»
S
I
D
E
B
A
R
«
O nosso Brasil de Mindlin, Villa Lobos, ETs e Lula
8 mar, 2010 por Carlos Lopes

Este texto, meio que começou a nascer em um final de semana, no qual faleceram dois brasileiros supimpas: o sambista Walter Alfaiate e o bibliófilo José Mindlin. Senti que o país ficou mais pobre e isso cutucou meus brios.

José Mindlin
José Mindlin

Digo “começou a nascer” porque de fato o texto atual foi inseminado no ano passado, mas até hoje era impossível transcrevê-lo para o mundo real das palavras escritas. Há bastante tempo não escrevo, fruto de um desinteresse crônico em compartilhar idéias escritas. Tenho preferido ler (livros) e assistir filmes e documentários, estudar cada vez mais, uma das minhas paixões. Inclusive, tem sido mais fácil escrever canções e gravá-las, apesar que todo o processo envolvido, muitas vezes, te faz perder o amor pela música. Mas isso é assunto para outro texto, este agora está reservado para uns pensamentos sobre o meu Brasil.

Repito e digo “o meu Brasil”, pois nem tudo pode ser repartido, pois somos pessoas com sentimentos diferentes e isso faz toda a diferença na hora de emitir um julgamento. E achismos não surgem apenas do povo iletrado, mas de profissionais esclarecidos, que acham que podem cuspir suas análises fundamentadas em racismo crônico. Se dependesse de muitos que cá nasceram, esse país seria uma colônia não mais da União Soviética do pós-guerra, como poderia ter sido antigamente, mas do mundanismo internacional. Já escrevi anteriormente que me causa repugnância quando alguém fala que “esse país é um lixo”, “só pode ser Brasil mesmo”, “país de preto” e coisas assim. Em primeira instância, essa elite que existe desde os tempos da colônia de Portugal ficou e ainda está muito fula porque, apesar dos escândalos, o PT ainda é o partido que manda no quintal e o seu porta-voz é o presidente mais popular do mundo, mesmo falando errado, coisa que horroriza a classe alta, que associa postura (o externo, o socialmente aceito) com bom comportamento. E essa associação quer nos continuar impondo presidente homem e branco. Um nordestino que fala errado não poderia, em “um país sério” sonhar em ser presidente, é o que pensam.

passado, presente e futuro
passado, presente e futuro

Se o Brasil ganhou o direito de sediar, principalmente a Olimpíada é porque Lula fez e aconteceu, colocou o Brasil no mapa. Ele soube usar a mídia a seu favor, o que no final das contas, conta a nosso favor. O sociólogo rancoroso, esse mesmo, que só sabe reclamar, não conseguiu. Por causa disso, dessa dor de cotovelo crônica, e apesar do seu francês fluente, o que ele pretende? Se hoje, americano (que ainda manda no mundo) sabe quem somos, que os brasileiros existem,é mais por causa da popularidade de Lula do que por causa dos nossos talentos. Isso se faz notar em produções cinematográficas como 2012, que despencou o nosso Cristo e com o atual seriado V (para fãs de Lost), que coloca uma nave-mãe gigante no ar falando português à frente do mesmo e popular Cristo Redentor (anexo imagem). Vejam bem: Nova Iorque, Los Angeles, Paris e… Rio.

Os ETs invadem o Rio
Os ETs invadem o Rio

Já escrevi também, que amo a ideia do Tropicalismo de Caetano e Gil e os filmes do cinema novo, que fundem o estrangeirismo com o olhar e o sentir local. O Brasil não deve se fechar, pois esse tipo de coisa gerou duas guerras mundiais, e coisas como o Iraque, o Irã e a Coreia do Norte. Há a necessidade de ensinar aos jovens, aos estudantes, e inclusive aos mais velhos, o orgulho de ser quem somos e ser como somos. Quando alguém comenta que o canto orfeônico do Villa Lobos, só foi possível em um contexto ditatorial, eu me pergunto, então por que não podemos resgatá-lo , se somos livres, e donos dos nossos narizes? Por que não voltar a ensinar música nas escolas? Para disponibilizarmos computadores em todos os colégios, é necessário educar o aluno para que ele não use a máquina (ainda mais) a serviço da futilidade.

