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O BRASIL DO SUCESSO TRAIU O GOLEIRO BRUNO
12 jul, 2010 por Carlos Lopes

A cara do Brasil

A cara do Brasil

Este texto é um desabafo.

Muito se fala sobre o caso do goleiro Bruno e o assassinato da jovem Eliza Samudio. Pouco se fala sobre o fato dela ter usado o jogador, que também a usou para logo depois jogar fora como se fosse uma laranja chupada. Eliza era uma garora de programa e por isso merecia ser punida? Era uma Maria Chuteira que deveria ter sido morta? Era uma garota ambiciosa que usou a fraqueza de caráter de um deslumbrado, como ela,  para praticar mais maldades?

Todas as respostas estão corretas, mas há uma questão que não tem sido debatida.

Por quê?

Fácil de compreender.

Como botafoguense, torci pelo Uruguai na Copa e nem tanto pelo Brasil pois eu não me senti representado pelo Robinho, Kaká, Felipe Melo etc. Não sou menos brasileiro por causa disso pois amo música brasileira, amo a nossa mestiçagem, adoro praia, manifestações folclóricas e não conheço nada da vida uruguaia além da guerra do Paraguai e afins. Foi uma escolha do coração pois me senti mais botafoguense (Loco Abreu) do que “brasileiro”. Sempre tive problemas com o Bruno, goleiro do Flamengo enquanto jogador (nos tirou de 2 finais no último jogo agarrando penâltis mal cobrados pelo Botafogo) mas quando ele defendeu o Adriano no caso do pau na mulher-encrenca e depois pelo seu comportamento na história da orgia, vi que era hipocrisia braba e que os fãs, os jornalistas, a imprensa, o time, os brasileiros enfim, todos se negaram a ver os fatos como eram: o BRUNO culpado ou não é A PRÓPRIA CARA DE UM CERTO BRASIL.

Santa? Ou candidata a BBB da vida Real?
Santa? Ou candidata a BBB da vida Real?

Eu vejo o Bruno como um espelho da maioria dos garotões, dos carreiristas (homens e mulheres, ricos e pobres), dos arrumadores de confusão, dos super-homens, dos ególatras, dos que se acham o máximo, dos que adoram o jeitinho brasileiro, dos que não são honestos, dos que falam uma coisa e fazem outra, dos que não se manifestam para não perderem oportunidades.

Engraçado, o que mais ouço de “homem” é que o negócio é “pegar mulher”…

E muita gente que conheço me desencantou (em função da minha própria ingenuidade, assumo) por serem corruptos, mentirosos e hipócritas e por apontarem o dedo para mim, covardes até para assumir suas deficiências.

O que mais ouço de todos é que o que vale na vida é o status, a inveja que você desperta nos outros, o seu poder na sociedade, hoje muito resumida ao status de ter pertencido a um BBB. O que a Eliza faria na vida se não tivesse corrido atrás de vários jogadores? Teria ido para o BBB ou teria que trabalhar!

Qual é a diferença do Bruno para todo esse pessoal? O que difere a forma de pensar do goleiro da maioria? Só por que ele matou e os outros não? Quer dizer que tem que matar, tem que ser pego em falso, para ser condenado? Se fizer o que fizer entre quatro paredes e não acontecer nada, está tudo bem?

Crucificam o Bruno não só porque ele é o mandante de um assassinato, MAS PORQUE ELE É O BRASIL QUE NÃO QUER SE VER, QUE NÃO SE ACEITA, DO BRASIL MENTIROSO, DO BRASIL DO STATUS, DA MÍDIA, DO MARKETING, DO MBA.

CRUCIFICAM UM CRISTO PARA POUPAREM OS FARISEUS.

COMO O BRUNO, VÁRIOS TRAEM AS ESPOSAS, TEM CASOS, SE DROGAM, MENTEM PARA CRESCER NA PROFISSÃO E COMO MACHOS QUE SÃO, SE RELACIONAM COM GAROTAS DE PROGRAMA. E É CLARO, NÃO PODEMOS ESQUECER DAS ALINHADAS ESPOSAS QUE CASAM PELA BOLSA -FAMÍLIA DO MARIDO! POR QUE ELAS NÃO PODEM SER CHAMADAS DE PROSTITUTAS DE LUXO? SÓ PORQUE APARECEM NA IMPRENSA COMO BEM SUCEDIDAS DAMAS DA SOCIEDADE? Desculpem, se ofendi as prostitutas, que pelo menos assumem que são.

