Este texto, meio que começou a nascer em um final de semana, no qual faleceram dois brasileiros supimpas: o sambista Walter Alfaiate e o bibliófilo José Mindlin. Senti que o país ficou mais pobre e isso cutucou meus brios.
Digo “começou a nascer” porque de fato o texto atual foi inseminado no ano passado, mas até hoje era impossível transcrevê-lo para o mundo real das palavras escritas. Há bastante tempo não escrevo, fruto de um desinteresse crônico em compartilhar idéias escritas. Tenho preferido ler (livros) e assistir filmes e documentários, estudar cada vez mais, uma das minhas paixões. Inclusive, tem sido mais fácil escrever canções e gravá-las, apesar que todo o processo envolvido, muitas vezes, te faz perder o amor pela música. Mas isso é assunto para outro texto, este agora está reservado para uns pensamentos sobre o meu Brasil.
Repito e digo “o meu Brasil”, pois nem tudo pode ser repartido, pois somos pessoas com sentimentos diferentes e isso faz toda a diferença na hora de emitir um julgamento. E achismos não surgem apenas do povo iletrado, mas de profissionais esclarecidos, que acham que podem cuspir suas análises fundamentadas em racismo crônico. Se dependesse de muitos que cá nasceram, esse país seria uma colônia não mais da União Soviética do pós-guerra, como poderia ter sido antigamente, mas do mundanismo internacional. Já escrevi anteriormente que me causa repugnância quando alguém fala que “esse país é um lixo”, “só pode ser Brasil mesmo”, “país de preto” e coisas assim. Em primeira instância, essa elite que existe desde os tempos da colônia de Portugal ficou e ainda está muito fula porque, apesar dos escândalos, o PT ainda é o partido que manda no quintal e o seu porta-voz é o presidente mais popular do mundo, mesmo falando errado, coisa que horroriza a classe alta, que associa postura (o externo, o socialmente aceito) com bom comportamento. E essa associação quer nos continuar impondo presidente homem e branco. Um nordestino que fala errado não poderia, em “um país sério” sonhar em ser presidente, é o que pensam.
Se o Brasil ganhou o direito de sediar, principalmente a Olimpíada é porque Lula fez e aconteceu, colocou o Brasil no mapa. Ele soube usar a mídia a seu favor, o que no final das contas, conta a nosso favor. O sociólogo rancoroso, esse mesmo, que só sabe reclamar, não conseguiu. Por causa disso, dessa dor de cotovelo crônica, e apesar do seu francês fluente, o que ele pretende? Se hoje, americano (que ainda manda no mundo) sabe quem somos, que os brasileiros existem,é mais por causa da popularidade de Lula do que por causa dos nossos talentos. Isso se faz notar em produções cinematográficas como 2012, que despencou o nosso Cristo e com o atual seriado V (para fãs de Lost), que coloca uma nave-mãe gigante no ar falando português à frente do mesmo e popular Cristo Redentor (anexo imagem). Vejam bem: Nova Iorque, Los Angeles, Paris e… Rio.
Já escrevi também, que amo a ideia do Tropicalismo de Caetano e Gil e os filmes do cinema novo, que fundem o estrangeirismo com o olhar e o sentir local. O Brasil não deve se fechar, pois esse tipo de coisa gerou duas guerras mundiais, e coisas como o Iraque, o Irã e a Coreia do Norte. Há a necessidade de ensinar aos jovens, aos estudantes, e inclusive aos mais velhos, o orgulho de ser quem somos e ser como somos. Quando alguém comenta que o canto orfeônico do Villa Lobos, só foi possível em um contexto ditatorial, eu me pergunto, então por que não podemos resgatá-lo , se somos livres, e donos dos nossos narizes? Por que não voltar a ensinar música nas escolas? Para disponibilizarmos computadores em todos os colégios, é necessário educar o aluno para que ele não use a máquina (ainda mais) a serviço da futilidade.
Essa necessidade mórbida de olhar sempre para fora, se preocupar com o “primeiro” mundo e pisar no que temos de melhor, o “nosso”, aí sim, mesticismo é fruto de ignorância, medo e covardia de deixar a pele escurecer e os cabelos encaracolarem. E o esquecimento, promovido pela mídia, faz parte dessa conspiração que pode ser alcunhada de educação regressiva, como um espelho embaçado que não reflete os nossos rostos e nem as nossas infinitas possibilidades. Muitas vezes, penso no que deve existir de baixa estima, quando o sujeito NÃO se vê na TV porque só há gente loura de olhos claros, biótipo alienígena e nazista. Isso só pode fazer o sujeito se sentir um lixo, e certamente o faz. Se você não abrir o olho, o negócio pode ficar feio mesmo, criando um ambiente para dominação cultural e inserção de valores que não são úteis para o nosso, aí sim, desenvolvimento e para a nossa liberdade, ainda que tardia. A mais perigosa das armas é a mídia, que inculta nas pessoas, o sentimento mesquinho de assimilar valores opressivos que deseducam.
