
Nos fazem de palhaços
Há algumas semanas escrevi sobre o bate-boca no STF, o que me fez refletir (mais um pouco) sobre as classes dirigentes. Logo depois da escaramuça no Supremo tivemos a declaração estonteante do deputado federal Sérgio Moraes (PTB – RS) que dispensou o cargo de relator do caso do deputado Edmar Moreira (Sem partido – MG), acusado de uso irregular de verba indenizatória. Moraes perdeu a função após dizer que o colega era “boi de piranha” e que ele mesmo estava “se lixando para a opinião pública”. Vê-se que não dar a mínima para a opinião pública nunca foi exclusividade dos ditadores, muito pelo contrário. Nós, do outro lado do muro, ficamos tão anestesiados, tão cansados de tanta displicência e desrespeito conosco, que o primeiro ímpeto é desligar a TV, não ler notícias e não fazer mais nada. Mas as notícias entram em nossas vidas por osmose ou pelas manchetes de jornais espalhados pelas bancas. Então o que nos resta é separar o joio do trigo e gastar nossa energia com algo útil e digno, seja para a mente e para a alma.
O assunto da justiça brasileira nunca se esgota e os exemplos que escolhi mostram o ridículo da situação a começar pelo mais absurdo detodosm, que vi na TV e cuja matéria incluí com o texto.

Celestino, a cara do Brasil que é punido exemplarmente pela Justiça Cega
O sapateiro aposentado Celestino Eugênio da Silva de 78 anos passou seis dias preso por um crime que aconteceu há 42 anos. Ele era acusado de homicídio, mas nunca teve a prisão decretada nem foi a julgamento. O mandado de prisão de 1999 levou uma década para ser cumprido entre atrasos e trâmites burocráticos, acreditem se quiser e o tal crime foi praticado há 42 anos, em 1967. Celestino foi solto ontem, após um alvará de soltura, que determinou a extinção do processo porque o prazo para o julgamento do crime foi prescrito.
E só houve esse caso no Brasil, o país da Justiça e dos justos? Fazendo uma pequena pesquisa encontrei vários, mas destaco esses dois:
Um portador de deficiência intelectual ficou preso injustamente por seis anos em Extrema, Minas Gerais. O homem foi parar por engano na cadeia em março de 2003, acusado de morte de um homem a pauladas. Natural de Pernambuco, ele foi confundido com o verdadeiro autor do crime, que também era pernambucano, e morreu em 2005. Os dois tinham nomes parecidos. Quando foi preso, o homem não estava com documentos. Como havia um mandato de prisão contra o criminoso, que tinha o nome semelhante, a polícia e a Justiça acharam que tinham prendido o homem certo. Há alguns meses, depois que ele fez tratamento de saúde, um policial desconfiou do engano e comunicou a Defensoria Pública.
Em 2008, Júlio Eglesias Soares recuperou a liberdade em Mato Grosso após permanecer um ano e seis meses preso por um crime que não cometeu. Soares foi preso e condenado no lugar do irmão, que assaltara uma agência bancária no interior do Estado em 2003 e dera o nome do próprio irmão para a polícia. A Defensoria Pública pediu revisão do processo assim que soube do caso.
Por essas e outras meus amigos e amigas, abram o olho porque não basta pagar as contas, impostos e cumprir suas obrigações. Saiba que a sua palavra parece que nada vale em um país com gente que se lixa para a opinião pública e que é regido por uma justiça modorrenta e várias vezes injusta. Somos todos personagens de um livro do Kafka.
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