A seleção brasileira perdedora, recebida com frieza pelos patrícios, diferentemente da argentina que foi amada e compreendida na derrota, mostra bem como MUITOS brasileiros são. Os jogadores eram a cara do chefe, o Dunga, estivesse ele certo ou errado, não importa, eles vestiram a camisa e foram a extensão do mandante. O Brasil jogou de salto alto, com jogadores machucados, egóicos, mas mesmo assim SOB a força da hipnose coletiva e da massificação, nos impuseram a vontade de VENCER SEM ESTAREM CERTOS, SEM DAREM A MÌNIMA PARA A REALIDADE. Isso sim me incomodou… Além disso, a seleção tinha uma vibração péssima.

O Brasil perdeu porque dizem “não foi Brasil” mas foi sim, eu afirmo o contrário: PERDEU PORQUE FOI BRASIL, mas não o MEU Brasil, o Brasil que jogou foi o mesmo do BRUNO, desqualificado, despreparado, petulante, do “brasileiro que não admite perder pois nasceu para ganhar – de qualquer jeito”. Vão imolar apenas um para amanhã de manhã, quando servirem o café para nós dois, todos se sentirem mais limpos e dignos, como os cara-pintadas? Todo mundo sabe que a Argentina ganhou as Copas com esperteza além do futebol, todo mundo sabe do jogo com o Peru em 1978, da mão da bola (o Fabiano pode segundo o Galvão Bueno, porque é “nosso”!), do governo militar que causou a inglória guerra das Malvinas, da água benzida dada ao jogador brasileiro Branco, ato esse confessado pelo próprio Maradona na TV. Mas ninguém na Argentina, quer ver a verdade, assim como no Brasil. Se nossos problemas são semelhantes e nossa postura também, então por que condenar os hermanos e nos absolver? Sujos, todos somos. O Bruno é prova disso, além de sujos, somos covardes, pois imolamos o jogador para poupar a sociedade.

BRASIL COVARDE.

BRASIL COVARDE.

BRASIL COVARDE.

RENEGA O CRISTO TRÊS VEZES, ANTES DO GALO CANTAR.

A diferença é que a seleção perdeu e voltou rica para casa, mas o Bruno sempre ganhou na carreira, mas perdeu na vida, perdeu feio no que é verdadeiramente importante, se desfez, como muitos do que vem do coração, da alma.

Condenado pelos SRUS

Condenado pelos SEUS

Bruno, o pária social que ascendeu, é o representante maior não do Brasil de HOJE, mas do Brasil de sempre, da Senzala e da Casa Grande, do Itamaraty, de Antonio Conselheiro, de um país que vira as costas para o que é correto, o Brasil dos pós-graduados, dos engenheiros trabalhando como garis, dos advogados gananciosos e dos empregados que invejam os patrões, de Búzios e de Bangu, do Brasil dos coronéis, o Brasil da TV FAMA, do Brasil da violência, do Brasil do BBB. Bruno é o representante do DINHEIRO QUE CORROMPE A DIGNIDADE, da FAMA das telecelebridades, dos assessores de imprensa, do Futebol. Brunão é o cara mais querido pelos ricos, pobres e traficantes, MAS NÃO É O ÚNICO.

ESPERTO É O CARA QUE TRANSA COM A MULHER DO OUTRO, QUE TRAI O AMIGO, QUE DESVIA UMA GRANINHA, QUE DÁ UM DINHEIRINHO PARA O GUARDA, QUE SEMPRE SE DÁ BEM.

OTÁRIO É QUEM ESTÁ PRESO.

Bruno, você caiu no fosso da indignidade, não pela morte de uma atriz de filme pornô, por causa de uma carreirista, mas por causa da elite invejosa, por causa das garotas de programa que todos “pegam”, por causa da cocaína que todos cheiram, da bebida que todos bebem, da BRAHMA, do sexo com muitas mulheres fora do casamento, do status tão desejado, do país do “jeitinho”, da corrupção, da aparência.

Conteúdo para quê? Existe concurso público.

Sim, eu torci contra esse Brasil da Copa e contra o Brasil do Bruno, pois esse não é o meu mundo, não é a  minha turma. Eu detesto esse lixo, essa mentira ambulante, essa hipocrisia, essa cambada de covardes.