Aconselho aos meus amigos leitores o excelente canal Futura, com um primor de programação; a TV Brasil, que está cada vez melhor; programas como Por Toda Minha Vida da Rede Globo e o fantástico documentário “O Homem que Engarrafava Nuvens” de Lírio Ferreira, diretor de Baile Perfumado e Cartola – Música para os Olhos sobre o compositor Humberto Teixeira (1915-1979), o “doutor do baião”, parceiro de Luiz Gonzaga.
Amigos e leitores, olhem e sintam o Brasil com outros olhos, com orgulho de quem sabe quem são. Se vocês não gostam do Brasil é porque não gostam de vocês, pois nós somos o Brasil. E ninguém mais pode ser.
“Na realidade a sucessão de obras é para fazer inteligível o que eu sou. Eu passo a me conhecer através do que faço. Que na realidade não sei o que sou. Porque se é invenção eu não posso saber. Se já soubesse o que seriam essas coisas não seria mais invenção. A existência delas é que possibilita a ‘concreção’ “
(Helio Oiticica)
1968 - Caetano e Parangolé de Hélio
Esse sábado certamente não amanheceu como outro qualquer, não porque há uma chuva ácida em andamento e nem porque criminosos do Morro dos Macacos na zona norte do Rio derrubaram um helicóptero da polícia.
O sábado havia começado bem ao receber a mensagem de uma amiga que está na França: “Resolvi que não vou mais entrar em museu até segunda, senão não faço outra coisa. Obs: museu de país que valoriza cultura é uma felicidade sem fim.”
Meu semblante mudou e logo depois liguei a TV.
Ingênuo que sou, coitado de mim.
Como se não bastasse o desprazer de ver um helicóptero queimado e dois policiais mortos, uma outra notícia incendiária derrubou meu sábado: o acervo de um dos fundadores do neoconcretismo, o artista Hélio Oiticica, falecido em 1980, que se queimou entre sexta e sábado. Se fossem perdidos “meia dúzia de objetos”, a perda já seria irreparável, mas o problema é que simplesmente perdeu-se 90% das obras do artista que não estavam seguradas, um prejuízo calculado em 200 milhôes de dólares. Só se salvaram CDs e arquivos de computador. E lá se foram todos os parangolés. Queimou-se o Tropicalismo, a idéia do Brasil novo, a possibilidade do inédito, do eterno velho Brasil renovado. Fica a lição: as chamas da ignorância destroem, mas não podem vencer. Jamais.
O acervo do artista, guardado no primeiro andar da casa da família no bairro do Jardim Botânico no Rio de Janeiro, se perdeu enquanto seus parentes, que estavam no segundo andar, sentiram um forte cheiro de queimado.
Hélio em forma de Arte
O pior dessa história é que a prefeitura teve um longo entrevero com a família pela posse e preservação das obras. Em 1981, foi criado sob responsabilidade da família, o Projeto Hélio Oiticica. Em 1996, a secretaria municipal de artes do Rio de Janeiro fundou um centro de artes para abrigar todo o acervo, mas brigas entre a família e o governo por causa de (não) pagamentos azedaram o diálogo. Em abril de 2009, os herdeiros de Hélio suspenderam uma exposição, alegando falta de pagamento, que foi regularizado, mas a família não devolveu a maior parte das obras, que estava na reserva técnica do Projeto Hélio Oiticica, que segundo eles, possuía as condições necessárias para a preservação das obras, as mesmas que foram queimadas ontem, seis meses após a contenda.
Jandira Feghali, a secretária de cultura lamentou a perda, mas declarou que a prefeitura lutou pelas obras. César, o irmão de Oiticica que se dedicou a proteger a obra do irmão, declarou emocionado que assume sua falha, apesar da sala na qual ocorreu a tragédia, ter controle de umidade e temperatura.
Para variar, quem perde é o Brasil, quem perde é a arte mundial.
Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade”.
