Destemperado
Na hora da queda só lembraram do Dunga, mas me diga com quem tu andas e te direis quem és. O Dunga na história da Branca de Neve não andava sozinho…
O Dunga não é o único culpado e nem os jogadores.
Vocês leram algo sobre o auxiliar-técnico Jorginho ter influenciado o Dunga sobre essa história de só convocar bom moço para a Copa? Alguém aí lembra que o mesmo indivíduo citado quis tirar o símbolo do América só porque era a representação de um diabo, o Brasinha?
Não tenho mais o que acrescentar após dezenas de ótimos textos rolando na imprensa oficial e oficiosa sobre a derrocada do Brasil. Só faço aqui uma observação sobre quando a questão religiosa (pessoal) interfere no trabalho coletivo.
Brasinha Pegando Fogo!
Tenho minha religião ou minha filosofia de vida mas não vou explicá-la ou te empurrá-la goela abaixo se você não me permitir. Infelizmente, muitos evangélicos não pedem permissão, eles estão imbuídos de uma convicção cega, que muitas vezes é agressiva. Respeito é bom e eu gosto. Não me interessa esmiuçar o assunto, apontar o dedo para uma igreja ou outras, não estou aqui para isso, fiz a minha parte ao citar no último Martelo (19) tanto o espírita Chico Xavier, o criador da Conscienciologia Waldo Vieira e o pastor Caio Fábio. Tem para todos.
Soldados, À Batalha!
Um menino veio fazer um conserto aqui em casa e após conversarmos sobre alguns assuntos em geral, antes de ir embora, ele me falou que o caos vai tomar conta do Brasil se a lei que proíbe a discriminação contra os homossexuais passar. De onde veio esse assunto? Ele deve ter achado que eu era liberal demais ou homossexual demais. Meu amigo, nem um nem outro, mas também não vou na conversa alheia sem estudar o assunto. Discriminação é feio mesmo e a Sociedade como um todo tem que se preparar para conviver com as diferenças, o que a Sociedade do Dunga não quis fazer. Discriminação é uma coisa, Imposição é outra. As pessoas só respeitam o próximo, as diferenças se forem educadas para isso, mas quando usam, em vão, o nome de Deus para atacar o próximo, o fazem com convicção. Mas esse não é o único problema da sociedade, é o próprio ser humano. Conheço péssimas histórias sobre gente muito boa, expoentes em nossa sociedade, que nem são evangélicos. Apenas são gente como todos nós. O pastor incentiva o Segregacionismo, a televisão incentiva o Ego, os amantes só buscam parceiros estéticamente perfeitos, a mídia vende prostituição como se fosse Amor, o Dunga assina com uma cervejaria… A culpa não é só de um grupo, mas é geral, quando você não entende que há que se respeitar as diferenças. Isso não tem nada a ver com moral, com caráter. O diferente é diferente, não é um defeito genético, é uma escolha.
Um golpe de Estado é desferido em um governante que não tem mais condições morais para governar. O golpe é errado, as vezes é necessário. Basta você pegar o livro e estudar, não vou citar exemplos sem poder esmiuçá-los, seria leviano.
Por que ninguém tirou o Dunga da seleção em 4 anos? Os milicos tiraram o Saldanha estrategicamente, antes do embarque e o Brasil ganhou. Não importa o Saldanha, importa a Vitória.
O que o Dunga, Jorginho e os outros discúpulos fizeram? Se fecharam em uma seita secreta como os nazistas e chegaram ao poder, não com um incêndio no parlamento, mas com o apoio da CBF… Estranho, não é? Se você chegar todo dia em casa e achar que a sua filha está chorando muito, quem você vai culpar? A empregada, é claro. Mas se a sua filha for bem no colégio, você NÃO elogiará a empregada, não é? Aí será só mérito da sua filha. É a política do resultado. Os exemplos escondem coisas ocultas e são apenas o que são: aparências ou a ponta do iceberg.
Ao mesmo tempo, semprei achei o Bruno goleiro um bobão, mas ele defendia bem e o Flamengo foi deixando passar. O Adriano é mais simpático, mas mentiu mesmo, não respeitou muita gente e foram deixando passar. Foi o Campeão Brasileiro da Falta de Moral.
Tem uma moda de adolescente na internet que é estuprar, você sabia? Mas na sua casa pode ter outra dessas modas: trair.