Campeão? Perdedor? Certo? Errado?
Campeão? Perdedor? Certo? Errado?

Falam de como a ditadura brasileira foi horrível, mas me digam, por que ninguém tocou nesse assunto durante a Copa, quando falavam da seleção de 70? Quando querem dar uma pernada em alguém, associar um sucesso a um mal maior, para prejudicar mesmo, associam sem refletir. O Dunga é mal porque só convocou soldados, porque não falava com a Imprensa. Ele é o mal. O Bruno era o máximo, antes da Eliza. Quando não querem não falam nada. Toda a imprensa sempre soube quem era o Bruno mas ele era o goleiro que “quase” foi convocado para a seleção, do time mais popular do país.

CONDENARAM O BRUNO À FORCA, NÃO PELO SEU CRIME MAS PELO CRIME DE TER EXPOSTO TODA UMA NAÇÃO, QUE VIA NELE O SEU REPRESENTANTE MAIOR DE CRESCIMENTO SOCIAL, DO CAPITÃO QUE ERGUEU A TAÇA DO EGO, DO CARA QUE VEIO DE BAIXO E QUE DEIXOU O POVO QUE PEGA TREM MAIS FELIZ, QUE DEIXOU O CHEIRADOR DA COBERTURA MAIS SATISFEITO.

QUEIMA-SE A OFERENDA PARA POUPAR A MAIORIA.

FERNANDO COLLOR SABE DISSO. COLLOR NUNCA FOI SANTO, ASSIM COMO O BRUNO, MAS NÃO ERA ASSASSINO (APESAR DE TER UMA HISTÓRIA FAMILIAR COM AJUSTE DE CONTAS NA BALA). O EX-PRESIDENTE FOI TRAÍDO PELOS SEUS, FOI TRAÍDO PELA SUA INOCÊNCIA, PELA SUA PETULÂNCIA.

BRUNO FOI TRAÍDO PELOS MESMOS COVARDES, QUE NÃO SÃO APENAS POLÍTICOS, FOI TRAÍDO PELA NAÇÃO DAS SOMBRAS, FOI TRAÍDO PELO BRASIL QUE CANTA E É FELIZ, PELA MÚSICA DA ELITE E PELO POP VAGABUNDO. BRASIL, EU GOSTO DE VOCÊ, QUERO CANTAR AO MUNDO INTEIRO A ALEGRIA DE SER BRASILEIRO, CANTE COMIGO BRUNÃO, A ALEGRIA DE SER BRASILEIRO.

TENHO VERGONHA DE FAZER PARTE DA “MASSA”, DO “VAMOS PULAR! VAMOS PULAR! VAMOS PULAR! VAMOS PULAR!”. NÃO SOU “PÃO” DE MANOBRA, NÃO VÃO ME “AVATAR”. EU SOU BRASILEIRO TAMBÉM E TENHO ORGULHO DE AMAR O MEU PAÍS, MAS NÃO AMO O SEU PAÍS!

O BRUNO É O BRASIL QUE NÃO SE ASSUME: BRUNO É A MAIORIA.

Bonecos da Hipocrisia
Bonecos da Hipocrisia
O ADEUS DE EZEQUIEL NEVES, O EXAGERADO
8 jul, 2010 por Carlos Lopes

Ezequiel Neves, um dos mestres da escrita roqueira se foi deste mundo aos 74 anos,  em 7 de julho de 2010, curiosamente no mesmo dia em que Cazuza decidiu partir desse mar de lágrimas para o paraíso dos grandes poetas brasileiros, há vinte anos.  Que coisa… Sincronicidade braba.

Ezequiel era produtor (do Barão Vermelho, primeira casa de Cazuza), jornalista e artista barroco, que tão bem soube desprezar o mundo que ele considerava “careta” ao se expressar através de mil firulas linguísticas em resenhas que muito me encantaram na fina flor da idade. E assim 20 anos após Cazuza, a sua grande “criação”, o seu autorretrato, Ezequiel pediu asilo da materialidade, pegou a mochila e embarcou para outra galáxia ao som dos Rolling Stones. Tal “pai”, tal “filho”, o exagerado codinome do beija-flor de Ipanema nos deu adeus.