Pé Grande
A frase emblemática esconde um fato bem curioso, mas não conspiratório: o primeiro passo na Lua foi dado com o pé ESQUERDO no histórico domingo, 20 de julho de 1969. 40 anos da primeira pegada do “homem” na Lua em 2009, ou para ser mais exato, 40 anos da presença de um humano (ou dois: os astronautas Neil Armstrong e Edwin ‘Buzz’ Aldrin) em solo lunar.
O que isso representa para a maioria das pessoas, que não acreditam que a alunissagem (palavra em voga à época) ocorreu? Apesar de muitos acreditarem que toda essa história não passa de uma bem montada farsa, teimo em discordar baseado na maior das evidências: a Mãe Rússia. A grande prova de que realmente houve o pouso na Lua vem do silêncio do arquirrival soviético. Era época de guerra fria, na verdade uma quase guerra nuclear com Cuba como bode expiatório. Se fosse uma farsa, vocês não acham que a USSR não colocaria a boca no trombone com provas fotográficas e tudo o mais? E as rochas recolhidas do solo lunar, que foram estudadas por todos os cientistas do mundo? O nome “águia” para o módulo de alunisagem não foi escolhido à toa: era para espezinhar, ainda mais, os comunistas. A águia soberana representava o domínio da tecnologia norte-americana,humilhada há vários anos pelos sucessos (iniciais) dos soviéticos com cachorras Laikas, chimpanzés, Gagarins, Luna 9 e satélites Sputiks.
Ouviram do Ipiranga às margens plácidas!
O comandante Neil Armstrong, um civil, era um engenheiro aeronáutico e piloto de testes que ajudou a desenvolver o avião X-15 da NASA, até hoje o avião que voou mais rápido e mais alto no mundo. Era um veterano da Gemini 8, missão do primeiro acoplamento entre naves, onde teve que fazer um pouso de emergência devido a defeitos com os controles. Segundo Deke Slayton, o chefe dos astronautas, sairia primeiro do Módulo Lunar “Eagle” basicamente porque a porta estava no lado dele. O seguiria imediatamente o piloto do módulo lunar, o coronel da Força Aérea Buzz Aldrin, piloto de testes e engenheiro com um Ph.D. em Astronáutica pelo M.I.T., onde desenvolveu o método matemático que seria usado nos computadores para garantir o acoplamento orbital. Era o astronauta com mais experiência em atividades extra-veiculares: 5 horas durante a missão Gemini 12. O piloto do Módulo de Comando e Serviço Michael Collins, engenheiro aeronáutico e piloto de testes da Força Aérea também era um veterano das Gemini. E a tripulação da missão Apollo 11 já estava escolhida antes de se saber que esta seria a missão da alunissagem. A pulsação de Neil Armstrong atingiu no momento decisivo do pouso 156 batidas por segundo. E olha que o astronauta estava parado em uma gravidade seis vezes menor do que a terrestre. A primeira pegada fotografada (foras as que não foram registradas) vai ficar como prova durante um bom tempo, talvez 100 mil anos (!) devido à falta de atmosfera. O local do pouso, o Mar da Tranquilidade foi escolhido por causa das temperaturas mais amenas, que em outros locais chega a números assombrosos.
De fato, é muita pobreza de espírito não aceitar e comemorar o fato do ser humano ter se superado para empreender tal viagem. E daí se foram os Estados Unidos? Se não fossem eles, seriam os soviéticos, e se não fossem os dois até hoje todo mundo estaria fazendo “Sieg Heil!”. E curiosamente, um ex-nazista participou do sucesso lunar: Wernher von Braun, o engenheiro alemão, criador dos foguetes “V” que arrassaram Londres na Segunda Guerra foi cooptado a participar do projeto espacial americano através da operação Paperclip, que anexou criminosos de guerra à folha de pagamentos do governo americano. Se não fosse o “chucrute” nada de pouso na lua. Mas ambos, tanto o criminoso de guerra como os americanos tinham algo em comum: odiavam comunistas.
Qualé? Vai encarar mermão?
Uma pergunta freqüente é “como poderia o homem pousar na Lua em 1969 com aquela tecnologia de brinquedo”? E é esse fato, que torna a história mais incrível ainda. Um ano antes, em maio de 1968 o mundo estudantil ardia em chamas libertárias, os assassinatos de Robert Kennedy e Martin Luther King assombraram o mundo e o AI-5 no Brasil assombrou o Brasil. Woodstock, Guerra do Vietnã… Simplesmente não era o mesmo mundo de hoje e o pouso em nosso único satélite tornam o fato e o momento ainda mais incríveis. Fazer três homens viajarem em um foguete, em uma quase missão suicida (o discurso que seria lido por Richard Nixon, lamentando a morte dos astronautas já havia sido escrito) tanto devido ao combustível, altamente inflamável, como ao fato dos computadores de bordo serem mais obsoletos do que o seu relógio de pulso, transforma a história em um épico de superação. A Apollo 11, cujo número cabalístico tanto representa para a história americana (as torres do 11 de setembro de 2001) fez história, que não deve, nem em sonho, ser menosprezada.
