem ousado um pouco mais? Certamente, mas eles deviam um disco melhor aos fãs. A todo mundo. A faixa “All Nightmare Long” parece que vai cair numa porradaria digna do "Kill´em All”, o que não ocorre, mas o clima é similar. Afinal de contas eles são – praticamente – a mesma banda de antes, não é? A primeira música que o Metallica  postou na rede foi “The Day That Never Comes”. De cara lembrei de “One” do “And Justice for All”. Inclusive recordei que não havia gostado muito do disco em relação ao “Master of Puppets”. Mas também, como comparar? “The Day” é uma faixa bonita no estilão de “The Unforgiven”, inclusive contando com timbres semelhantes. E não é que a sétima composição do disco se chama “The Unforgiven III”? Some o “Black Album” com o “And Justice”  e surgirá um retrato não muito fiel, mas bem próximo de  como esse disco soa. Exatamente nos 3 minutos de duração de “That Day”,  a faixa se transforma no mais puro Metallica de... “For Whom The Bell Tolls”! A nova “That was Just Your Life” soa melódica e agressiva com riffs cavalgados como o Diamond Head do início dos 80 faria. Os solos melódicos e grandiloquentes estão de volta. O riff suingado e totalmente “Jump in the Fire” está evidente em “The End of The Line”. Às vezes o álbum "Death Magnetic" me lembra uma banda imitando o Metallica, mas prefiro não dar ouvidos a esses pensamentos. O saldo final conta  a favor. Os velhos rapazes alcançaram um consenso, onde ainda são eles mesmos e se mantêm ousados, de certa forma. E assim ganham todos. Esse é o “My Apocalypse”, dude.


CHROME DIVISION – Booze, Broads And Beelzebub

Depois do curiossímo CD "Doomsday Rock N' Roll", a banda fundada por Shagrath, o vocalista do Dimmu Borgir e por Lex Icon (ex-Borgir) também fundador do The Kovenant volta com mais um petardo em homenagem ao Motörhead, sua influência inegável. Esse disco não difere muito do trabalho anterior, é até menos rápido e mais melódico, mas mostra como quem sabe das coisas não fica aí de brincadeira. O som das guitarras e o bom gosto dos solos tá coisa de louco. A faixa de abertura é uma coisa do outro mundo e a matança prossegue em outras pérolas como “Wine Of Sin”, a AC/DCzona “Raven Black Cadillac” (também bastante Alice Cooper), “Hate This Town”, o boogie “The Boys From The East” e “Doomsday Rider” (foda), além de um cover para "Sharp Dressed Man" do ZZ Top. Um discaço de rock and roll assassino.

 

VELHAS VIRGENS – CDS Ao Vivo e Cubajanacara - DVD 21 Anos - Gabaju Records  

Mais de duas décadas após sua fundação (ou fundição), o Velhas mostra que não basta ter apenas talento ou persistência para que uma carreira dure. De certa forma, o Velhas é a representação de tantas voltas e reviravoltas que o rock viveu nessas últimas décadas. O humor é o elemento primordial e os assuntos basicamente se dividem entre mulherada e cervejada. Elementos punk a lá Ramones mais o rock and roll na tradição do Made in Brazil (o lado mais clássico) e do Barão Vermelho formam em essência o som da banda. Quer dizer, a coisa é totalmente sem complicação, um pouco de paixão e um pouco de razão. As letras são sem dúvida o maior apelo da banda. Diretas, muitas vezes grosseiras, mas não apenas frutos de um humor desmiolado. São mais como constatações irônicas de como conviver com as falsas aparências do mundo. “Cubanajarra” é um CD com boa produção e encarte com papel politicamente correto, letras nada corretas, essa a maior especialidade dos ou das Velhas Virgens. O valor reflexivo de “As Mulheres e Nelson Rodrigues”, “Dinheiro Pra Torrar”, “Tudo O Que a Gente Faz é Pra Ver Se Come Alguém” e “Cretina” (inspirada por certo riff clássico) não passam despercebidas, tanto pelo humor como por certas reflexões que todo mundo que já tomou um par de chifres sabe como é. Ou chora ou ri. O humor de “Esse Seu Buraquinho” em ritmo doo-wop (?) encanta pelo arranjo e ritmo com letra chula, mas totalmente inserida no contexto. Do mesmo naipe é “Quero Te Ver Gozar Pelo Cu”, a letra mais agressiva e o som mais legal de todo o CD. Será o humor a solução para a sobrevivência financeira no Brasil? Essa indagação passou pela minha cabeça a cada nova faixa. O CD ao vivo gravado em 2001 tem a energia que emana de todo show e nesse exemplar em questão, a interação entre banda e platéia conta completamente a favor do ouvinte. A letra “Senhor Sucesso” é um arraso, fala claramente sobre o que todo mundo acha, mas que não quer comentar sobre pagodeiros, artistas e músicos cheios de pompa, carreirismo e interesse financeiro. A banda não se preocupou em esconder imperfeições (inclusive as palmas atravessadas) que sempre rolam ao vivo. Isso me soou muitíssimo bem. É difícil ouvir verdade em álbuns milimetricamente produzidos. Muito do meu antigo interesse por música se perdeu por causa dessas manobras, confesso. “Rafaela: eu amo a sua mãe”, “Mulher do Diabo”, “Buceta” chamam a atenção. O vocalista Paulão confessa ao vivo, não sem razão que as Velhas Virgens são “a maior banda independente do Brasil”. Alguém duvida com um DVD desses super bem produzido? O CD ao vivo termina com 4 boas faixas gravadas em estúdio “Safadeza Pura”, “Toda Puta Mora Longe”, “Baba Lobo Baba” e “Blues do Vinho Branco”.
O DVD é um luxo só: gravado no ano passado com grua voadora em casa lotada e público (de “Ponta Grossa” no Paraná – será que a escolheram por causa do nome?) sedento por putaria, o show é simplesmente a constatação de que o palco é a casa do artista. As imagens e a edição são excelentes, com troca de figurino e tudo mais que um grande show tem direito. Você pode até não querer comprar os CDs, mas o DVD é insuperável e imperdível. Vocês não sabem o que estão perdendo.