Sincronicidade amorosa
Sincronicidade amorosa

A última vez que o vi pessoalmente foi na pré-estreia do filme Shine a Light dos Rolling Stones, acho que em 2007 e ele lá, batendo um papo com Jamari França, outra criatura pensante gerada das páginas de leitores da Rolling Stone brasileira, que Ezequiel coeditou em versão pirata nos anos 70. Aquela cena no cinema me fez recordar de muita coisa, do meu primeiro LP de rock e é claro, da primeira publicação de rock que adquiri com minhas parcas economias, lá com meus 12 anos: “Rock: A História e A Glória”, uma revista preto e branca com 24 ricas páginas, escrita por quem havia de melhor na nossa imprensa: Tárik de Souza, Ana Maria Baiana e Ezequiel Neves, o último, o enfant  terrible da crítica roqueira, o sétimo Rolling Stone, o eterno Barão Vermelho, o insaciável Dionísio.

Não há como relatar aos amigos e leitores, toda a admiração que tenho e continuarei a ter por esse personagem que me educou nos meandros da crítica, não como um mestre presente, mas como todo bom rebelde, como um mestre ausente fisicamente, mas presente em cada edição da minha querida revista preto e branca, na mesma época em que me arrisquei a  comprar a revista bicolor (ou tricolor) do Fradim, escrita pelo cartunista Henfil, que me proporcionou vários arrepios com as histórias daquele frade perversamente lascivo. Assim era Ezequiel, chegado a nos dar arrepios. A banca de jornais me parecia mais livre do que a minha casa, na época da “ditacuja”.

Pelado, Pelado, Nu Com A Mão No Bolso
Pelado, Pelado, Nu Com A Mão No Bolso

Com sua escrita insatisfeita misturada com inglês debochado e coluna social, Ezequiel influenciou uma legião de fãs, que se tornaram críticos musicais, a partir dos anos 80. Eu mesmo, segui adiante com minhas próprias pernas e coragem, mas certamente, entre os responsáveis pela fagulha inicial, aponto, sem dúvida o dedo para o seu “Zeca Jagger”, que depois na revista Pop de São Paulo, durante a eclosão punk em 1977, alterou a sua alcunha para “Zeca Rotten” além de outros codinomes e personas como “Zeca Zimmerman” e “Angela Dust”. Era muitos em um corpo. Todos, um só. Exagerado, jogado aos nossos pés. Nosso Lester Bangs de Belo Horizonte, ave lisérgica com asas esplêndidas que cobriam a luz do sol para que a nossa razão crítica planasse nas trevas do pensar. Razão da falta de razão.

Tudo o que fazemos, escrevemos ou compomos influencia alguém lá no outro lado do planeta, isso é fato. E ironia das ironias celestiais, fomos surpreendidos com a sincronicidade final que permitiu que Deus levasse Ezequiel, nome de anjo caído e elevado, na mesma data da pessoa que era como o seu próprio retrato de Dorian Gray, rejuvenescido.

Baron Rojo

Baron Rojo

Seu último trabalho foi o livro “Barão Vermelho – Por que a gente é assim?” lançado em 2008 e escrito com o baterista Guto Goffi e o jornalista Rodrigo Pinto.

Presto aqui, minha sincera homenagem reproduzindo trechos dos comentários do irrecuperável rebelde, a começar pelo primeiro texto que li, saído da pena do mestre:

“Com “Their Satanic Majesties Request”, os marginais do rock inglês conseguiram fazer um álbum surpreendente que, apesar de obedecer à mesma fórmula do show-contínuo já usado pelos Beatles em Sgt. Pepper´s, está mais ligado às experiências musicais de vanguarda (…) o resultado obtido aqui (…) alcança um clima de angustiante paroxismo.” (Jornal da Tarde, 21/10/69)

“…Basta, como eu, ouvir as centenas de lançamentos do jazz-rock ou jazz-elétrico lançados a partir de 1971 para se perceber que tudo não passa de uma descarada mentira.(…) Quando meto o pau em um Vitor Assis Brasil, todo mundo me chama de burro. Eu, burro? Mal informado é quem me chama de burro. Podiam é me chamar de macaco velho e portanto sábio em pular pra outros galhos (…) Genial é o meu guru Hermeto Paschoal, ele como Miles Davis, sabe o segredo da música do futuro. Porque o jazz-elétrico, my friends, já era.” (“Rock, A História e A Glória” 20)

“Apesar de seis LPs totalmente repulsivos, tiro o meu chapéu para Acquiring the Taste do Gentle Giant. Aqui a receita de misturar rock, jazz e música clássica deu em algo totalmente gênio.” (“Rock, A História e A Glória” 10)