Existe essa tendência em todos nós de contar com resultados e de não querer esquentar a cabeça. Quando o Dunga convocou os seus soldados, com sólida base moral, experiência e obediência ele tentou se precaver de problemas, do caos, mas como o próprio Jung cansou de alertar, o caos faz parte da vida.
Enfim, todo chefe tem o direito de ordenar a bagunça à sua maneira e Dunga teve a chance dele.
Com ou sem Escobar, que venha o próximo.
Uma observação final: Já pensaram o que vai ser se o Uruguai ganhar a Copa de 2014 no Maracanã?
Este texto, meio que começou a nascer em um final de semana, no qual faleceram dois brasileiros supimpas: o sambista Walter Alfaiate e o bibliófilo José Mindlin. Senti que o país ficou mais pobre e isso cutucou meus brios.
Digo “começou a nascer” porque de fato o texto atual foi inseminado no ano passado, mas até hoje era impossível transcrevê-lo para o mundo real das palavras escritas. Há bastante tempo não escrevo, fruto de um desinteresse crônico em compartilhar idéias escritas. Tenho preferido ler (livros) e assistir filmes e documentários, estudar cada vez mais, uma das minhas paixões. Inclusive, tem sido mais fácil escrever canções e gravá-las, apesar que todo o processo envolvido, muitas vezes, te faz perder o amor pela música. Mas isso é assunto para outro texto, este agora está reservado para uns pensamentos sobre o meu Brasil.
Repito e digo “o meu Brasil”, pois nem tudo pode ser repartido, pois somos pessoas com sentimentos diferentes e isso faz toda a diferença na hora de emitir um julgamento. E achismos não surgem apenas do povo iletrado, mas de profissionais esclarecidos, que acham que podem cuspir suas análises fundamentadas em racismo crônico. Se dependesse de muitos que cá nasceram, esse país seria uma colônia não mais da União Soviética do pós-guerra, como poderia ter sido antigamente, mas do mundanismo internacional. Já escrevi anteriormente que me causa repugnância quando alguém fala que “esse país é um lixo”, “só pode ser Brasil mesmo”, “país de preto” e coisas assim. Em primeira instância, essa elite que existe desde os tempos da colônia de Portugal ficou e ainda está muito fula porque, apesar dos escândalos, o PT ainda é o partido que manda no quintal e o seu porta-voz é o presidente mais popular do mundo, mesmo falando errado, coisa que horroriza a classe alta, que associa postura (o externo, o socialmente aceito) com bom comportamento. E essa associação quer nos continuar impondo presidente homem e branco. Um nordestino que fala errado não poderia, em “um país sério” sonhar em ser presidente, é o que pensam.
Se o Brasil ganhou o direito de sediar, principalmente a Olimpíada é porque Lula fez e aconteceu, colocou o Brasil no mapa. Ele soube usar a mídia a seu favor, o que no final das contas, conta a nosso favor. O sociólogo rancoroso, esse mesmo, que só sabe reclamar, não conseguiu. Por causa disso, dessa dor de cotovelo crônica, e apesar do seu francês fluente, o que ele pretende? Se hoje, americano (que ainda manda no mundo) sabe quem somos, que os brasileiros existem,é mais por causa da popularidade de Lula do que por causa dos nossos talentos. Isso se faz notar em produções cinematográficas como 2012, que despencou o nosso Cristo e com o atual seriado V (para fãs de Lost), que coloca uma nave-mãe gigante no ar falando português à frente do mesmo e popular Cristo Redentor (anexo imagem). Vejam bem: Nova Iorque, Los Angeles, Paris e… Rio.
Já escrevi também, que amo a ideia do Tropicalismo de Caetano e Gil e os filmes do cinema novo, que fundem o estrangeirismo com o olhar e o sentir local. O Brasil não deve se fechar, pois esse tipo de coisa gerou duas guerras mundiais, e coisas como o Iraque, o Irã e a Coreia do Norte. Há a necessidade de ensinar aos jovens, aos estudantes, e inclusive aos mais velhos, o orgulho de ser quem somos e ser como somos. Quando alguém comenta que o canto orfeônico do Villa Lobos, só foi possível em um contexto ditatorial, eu me pergunto, então por que não podemos resgatá-lo , se somos livres, e donos dos nossos narizes? Por que não voltar a ensinar música nas escolas? Para disponibilizarmos computadores em todos os colégios, é necessário educar o aluno para que ele não use a máquina (ainda mais) a serviço da futilidade.