 

GLENN HUGHES – First Underground Nuclear Kitchen - Hellion Records

Mr. Funk Santos? Não, é Mr. Glenn Funk Hughes mesmo. Esse novo CD “Nuclear Kitchen” (bom nome) homenageia a cozinha de toda banda e segue a linha funk/soul praticada nos anteriores. Nenhuma novidade nesse quesito. E o novo trabalho se presta a abrir o debate para a questão funk x rock usando Hughes como figura de intersecção entre os estilos. Existem os que se vêem obrigados a gostar do Hughes atual (fãs do Deep Purple por exemplo) “mesmo que o ouvinte não goste de música negra”. Esse grupo pode dizer, meio que forçadamente que adooora soul. Mas não tem um CD de música negra em casa. Em contraposição os que não gostam de música negra ou de negros - podem afirmar que ele parou no tempo, como se a música atual também não fosse um arremedo dos restos do ontem. Parar no passado, Glenn parou mesmo e esse Nuclear é prova disso, mas quer saber... parou com gosto.
A banda é o arraso de sempre: Chad Smith na bateria e JJ Marsh na guitarra principal. As composições ultra suingadas do novo Hughes remetem à penúltima (e melhor em minha opinião) formação setentista do Deep Purple cujos trabalhos superaram em talento os anteriores com Gillan (sem desmerecê-los é claro); como Burn e Stormbringer. Mais claramente “First Underground Nuclear Kitchen” vem da linha sucessória do Trapeze (ave Mel Galler), como se o baixista tivesse saltado por cima de sua carreira purpúrea. Hughes não derrapa como Lenny Kravitz, que tinha tudo para fazer ótimos discos e abre as pernas demais. Hughes tem ciência que nos Estados Unidos ele não vai se criar mesmo e por uma questão óbvia (a gravadora) ele investe na Europa, mais aberta ao seu hard soul funk. O CD abre com “Crave” uma boa canção cheia de malemolência e hardão funk; onde o hômi canta a frase “It´s Everything” com aquela típica ginga de negão. “First Underground Nuclear Kitchen” entra arrasando no batidão do Mr. Chad. Pura negritude. Setentona na alma e no estilo. Muitas composições como essa são parceria com o guitarrista Luis Maldonado. “Satellite” é linda. Hughes tá cantando como nunca, emulando seus ídolos negros. Nesse naipe “branco-canta-como-negro” só Steve Winwood mesmo. A lenta “Imperfection” utiliza uma seqüência harmônica de jazz que o Trapeze empregava dentro do seu formato hard. Existe outra balada linda chamada “Where There´s A Will...” que segue o mesmíssimo ótimo caminho, fechando o disco com classe.
O álbum é dedicado ao recentemente falecido guitarrista Melville Galley (Trapeze, Whitesnake). Com certeza Galley tá amarradão no suíngue do sempre funky Hughes e tirando onda que nem precisa de corpo físico para dançar. E viva a negritude.

 

CDS:  ALICE COOPER// ARNION // ASIA // AYREON // BASS INVADERS // BLOODBOUND // CÉRBERO // CONFRONTO // CORPORATE DEATH // DEATH //DEATH SLAVE// GONORRÉIA // LAUREN HARRIS // HELLFUELED//HOLY MOSES // HUDSON CADORINI //MICHAEL KISKE //MAGICIAN// MISFITS // MSG // NO RACE// OBSESSION // ORANGE GOBLIN // PROJETO TRATOR //REDEMPTION// SABBAT // SOUL RIVER // SOUL SPELL//STATIK MAJIK // STATUS QUO //STRATOVARIUS //TANKARD// TOATOA // TORTURE SQUAD // U-GANGA// VISION DIVINE // VULTURE//WHITESNAKE

ALICE COOPER – Along Came a Spider – Hellion Records

Os últimos trabalhos do velho Alice têm sido marcados por um refletido equilíbrio entre um retorno ao som dos 70 (o som de Detroit) ou prosseguir gravando discos mais modernosos e pesados. Esse não é o melhor trabalho dessa fase revivalista do mestre – em relação às composições -, mas tem muita coisa boa que pode agradar aos fãs da pegada setentista. Boas faixas como “Vengeance Is Mine”, a interessante “Wake The Dead” (que mescla o setentismo com guitarras mais alternativas), “(In Touch With) Your Feminine Side”, “Wrapped In Silk” (com riff e timbre totalmente anos 70) e “The One That Got Away”. Mas a melhor faixa do disco é a balada “Killed By Love” com slides emotivos envoltos em um clima perfeito.

ARNION – Fall Like Rain – The Black Tiger Company

Bom thrashão made in Goiânia. O quarteto influenciado pelo thrash oitentista norte-americano (Slayer e Testament principalmente) manda sua mensagem em inglês com uma - destacada - faixa em português: “Manipulação S.A.” Arnion é um nome grego que significa “cordeiro”, menção à ideologia cristã da banda. A produção destaca o bom trabalho dos músicos nas faixas com timbres pesados e claros. A faixa “Get Ready for the War” conta com boas passagens melódicas e suingadas na qual o vocalista Pedro Neto mostra a devida competência. Certamente uma das melhores.  Destaques também para a faixa título, “Regreat be Healed” e “Human Holocaust”.