“É impossível ouvir qualquer tempestade do Led Zeppelin sem a cabeça feita. E foi o que fiz para saborear Presence. E não aconselho aos incautos a fazerem o mesmo. Depois de ouvir os dois lados desse arrasa-quarteirão estava literalmente em frangalhos no chão. Não tinha forças nem para me levantar, nem para esboçar o mínimo gesto. Tinha impressão de que havia sido massacrado por dez marginais perigosíssimos.” (“Rock, A História e A Glória” 20)

“… a música, propriamente dita, do Wish You Were Here do Pink Floyd é uma bobagem. Mas isso é secundário, já que o Floyd está mesmo num beco sem saída. Depois do Atom Heart Mother, o som do quarteto virou uma encheção de lingüiça.” (“Rock, A História e A Glória” 11 – 6/10/75)

“Não há nenhum exagero em dizer que o Quadrophenia do The Who está para o rock, assim como o “Retrato do Artista Quando jovem” de James Joyce, está para a literatura inglesa.” (Jornal da Tarde, 7 de junho de 1974)

“Não há nada como um dia após o outro: o Beatle mais babaca acabou passando os outros para trás.” (Ezequiel sobre o LP Venus and Mars dos Wings na “Rock, A História e A Glória” 10)

Depois do império do Amor, agora foi a vez da seleção do Brasil cair, já foi tarde
5 jul, 2010 por Carlos Lopes
Destemperado

Destemperado

Na hora da queda só lembraram do Dunga, mas me diga com quem tu andas e te direis quem és. O Dunga na história da Branca de Neve não andava sozinho…

O Dunga não é o único culpado e nem os jogadores.

Vocês leram algo sobre o auxiliar-técnico Jorginho ter influenciado o Dunga sobre essa história de só convocar bom moço para a Copa? Alguém aí lembra que o mesmo indivíduo citado quis tirar o símbolo do América só porque era a representação de um diabo, o Brasinha?

Não tenho mais o que acrescentar após dezenas de ótimos textos rolando na imprensa oficial e oficiosa sobre a derrocada do Brasil. Só faço aqui uma observação sobre quando a questão religiosa (pessoal) interfere no trabalho coletivo.

Brasinha Pegando Fogo!

Brasinha Pegando Fogo!

Tenho minha religião ou minha filosofia de vida mas não vou explicá-la ou te empurrá-la goela abaixo se você não me permitir. Infelizmente, muitos evangélicos não pedem permissão, eles estão imbuídos de uma convicção cega, que muitas vezes é agressiva. Respeito é bom e eu gosto. Não me interessa esmiuçar o assunto, apontar o dedo para uma igreja ou outras, não estou aqui para isso, fiz a minha parte ao citar no último Martelo (19) tanto o espírita Chico Xavier, o criador da Conscienciologia Waldo Vieira e o pastor Caio Fábio. Tem para todos.

Soldados, À Batalha!

Soldados, À Batalha!

Um menino veio fazer um conserto aqui em casa e após conversarmos sobre alguns assuntos em geral, antes de ir embora, ele me falou que o caos vai tomar conta do Brasil se a lei que proíbe a discriminação contra os homossexuais passar. De onde veio esse assunto? Ele deve ter achado que eu era liberal demais ou homossexual demais. Meu amigo, nem um nem outro, mas também não vou na conversa alheia sem estudar o assunto. Discriminação é feio mesmo e a Sociedade como um todo tem que se preparar para conviver com as diferenças, o que a Sociedade do Dunga não quis fazer. Discriminação é uma coisa, Imposição é outra. As pessoas só respeitam o próximo, as diferenças se forem educadas para isso, mas quando usam, em vão, o nome de Deus para atacar o próximo, o fazem com convicção. Mas esse não é o único problema da sociedade, é o próprio ser humano. Conheço péssimas histórias sobre gente muito boa, expoentes em nossa sociedade, que nem são evangélicos. Apenas são gente como todos nós. O pastor incentiva o Segregacionismo, a televisão incentiva o Ego, os amantes só buscam parceiros estéticamente perfeitos, a mídia vende prostituição como se fosse Amor, o Dunga assina com uma cervejaria… A culpa não é só de um grupo, mas é geral, quando você não entende que há que se respeitar as diferenças. Isso não tem nada a ver com moral, com caráter. O diferente é diferente, não é um defeito genético, é uma escolha.