1,2,3,4
1,2,3,4

Essa necessidade mórbida de olhar sempre para fora, se preocupar com o “primeiro” mundo e pisar no que temos de melhor, o “nosso”, aí sim, mesticismo é fruto de ignorância, medo e  covardia de deixar a pele escurecer e os cabelos encaracolarem. E o esquecimento, promovido pela mídia, faz parte dessa conspiração que pode ser alcunhada de educação regressiva, como um espelho embaçado que não reflete os nossos rostos e nem as nossas infinitas possibilidades. Muitas vezes, penso no que deve existir de baixa estima, quando o sujeito NÃO se vê na TV porque só há gente loura de olhos claros, biótipo alienígena e nazista. Isso só pode fazer o sujeito se sentir um lixo, e certamente o faz. Se você não abrir o olho, o negócio pode ficar feio mesmo, criando um ambiente para dominação cultural e inserção de valores que não são úteis para o nosso, aí sim, desenvolvimento e para a nossa liberdade, ainda que tardia. A mais perigosa das armas é a mídia, que inculta nas pessoas, o sentimento mesquinho de assimilar valores opressivos que deseducam.

Aconselho aos meus amigos leitores o excelente canal Futura, com um primor de programação; a TV Brasil, que está cada vez melhor; programas como Por Toda Minha Vida da Rede Globo e o fantástico documentário “O Homem que Engarrafava Nuvens” de Lírio Ferreira, diretor de Baile Perfumado e Cartola – Música para os Olhos sobre o compositor Humberto Teixeira (1915-1979), o “doutor do baião”, parceiro de Luiz Gonzaga.

Amigos e leitores, olhem e sintam o Brasil com outros olhos, com orgulho de quem sabe quem são. Se vocês não gostam do Brasil é porque não gostam de vocês, pois nós somos o Brasil. E ninguém mais pode ser.

blog_Cartaz-OHEN_JB

Adeus Oiticica, a Queimada da Cultura Brasileira
17 out, 2009 por Carlos Lopes

“Na realidade a sucessão de obras é para fazer inteligível o que eu sou. Eu passo a me conhecer através do que faço. Que na realidade  não sei o que sou. Porque se é invenção eu não posso saber. Se já soubesse o que seriam essas coisas não seria mais invenção. A existência delas é que possibilita a ‘concreção’ “

(Helio Oiticica)

1968 - Caetano e Parangolé de Hélio

1968 - Caetano e Parangolé de Hélio

Esse sábado certamente não amanheceu como outro qualquer, não porque há uma chuva ácida em andamento e nem porque criminosos do Morro dos Macacos na zona norte do Rio derrubaram um helicóptero da polícia.

O sábado havia começado bem ao receber a mensagem de uma amiga que está na França: “Resolvi que não vou mais entrar em museu até segunda, senão não faço outra coisa. Obs: museu de país que valoriza cultura é uma felicidade sem fim.”

Meu semblante mudou e logo depois liguei a TV.

Ingênuo que sou, coitado de mim.

Como se não bastasse o desprazer de ver um helicóptero queimado e dois policiais mortos, uma outra notícia incendiária derrubou meu sábado: o acervo de um dos fundadores do neoconcretismo, o artista Hélio Oiticica, falecido em 1980, que se queimou entre sexta e sábado.  Se fossem perdidos “meia dúzia de objetos”, a perda já seria irreparável, mas o problema é que simplesmente perdeu-se 90% das obras do artista que não estavam seguradas, um prejuízo calculado em 200 milhôes de dólares. Só se salvaram CDs e arquivos de computador. E lá se foram todos os parangolés. Queimou-se o Tropicalismo, a idéia do Brasil novo, a possibilidade do inédito, do eterno velho Brasil renovado. Fica a lição: as chamas da ignorância destroem, mas não podem vencer. Jamais.

O acervo do artista, guardado no primeiro andar da casa da família no bairro do Jardim Botânico no Rio de Janeiro, se perdeu enquanto seus parentes, que estavam no segundo andar, sentiram um forte cheiro de queimado.