Essa necessidade mórbida de olhar sempre para fora, se preocupar com o “primeiro” mundo e pisar no que temos de melhor, o “nosso”, aí sim, mesticismo é fruto de ignorância, medo e covardia de deixar a pele escurecer e os cabelos encaracolarem. E o esquecimento, promovido pela mídia, faz parte dessa conspiração que pode ser alcunhada de educação regressiva, como um espelho embaçado que não reflete os nossos rostos e nem as nossas infinitas possibilidades. Muitas vezes, penso no que deve existir de baixa estima, quando o sujeito NÃO se vê na TV porque só há gente loura de olhos claros, biótipo alienígena e nazista. Isso só pode fazer o sujeito se sentir um lixo, e certamente o faz. Se você não abrir o olho, o negócio pode ficar feio mesmo, criando um ambiente para dominação cultural e inserção de valores que não são úteis para o nosso, aí sim, desenvolvimento e para a nossa liberdade, ainda que tardia. A mais perigosa das armas é a mídia, que inculta nas pessoas, o sentimento mesquinho de assimilar valores opressivos que deseducam.
Aconselho aos meus amigos leitores o excelente canal Futura, com um primor de programação; a TV Brasil, que está cada vez melhor; programas como Por Toda Minha Vida da Rede Globo e o fantástico documentário “O Homem que Engarrafava Nuvens” de Lírio Ferreira, diretor de Baile Perfumado e Cartola – Música para os Olhos sobre o compositor Humberto Teixeira (1915-1979), o “doutor do baião”, parceiro de Luiz Gonzaga.
Amigos e leitores, olhem e sintam o Brasil com outros olhos, com orgulho de quem sabe quem são. Se vocês não gostam do Brasil é porque não gostam de vocês, pois nós somos o Brasil. E ninguém mais pode ser.
2016
66 votos contra 32.
A vitória do Brasil como futura sede das Olimpíadas em 2016 representa a superação dos nossos defeitos através do esporte e da política; simboliza um momento histórico: o caminho inevitável para o desenvolvimento. Digo isso, porque o Rio pode ser o cartão postal e a sede, mas acima disso, a cidade sintetiza o melhor e o pior deste país, a vitória é de todos nós, é uma conquista do Brasil.
Cartada Final
Temos menos de 7 anos para superar todos os nossos limites.
Basta o leitor analisar a sequência dos fatos para comprovar que, apesar dos críticos, o país caminha sempre em frente: Collor, FHC, Lula, BRIC, G20, Pré-Sal, Copa do Mundo e Olimpíadas.
O Cara
No dia 2 de abril em Londres, Obama chamou Lula de “o cara” na reunião do G20 e em 2 de outubro ganhamos dos Estados Unidos, sem tapetão e na moral. Os republicanos norte-americanos devem ter soltado fogos.
“Sim, nós podemos.”
A conseqüência desse inexorável caminhar, pode ter nascido na frase de Collor que se referia aos carros nacionais como “carroças”, passando pelo FHC e uma nova política econômica, mas foi no momento Lula que essa mudança de paradigma assumiu sua grande forma com um presidente carismático e de liderança indubitável na América do Sul. O complexo de vira-latas acaba aqui, não temos que ser norte- americanos, não temos que ser como os europeus, só temos que crescer com trabalho e respeito pelos exemplos vitoriosos e escaldados pelos fracassos.
Vitória do Coração
A nossa vitória nas Olimpíadas é a possibilidade de erguer a tocha de um país único, mulato sim, místico sim, cheio de problemas mas muito criativo e trabalhador.
E a eleição vitoriosa no COI não foi consequência da exploração de nossas mazelas, mas de nossas conquistas. O campeão Brasil ganhou quando incluímos na sociedade as comunidades carentes, quando somamos o rico ao pobre, do descendente de imigrantes ao ex- escravizado, quando buscamos soluções próprias. O Brasil soma, sintetiza, regurgita o Bispo Sardinha sem espinhas.
Daniel Dias
O fator emocional contou muito a nosso favor. A presença dos mui conhecidos Paulo Coelho e Pelé, principalmente o segundo – o rei do futebol, antes um garoto pobre -, mostrou que o caminho do Brasil é a soma dos extremos, da aliança do morro com o asfalto, da inserção social. A dupla vitoriosa foi o nadador paraolímpico Daniel Dias, um garoto de 16 anos que superou suas limitações, e a atleta Bárbara Leôncio, uma menina que corria descalça e vencia todos os garotos até sagrar-se campeã mundial juvenil nos 200 metros rasos.