Um golpe de Estado é desferido em um governante que não tem mais condições morais para governar.
O golpe é errado, as vezes é necessário. Basta você pegar o livro e estudar, não vou citar exemplos sem poder esmiuçá-los, seria leviano.

Por que ninguém tirou o Dunga da seleção em 4 anos? Os milicos tiraram o Saldanha estrategicamente, antes do embarque e o Brasil ganhou. Não importa o Saldanha, importa a Vitória.

O que o Dunga, Jorginho e os outros discúpulos fizeram? Se fecharam em uma seita secreta como os nazistas e chegaram ao poder, não com um incêndio no parlamento, mas com o apoio da CBF…
Estranho, não é? Se você chegar todo dia em casa e achar que a sua filha está chorando muito, quem você vai culpar? A empregada, é claro. Mas se a sua filha for bem no colégio, você NÃO elogiará a empregada, não é? Aí será só mérito da sua filha. É a política do resultado. Os exemplos
escondem coisas ocultas e são apenas o que são: aparências ou a ponta do iceberg.

Ao mesmo tempo, semprei achei o Bruno goleiro um bobão, mas ele defendia bem e o Flamengo foi deixando passar. O Adriano é mais simpático, mas mentiu mesmo, não respeitou muita gente e foram deixando passar. Foi o Campeão Brasileiro da Falta de Moral.

Tem uma moda de adolescente na internet que é estuprar, você sabia? Mas na sua casa pode ter outra dessas modas: trair.

Existe essa tendência em todosfutebol_dunga nós de contar com resultados e de não querer esquentar a cabeça.
Quando o Dunga convocou os seus soldados, com sólida base moral, experiência e obediência ele tentou se precaver de problemas, do caos, mas como o próprio Jung cansou de alertar, o caos faz parte da vida.

Enfim, todo chefe tem o direito de ordenar a bagunça à sua maneira e Dunga teve a chance dele.

Com ou sem Escobar, que venha o próximo.

Uma observação final: Já pensaram o que vai ser se o Uruguai ganhar a Copa de 2014 no Maracanã?

Legendários na Rede Record será uma boa nova?
11 abr, 2010 por Carlos Lopes

TV_LOGO_LEGENDARIOS“A gente pode não mudar a TV brasileira, mas a gente vai tentar”, foi a última frase do apresentador Marcos Mion ao término do primeiro programa mezzo jornalismo jovem, mezzo humor apimentado com crítica social antenada, mezzo programa de auditório. Visivelmente animado, e talvez aliviado por ter estreado, o apresentador sabe que hoje fez a diferença na modorrenta TV aberta brasileira. Por isso, e se possível, que tenha vida longa, mas que venha para mudar e não para manter o continuísmo tão ao gosto da audiência média cansada.

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Mion Man

O grupo de “Legendários” comandados por Mion inclui o seu clone mudo, João Gordo e “os” Hermes e Renato”s”.  Por questões contratuais, “os” H. e R. não podem fazer uso dos seus personagens patenteados pela antiga emissora, que não teve o nome mencionado na nova atração – quiçá, uma boa estratégia de marketing. Farpas para a MTV saíram pelos poros para acertar o alvo, mas como se diz, a fila anda. A antiga emissora já contratou um novo grupo de humoristas e a vida prossegue, sendo que a MTV não tem a verba da Record, que por sinal, não esconde o seu grande objetivo, que é arrancar a Globo do mapa, e impor um novo tipo de imperialismo, o da audiência com objetivos religiosos.

Há uma dicotomia curiosa que rola há bastante tempo entre as duas maiores emissoras do país, ambas com qualidades e defeitos. Se a Globo nasceu de algum acordo escuso com a Time Life e por tabela, com o imperialismo norte-americano, isso já acabou, são águas passadas, pois a Globo fez mais pela cultura desse país do que todos os governos civis. A Record também não esconde que pretende alcançar a presidência da República, como a mesma Globo fez ao seu modo, quando apoiou Fernando Collor para liderar a nação, contra o ainda muito nordestino “sapo barbudo”. Enfim, eles que são brancos que se entendam, eu quero é ver TV e de preferência, de qualidade.