Hélio em forma de Arte

Hélio em forma de Arte

O pior dessa história é que a prefeitura teve um longo entrevero com a família pela posse e preservação das obras.  Em 1981, foi criado sob responsabilidade da família, o Projeto Hélio Oiticica. Em 1996, a secretaria municipal de artes do Rio de Janeiro fundou um centro de artes para abrigar todo o acervo, mas brigas entre a família e o governo por causa de (não) pagamentos azedaram o diálogo. Em abril de 2009, os herdeiros de Hélio suspenderam uma exposição, alegando falta de pagamento, que foi regularizado, mas a família não devolveu a maior parte das obras, que estava na reserva técnica do Projeto Hélio Oiticica, que segundo eles, possuía as condições necessárias para a preservação das obras, as mesmas que foram queimadas ontem, seis meses após a contenda.

Jandira Feghali, a secretária de cultura lamentou a perda, mas declarou que a prefeitura lutou pelas obras. César, o irmão de Oiticica que se dedicou a proteger a obra do irmão, declarou emocionado que assume sua falha, apesar da sala na qual ocorreu a tragédia, ter controle de umidade e temperatura.

Para variar, quem perde é o Brasil, quem perde é a arte mundial.

SINGAPURA, É PROIBIDO NÃO PROIBIR
23 set, 2009 por Carlos Lopes


a-comunidade-chino-indonesia-em-singapura_singapore-skyline

Fernando Alonso e Nelson Piquet Jr bem que tentaram, mas não conseguiram fazer das suas em Singapura. Esquecendo essas baixarias da Fórmula 1, que tal falarmos dos aspectos positivos do país?

O que o senhor, ou senhora leitor(a) diria sobre um país que condena quem pichar uma parede com uma boa multa de 4 mil reais? E se a mesma pichação for difícil de ser limpa que tal o acréscimo de 3 a 8 chibatadas? E se o sujeito não der descarga no banheiro público que tal 300 reais de multa? E o que o senhor diria de 2 mil reais se jogar lixo na rua? E se falar no celular dentro do carro, que tal ser preso na hora? E tráfico de drogas que é punível com a pena de morte? E chiclete que é considerado um dos maiores inimigos por causa dos gastos com limpeza pública, que são cobrados do povo? Para muitos pode parecer o inferno sobre a Terra, mas para outros soa como o paraíso.

Quem Pode Ri

Pode Quem Ri Ou Ri Quem Pode?

A República de Singapura (com S de acordo com a nova ortografia), literalmente a Cidade do Leão, se localiza entre a Malásia e a Indonésia, e é uma ex-colônia britânica composta por uma ilha principal e 63 ilhas menores. Singapura é provavelmente o único lugar do mundo no qual se vê um casamento malaio ao lado de um casamento chinês, coisa rara em outros locais asiáticos. A capital deste país, também chamada Singapura, é única em bons modos, e livre de impostos, faz do turista um item desejado pelo comércio local. O país possui um único partido vitorioso desde sua independência em 1965, e ninguém reclama por causa disso. Seu único grande problema ocorreu quando o Japão os invadiu em 1942 na Segunda Guerra, na época que os nipônicos acreditavam que Deus era japonês e não brasileiro.

O inglês é a língua do comércio, mas existe um “portunhol” local chamado Singlish, utilizado pelos cidadãos que não aprenderam bem o idioma.

Shenise - Miss Singapura

Shenise - Miss Singapura

Singapura pode não ser o paraíso da ultra diversão decadente ocidental (como diriam os antigos regimes comunistas), pois o que vale lá é o bem estar da maioria e não a vontade do indivíduo. A diversão favorita do povo é o cinema, com todo mundo sentadinho nas cadeiras, coisa super educada. Mas não se assustem: não há ninguém com cara e jeito de norte-coreano, e eles até são chegados a uma piadinha, tal como no anúncio do novo sanduíche da Burger King local com 17 centímetros de largura. O cartaz brinca com o termo “blowjob” (boquete) e com a frase “vai explodir na sua boca”.

buger-king_super-seven-inch

NOOOSSA!

Mas antes que alguém pense ao contrário, as pessoas em “Singa” são super normais, mas sem os excessos dos ocidentais, consomem bastante, mas com a cabeça no lugar. E o povo é bastante inteligente. Nesse ano, uma equipe de estudantes local levou um prêmio de US$ 10 mil por desenvolver um sistema comercialmente viável de aquecimento de água, no qual canos, construídos embaixo das estradas, aquecem a água, em uma alternativa mais sustentável do que aquecimento elétrico ou a gás. Essa pode será solução para países quentes como os que existem na África, América Latina, Oceania e grande parte da Ásia.