Bárbada Leôncio
65 milhões de jovens brasileiros farão parte dessa inclusão social através do esporte.
Todos que assistiram o povo nas ruas em cada um dos países concorrentes e que viu os 30 mil que estavam na praia de Copacabana, anteciparam a nossa vitória, a vitória da vontade. Olhe para os japoneses sem garra e os americanos preocupados com o aumento dos impostos e por fim a derrota dos hermanos espanhóis, que prepotentemente não queriam nos dar a chance de sermos o primeiro país na Sul América a sediar uma Olimpíada.
“Uma imagem vale mil palavras.”
Sexta, o dia do resultado, foi ponto facultativo para os funcionários da Prefeitura e dia livre para os estudantes, como não? Qualquer crítico que se levantar contra essa tática é apenas um ingênuo, porque a cidade não parou por causa disso, ela prosseguiu produzindo e mesmo assim havia uma massa emocionada na praia para representar o Brasil nas televisões e internets de todo o mundo.
Em entrevista, imediatamente após a vitória arrasadora e até certo ponto surpreendente, Lula, um presidente emocionado, e um tremendo pé-quente, declarou:
“As pessoas falam: não pode fazer uma olimpíada porque tem criança pobre, porque tem favela, porque precisa investir na educação. É preciso a gente fazer tudo isso (…) e provar que a alma generosa do brasileiro vai fazer a mais extraordinária olimpíada que o Brasil já viu, que o mundo já viu.”
Este texto não se refere e nem pretende analisar os futuros desafios que teremos para desenvolver e preparar o Rio de Janeiro em 7 anos, esse é um momento de festa, mas como disse o presidente o trabalho começou “ontem”. A sociedade tanto civil como política, já está devidamente estruturada para controlar os excessos e implementar os desafios. Os pontos que cito devem ser analisados, com atenção. Provavelmente, falaremos sobre isso, e muito.
A Dinamarca é pé quente.
Pré-Sal
1) Por que a ministra Dilma Rousseff da Casa Civil simplesmente não deu uma coletiva sobre o “caso” (já imaginaram?) com a ex-secretária da receita, Lina Vieira, assumindo que houve o encontro entre as duas, mas que a acusadora não entendeu nada do que havia sido dito na conversa?
2) O Senador Eduardo Suplicy está com algum problema de saúde?
Cartão Vermelho
3) Por que a imprensa alega que os funcionários da Receita estão “deixando” seus cargos, quando todo mundo sabe que cargo de confiança tem que ser entregue se a sua chefe é substituída?
4) Por que se discute a divisão dos royalties do pré-sal se até o momento outros países não se arriscaram na exploração comercial de plataformas tão profundas, e se há total desconhecimento sobre o potencial real da camada pré-sal?
5) É democrático deixar ao próprio destino, 50 milhões de cidadãos norte-americanos, que não conseguem pagar um plano de saúde?
6) Por que a Colômbia é o terceiro país que recebe ajuda militar dos Estados Unidos logo após Israel e Egito?
7) Por que Jaycee Lee Dugard, hoje com 29 anos, raptada, estuprada e mãe de dois filhos do algoz Phillip Garrido nunca fugiu de um barraco sem segurança em 18 anos de confinamento?
8) Por que fazem vista grossa para a China?
9) Se a Globo é tão perversa, o que são as outras emissoras de TV?
O Brasil de ontem, o Brasil de hoje
10) Alguém assistiu a entrevista com o Cabo Anselmo no programa Canal Livre da Bandeirantes no dia 30 de agosto de 2009?
Irene ri, Irene ri, Irene ri. Quero ver Irene dar sua risada.
Não há como, ainda mais em um blog, ser 100 % jornalista atado às normas cultas da análise e da escrita. Blog é velocidade, é tosse que não se esconde, é ser técnico de futebol sem ter jogado bola… Mas há algo em todos nós, em diferentes graus, que nos motiva: a busca pela justiça. Todo mundo ficou indignado com essa história da “farra das passagens aéreas” bancadas por dinheiro de impostos, dinheiro público para amigos e parentes de deputados (mais de metade foi para o exterior por conta da Câmara entre 2007 e 2008). O orçamento do Congresso brasileiro é o segundo maior orçamento do mundo, logo depois do norte-americano.
Desde ontem, os gastos da Câmara estão disponíveis na internet. E agora seja o que Deus quiser. Você acredita em contos de fada? Mas é melhor lê-los ou não?