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Se uma coisa realmente me incomodou foi o formato de auditório, e a anaconda utilização do sexismo com dançarinas fazendo chifrinhos com as mãos. Imagino o quanto deve ter custado de debates e divergências nas reuniões de produção, para inserir tantas possibilidades dentro de um formato que pudesse ser assistido pela média da audiência. Mas essa opção, dançarinas do capeta, os aproxima dos Brothers e do Pânico, quando deveria afastá-los para crescer com independência e com um rosto realmente novo para informar e fazer rir com leveza e graça. Claro, que entendo a motivação e os lógicos argumentos para a inclusão dessas moças: a audiência masculina, mas se houvesse justiça na TV, incluiríam homens igualmente seminus e rebolativos. Mas deixando esse assunto de lado, o melhor do programa é a boa quantidade de matérias críticas como racismo e preservação do meio-ambiente. Os acertos serão feitos com o tempo e rezo para que cheguem a um consenso e que esse consenso traga à bojo a tal e desejada audiência.

Legionários, sejam bem-vindos, desde que seja pelo não continuísmo, mas para que muitos como eu não continuem acreditando que faleceremos vendo a TV brasileira aberta, mais covarde do que já é. Derrubem os muros, façam o possível, pois a tal da fila anda.

E verdade seja dita, esta não é apenas uma análise sobre televisão, mas sim uma análise política, pois tudo na vida é política, inclusive o que você ouve ou assiste.

Dalva e Herivelto
9 jan, 2010 por Carlos Lopes
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Trio de Ouro

Em janeiro, a Globo exibiu uma minissérie irretocável em 5 episódios: “Dalva e Herivelto: Uma Canção de Amor”. Feita com requintes cinematográficos, e até mesmo melhor do que vários filmes nacionais produzidos para a telona, a série encantou pelo talento da direção, do texto e dos atores, destacando a melhor atuação da carreira de Adriana Esteves como a sofrida cantora Dalva de Oliveira.

Desce criança acompanho as adaptações dos clássicos de nossa literatura feitas pela Globo, que tantas vezes mudou de diretores e atores, mas que continua sendo a única emissora brasileira capaz de transformar televisão em arte. Inclusive espero que a emissora exiba mais adaptações à noite, dando o devido espaço a produtos verdadeiramente artísticos. O horário impróprio, a famosa hora de dormir para quem desperta as 6 da manhã, não favorece que a maioria dos trabalhadores possa assistir produções desse porte, mas se o mercado não permite que grandes obras sejam exibidas mais cedo, que seja lançado urgentemente o DVD da série em magazines populares para que todos possam vê-la.

O Passado Ronda

O Passado Ronda

A história do amor e da famosa separação do casal Dalva de Oliveira e do seu “criador” , o compositor Herivelto Martins foi contada em livro por um dos filhos dessa união, o cantor Pery Ribeiro. O relato é emocionante e foi devidamente adaptado para que não se perdesse a intenção da obra: falar sobre o falho amor humano e relembrar ou lembrar ao público atual que não existe só música pop e que artistas nascem, crescem e morrem como se não existissem, como se não tivessem importância quando saem de moda ou envelhecem. Uma das cenas mais tocantes da história mostra Dalva, já idosa, ainda procurando um amor (apesar de saber que o mulherengo Herivelto foi o único) cantando em churrascarias e circos para sobreviver.

Lembro de assistir com minha mãe à Dalva, com cabelos embranquecidos, cantando na TV Tupi com o filho Pery, ainda com imagem em preto e branco e TV com válvulas G & E. Às vezes minha mãe tentava contar algo sobre a tortuosa relação da cantora com Herivelto. Mas eu era uma criança que nem havia dado um beijo na boca, eu não poderia entender o que é sofrer por amor. Ainda era cedo para mim. Mais tarde viveria a mesma situação e então saberia como é amar sem ser amado, ser amigo de uma pessoa que não é sua amiga. A gente cai, mas aprende ou pelo menos acha que aprende. Certa vez ela me disse que ia à Rádio Nacional, no prédio na Praça Mauá no Rio, para ver as favoritas Marlene e Emilinha. Eram tempos antes da Bossa Nova e do Rock and Roll, tempos de um Brasil menos internacionalizado e mais ingênuo em um mundo mais ingênuo. Cresci ouvindo os sambas e boleros dos LPs dos meus pais, que incluíam Miltinho, Nelson Gonçalves, Clementina de Jesus e Elizeth Cardoso. Por mais que eu não gostasse ou não entendesse esse estilo musical na época, a ficha acabou caindo mais tarde, há alguns anos. Hoje ouço o que meus pais escutavam com imenso prazer. Respeito a nossa música e na minha casa, samba e rock convivem muito bem tropicalísiticamente.