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ASIA - Phoenix – Hellion Records

A ave mitológica na capa (mais coloridinha do que a versão do Grand Funk) dá a dica de forma clara: renascimento depois de 26 anos. Mais um vôo da fênix. O Asia é reflexo dos tempos em que o rock progressivo (ou sinfônico) andou em baixa e bandas como Genesis (a melhor no formato pop) e Yes enveredaram por caminhos digeríveis no final dos 70 e início dos 80. Tecendo algumas reflexões, não sei se a gravadora Frontiers da Itália faz um bom serviço dando novas (e melhores por sinal) chances à estrelas do passado. Pelo lado emocional a resposta é um sim cheio de vontade até mesmo pela questão do nicho de mercado que a própria Frontiers alimentou. O mercadão não quer saber das boas bandas do passado. Tem muita menininha bonita nascendo para virar uma nova pop star fugaz no “ídolos” ou “astros”. A Frontiers retomou a “linha evolutiva” do ponto em que a dita “boa música” dos 70 estacionou. É um conceito também questionável, é claro. Ouvir o Asia novamente é como pagar a passagem em um trem para as estrelas, com assento bem confortável ouvindo-os em uma rádio FM com uma agulha novinha flutuando sobre o vinil. “Never Again” que abre o CD trás tudo de bom e ruim que a banda praticava. Pop sinfônico? Sem dúvida é uma forma de encarar. Nesse caso o que influi é apenas uma questão de gosto, porque talento e qualidade é sabido que esses mestres (Geoff Downes, Steve Howe, Carl Palmer e John Weton) têm. Ao contrário, se formos obrigados a encarar essa música como “o melhor da música” aí o negócio pega. Momentos de puro progressivo (como o teclado anacrônico de Downes) em “Sleeping Giant” surgem na superfície de um pop radiofônico oitentista como “No Way Back” e “Álibis”. Como sempre, a capa de Roger Dean (cuja arte já foi destrinchada em edição anterior do Martelo) é um colírio. Um bom disco se não usarmos a razão como juiz.

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AYREON – 01011001 – Hellion Records

Escrito e produzido por Arjen Anthony Lucassen que também tocou as guitarras, violões, teclados e sintetizadores, esse disco é bem cotado pelos fãs como um dos seus melhores trabalhos. Os convidados, como não poderia deixar de ser, são muitos com destaque para as vocalistas Anneke van Giersbergen (que compôs as melodias das faixas 1 do CD 1 e a 1 do CD 2), Floor Jansen e Simone Simons. E as não menos importantes participações de Jorn Lande, Daniel Gildenlöw, Tom Englund e Ty Tabor entre 16 convidados. A lista completa inclui Hansi Kursch (Blind Guardian), Daniel Gildenlow (Pain of Salvation), Thomas Englund (Evergrey), Jonas Renkse (Katatonia), Jorn Lande (ex-Masterplan, Ark), Anneke van Giersbergen (ex-The Gathering, Agua de Annique), Steve Lee (Gotthard), Bob Catley (Magnum), Floor Jansen (After Forever), Magali Luyten (Virus IV), Simone Simons (Epica), Phideaux Xavier, Wudstik, Marjan Welman (Elister), Liselotte Hegt (Dial), Ty Tabor (King's X), Lori Linstruth (Stream of Passion), Michael Romeo (Symphony X), Derek Sherinian (ex-Dream Theater, Planet X), Thomas Bodin (The Flower Kings), Joost van den Broek (After Forever, ex-Sun Caged), Ed Warby (Gorefest), Jeroen Goossens (flauta), Ben Mathot (violino) e David Faber (cello).

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BASS INVADERS – Hellbassbeaters – Hellion Records

O grupo comandado (melhor dizer “organizado”) pelo baixista do Helloween, Markus Grosskopf faz o impossível: um disco sem guitarras! Uma idéia bem “grave”, diríamos. No encarte, Markus assume que o conceito nasceu em um bar, aproveitando a deixa para vilipendiar as guitarras chamando-as de “lousy”. Markus diz ainda que se esse disco vender 150 cópias ele já fica satisfeito e aproveita para lamentar a não participação do supremo Lemmy do Motörhead, a quem dedicou a inspiração. Por patriotismo e por “terem sobrevivido a mais de 20 anos de business”, os primeiros convocados foram Peavy do Rage, Tom Angelripper do Sodom e Schmier do Destruction. Entre os convidados estão Lee Rocker do Stray Cats, Marco Mendoza (Ted Nugent, Whitesnake, Thin Lizzy), DD Verni do Overkill, Billy Sheehan, Rudy Sarzo, Joey Vera do Armored Saint, Nibbs (do Saxon), Tobias Exxel do Edguy, Jens Becker do Grave Digger e Dennis Ward do Pink Cream 69. Os vocais ficaram a cargo de Apollo Papathanasio do Firewind, Jesper Binzer do D;A;D e J.C. do Kickhunter. Para falar a verdade nem se nota a falta das guitarras. Chega a ser engraçado, no bom sentido. As composições se distribuem entre os participantes, cada qual alimentando o seu próprio estilo. Por exemplo, Schmier do Destruction escreveu faixas que serviriam para sua própria banda (“Armageddon” com participação do baixista do Overkill e “Razorbalde Romance”) assim como Angelripper (“Godless Gods”) e o próprio Markus (“We Live”, “Boiling Blood” e “Voices”). O disco é dedicado ao baixista do The Who, John Entwistle.

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BLOODBOUND – Book of the Dead – Rock Machine

Os suecos que amam – e reproduzem com convicção – o som pesado tradicional das bandas européias oitentistas voltam à carga com mais um trabalho cheio de cantos de guerra e riffs totalmente inspirados no velho Iron Maiden do início dos anos 80 (Será “The Tempter” uma homenagem a “The Trooper” e “Bless the Unholy” ao Helloween?). Os vocais estão praticamente idênticos aos das bandas da velha guarda, em especial ao Grim Reaper de 1985. Recomendado aos devotos do estilo. O CD inclui um bônus vídeo.