Oriente e Ocidente

Oriente e Ocidente

Essa metrópole do sudeste asiático incorpora o melhor do ocidente e do oriente, unindo tradições e modernidade, tendo à frente um partido político praticamente único e muitíssimas proibições para todos os segmentos sociais; no país há placa de proibido em tudo quanto é lado.

Para os endinheirados, um passeio pela Orchard Road com suas lojas chiques e restaurantes finos é a boa, e que tal pegar uma prainha em Sentosa e passear na roda-gigante de onde pode-se admirar os maravilhosos edifícios e as belas paisagens da cidade? Com 4 milhões de habitantes e PIB de US$ 84,4 bilhões (1998), o local é uma das terras promissoras, símbolo da prosperidade dos “tigres asiáticos”.

Templo Budista

Templo Budista

O bairro colonial da capital é dominado pelo parque Ford Canning , construído em 1819 sobre um campo santo malaio e sobre um cemitério no qual estão enterrados alguns dos primeiros colonos europeus que se estabeleceram na ilha. Ao norte do parque encontra-se o Museu e a Galeria de Arte Nacional, famosa por sua coleção de objetos de jade e o Distrito Financeiro Central, o coração comercial do país com seus muitos arranha-céus.

No centro muçulmano de Singapura temos a mesquita Malabar Muslim Jama-Ath, uma construção coberta com azulejos azuis que adquirem um aspecto fantástico ao entardecer durante o Ramadan. Na esquina de Serangoon com Belilios encontra-se o Templo Veerama Kali Amman, uma construção dedicada a Kali. O Sri Srivinasa Perumal é um extenso templo dedicado a Vishnu, no qual vê-se  uma estátua de Perumal, o Vishnu e seus consortes Lakshmi e Andal. No Templo de Sakaya Muni Buddha Gaya há uma figura de Buda com 15 metros de altura detalhadamente pintada com cores brilhantes.

Quinze Metros

Quinze Metros

O setor econômico encontra-se no oeste da cidade, convivendo com vários parques temáticos chineses como o Haw Par Villa, que versa sobre a mitologia chinesa e o Tang Dinasty City, representação da China no século XVII. Também há o Parque das Aves Jurong, no qual estão os Jardins Chineses e Japoneses, além do Centro de Ciências de Singapura. Não muito longe há uma reserva de crocodilos.

O primeiro ministro de Singapura, Lee Hsien Loong, fez um discurso no dia 9 de agosto, dia nacional do país, sobre diferenças religiosas e étnicas ao invés dos habituais discursos sobre bebês e bônus. Tal lá como cá, os evangélicos andam a tomar conta da cabeça dos necessitados, e já sendo considerado um problema, eis o que o homem forte falou: “O governo tem que se manter secular. A autoridade vem do povo (…) não de um livro sagrado. (…) outros grupos têm visões diferentes e crenças diferentes e apesar de respeitarmos isso, o debate público não pode ser sobre qual religião está certa ou qual está errada, tem que ser sobre considerações seculares e racionais, interesse público e o que é melhor para Singapura. (…) vamos partilhar uma refeição reconhecendo que não somos iguais. Não desencorajem as pessoas de interagir. Não façam com que seja difícil que sejamos um povo.”

Taí um país (quase) perfeito.

Passagem Para causo 011 Cingapura from Canal Futura on Vimeo.

20 IDEIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO!
22 set, 2009 por Carlos Lopes

Segundo matéria da revista Galileu, existem “100 ideias que vão mudar o mundo”. Como 100 é um número muito looongo (e dubiamente curioso, pois “sem” é igual a nada), escolhi as 20 mais curiosas – para tudo quanto é gosto.

20 Grandes Ideias

20 Grandes Ideias

Essa pré-seleção não quer dizer que somos obrigados a saber tudo, pois o mundo muda rapidamente e nós, nem tanto. Mas as vantagens serão, um dia, partilhadas com todos.

