Destemperado
Na hora da queda só lembraram do Dunga, mas me diga com quem tu andas e te direis quem és. O Dunga na história da Branca de Neve não andava sozinho…
O Dunga não é o único culpado e nem os jogadores.
Vocês leram algo sobre o auxiliar-técnico Jorginho ter influenciado o Dunga sobre essa história de só convocar bom moço para a Copa? Alguém aí lembra que o mesmo indivíduo citado quis tirar o símbolo do América só porque era a representação de um diabo, o Brasinha?
Não tenho mais o que acrescentar após dezenas de ótimos textos rolando na imprensa oficial e oficiosa sobre a derrocada do Brasil. Só faço aqui uma observação sobre quando a questão religiosa (pessoal) interfere no trabalho coletivo.
Brasinha Pegando Fogo!
Tenho minha religião ou minha filosofia de vida mas não vou explicá-la ou te empurrá-la goela abaixo se você não me permitir. Infelizmente, muitos evangélicos não pedem permissão, eles estão imbuídos de uma convicção cega, que muitas vezes é agressiva. Respeito é bom e eu gosto. Não me interessa esmiuçar o assunto, apontar o dedo para uma igreja ou outras, não estou aqui para isso, fiz a minha parte ao citar no último Martelo (19) tanto o espírita Chico Xavier, o criador da Conscienciologia Waldo Vieira e o pastor Caio Fábio. Tem para todos.
Soldados, À Batalha!
Um menino veio fazer um conserto aqui em casa e após conversarmos sobre alguns assuntos em geral, antes de ir embora, ele me falou que o caos vai tomar conta do Brasil se a lei que proíbe a discriminação contra os homossexuais passar. De onde veio esse assunto? Ele deve ter achado que eu era liberal demais ou homossexual demais. Meu amigo, nem um nem outro, mas também não vou na conversa alheia sem estudar o assunto. Discriminação é feio mesmo e a Sociedade como um todo tem que se preparar para conviver com as diferenças, o que a Sociedade do Dunga não quis fazer. Discriminação é uma coisa, Imposição é outra. As pessoas só respeitam o próximo, as diferenças se forem educadas para isso, mas quando usam, em vão, o nome de Deus para atacar o próximo, o fazem com convicção. Mas esse não é o único problema da sociedade, é o próprio ser humano. Conheço péssimas histórias sobre gente muito boa, expoentes em nossa sociedade, que nem são evangélicos. Apenas são gente como todos nós. O pastor incentiva o Segregacionismo, a televisão incentiva o Ego, os amantes só buscam parceiros estéticamente perfeitos, a mídia vende prostituição como se fosse Amor, o Dunga assina com uma cervejaria… A culpa não é só de um grupo, mas é geral, quando você não entende que há que se respeitar as diferenças. Isso não tem nada a ver com moral, com caráter. O diferente é diferente, não é um defeito genético, é uma escolha.
Um golpe de Estado é desferido em um governante que não tem mais condições morais para governar. O golpe é errado, as vezes é necessário. Basta você pegar o livro e estudar, não vou citar exemplos sem poder esmiuçá-los, seria leviano.
Por que ninguém tirou o Dunga da seleção em 4 anos? Os milicos tiraram o Saldanha estrategicamente, antes do embarque e o Brasil ganhou. Não importa o Saldanha, importa a Vitória.
O que o Dunga, Jorginho e os outros discúpulos fizeram? Se fecharam em uma seita secreta como os nazistas e chegaram ao poder, não com um incêndio no parlamento, mas com o apoio da CBF… Estranho, não é? Se você chegar todo dia em casa e achar que a sua filha está chorando muito, quem você vai culpar? A empregada, é claro. Mas se a sua filha for bem no colégio, você NÃO elogiará a empregada, não é? Aí será só mérito da sua filha. É a política do resultado. Os exemplos escondem coisas ocultas e são apenas o que são: aparências ou a ponta do iceberg.
Ao mesmo tempo, semprei achei o Bruno goleiro um bobão, mas ele defendia bem e o Flamengo foi deixando passar. O Adriano é mais simpático, mas mentiu mesmo, não respeitou muita gente e foram deixando passar. Foi o Campeão Brasileiro da Falta de Moral.
Tem uma moda de adolescente na internet que é estuprar, você sabia? Mas na sua casa pode ter outra dessas modas: trair.
Existe essa tendência em todos nós de contar com resultados e de não querer esquentar a cabeça. Quando o Dunga convocou os seus soldados, com sólida base moral, experiência e obediência ele tentou se precaver de problemas, do caos, mas como o próprio Jung cansou de alertar, o caos faz parte da vida.
Enfim, todo chefe tem o direito de ordenar a bagunça à sua maneira e Dunga teve a chance dele.