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CÉRBERO – Bootleg Live at the Rainbow – 1983 – Independente

Esse quarteto paulistano fez furor na cidade no início da década de 80. Sua música fortemente influenciada pelo som que estava nascendo na época (vejam só) de grupos como Anvil e Metallica era chamado de power antes mesmo de ser conhecido como thrash. Os irmãos Tonalezzi nas guitarras eram acompanhados pelo baixista e vocalista Sérgio Gonçalves e pelo baterista Tony Fontão. Antes mesmo que a banda tivesse a chance de gravar o seu primeiro LP em terra nativa (o que seria inevitável) decidiram viver de música em Nova Iorque. Foi um passo em falso? Difícil dizer. No Brasil as bandas que ficaram fizeram história. Mas o Cérbero não conseguiu. Mas quem lembra do impacto de sua música sabe o que eles simbolizavam. Talvez esse CD gravado no bar Rainbow em São Paulo em uma friorenta noite em 1983 que ficou na historiado som pesado nacional seja o único registro gravado do Cérbero. Infelizmente.

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CONFRONTO – Sanctuarium –  78 Life Records

Embalado por uma bonita capa com tons escuros, como que prenunciando uma inevitável batalha, o Confronto chega ao novo disco mais brutal do que nunca. O som grave e pesado da banda mescla hardcore com death metal obtendo um ótimo resultado final. As letras se colocam contra as injustiças do mundo, como que para ganhar no grito mesmo. E assim caminha o grupo em confronto direto contra tudo o que considere errado.  Apesar da roupagem agressiva, a mensagem é de esperança, de progresso e isso é o que há de mais positivo no Confronto.

Ler entrevista do Confronto nessa edição

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CORPORATE DEATH Terminate Existence – Die Hard

O trio Damien (guitarra e baixo), Flávio (vocal) e Paulo Pinheiro (bateria) faz um bom barulho para quem admira a fusão dos estilões death e black. A rifferama com notas claras e timbre firme se destaca em meio a uma massa sonora digna do apocalipse. Vocais guturais, harmônicos tirados da guitarra e a bateria veloz exigem a atenção e a redenção do ouvinte. Brutalidade.

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DEATH – Symbolic – Rock Machine

Chuck Schuldiner na guitarra e vocal e Gene Hoglan na bateria é mais do que motivo para todo fã de música pesada adquirir esse trabalho. Mas não fica só nisso. Symbolic, o sexto álbum do Death é um clássico dentro do subgênero que fundiu death metal com uma música mais elaborada, que podemos tranquilamente chamar de progressiva. Thrashão cabeça com inversões de andamento, muito cromatismo, dobras melódicas e vocais reptileanos dão a tônica. Gravado por Jim Morris no Morrisound na Flórida, o grande estúdio para o metal naquela época, Symbolic é a representação do progresso em forma de música, da evolução e maturidade de um rapaz chamado Chuck. Esse talento criou uma seminal banda de death de “raiz” para torná-la um combo musicalidade intrincado e com uma criatividade praticamente inesgotável.

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DEATH SLAVE – Valley of Mirror – Die Hard Records

Esse quinteto de Limeira é bastante influenciado pelo Iron Maiden, mas não é meramente uma cópia. O timbre de base é mais pesado, tem a sua particularidade. As puxadas dos solos são lentas, mais na manha, o que dá uma roupagem bem interessante, mais clássica à banda. O vocalista Victor Pacheco é competente, mas o que mais me chamou a atenção foram as partes instrumentais, mais viagem, de “Demonic”,  o solo totalmente Dave Murray de “Kings of Steel”, o Holy Diver de “Sea of Dreams” e “Temple of the Damned”. Há, a virada de bateria em “Valley of Mirror” é totalmente Maiden, bem legal.  A banda conta com os guitarristas Bruno Sampaio e Tiago Pescarolo (esse último também produtor e técnico de gravação do CD), o baixista Felipe Piccirilo, e o baterista Marcelo Batistella.

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GONORRÉIA – 8205, O Resgate da História – Universal/Caco de Telha

Tenho ouvido falar de várias bandas brasileiras que não tiveram a oportunidade de gravar nos anos 80 e que agora, por uma questão de justiça recebem o tratamento adequado para se recomporem e reescreverem o seu nome na história. O Gonorréia era uma banda punk de Salvador que deixou marcas. As regravações atuais não nos deixam mentir. O negócio já começa bem com “Gonó! Gonó! Gonó! 8205!”. Dá para sacar o som da banda que interage Ramones com Camisa de Vênus, que como o grupo – também – baiano tem um humor peculiar que os acompanha. As guitarras pesadas e dobradas parecem saídas do Thin Lizzy, que legal. Mistura exótica, essa. As boas faixas se sucedem: o ótimo rock and roll “Eu Não Sei Votar” cai muito bem nesse momento; a punk acelerada “Nascer e Morrer” vai de Dead Kennedys na veia; a oitentista “Satânico Telúrico” e seu riff quase new wave com solo metal chama a atenção; a pesada “Se Fosse Fácil” abre o caminho até a debochadíssima “Se Você Não Tem Piercing, Você Não É Gente!"

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LAUREN HARRIS - Calm Before The Storm – Hellion Records

O vocal de Lauren Harris, filha do baixista do Iron Maiden não é o maior atrativo desse trabalho de hard rock. Talvez seja a paternidade. “Steal Your Fire”, um hard radiofônico exibe de cara a maior influência da moça: o Heart das irmãs Wilson. É perceptível. Batidas e guitarras a lá AC/DC com acordes abertos marcam o andamento nesse disco produzido por Tommy Mc Williams, responsável por trabalhos de Gloria Estefan e Lindsay Lohan. Harris (engraçado escrever isso) conduz várias composições com roupagem acessível, que ao vivo podem soar mais pesadas. “Your Turn” parece um arremedo da Joan Jett com o riff inicial furtado de algum lugar que ainda vou lembrar. A fraca “Let Us Be” furta o riff inicial de “Calling Doctor Love” do Kiss e fundida com pop e AC/DC sai uma coisa disforme. Essa é a fórmula: um pouco dali, um pouco de cá e nada na mão. Ela jura que o pai só apareceu no estúdio no momento da mixagem e não interferiu em nada (se o fizesse, provavelmente o trabalho ficaria melhor). Lauren tem sido criticada por alguns articulistas na internet pelos shows ao vivo onde não exibe muita competência vocal. Agora é questão de ver o Maiden ao vivo com a filhota como abertura para tirar essa história a limpo.