Passagens dadas a artistas que ganham muito bem e que não precisavam ter feito isso, ter dito sim, ter viajado para curtir a vida, para participar de carnavalzinho bancados pelo bolso de todos nós. O desconhecimento das leis, da verdade, nos faz menores e controláveis, mas graças a Zeus existe a imprensa livre, a que nos serve de olhos, ouvidos e consciência.
Ler é ter poder, o poder do discernimento. O poder da escolha. Prefiro brigar pela Verdade, ser ferido pelos espinhos da verdade, do que me calar. Escrevo e debato vários temas, porque acredito que existam pessoas interessadas em ler, em abrir as mentes e não em viver apenas discutindo obviedades.
É preto no branco ou branco no preto?
Ter visto na TV a discussão acalorada entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa que ocorreu ontem na TV, me fez pensar sobre essas mesmas verdades e pensar muito sobre meu país, sobre a formação do nosso povo.Viu-se e sabe-se que ambos têm problemas pessoais. Há pontos de atritos entre amigos e colegas de trabalho, até aí nada demais, mas pela harmonia do ambiente pede-se que pelo menos haja tolerância entre as partes. Mas se um bate boca daqueles ocorre ao vivo (e graças a Deus vivemos em um país no qual podemos ver deputados, vereadores, senadores e juízes trabalharem) e em algumas horas o mesmo pode ser debatido pelo público e juristas é motivo de júbilo, é uma benção para todos nós.
Nossa sociedade tem chagas e várias delas ainda não cicatrizadas. E o caminho da libertação se inicia no debate para se chegar à compreensão. No caminho da clareza, no caminho do bem. Não no caminho da força ou da mentira.
À luz da razão ou cego pela emoção?
Abrindo um pouco o leque da análise, para não falar apenas sobre o Brasil, o umbigo do mundo, vejamos o caso do Paraguai e da África do Sul cujos presidentes (ou um candidato vitorioso desde o início, tanto faz) recentemente se envolveram em escândalos sexuais. O presidente paraguaio Fernando Lugo fez um monte de filhos quando ainda era bispo católico, na época que ainda não tinha abandonado a batina e enveredado pela política de fato. A tal política do padre era pregar sua fé e ao mesmo tempo não controlar a sua libido. Repito, o ex-bispo e atual presidente do Paraguai, Fernando Lugo dormiu com moças de todas as classes sociais e idades. Era um padre (em espanhol, essa palavra significa tanto pai como sacerdote ) bom de cama, literalmente. Se um escândalo desses tivesse ocorrido no próprio Paraguai há 20 anos, certamente teria havido um golpe de Estado para depô-lo, ainda mais por causa de alguém que tanto falou sobre moralidade, brigou com o Brasil por causa da injusta hidrelétrica de Itaipu, o mesmo sujeito que abriu mão de mais de um salário mínimo por mês e de uma casa presidencial confortável para governar, para manter sua imagem de padre recatado. Literalmente o slogan “mulher do padre” pode ser muito bem aplicado a esse caso. A letra de uma música satírica paraguaia diz que os “parlamentares vão pensar três vezes, a partir de agora, antes de mandar a mulher para o confessionário.”
Na África do Sul, após quase quatro décadas vivendo sob o domínio de uma minoria branca, a mesma que trancafiou Mandela, é natural que negros, a maioria esmagadora da população cheguem ao poder. Mas se joga sujo na política, ainda mais em uma campanha presidencial, e onde há telhado de vidro, a pedra vem que vem. Soube-se que o candidato Jacob Zuma (ou Msholozi pelo nome do seu clã), o líder do CNA, estuprou uma aidética… Como zulu, ele pode ter (e tem) 4 esposas e não pode nunca rejeitar uma fêmea, podemos colocar as coisas dessa forma. Como zulu, ele tem que mostrar que é “homem-macho”. Além de ter sido acusado de corrupção, Zuma confirmou que foi “atentado” por uma moça e como zulu, sua única opção foi estuprá-la, e a senhora é aidética… Mas isso não o fez perder a popularidade. A canção que Zuma canta em seus comícios se chama singelamente “Traga-me a minha metralhadora”, composição que ficou famosa durante o período de luta contra o apartheid.