Com ou sem Escobar, que venha o próximo.
Uma observação final: Já pensaram o que vai ser se o Uruguai ganhar a Copa de 2014 no Maracanã?
“A gente pode não mudar a TV brasileira, mas a gente vai tentar”, foi a última frase do apresentador Marcos Mion ao término do primeiro programa mezzo jornalismo jovem, mezzo humor apimentado com crítica social antenada, mezzo programa de auditório. Visivelmente animado, e talvez aliviado por ter estreado, o apresentador sabe que hoje fez a diferença na modorrenta TV aberta brasileira. Por isso, e se possível, que tenha vida longa, mas que venha para mudar e não para manter o continuísmo tão ao gosto da audiência média cansada.
Mion Man
O grupo de “Legendários” comandados por Mion inclui o seu clone mudo, João Gordo e “os” Hermes e Renato”s”. Por questões contratuais, “os” H. e R. não podem fazer uso dos seus personagens patenteados pela antiga emissora, que não teve o nome mencionado na nova atração – quiçá, uma boa estratégia de marketing. Farpas para a MTV saíram pelos poros para acertar o alvo, mas como se diz, a fila anda. A antiga emissora já contratou um novo grupo de humoristas e a vida prossegue, sendo que a MTV não tem a verba da Record, que por sinal, não esconde o seu grande objetivo, que é arrancar a Globo do mapa, e impor um novo tipo de imperialismo, o da audiência com objetivos religiosos.
Há uma dicotomia curiosa que rola há bastante tempo entre as duas maiores emissoras do país, ambas com qualidades e defeitos. Se a Globo nasceu de algum acordo escuso com a Time Life e por tabela, com o imperialismo norte-americano, isso já acabou, são águas passadas, pois a Globo fez mais pela cultura desse país do que todos os governos civis. A Record também não esconde que pretende alcançar a presidência da República, como a mesma Globo fez ao seu modo, quando apoiou Fernando Collor para liderar a nação, contra o ainda muito nordestino “sapo barbudo”. Enfim, eles que são brancos que se entendam, eu quero é ver TV e de preferência, de qualidade.
Se uma coisa realmente me incomodou foi o formato de auditório, e a anaconda utilização do sexismo com dançarinas fazendo chifrinhos com as mãos. Imagino o quanto deve ter custado de debates e divergências nas reuniões de produção, para inserir tantas possibilidades dentro de um formato que pudesse ser assistido pela média da audiência. Mas essa opção, dançarinas do capeta, os aproxima dos Brothers e do Pânico, quando deveria afastá-los para crescer com independência e com um rosto realmente novo para informar e fazer rir com leveza e graça. Claro, que entendo a motivação e os lógicos argumentos para a inclusão dessas moças: a audiência masculina, mas se houvesse justiça na TV, incluiríam homens igualmente seminus e rebolativos. Mas deixando esse assunto de lado, o melhor do programa é a boa quantidade de matérias críticas como racismo e preservação do meio-ambiente. Os acertos serão feitos com o tempo e rezo para que cheguem a um consenso e que esse consenso traga à bojo a tal e desejada audiência.
Legionários, sejam bem-vindos, desde que seja pelo não continuísmo, mas para que muitos como eu não continuem acreditando que faleceremos vendo a TV brasileira aberta, mais covarde do que já é. Derrubem os muros, façam o possível, pois a tal da fila anda.
E verdade seja dita, esta não é apenas uma análise sobre televisão, mas sim uma análise política, pois tudo na vida é política, inclusive o que você ouve ou assiste.
Dá no couro.
Querida Ivete Sangalo.
Essa é uma carta que escrevi com o coração e a razão.
Não tenho o hábito de assistir o Altas Horas por causa do horário e também por causa dos entrevistados. Como todo grupo empresarial, o programa vende os produtos da emissora, dando destaque às suas produções e artistas, o que é bem natural. Nada contra. E como espectador livre tenho o direito de compactuar ou não.
Trabalho de madrugada no computador e sempre deixo a TV ligada. Por pura e completa preguiça estava na Globo. Esclareço que não vi o programa, apenas o ouvi. A entrevistada era você, Ivete Sangalo. Como gostei muito do novo trabalho “Pode Entrar”, do qual tomei conhecimento zapeando pelos canais até cair no Multishow, no qual foram exibidos episódios da gravação do CD em um estúdio na sua casa em Salvador, deixei rolar. Você é uma grande profissional, a maior estrela da nossa música, assim como Elis Regina foi há décadas. Claro que o repertório é completamente diferente, até mesmo por questões históricas e mercadológicas. A primeira vez na qual você me soou simpática foi por causa da gravação de “Coleção” de Cassiano (“Sei que você gosta de brincar de amores, mas comigo não”). E é claro ouvi “Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim” como todo mundo.