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HELLFUELED - Memories in Black - Hellion Records

Ozzy voltou ao Black Sabbath? Pois é, ainda não, mas essa banda sueca tem um vocalista incrivelmente parecido (vocalmente) com o Senhor Morcego. Isso poderia tirar a credibilidade do trabalho, mas quando nos deparamos com a maior parte da produção musical atual e com a própria ineficácia ou desinteresse do Sabbath original em gravar um disco, nos contentamos com os suecos, que não estão fazendo apenas uma cópia sem graça, mas um disco pesadíssimo e bem interessante. Em compensação, os solos de guitarra não são muito Iommi; têm os harmônicos “apitados” típicos de outro guitarrista com sobrenome Wylde. Gravado no final de 2006, o disco ainda contou com a participação do tecladista Mattias Bladh com um Hammond embebido na caixa Leslie. Só para dar um ar mais setentão em alguns momentos. Um bom trabalho.

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HOLY MOSES – Strength, Power, Will, Passion – Dynamo

Sabina Classen é uma mulher com gana. Defensora do seu estilo oitentista (no encarte diz que nunca escutou aqueles que recomendaram que a banda permanecesse nos 80) e dona de uma voz poderosa e agressiva, o som aqui não é apenas pano de fundo para o seu vocal demente, mas a correta conecção com o estilo dos riffs nascidos na alma do som mais underground da década de 80 para 90. A vocalista faz questão de afirmar que não utilizou nenhum artifício de estúdio para afinar ou “agressivar” sua voz. Por incrível que pareça a banda foi fundada em 1970 (!), só gravando sua primeira demo em 1980, uma longa espera. O álbum é dedicado a vários amigos falecidos, em especial a Jaqueline, a engenheira de luz da banda que partiu desse mundo devido a um câncer fatal aos 41 anos. Como o título sugere: Força, Desejo e Paixão pelos que se propõem a fazer: um som bastante agressivo sem ser uma massa disforme de barulho.

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HUDSON CADORINI – Turbination – Dynamo Records

Hudson faz parte da dupla sertaneja Edson & Hudson. Nunca tinha ouvido falar neles até receber o CD solo Turbination, onde Cadorini exibe outras influências, além do country. O som é calcado nos discos instrumentais de guitarra, prioritariamente no trabalho de Joe Satriani. A experiência do bom guitarrista Hudson me lembrou de uma antiga e também interessante passagem da música no Brasil: nos anos 80, após conhecer o Van Halen, o guitarrista Robertinho de Recife  - precedido por vários sucessos populares como “Elefante” - decidiu adotar o estilo metal e gravou um dos discos mais bem timbrados no Brasil, o “Metal Mania” de 1984.  Porém, apesar de Hudson e Robertinho serem grandes guitarristas (e cientistas do som), o mesmo não sem aplica aos seus vocais. Não que devessem ser feitos por ditos “vocalistas”, graças a Deus isso não ocorreu, mas creio que para ambos seria melhor se os dois discos tivessem ficado “mais” perfeitos para o público. Particularmente, prefiro saber que eles produziram dois discos muito interessantes. As palavras do vocalista não são tão importantes nesse caso, mas sim a intenção. Mas talvez para o grande público, seja diferente.
A cozinha do Turbination foi desenhada pela dupla Busic do Dr. Sin, com Andria no baixo e Ivan na bateria. O onipresente guitarrista Andréas do Sepultura participou das faixas “Turbination” e “Fat Riff”.

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MICHAEL KISKE – Past in Different Ways – Hellion Records

O vocalista Michael Kiske, volta e meia coloca o pescoço (e a goela) de fora para cantar. Isso é importante para mantê-lo interessado em música e seus eternos fãs satisfeitos. Mas também é necessário citar que cantar em uma região mais grave – como em “Longing” - torna a música mais agradável. Não que seja um problema, mas durante algumas partes, o tom – principalmente das duas primeiras faixas - parece um pouco alto para ele. A maior parte do disco é de canções em uma levada concentrada em violão e bateria, uma boa idéia. A regravação de “Kids Of The Century” também ficou interessante. Kiske delata – no encarte - a pressão que existe no mundo musical sobre os artistas criativos que não gostam – como ele - de mp3 por tudo de mal que esse formato vem fazendo aos trabalhadores da música. Kiske acrescenta que algumas dessas canções foram escritas quando ele ainda era um mancebo de apenas 17 anos e como foi interessante fazer as pazes com esse seu passado.

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MAGICIAN – Tales of the Magician - Die Hard

O Magician é formado por Dan Rubin (vocais), Renato Osório (guitarras), Cristiano Schmiff (guitarras), Elizandro Max (baixo) e Zé Bocchi (bateria). Gravado em Porto Alegre e mixado por Dirk Schlächter e Arne Lakenmacher em Hamburgo na Alemanha, o disco possui um padrão altíssimo de qualidade que certamente agradará os fãs do estilo melódico. Os vocais operísticos e os riffs de guitarra belamente timbrados exibem uma coesão invejável. Claro que sem uma música de qualidade nada disso faria sentido. Como se fosse pouco, os músicos Renato e Elizandro ainda trabalharam como engenheiros de som. “Let the Harmony Endure”, certamente.