Dá-lhe Joaquinzão
A quase briga (física) entre Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa (se tivesse ocorrido na rua e à base de algumas garrafas de cerveja a coisa teria descambado para o tapa) nos coloca em uma discussão moral e uma análise histórica. Vivemos em uma fase da história do nosso país na qual queremos justiça a todo custo, mesmo que seja feita à força. O branco (ou quase isso) Gilmar é considerado o responsável por libertar o banqueiro Daniel Dantas e em Barbosa vemos o ex-negro escravo que ascendeu ao ápice da nossa sociedade, assim como o zulu e o padre em outras Nações. A tendência (a minha inclusive, confesso) é colocar Mendes ao lado dos que gastam nosso dinheiro com passagens aéreas com seus amigos e em Barbosa vemos um herói, que se libertou do jugo da escravidão e que levanta a voz contra seu algoz, mesmo que ambos estejam – aparentemente – na mesma posição social e profissional.
Na sessão de ontem, a discussão começou quando Mendes, durante julgamento sobre a previdência pública no Paraná, indagou o fato de Barbosa ter questionado uma suposta ’sonegação de informações’ sobre o caso. Barbosa atacou Mendes e disse que o presidente ‘destrói a credibilidade do Judiciário brasileiro’ e que só se preocupa em aparecer em jornais, revistas e televisões. ‘Vossa Excelência não tem condição de dar lição a ninguém’, disparou Mendes. ‘E nem Vossa Excelência. Vossa Excelência me respeite. Vossa Excelência não tem condição alguma. Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste país e vem agora dar lição de moral em mim? Vossa Excelência não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite!’, rebateu Barbosa.
O padre paraguaio, o zulu e os juízes brigões são seres humanos, capazes de cometer erros, como todos nós.. Só que em uma situação típica de acomodação (“eu votei para que alguém faça o trabalho por mim e então ele tem que ser cobrado pois recebe por isso) com indignação (“mas ele está ganhando para ser honesto”), como fica o papel do público, do eleitor? Como você se sente? Melhor ou igual aos seus pares?
Graças a Deus vivemos a transparência das ações humanas, falhas. Agradeço por isso, agradeço de coração, por poder escrever sobre isso, ainda mais porque cresci em uma ditadura da qual não podia se discordar.
Aracy de Carvalho "O Anjo de Hamburgo"
Os mais antigos lembram da cantora Aracy de Almeida ou da atriz Aracy Balabanian quando se pronuncia o nome Aracy. Em comum só o fato de serem mulheres talentosas. A Aracy que vamos falar era esposa do escritor Guimarães Rosa, homenageado nesse carnaval 2009 pela Escola Mocidade Independente juntamente com Machado de Assis. Harold Bloom, um dos maiores críticos literários do mundo chamou Machado de “o maior escritor negro de todos os tempos”. Para o autor de “Os 100 autores mais criativos da História da Literatura” (Machado é o único brasileiro dos 100) Guimarães Rosa é “o mago da linguagem”. Só para citar.
Para explicar direitinho onde quero chegar vamos por partes como diria o doutor Frankenstein. Escrevo hoje sobre duas brasileiras que lutaram contra sistemas ditatoriais. Duas brasileiras que fizeram história.
Ficha de Dilma, antes de ter se tornado ministeriável
A mineira (de Belo Horizonte) Dilma Rousseff, a menina que sonhava em ser bailarina e tornou-se guerrilha por sonhar demais e Ministra por sonhar certo, foi convocada para depor em maio de 2008 sobre os detalhes da montagem do dossiê com gastos do ex-presidente FHC. A Ministra respondeu estrategicamente à insinuação feita pelo senador José Agripino dos Democratas de que se ela havia mentido antes (torturada nas mãos da Ditadura) por que não mentiria hoje? Dilma respondeu que foi torturada enquanto esteve presa em Porto Alegre: “Não havia possibilidade de diálogo civilizado. Qualquer comparação só pode partir de quem não dá valor à democracia brasileira. Eu tinha 19 anos, fui para cadeia durante três e fui barbaramente torturada”, declarou acrescentando que não entregaria seus companheiros de luta.