No Altas Horas de 19 de julho de 2009 ouvi o seu dueto com Marcelo Camelo, tocando a linda “Teus Olhos” (inclusive a versão ao vivo no programa me soou mais interessante do que a do CD/DVD). No quesito musical nota dez, mas aí é que veio a bomba.
A sexóloga Laura Müller aconselhou as mulheres a não engolirem sêmem por causa das bactérias, você respondeu brincando que sêmem “tem proteína”.
Releia e veja a palavra “vantagem” como sinônimo de “gozar”. O Brasil de hoje luta para se libertar daquele país do Gerson, o jogador, o país no qual “todo mundo tirava vantagem”. Não quero esse Brasil para mim, não quero esse mundo para mim, nem para os outros. Entendi o seu “gozar” no contexto. Mas por que não trocar a palavra “gozar” que soou chula por “amar”? Poderias ter dito: “Tem mais é que gozar com seu parceiro, ser fiel e amar muito”. Seria mais bonito e estaria à altura de uma pessoa pública.
Falar espontaneamente é uma coisa, ser McCartista é outra. Como o público do programa é “jovem”, você foi devidamente espontânea, como estou sendo agora e só te escrevo porque me incomodou e muito. Estou cansado de ver e ouvir as pessoas (na rua) dizerem que querem “viver o momento”, “serem felizes” e coisas do gênero, e ao mesmo não serem sinceras, “galinharem”, mentirem e arrastarem os outros ao poço sem fundo da mentira.
Essa é a base da sociedade, esse é o futuro do mundo, o futuro do Brasil, esses são os valores dos jovens que se acham melhores dos que as gerações anteriores, envelhecidas e com idéias envelhecidas?
A juventude não é a solução, a solução está no coração de todos nós, sejamos jovens, idosos, negros, brancos, índios, brasileiros, estrangeiros, homossexuais, evangélicos, budistas…
Enfim, a resposta está no exemplo e você é um exemplo para milhões de pessoas.
Seja fiel, ame e goze muito com o seu parceiro. Gozar é muito pouco.
LEIA em http://www.omartelo.com/omartelo7/entrevista4.html
Durante a ditadura nos anos 70 e apesar de toda repressão, os jovens só queriam viver como jovens, curtir um som, vestir as roupas mais legais, ganhar a menina do baile. Esse processo ocorre com todas as classes sociais e não poderia ser diferente em nenhum outro lugar. As comunidades negras influenciadas pelo som do mestre James Brown deram início a um movimento que transformou o “I´m Black And I´m Proud” em uma versão nacional do orgulho negro. A música foi o veículo mais utilizado, bem mais do que a política. O movimento Black Rio teve entre seus expoentes um ex-dançarino chamado Rodrigues Cortes ou Gerson King Combo, que após rodar muito (inclusive como vocalista de apoio do Wilson Simonal) teve a chance de registrar em seu primeiro LP solo em 1977 uma pérola chamada “Mandamentos Black” onde dizia que um black de verdade deveria “amar como ama um black”. A partir daí veio o sucesso, o carrão e as roupas vistosas mas tudo isso acabou em pouco tempo. Alijado do mercado, voltou à obscuridade. Muitos anos depois reapareceu do nada em uma participação na banda Clave de Soul na finada casa Ballroom no bairro do Humaitá no Rio em 14 de setembro de 1998. Após trocarmos umas figurinhas, marcamos a entrevista que durou 4 horas. Mas só me dei por vencido, quando o próprio Gerson me pediu um intervalo para participar de um churrasco com os vizinhos.
clássico das histórias em quadrinhos
Em 1985 o desenhista espanhol Jaime Martín tornou-se um profissional dos quadrinhos, desenhando tanto para o público infantil como para o adulto. Em 1987 começou a colaboração com a revista El Víbora, onde realizou trabalhos mais maduros, inclusive com conteúdo social. A partir daí seus quadrinhos foram publicados em países como Itália, França, Alemanha, Estados Unidos e Brasil (na extinta revista Animal). Em 1990 recebeu o prêmio de autor revelação no 8º Salão Internacional de Quadrinhos de Barcelona pela obra “Sangre de Barrio”, considerada a sua obra prima. A editora Conrad acaba de relançar as 3 partes de “Vida Louca” (nome no Brasil) em um só livro. Em 1995 recebeu o prêmio Historieta Diário de Avisos (Tenerife) pela obra ”La Memoria Oscura”. Desde 1992, as possibilidades do computador passaram a ser uma grande ferramenta de ajuda. Atualmente trabalha em diversas áreas de sua arte, tanto produzindo para imprensa e TV como atuando no campo editorial e desenvolvendo vídeo-jogos.
Leia entrevista exclusiva com Jaime em