As provas do pouso em 2009
A NASA divulgou as primeiras imagens dos locais de pouso das missões Apollo, feitas pela sonda LRO, cujo objetivo é mapear a superfície da Lua em busca de outros locais de pouso, para novas missões tripuladas, além da detecção de sinais da existência de gelo. Essa é a primeira vez que os equipamentos deixados na Lua pelos astronautas são fotografados, desde que foram deixados lá, há quase 40 anos. A LRO ainda não atingiu sua órbita definitiva, o que significa que ela será capaz de capturar novas imagens dos mesmos locais com resolução de duas a três vezes superior. A sonda passará diversas vezes pelo mesmos locais.
Olha lá, tá vendo algo?
Agora sim.. :-)
Filmes restaurados da Apollo 11
A NASA também liberou uma restauração do vídeo histórico da Apollo 11, que mostra os primeiros passos do homem na Lua. Várias fitas originais das gravações da chegada do homem à Lua foram regravadas com outros conteúdos mas, depois de um trabalho de “garimpagem” em vários estúdios e canais de TV, a NASA encontrou cópias em boa qualidade que haviam sido transmitidas diretamente para as emissoras e que foram mantidas em arquivo. A restauração tem qualidade bastante superior às vistas até hoje. Segundo a agência espacial, a restauração ainda está em andamento e novas cópias de melhor qualidade serão liberadas à medida que estiverem disponíveis.
Os filmes restaurados podem ser vistos no endereço: www.nasa.gov/multimedia/hd/apollo11.html.
Aracy de Carvalho "O Anjo de Hamburgo"
Os mais antigos lembram da cantora Aracy de Almeida ou da atriz Aracy Balabanian quando se pronuncia o nome Aracy. Em comum só o fato de serem mulheres talentosas. A Aracy que vamos falar era esposa do escritor Guimarães Rosa, homenageado nesse carnaval 2009 pela Escola Mocidade Independente juntamente com Machado de Assis. Harold Bloom, um dos maiores críticos literários do mundo chamou Machado de “o maior escritor negro de todos os tempos”. Para o autor de “Os 100 autores mais criativos da História da Literatura” (Machado é o único brasileiro dos 100) Guimarães Rosa é “o mago da linguagem”. Só para citar.
Para explicar direitinho onde quero chegar vamos por partes como diria o doutor Frankenstein. Escrevo hoje sobre duas brasileiras que lutaram contra sistemas ditatoriais. Duas brasileiras que fizeram história.
Ficha de Dilma, antes de ter se tornado ministeriável
A mineira (de Belo Horizonte) Dilma Rousseff, a menina que sonhava em ser bailarina e tornou-se guerrilha por sonhar demais e Ministra por sonhar certo, foi convocada para depor em maio de 2008 sobre os detalhes da montagem do dossiê com gastos do ex-presidente FHC. A Ministra respondeu estrategicamente à insinuação feita pelo senador José Agripino dos Democratas de que se ela havia mentido antes (torturada nas mãos da Ditadura) por que não mentiria hoje? Dilma respondeu que foi torturada enquanto esteve presa em Porto Alegre: “Não havia possibilidade de diálogo civilizado. Qualquer comparação só pode partir de quem não dá valor à democracia brasileira. Eu tinha 19 anos, fui para cadeia durante três e fui barbaramente torturada”, declarou acrescentando que não entregaria seus companheiros de luta.