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MISFITS - Famous Monsters - Rock Machine Records

Ouvir os Misfits não é apenas retornar ao passado recente, é ter certeza que um dos maiores motivos para o rock existir é ser divertido. A cada audição sinto-me perseguido por uma gangue de zumbis na saída de um show do Elvis. E olha que essa imagem não é brincadeira. Precisa correr porque os mortos-vivos têm fome! É a mais pura realidade. Misfits é uma união constantemente louca do rock dos anos 50 com o punk. É impossível não se divertir com um disco que possui quase 20 canções como “Die Monster Die”, “Scream!”, “Living Hell”, “Fiend Club” e “Helena” (hardão). Michale Graves no vocal, Dr. Chud na bateria, Doyle Wolfgang von Frankenstein na guitarra e o indescritível  Jerry Only no baixo e ... o cérebro. A comida favorita dos zumbis.

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MSG - Tales of Rock ´n´ Roll – Twenty-Five Years Celebration – Dynamo

Como se sabe, o guitarrista alemão Michael Schenker é dono de um estilo reconhecível. Seu senso melódico é fantástico e a técnica (quando não bebe) exuberante para quem só toca com os 3 dedos da mão esquerda. Mas isso não quer dizer que esse seja um trabalho indicado para quem deseja o melhor do melhor hard rock, o que não é o caso. A desinteressante faixa Setting Sun mostra que rifferrama não é o único atributo para um bom disco. O parâmetro geral do trabalho prossegue com os riffs típicos de Schenker, recopiados dos anos 70 e 80. Mas o maior problema são os vocalistas. Particularmente não tenho paciência com vozes “poderosas e empostadas”. O vocalista Jari Tiura soa muito exagerado. Leif Sundin é um cantor mais pop de certa forma, mas se insere melhor na banda. Por exemplo, no velho UFO (onde o guitarrista tocou) tudo funcionava bem, porque além das composições fabulosas,  Phil Mogg que era um vocalista limitado criava um interessante e humano contraponto. Quer dizer: nem sempre um “grande” vocalista torna o trabalho digno de respeitabilidade. O bom gosto é fundamental sempre. Schenker chama esse álbum de “conceitual” por comemorar os 25 anos do MSG com diversos vocalistas que dividiram palco e estúdios com o guitarrista alemão. A banda básica é Tiura nos vocais, Pete Way no baixo, Jeff Martin na bateria, Wayne Findlay no teclado e segunda guitarra. Os outros vocalistas são Gary Barden, Graham Bonnet, Robin McCauley, Leif Sundin, Kelly Keeling e Chris Logan.

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NO RACE – Tears of Nature - Rock Machine

O guitarrista Heber é um velho conhecido. Sempre trocamos divertidos papos. Fiquei satisfeito por ver e ouvir o seu trabalho como músico chegar ao CD. E o “No Race” não é brincadeira, não. A pancadaria toma conta das 8 faixas do álbum que bebem de fontes seguras como o som thrash oitentista de bandas do quilate de um Kreator e do Sodom. A lição desse trabalho é: se você acredita no que faz, faça. É o primeiro passo para realizar sonhos. Não étudo parte do “Spiritual World”? E o CD “Tears of Nature” é a conseqüência de empenho e talento. Os companheiros de empreitada do guitarrista são o vocalista e baixista Márcio Neuhaus e o baterista Marcelo S.O.S. “Tears of Nature” foi gravado em 2004, mas o trabalho só veio à luz do dia recentemente. E enfim, veio em grande estilo.

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OBSESSION – Carnival of Lies – Rock Machine

A guitarrada dá o tom para os vocais de Michael Vescera (Loudness, Yngwie Malmsteen, Dr. Sin e Roland Grapow) nesse trabalho heavy metal lançado originalmente em 2006. Não há nenhuma canção que possa ser destacada, porque criatividade é algo que não está em jogo e as canções são muito semelhantes umas com as outras, mas é claro que o trabalho tem qualidades que podem ser apreciadas pelos fãs das próprias bandas onde o vocalista e produtor deixou a sua marca.

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ORANGE GOBLIN – Healing Through Fire – Dynamo

O doom inglês sempre foi um estilo bastante típico e esse CD confirma o conceito. Fora o nome da banda para lá de psicodélico, o som é totalmente doom, heavy, pesado com algo de rock em sua essência, sem ser muito obscuro. De certa forma - e até mesmo pelostítulos das canções – é notória a influência setentista, como se tivessem escutadoJethro Tull durante toda a vida. Nada a ver musicalmente, mas evoca-se tal banda no campo das idéias. Gravado em março de 2007 em Londres, a banda tem como principal integrante o vocalista Ben Ward (autor das letras). As músicas foram compostas por todos. A formação conta com Joe Hoare na guitarra, Martyn Millard no baixo e Chris Turner na bateria.

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PROJETO TRATOR – Independente

O som stoner da dupla Paulo Thompson (vocal/guitarra) e Thiago Padilha (bateria) mais conhecida como Projeto Trator mostra competência em canções como “Raiva” e “Bombeirinho”, com bons riffs e passagens melódicas interessantes. Gostei muito do título da canção sabbática e rápida “Trilha Sonora para o Marciano Morto em Combate”. Infelizmente a gravação do ensaio (provavelmente) não está clara o suficiente, o que impede uma análise mais apurada. Mesmo assim o potencial está aqui. Só falta passar o trator por cima dos incautos e mostrar o peso desenfreado da dupla para o planeta Terra porque os marcianos já sabem do que eles são capazes.

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REDEMPTION – The Origins Of Ruin – Dynamo

Metal progressivo na essência e de fato. Extremamente bem executado, esse trabalho dos californianos do Redemption é um dos mais indicados que já recebi. Se você admira o progressivismo de um Dream Theater (com os certeiros elementos do Rush) esse é o seu CD. Gravado na Califórnia e mixado na Alemanha em 2006, a banda conta com o guitarrista (e fundador) Nicolas van Dyk (autor de todas as letras e músicas), o vocalista Ray Alder, o baterista Chris Quirarte, o baixista Sean Andrews e o guitarrista Bernie Versailles. Destaque para a faixa “Blind My Eyes”.