Além do horizonte existe um lugar bonito e tranquilo pra gente se amar
A paranaense Aracy de Carvalho, filha de mãe alemã e pai brasileiro, foi morar com uma tia na Alemanha em 1934 com um filho de 5 anos, após a sua separação matrimonial do alemão Johannes Edward Ludwig Tess. Por dominar várias línguas, foi nomeada para o consulado brasileiro em Hamburgo durante o regime nazista. Aracy “O Anjo de Hamburgo” ajudou inúmeros judeus refugiados providenciando cerca de 100 “vistos” para o Brasil, sem o J de identificação, mesmo desrespeitando a circular secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país do Itamaraty do presidente Getúlio Vargas, então de namoro com Hitler. Em alguns casos, o próprio cônsul adjunto à época, e seu futuro segundo marido, João Guimarães Rosa ia à bordo dos navios, para embarcar os judeus e a auxiliava distribuindo comida racionada para os judeus, de casa em casa. Em Israel, no Museu do Holocausto, há uma placa em homenagem a Aracy. Seu nome consta da relação de 18 diplomatas que ajudaram a salvar judeus, durante a Segunda Guerra. Aracy de Carvalho Guimarães Rosa é a única mulher nesta lista. Durante a vigência do AI 5, auxiliou vários perseguidos pela ditadura (inclusive Geraldo Vandré) e nunca mais casou após perder o grande Rosa. Por fim essa grande brasileira cedeu ao inevitável ciclo do tempo: o Mal de Alhzeimer tomou conta de sua mente e corpo. Aos 90 anos deixou o apartamento no Rio, onde vivia sozinha, para ser amparada pelo filho em São Paulo.
Aracy 100 anos
Dilma, ex-torturada, utilizou a ABIN, sucessora do SNI o serviço de inteligência do regime militar para investigar e barrar mais de 20 nomes que o PMDB e o PT haviam indicado para os cargos estratégicos do setor elétrico. A ministra Dilma Rousseff da Casa Civil leu a roupa suja de cada um e mandou-os catar coquinho, não sem razão, pois comprovadamente estavam envolvidos em casos de corrupção e com alguns processos rolando na Justiça. O objetivo atual da Abin não é espionar os outros, mas sim combater ao terrorismo (atenção), à lavagem de dinheiro e ao crime organizado.
Dilma 11 e Meia
O que quero dizer é que ambas desobedeceram, se insurgiram contra convenções pré-estabelecidas, ambas lutaram por suas convicções em épocas diferentes e de uma forma simbólica se uniram, mesmo que indiretamente, contra o AI5 e a Ditadura dos Costas e Médicis. Se Dilma usou os arapongas de plantão para limpar o terreno, não posso achar isso de todo mal, confesso. Se dependesse de mim, nenhum Presidente, Senador, Congressista, Deputador, Vereador ou Assessor ganharia mais do que 10 mil reais. Cargo público é missão e prova de amor ao país, nada mais. E o caminho que se avizinha para o Brasil é um caminho independente, obviamente desprezado pelos eleitores da centro-direita amedrontada, que ainda preferem trocar Pau Brasil por espelhos.
Para referendar o que escrevi, destilo abaixo a fichinha da Dilma feita pelo Consulado dos Estados Unidos em São Paulo e remetido para o Departamento de Estado do governo norte-americano. Esse texto foi publicado no Zero Hora de 11/5/2008.
SUMMARY. Dilma Rousseff é uma gestora durona e exigente que vai perseguir a qualificação da implementação de políticas administrativas. Ela está menos para o político de holofote como José Dirceu, que pediu demissão semana passada em meio a um crescente escândalo de corrupção. Dilma Vana Rousseff … se tornou ativamente envolvida com a oposição ao regime da Ditadura Militar em 1967, aos 19 anos, enquanto cursava Economia em Minas Gerais. Entrou para vários grupos clandestinos, organizou três assaltos a banco e então foi co-fundadora do grupo de guerrilha chamado Vanguarda Revolucionária Armada de Palmares. Em 1969 ela planejou um assalto lendário conhecido como “Theft of Adhemar’s Safe”, “o roubo do cofre de Adhemar”. A operação arrombou o apartamento carioca da amante do então governador de São Paulo, Adhemar de Barros, recolhendo US$ 2,5 milhões que Ademar guardava no local. Rousseff se separou do primeiro marido, Cláudio Linhares, que em janeiro de 1970 seqüestrou um avião para Cuba e permaneceu lá. Naquele mesmo mês, ela foi capturada pelo Regime e aprisionada por três anos (o oficial se referiu a ela como Joana D’arc dos subversivos), incluindo 22 dias de brutal tortura de eletrochoque. Libertada no final de 1973, Rousseff mudou-se para o Estado do Rio Grande do Sul. Quando seus direitos foram restaurados pela anistia geral de 1979, ela entrou para o PDT, partido do líder de esquerda Leonel Brizola.