Se há uma única falha foi a divulgação que comparou o casal brasileiro a Sid (dos Sex Pistols) e Nancy. Uma comparação desonrosa e submissa, que propõe indiretamente que para se conhecer o Brasil é necessário antes compará-lo com o que vem do exterior. Ora, me poupe, me economize.

dalva

Fábio Assunção e Adriana Esteves

“A gente falou e pensou muito sobre o amor com esse trabalho. Dalva falava que o que ela tinha de mais importante, de tudo que ela viveu, foi por causa do amor, ou pela falta dele. O amor ficou muito forte em mim durante esse período. E um amor que estava diretamente direcionado a mim, estava na minha cara todos os dias, era meu amor por ele [Fábio]. E o amor que ele transmitia por mim. Ele me emocionava a cada dia com a presença, companheirismo, entrega. Aquilo foi uma das formas de amor que ficou mais clara na minha vida. Esse trabalho solidifica nossa vida e trajetória. É um caminho não só pessoal, mas profissional também. Temos o mesmo tempo de profissão, e, eventualmente, trabalhamos juntos. Foi um presente esse romance desse casal para selar nossa parceria pessoal e profissional” Adriana Esteves em depoimento à Famosidades.

DEZ perguntas que não querem calar
31 ago, 2009 por Carlos Lopes
Pré-Sal

Pré-Sal

1) Por que a ministra Dilma Rousseff da Casa Civil simplesmente não deu uma coletiva sobre o “caso” (já imaginaram?) com a ex-secretária da receita, Lina Vieira, assumindo que houve o encontro entre as duas, mas que a acusadora não entendeu nada do que havia sido dito na conversa?

2) O Senador Eduardo Suplicy está com algum problema de saúde?

Cartão Vermelho

Cartão Vermelho

3) Por que a imprensa alega que os funcionários da Receita estão “deixando” seus cargos, quando todo mundo sabe que cargo de confiança tem que ser entregue se a sua chefe é substituída?

4) Por que se discute a divisão dos royalties do pré-sal se até o momento outros países não se arriscaram na exploração comercial de plataformas tão profundas, e se há total desconhecimento sobre o potencial real da camada pré-sal?

5) É democrático deixar ao próprio destino, 50 milhões de cidadãos norte-americanos, que não conseguem pagar um plano de saúde?

6) Por que a Colômbia é o terceiro país que recebe ajuda militar dos Estados Unidos logo após Israel e Egito?

7) Por que Jaycee Lee Dugard, hoje com 29 anos, raptada, estuprada e mãe de dois filhos do algoz Phillip Garrido nunca fugiu de um barraco sem segurança em 18 anos de confinamento?

8) Por que fazem vista grossa para a China?

9) Se a Globo é tão perversa, o que são as outras emissoras de TV?

O Brasil de ontem, o Brasil de hoje

O Brasil de ontem, o Brasil de hoje

10) Alguém assistiu a entrevista com o Cabo Anselmo no  programa Canal Livre da Bandeirantes no dia 30 de agosto de 2009?


Soro-Positiva
26 fev, 2009 por Carlos Lopes
Sandra Bréa no auge da forma na revista Playboy

Sandra Bréa no auge da forma na revista Playboy

A atriz carioca Sandra Bréa Brito (11 de maio de 52 / 4 de maio de 2000) foi uma das mais cobiçadas mulheres nas décadas de 70 e 80. Porém um outro título somou-se a sua história: o de ter assumido ser soro-positiva 7 anos antes de falecer. Entre um e outro cigarro mentolado e os vários jornalistas que foram convidados a sua casa em Jacarepaguá no Rio (que maldosamente notaram as marcas de umidade no teto e os móveis rasgados), a atriz confessou publicamente o seu drama. Disse ter sido contaminada numa transfusão de sangue, após um acidente automobilístico em 91. Despertou suspeitas ao não saber informar exatamente o que havia ocorrido e em qual hospital havia recebido a transfusão de sangue. “Meu recado para a máfia de branco é: adoro vocês”, disse na coletiva. Sandra acusou a Rede Globo de ter abafado o caso para não abalar a audiência de uma novela. O departamento de imprensa da Globo negou o ocorrido (empresa esta que pagou todo o seu tratamento até a morte, mesmo não estando ela no quadro de funcionários).

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