Por falar nisso, você não sente que te fazem sentir um deslocado, só porque você não sabe tudo sobre tudo, como se isso fosse mais importante do que… tudo? ! Fábio Gandour, cientista-chefe da IBM Brasil, disse que: “Às vezes, o excesso de informação pode ser pior do que a falta dela.”

Pois é.

VINTE GRANDES IDEIAS

Combater O Aquecimento Global – Cientistas propõem soluções como pintar de branco o teto das casas, enviar espelhos refletores para orbitar no espaço e jogar grandes placas de plástico no mar, para refletir os raios solares e esfriar o planeta.

Reator Caseiro – Aparelho que aproveita a fotossíntese das algas para converter o gás carbônico e a luz em energia. O aparelho, feito com garrafas recicláveis foi desenvolvido por Michael Fischer da Universidade de Stanford nos Estados Unidos, e seu grande objetivo é retirar o material direto da atmosfera e sem ocupar solo fértil.

Baterias movidas a hidrogênio – Stan Ovshinsky, 84 anos, o sujeito que criou as baterias para celular está desenvolvendo essa novidade, inclusive para motores.

Por que Lâmpada Ainda é sinônimo de Boa Idéia?

Por que Lâmpada Ainda é Sinônimo de Boa Idéia?

Controlar objetos com a mente – O Mindflex, brinquedo feito em parceria com a fabricante Mattel, é controlado por ondas cerebrais. Sensores captam os comandos e enviam sinais para uma unidade que controla o ventilador interno de uma pequena bola, que flutua ao sabor do pensamento.

Pilha Humana – Baterias que geram energia com o andar do usuário (Pesam 1.6 quilo). O Biomechanical Energy Harvester é utilizado nos dois joelhos, pode gerar 5 watts em pouco tempo – o suficiente para carregar 10 celulares. Desenvolvido por Max Donelan, cinesiologista da universidade canadense Simon Fraser

Camisinha Diferente – O professor de educação sexual Jan Vinzenz Krause viu um lava-rápido e criou a camisinha em spray, com a qual o homem introduz seu pênis em uma pequena garrafa que o borrifa com látex, e após 3 minutos (essa é dose!) o resultado é mais seguro e a forma se adequa perfeitamente ao pênis sem a sensação desagradável da camisinha.

Airbags Pessoais para Idosos – As quedas são a maior causa de morte entre os idosos (65 anos ou mais). Os sensores detectam uma queda e as proteções são ativadas nos quadris e ao redor do pescoço em um décimo de segundo. A companhia japonesa Prop vende airbags para idosos que pesam 1 quilo por cerca de hum mil e quatrocentos dólares.

Cirurgia Portátil – Raios ultrassom em menor intensidade têm calor suficiente para cauterizar ferimentos, mesmo quando há muita perda de sangue. Empresas já desenvolveram modelos portáteis que cauterizam veias e artérias ao fazer a incisão.

Mapa Genético – Em alguns anos, todos poderão ter seu genoma decifrado por um valor inferior a 400 dólares. A partir daí, remédios serão feitos sob medida e a prevenção será muito mais eficaz.

Magritte, um artista com ideias luminosas

Magritte, um artista com ideias luminosas

Vacinas Contra Drogas – Thomas Kosten, especialista em drogas da Universidade de Medicina de Houston nos Estados Unidos, testou um experimento com 100 dependentes químicos. A vacina que ajuda a produzir anticorpos que neutralizam a cocaína, e que evita recaídas, foi bem-sucedida em 1/3 de 55 pacientes, que reduziram o consumo da droga.

Hospitais-Hotéis. Imagine que beleza: concierges, iguais aos dos hotéis, para despachar documentos, lidar com burocracia e aliviar o trabalho das enfermeiras; e pré-internação com cadastro feito dias antes das cirurgias, com preferências alimentares e aviso antecipado sobre dificuldades de locomoção, entre outras vantagens.

Mente Sem Lembranças – Pesquisadores do Medical College of Georgia sugerem que é possível apagar memórias de curto e médio prazo ao alterar níveis da enzima CaMKII, que só é encontrada no cérebro. Os testes com ratos obtiveram resultados impressionantes.

Carros Que Estacionam Automaticamente – A primeira tecnologia surgiu em 1992 com o protótipo Futura da Volkswagen. A Toyota foi a primeira a vender veículos com a função: o modelo Prius foi lançado no Japão em 2003.