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SABBAT History of a Time to Come – Dynamo

Há muitos anos ouvi esse CD (na verdade em vinil) pela primeira vez. Esse trabalho gravado em  1987 nunca me despertou muito a atenção. Achei curiosas as letras extensas e criativas. Isso de certa forma não me fez esquecer esse grupo inglês. Mas sempre considerei “History of a Time to Come” de alguma forma “menor”, apesar de ter os mesmos timbres de guitarra e bateria de vários grupos ingleses da época como o “On Slaught” e o “Sacrilege”, apesar da gravação ter sido realizada em Hannover no estúdio de Frank Bornemann do Eloy. Esse era o famoso som thrash death inglês em seu nascedouro. O tempo mostrou que de alguma forma não estava enganado pois o Sabbat adotou outros ares e se tornou uma banda de verdade com um estilo próprio e grandes canções. O encarte inclui a bonita história desse grupo de Nottingham contada pelo vocalista Martin Walkyier. Essa versão remasterizada em 2006 possui 5 faixas ao vivo gravadas em março de 1990, que considero melhores do que as de estúdio. Todas as cinco.

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SOUL RIVER – The Dark Path of the Fallen Souls – Die Hard

Embalado em bonito digipack, o quinteto de Campinas formado pelo vocalista Andherson Némer, pelos guitarristas Andréas Igorrr (com 3 Rs) e Franz Souza, pelo baixista André Rudge e pelo baterista Lucas Disselli emula o caminho do notável Candlemass com indiscutível qualidade. A produção a cargo do próprio Igorrr é de encher os olhos e ouvidos, grande som de guitarra e vocais poderosos, bem colocados e afinados. A literalmente monstruosa pegada do thrash/doom de boa cepa (e pesadão) da banda cativa o ouvinte desde o primeiro acorde.

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SOULSPELL – A Legacy of Honor – Hellion Records

Uma intro quase new age chamada “The Gathering” prepara o terreno para que guitarras grandiloquentes conclamem à ação um poderoso agudo em “Age Of Silence”. A Soulspell Metal Opera é o projeto do baterista paulista Heleno Vale. As 13 faixas desse álbum, que funde metal melódico (mais) e hard rock (menos) conta com várias participações entre elas as de Renato Tribuzy, Iuri Sanson (Hibria), Leandro Caçoilo (Eterna), Tito Falaschi (ex-Symbols, que também produziu o CD), Christian Passos (Wizards), Nando Fernandes (Hangar), Bruno Maia (Tuatha de Danann) e Mário Linhares (ex.Dark Avenger). As faixas “Alexandria” e “A Little Too Far” são algumas das melhores do CD.

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STATIK MAJIK – Shadows of Hope – Independente

O CD promocional com duas músicas, distribuído para a imprensa antes do lançamento oficial mostra que o Statik prossegue – e bem - na linha do metal a lá Sabbath. O vocalista Rafael Tavares deixou a banda durante a gravação, o que não esmoreceu o ânimo do trio Marlon Guedes (guitarra), Luis Carlos (bateria) e Thiago Dominogorgoth (baixo) que prossegue firme e forte. A guitarra solo da pesada “Shadows of Hope” conta com a participação desse que vos escreve – orgulhosamente. A outra composição, a mais cadenciada “Statik Majik” exibe musicalidade e backings climáticos muito interessantes. Agora só resta esperar pelo lançamento oficial para aplaudi-los de pé.

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STATUS QUO - Dog of two Head - Dynamo

Em meio a uma crise envolvendo empresários confusos, o Quo talhou esse disco em 71. O encarte diz inclusive que na gravação do vocal, o ar condicionado estava quebrado... A gravadora Pye não ajudou muito à época, pois foi incapaz de ver que a banda precisava compor álbuns completos e não compactos. Mesmo assim, persuadidos por Peter Eden, produtor e co-empresário da gravadora Pye, eles assinaram por mais cinco anos. O blues “Umleitung” – diversão em alemão – composta em 1970 é a cara desse trabalho, um simpático disco de passagem. “Someones” fala da situação da Irlanda no período, e apenas “Mean Girl” foi lançada como compacto. A versão gravada nos estúdios da BBC é a penúltima aparição da banda nesta rádio/canal de TV em fevereiro de 72. Considero esse um disco “menor” na excelente discografia setentista do Status Quo, a maior banda inglesa de boogie. Era com adoração que via suas fotos ao vivo estampadas nas revistas da época, apesar do som não ser muito pesado. “Rock and Roll Boogie”, sim é pau-puro. A formação contava com Mike Rossi (vocal e guitarra), Ritchie Parfitt (segunda guitarra), Alan Lancaster (baixo) e John Coughlan na bateria.

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STRATOVARIUS - The Chosen Ones - Dynamo

Essa é uma boa coletânea oficial lançada no exterior pela Noise Records após a banda finlandesa ter assinado com outra gravadora. A curiosa capa no estilo quadrinhos com todos os músicos com caras de “alce” (meio na cola de algumas estranhices feitas na fase mais “rock” do Helloween, de quem obviamente copiaram o conceito) fala por si. Parece que dizem: somos seres em extinção. No encarte, o guitarrista Timo Tolkki assume que não foi um dos melhores caras para se trabalhar em conjunto, ao mesmo tempo que diz que ouvia todas as críticas à sua banda mas “cagava” para elas. Esse é o Timo e esse é o Stratovarius, que após muito marketing e briga separou-se recentemente. Mas o CD fica, assim como a música do grupo, imortal para seus inúmeros fãs.