Em particular a saúdam por sua disposição em ouvir e responder posições e idéias, mesmo quando está inclinada a uma conclusão diferente. Ela tem a uma reputação de negociadora dura, ser persistente e de prestar muita atenção aos detalhes. Adjetivos usados aqui por aqueles que trabalham com ela incluem exigente é workaholic.
Porta Estandarte
O nosso Presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve ontem no Sambódromo carioca com a Primeira Dama Marisa Letícia, no estilo low profile sulamericano no camarote oficial para fazer as pazes com cariocas e fluminenses. Itamar foi o último mandatário da nação que nos visitou (E dizia-se que o Itamar era um tremendo pegador – basta lembrar do caso da Lílian Ramos exibindo suas partes pudentas aos fotógrafos) na Avenida. E por que Lula Lelé veio dar o ar de sua graça presidencial exatamente neste momento? Porque com uma aprovação inédita na história republicana talvez ele não tenha mais uma nova oportunidade de não ser vaiado como poderia (ou deveria) se tivesse dado o ar de sua graça em um jogo oficial no Maracanã, por exemplo. E carioca não perdoa, mata. Herói vira bandido rapidinho. A Marquês de Sapucaí é o local ideal para marcar presença sem dar muito na pinta. E oportuno. A batucada é tão alta que nem as vaias têm coragem de competir. O tal índice de popularidade que referenda a sua administração, pode deixá-lo simpático aos olhos do povão, mas nada disso confirma que a mesma será repassada para a candidata Botox. Como temos dois anos para pensar se queremos PT, PMDB ou PSDB no Governo esse é o tempo certo para a sua última vaia ou para o aplauso derradeiro. Mas isso ainda vai dar muito o que falar. Mas o texto não se refere apenas a Lula mas à Dona Marisa. Encantada com o poder do Samba, a nossa Primeira Dama desceu para sambar (ou o que quer que seja aquilo) em data tão festiva que contou com o casamento de Neguinho da Beija Flor e o Rei Roberto Carlos. Sua feminina figura presidencial se esbaldou em exatos 8 minutos no meio do povo negro, lindo e suado que em sua maioria lota os trens e ganha seu também suado salário mínimo bem distante da realidade palaciana. Há alguma diferença entre esse país e o Brasil de D. João? O Erário, sempre o Erário é vilipendiado e devidamente posto à disposição dos donos do cofre. A história do Brasil realmente muda?
Há alguns dias recebi um daqueles factóides da internet sobre a esposa do Rei Lelé que dizia “Francisco C. Weffort – Jornal O Globo. A 1ª. dama tratou de garantir o futuro dos 3 netos, sabendo que INSS é para quem está nos andares de baixo e porque será um desastre para as futuras gerações. O gabinete de Segurança Institucional se empenha na coordenação de abafar o endereço de R$ 600.000,00 mil reais que sumiram pelas mãos da Sra. Marisa Letícia da Silva, na utilização de seu poderoso CARTÃO CORPORATIVO. O sigilo sobre o caso é questão de ’segurança nacional’, conforme defesa do Sr. Jorge Armando Felix, Ministro-chefe do GSI, sabedor que a segurança é muito mais um grau de garantia porque é relativa, está sujeita a vulnerabilidades.”
Bem, analisando esses dois mandatos do Rei Lelé, chego à conclusão que o Brasil merece Lula e Lula merece o Brasil. Ele não é apenas um fantoche criado pelo Golbery como muitas teorias conspiratórias querem fazer crer e nem um simples e humilde nordestino que chegou ao Poder por suas qualidades. Que diga a Glória Pires.
Cresci acreditando que Médici havia sido eleito; fiz campanha para Leonel Brizola no início dos 80 e vi meus sonhos morrerem com Sarney, Collor, FHC e Lulalá. Hoje não me interessa mais saber se um poderoso frauda o fisco, se Marisa “botoxzou” ou se leva 600 mil na mão grande. Me agrada mais ver que pelo menos temos algo parecido com uma democracia e que os playboys das coberturas cariocas estão sendo trancafiados com suas drogas, cocaína e ecstasy. O Brasil mudou sim, não tanto quanto desejávamos, mas o suficiente em sua lentidão logística, idem à distensão “lenta, gradual e segura” da Ditacuja. Que o Brasil siga o seu caminho entre as crises mundiais e faça finalmente a sua justiça social e espiritual. Com ou sem Dilma, com ou sem Aécio. E voilá que atrás vem gente!
Porta Bandeira