Avião Que Usa Energia Solar – O projeto suíço Solar Impulse trabalha na criação de um avião que é movido por energia solar e não polui.

Clonagem de Animais Extintos – Em fevereiro de 2009, uma espécie de bode desaparecida desde 2000 foi clonada pela primeira vez.  Amostras de DNA foram repassadas para óvulos de cabras, mas é claro, é bom lembrar que são necessárias células intactas.

Grafeno, o novo Silício – Walter de Heer, professor de tecnologia da Universidade Georgia Tech, nos Estados Unidos, sugeriu que os transistores podem ser construídos com grafeno, uma substância composta de nanotubos de carbono. A velocidade dos computadores aumentaria em 100 vezes, que tal?

Roupas que Mudam Todos Os Dias – A empresa LLC de Chicago criou uma tela de LCD que não precisa de energia para mostrar imagens estáticas, que podem ser baixadas ou transmitidas via Bluetooth. Camisetas e tênis podem usar a tecnologia para criar roupas que mudam conforme o gosto do freguês.

Plástico-Bolha Eterno – A Bandai, fabricante japonês de brinquedos, criou o Mugen Puchi Puchi ou Infinite Pop Pop, um chaveiro elétrico com oito botões, que simula a sensação que a pessoa tem ao estourar uma bolha em uma folha de plástico-bolha.

TV Com Cheiro – A Sony criou um aparelho que enviaria pulsos ultrassônicos para estimular os sentidos do espectador.

Telas Digitais Flexíveis – Televisões, jornais, revistas, livros e até laptops terão esse material.

filme KURT COBAIN – RETRATO DE UMA AUSÊNCIA
27 jul, 2009 por Carlos Lopes

O guitarrista do Nirvana, Kurt Cobain está sempre lá, em off, no filme “Retrato de uma Ausência” desconfiando de tudo e de todos sem que seja necessária a presença de sua música ou do seu rosto. O filme é baseado no livro “Come As You Are” de Michael Azerrad, amigo do guitarrista, que o entrevistou durante 1992 e 1993.

caminhando e cantando...

caminhando e cantando...

O diretor A J Schnack produz cinema diletante na essência da palavra, composto por cenários, céus, paredes, imagens que reforçam as palavras de Cobain, a voz do filme, transformando os olhos do artista nos do espectador. Não se toca a música do Nirvana (segundo as palavras de Cobain, a banda que misturou “o som pesadão do Black Sabbath, com baladas pop e a música dos Beatles”) e a única vez na qual as fotos (em preto e branco) da banda são exibidas é no final, para dar por encerrada a via crúcis de depoimentos, sinceros e exagerados do sujeito que fugiu da minúscula Aberdeen (Washington), na qual o pai contava toras de árvores suicidadas, para a úmida Seattle, cidade que Cobain sempre amou odiar.

Kurt Cobain era um sujeito de certa forma puro (gostava de Vila Sésamo), um punk romântico, um hippie beat, um ET misturado com um poeta francês do final do século XIX ou apenas um bebê chorão? Quando sua primeira namorada sugeria “você precisa arrumar um emprego”, ele respondia “vou morar no carro” e ela dizia “deixa pra lá, vamos jantar”.

Será que ele nunca enfrentou a vida de fato? Cobain escolheu a morte para não enfrentar a vida, atormentado pelas dores da alma e por sua debilitada condição física? Desde o início se declara um ET, alguém jogado neste planeta sem saber o que fazer, aguardando a revelação de sua missão.

mãe e filha em evento social e cobain, o mito morto

Em abril de 1994, um ano após o último contato com o jornalista (profissão que Cobain chama de “piores seres na face da Terra”) e músico Michael Azerrad, o guitarrista se matou. Na época, a imprensa e o público escolheram um alvo: sua esposa, a também roqueira Courtney Love, também acusada pelo próprio pai que a indicou como mandante do “assassinato”.  Há alguma “mulher de roqueiro” que tenha sido mais perseguida do que Courtney Love? Apenas Yoko Ono! E uma das explicações, o próprio Kurt a tem: “Eu pedi mil vezes para os empresários fazerem algo e nada acontecia. Ela ligava, brigava pelo dinheiro para sustentar a nossa filha. Eles faziam tudo imediatamente, mas com certeza a xingavam de “vaca” assim que desligavam.”