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TANKARD – Stone Cold Sober – Dynamo

Essa banda alemã tornou-se habituê de nossas páginas (um novo CD resenhado nas 3 últimas edições). Esse trabalho de 1992 foi produzido por Harris Johns em Berlin e remasterizado em 2004. O que mais me chamou a atenção foi o inesperado cover para Centerfold da J. Geils Band. A composição original é tão festiva que se adequou como uma luva na versão alcoolizada do Tankard, apesar de um pouco acelerada. As faixas ao vivo são de 1990. Andréas “Gerre” Geremia nos vocais manda bem como de praxe, sob os auspícios das guitarras de Axel Katzmann e Aldy Bulgaropulos.

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TOATOA - Na Mão do Palhaço - Independente

O Toatoa é conhecido por uma bem sucedida carreira no underground carioca. A banda mescla guitarras pesadas, refrões fortes com um acento pop e backings vocais firmes. O CD gravado ao vivo - dentro do estúdio - exibe a variedade dos estilos que o grupo pratica com coesão, do metal ao ska e o pop. A arte da capa, produzida pelo vocalista Jonny mostra um palhação do mal jogando os dados e um circo pegando fogo ao fundo. A letra de “Na Mão do Palhaço” – assim como a capa - ratifica a opinião geral de que nada parece mudar nesse país. Mas bandas como o Toatoa querem fazer a diferença. O CD soa espontâneo, e isso conta a favor, assim como as letras com temas variados. O vocal principal e a bateria poderiam ter sido mixados mais alto para destacar a mensagem e o ritmo, alicerces de toda estrutura. Mas esse detalhe não desqualifica o bom trabalho, mas sim abre novas percepções, leituras e outras possibilidades de interpretação. Destaco as faixas “Deixa Pra Quem Sabe” e “Folgado” onde a mescla peso e pop se afinam melhor.

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TORTURE SQUAD – Hellbound - Hellion Records

O maior destaque desse trabalho excepcionalmente bem timbrado é a cozinha do Torture Squad, composta por Augusto Lopes na guitarra, Castor no baixo e Amílcar Christofaro na bateria (cujo estilo me lembra muito o do Sérgio do Taurus). O feroz vocalista Vitor dá o toque final. O thrash porradão come solto durante todo o CD em faixas como “The Beast Within” entre outras mais lentas e pesadas como a boa “Hellbound”, um dos destaques. A instrumental “The Four Winds” é um bonito tema que dá uma apaziguada no ouvido até a derradeira “Chaos Corporation”, com um interessante riff que utiliza a corda solta.

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U-GANGA – Na Trilha do Homem de Bem – Incêndio Discos

Esse sexteto, que conta com um ex-membro da banda metaleira Sarcófago, o vocalista Manu, também ex-baterista, chega na área com boa produção e título que (re)afirma a necessidade do bem. O som é basicamente influenciado pelo hardcore rapeado do antigo Biohazard, gênero esse que hoje se distribui em dezenas de bandas novas, entre elas o próprio U-Ganga. A bonita e melancólica arte da capa e encarte trás inerentes elementos do grafismo de CDs de metal. Mas quem disse que a banda quer se livrar dessa estética? Muito pelo contrário. O peso é uma constante entre partes melódicas, raps e scratches bem sacados. Gravado em Taguatinga (DF) em 2005 e finalizado agora em forma de CD interativo com clipe (Procurando O Mar) e fotos o resultado é profissional e vale toda a atenção.

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VISION DIVINE - The 25th Hour – Hellion Records

Produzido e mixado pelo (ex) guitarrista do Stratovarius Timo Tolkki em 2007, o disco certamente agradará aos fissurados por músicos técnicos e vocais afiados. Além é claro, de comemorar os dez anos do grupo fundado pelo ex-guitarista do Labyrinth, Olaf Thörsen. Juntamente com ele nessa empreitada estão o vocalista Michele Luppi; Federico Puleri na guitarra; o baixista Cristiano Bertocchi; o tecladista Alessio Lucatti e o baterista Alessandro Bissa. A história do CD conta os 40 anos de um personagem trancafiado em um sanatório, que só recebe a visita do seu anjo guardião que um dia, também o deixa. O prisioneiro compreende que vivemos todos em ciclos infinitos de 24 horas. Para quebrar esse fardo, ele tenta alcançar a vigésima quinta hora. O Vision Divine mostra que a Itália mantêm o seu lugar firme no topo das bandas de metal melódico.

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VULTURE - Through The Eyes Of Vulture – Die Hard

Gravado e mixado em Salto, São Paulo, o quarteto thrash/death Vulture dá início à pancadaria logo na primeira faixa “Where The Vulture Sleeps” com a batida certeira do baterista André Xavier. A produção é muito boa com destaque para as guitarras e os bumbos poderosos. Não é um disco sujo, feito nas coxas. É um trabalho bem timbrado, que não perde em nada no quesito agressividade. Das 12 composições uma delas, exatamente a última, é cantada em português: “Abençoado Seja o Homem Ateu”.

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WHITESNAKE – Good To Be Bad – Hellion Records

Esse é um disco que tem sido muito elogiado pelos fãs do hard rock setentista. Não sem motivo. A atual Cobra Branca com David Coverdale, Doug Aldrich (guitarra), Reb Beach (guitarra), Timothy Drury (teclado) Uriah Duffy (baixo) e Chris Frazier (bateria) recupera a tradição dos primeiros álbuns. Quando David deixou o Deep Purple, estava convicto que poderia prosseguir com o apoio do mesmo público purpúreo, com a adição de pessoas que não gostavam tanto do hard rock pesado do Purple. Ele estava certo pois essa é uma banda vencedora. O novo “Good To Be Bad” inicia bem com o tema saudosista “Best Years”. Depois o hardão toma conta com pérolas como “Can You Hear The Wind Blow”; “Call on Me”; a suingada faixa título (idêntica à antiga “Fool For your Love”); “All For Love” e a purpúrea “Got What You Need”. A última “Til The End of Time” é a cara cuspida e escarrada de “Soldier of Fortune” do Stormbringer. Qualé seu David? Pega leve aí.

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