Além do horizonte existe um lugar bonito e tranquilo pra gente se amar
A paranaense Aracy de Carvalho, filha de mãe alemã e pai brasileiro, foi morar com uma tia na Alemanha em 1934 com um filho de 5 anos, após a sua separação matrimonial do alemão Johannes Edward Ludwig Tess. Por dominar várias línguas, foi nomeada para o consulado brasileiro em Hamburgo durante o regime nazista. Aracy “O Anjo de Hamburgo” ajudou inúmeros judeus refugiados providenciando cerca de 100 “vistos” para o Brasil, sem o J de identificação, mesmo desrespeitando a circular secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país do Itamaraty do presidente Getúlio Vargas, então de namoro com Hitler. Em alguns casos, o próprio cônsul adjunto à época, e seu futuro segundo marido, João Guimarães Rosa ia à bordo dos navios, para embarcar os judeus e a auxiliava distribuindo comida racionada para os judeus, de casa em casa. Em Israel, no Museu do Holocausto, há uma placa em homenagem a Aracy. Seu nome consta da relação de 18 diplomatas que ajudaram a salvar judeus, durante a Segunda Guerra. Aracy de Carvalho Guimarães Rosa é a única mulher nesta lista. Durante a vigência do AI 5, auxiliou vários perseguidos pela ditadura (inclusive Geraldo Vandré) e nunca mais casou após perder o grande Rosa. Por fim essa grande brasileira cedeu ao inevitável ciclo do tempo: o Mal de Alhzeimer tomou conta de sua mente e corpo. Aos 90 anos deixou o apartamento no Rio, onde vivia sozinha, para ser amparada pelo filho em São Paulo.
Aracy 100 anos
Dilma, ex-torturada, utilizou a ABIN, sucessora do SNI o serviço de inteligência do regime militar para investigar e barrar mais de 20 nomes que o PMDB e o PT haviam indicado para os cargos estratégicos do setor elétrico. A ministra Dilma Rousseff da Casa Civil leu a roupa suja de cada um e mandou-os catar coquinho, não sem razão, pois comprovadamente estavam envolvidos em casos de corrupção e com alguns processos rolando na Justiça. O objetivo atual da Abin não é espionar os outros, mas sim combater ao terrorismo (atenção), à lavagem de dinheiro e ao crime organizado.
Dilma 11 e Meia
O que quero dizer é que ambas desobedeceram, se insurgiram contra convenções pré-estabelecidas, ambas lutaram por suas convicções em épocas diferentes e de uma forma simbólica se uniram, mesmo que indiretamente, contra o AI5 e a Ditadura dos Costas e Médicis. Se Dilma usou os arapongas de plantão para limpar o terreno, não posso achar isso de todo mal, confesso. Se dependesse de mim, nenhum Presidente, Senador, Congressista, Deputador, Vereador ou Assessor ganharia mais do que 10 mil reais. Cargo público é missão e prova de amor ao país, nada mais. E o caminho que se avizinha para o Brasil é um caminho independente, obviamente desprezado pelos eleitores da centro-direita amedrontada, que ainda preferem trocar Pau Brasil por espelhos.
Para referendar o que escrevi, destilo abaixo a fichinha da Dilma feita pelo Consulado dos Estados Unidos em São Paulo e remetido para o Departamento de Estado do governo norte-americano. Esse texto foi publicado no Zero Hora de 11/5/2008.
SUMMARY. Dilma Rousseff é uma gestora durona e exigente que vai perseguir a qualificação da implementação de políticas administrativas. Ela está menos para o político de holofote como José Dirceu, que pediu demissão semana passada em meio a um crescente escândalo de corrupção. Dilma Vana Rousseff … se tornou ativamente envolvida com a oposição ao regime da Ditadura Militar em 1967, aos 19 anos, enquanto cursava Economia em Minas Gerais. Entrou para vários grupos clandestinos, organizou três assaltos a banco e então foi co-fundadora do grupo de guerrilha chamado Vanguarda Revolucionária Armada de Palmares. Em 1969 ela planejou um assalto lendário conhecido como “Theft of Adhemar’s Safe”, “o roubo do cofre de Adhemar”. A operação arrombou o apartamento carioca da amante do então governador de São Paulo, Adhemar de Barros, recolhendo US$ 2,5 milhões que Ademar guardava no local. Rousseff se separou do primeiro marido, Cláudio Linhares, que em janeiro de 1970 seqüestrou um avião para Cuba e permaneceu lá. Naquele mesmo mês, ela foi capturada pelo Regime e aprisionada por três anos (o oficial se referiu a ela como Joana D’arc dos subversivos), incluindo 22 dias de brutal tortura de eletrochoque. Libertada no final de 1973, Rousseff mudou-se para o Estado do Rio Grande do Sul. Quando seus direitos foram restaurados pela anistia geral de 1979, ela entrou para o PDT, partido do líder de esquerda Leonel Brizola.
Em particular a saúdam por sua disposição em ouvir e responder posições e idéias, mesmo quando está inclinada a uma conclusão diferente. Ela tem a uma reputação de negociadora dura, ser persistente e de prestar muita atenção aos detalhes. Adjetivos usados aqui por aqueles que trabalham com ela incluem exigente é workaholic.