Uma das últimas falas do deprimido guitarrista, no término da película, o mostra em um momento familiar no qual Kurt pede um instante ao entrevistador para confirmar que levará a mamadeira para a filha, a pedido da companheira. “Pode deixar”, ele diz “Não esquecerei”. É a catarse final de dois adultos que não se relacionaram hipocritamente com o mundo exterior, que foram criados por famílias disfuncionais, e que juntos constroem um elo de esperança chamada Frances Bean Cobain, nome estranhamente escolhido para simbolizar o futuro inspirado pelo exemplo (ou desejo de Cobain) da suicida atriz de Seattle, Frances Farmer.

Leia o texto na íntegra em www.omartelo.com

Uma carta para Ivete Sangalo
19 jul, 2009 por Carlos Lopes
Dá no couro.

Dá no couro.

Querida Ivete Sangalo.

Essa é uma carta que escrevi com o coração e a razão.

Não tenho o hábito de assistir o Altas Horas por causa do horário e também por causa dos entrevistados. Como todo grupo empresarial, o programa vende os produtos da emissora, dando destaque às suas produções e artistas, o que é bem natural. Nada contra. E como espectador livre tenho o direito de compactuar ou não.

Trabalho de madrugada no computador e sempre deixo a TV ligada. Por pura e completa preguiça estava na Globo. Esclareço que não vi o programa, apenas o ouvi. A entrevistada era você, Ivete Sangalo. Como gostei muito do novo trabalho “Pode Entrar”, do qual tomei conhecimento zapeando pelos canais até cair no Multishow, no qual foram exibidos episódios da gravação do CD em um estúdio na sua casa em Salvador, deixei rolar. Você é uma grande profissional, a maior estrela da nossa música, assim como Elis Regina foi há décadas. Claro que o repertório é completamente diferente, até mesmo por questões históricas e mercadológicas.  A primeira vez na qual você me soou simpática foi por causa da gravação de “Coleção” de Cassiano (“Sei que você gosta de brincar de amores, mas comigo não”). E é claro ouvi “Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim” como todo mundo.

No Altas Horas de 19 de julho de 2009 ouvi o seu dueto com Marcelo Camelo, tocando a linda “Teus Olhos” (inclusive a versão ao vivo no programa me soou mais interessante do que a do CD/DVD). No quesito musical nota dez, mas aí é que veio a bomba.

A sexóloga Laura Müller aconselhou as mulheres a não engolirem sêmem por causa das bactérias, você respondeu brincando que sêmem “tem proteína”.

Então ouvi, meio no tumulto dos risos, um “Tem é que gozar”. A frase dita por ti, por si só, teve um quê de liberalidade positiva, mas não consegui parar de pensar no que uma palavra dita de qualquer jeito, faz com a cabeça alheia. E no que ela pode alimentar.

“Gozar” segundo o Aurélio significa “Experimentar grande prazer na posse de. / Ter a posse de uma coisa de que se tiram vantagens; desfrutar: gozar saúde. / Bras. Pop. Achar graça em, rir de. / Passar a vida em prazeres.”

Releia e veja a palavra “vantagem” como sinônimo de “gozar”. O Brasil de hoje luta para se libertar daquele país do Gerson, o jogador, o país no qual “todo mundo tirava vantagem”.  Não quero esse Brasil para mim, não quero esse mundo para mim, nem para os outros. Entendi o seu “gozar” no contexto. Mas por que não trocar a palavra “gozar” que soou chula por “amar”? Poderias ter dito: “Tem mais é que gozar com seu parceiro, ser fiel e amar muito”. Seria mais bonito e estaria à altura de uma pessoa pública.

Falar espontaneamente é uma coisa, ser McCartista é outra. Como o público do programa é “jovem”, você foi devidamente espontânea, como estou sendo agora e só te escrevo porque me incomodou e muito.  Estou cansado de ver e ouvir as pessoas (na rua) dizerem que querem “viver o momento”, “serem felizes” e coisas do gênero, e ao mesmo não serem sinceras, “galinharem”, mentirem e arrastarem os outros ao poço sem fundo da mentira.

Essa é a base da sociedade, esse é o futuro do mundo, o futuro do Brasil, esses são os valores dos jovens que se acham melhores dos que as gerações anteriores, envelhecidas e com idéias envelhecidas?

A juventude não é a solução, a solução está no coração de todos nós, sejamos jovens, idosos, negros, brancos, índios, brasileiros, estrangeiros, homossexuais, evangélicos, budistas…

Enfim, a resposta está no exemplo e você é um exemplo para milhões de pessoas.

Seja fiel, ame e goze muito com o seu parceiro. Gozar é muito pouco.

OS CLÁSSICOS SUBESTIMADOS DO SÍNDICO
27 fev, 2009 por Carlos Lopes

 

Manueeeel!!! O maior homem do mundo, homem sábio e profundo, semeou conhecimento...

Manueeeel!!! O maior homem do mundo, homem sábio e profundo, semeou conhecimento...

 

“Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme e traficante se vicia”
“Não saio com mulheres famosas pois não pago acima da tabela”
“Tudo é tudo e nada é nada”
“Passou de branco, preto é. Não existe esse negócio de mulato. Mulato para mim é cor de mula”
“Gosto de cantar com sentimentos. Se você não transmitir sentimento, não atinge ninguém”
“Os meus cachorros são os meus melhores amigos”

 

 

O “Tim Maia Racional” de 1975 é venerado como uma das maiores jóias do nosso cancioneiro, assim como o retorno dos Mutantes, bancado pelos gringos e não pela mídia nacional. A diferença é que apesar dos Mutantes serem mortos vivos, ainda assim estão mais vivos do que o Tim que só pode olhar mesmo de cima e pedir a Deus que aumente os graves e melhore o som. Mas o intuito desse texto é desmistificar o lugar-comum, que afirma que somente os “Racionais” são discos dignos de culto. Nada mais longe da verdade.

 

Leia em http://www.omartelo.com/omartelo2/materia4.html

 

Entrevista com Jaime "Vida Louca" Martín
26 fev, 2009 por Carlos Lopes

clássico das histórias em quadrinhos

clássico das histórias em quadrinhos

Em 1985 o desenhista espanhol Jaime Martín tornou-se um profissional dos quadrinhos, desenhando tanto para o público infantil como para o adulto. Em 1987 começou a colaboração com a revista El Víbora, onde realizou trabalhos mais maduros, inclusive com conteúdo social. A partir daí seus quadrinhos foram publicados em países como Itália, França, Alemanha, Estados Unidos e Brasil (na extinta revista Animal). Em 1990 recebeu o prêmio de autor revelação no 8º Salão Internacional de Quadrinhos de Barcelona pela obra “Sangre de Barrio”, considerada a sua obra prima. A editora Conrad acaba de relançar as 3 partes de “Vida Louca” (nome no Brasil) em um só livro. Em 1995 recebeu o prêmio Historieta Diário de Avisos (Tenerife) pela obra  ”La Memoria Oscura”. Desde 1992, as possibilidades do computador passaram a ser uma grande ferramenta de ajuda.  Atualmente trabalha em diversas áreas de sua arte, tanto produzindo para imprensa e TV como atuando no campo editorial e desenvolvendo vídeo-jogos.

 

Leia entrevista exclusiva com Jaime em

 

 

Oscar, Coringa, Ledger e o Mal
23 fev, 2009 por Carlos Lopes

And The Oscar Goes To...

And The Oscar Goes To...

Aproveitando a deixa, já que o Coringa de Ledger é o agora ganhador póstumo do Oscar, recomendo a leitura da análise que escrevi sobre o Coringa e o Batman. Uma parte: “As grandes reflexões do filme são propostas pelo próprio Coringa. Ele é o grande comunicador, é a mídia, usa a televisão, as reuniões de massa para agir. Ele se divulga, usa a fraqueza do ouvinte a seu favor. Sabe que são apenas humanos. Ele não é só um palhaço (a loucura externa), que necessita dos aplausos, mesmo  que medrosos do público (o que ele também anseia). Ele ri do público.”

http://www.omartelo.com/omartelo12/cinema.html

»  Contato: mustangmartelo@gmail.com  
© .:: O Martelo ::.