Ezequiel Neves, um dos mestres da escrita roqueira se foi deste mundo aos 74 anos, em 7 de julho de 2010, curiosamente no mesmo dia em que Cazuza decidiu partir desse mar de lágrimas para o paraíso dos grandes poetas brasileiros, há vinte anos. Que coisa… Sincronicidade braba.
Ezequiel era produtor (do Barão Vermelho, primeira casa de Cazuza), jornalista e artista barroco, que tão bem soube desprezar o mundo que ele considerava “careta” ao se expressar através de mil firulas linguísticas em resenhas que muito me encantaram na fina flor da idade. E assim 20 anos após Cazuza, a sua grande “criação”, o seu autorretrato, Ezequiel pediu asilo da materialidade, pegou a mochila e embarcou para outra galáxia ao som dos Rolling Stones. Tal “pai”, tal “filho”, o exagerado codinome do beija-flor de Ipanema nos deu adeus.
A última vez que o vi pessoalmente foi na pré-estreia do filme Shine a Light dos Rolling Stones, acho que em 2007 e ele lá, batendo um papo com Jamari França, outra criatura pensante gerada das páginas de leitores da Rolling Stone brasileira, que Ezequiel coeditou em versão pirata nos anos 70. Aquela cena no cinema me fez recordar de muita coisa, do meu primeiro LP de rock e é claro, da primeira publicação de rock que adquiri com minhas parcas economias, lá com meus 12 anos: “Rock: A História e A Glória”, uma revista preto e branca com 24 ricas páginas, escrita por quem havia de melhor na nossa imprensa: Tárik de Souza, Ana Maria Baiana e Ezequiel Neves, o último, o enfant terrible da crítica roqueira, o sétimo Rolling Stone, o eterno Barão Vermelho, o insaciável Dionísio.
Não há como relatar aos amigos e leitores, toda a admiração que tenho e continuarei a ter por esse personagem que me educou nos meandros da crítica, não como um mestre presente, mas como todo bom rebelde, como um mestre ausente fisicamente, mas presente em cada edição da minha querida revista preto e branca, na mesma época em que me arrisquei a comprar a revista bicolor (ou tricolor) do Fradim, escrita pelo cartunista Henfil, que me proporcionou vários arrepios com as histórias daquele frade perversamente lascivo. Assim era Ezequiel, chegado a nos dar arrepios. A banca de jornais me parecia mais livre do que a minha casa, na época da “ditacuja”.
Com sua escrita insatisfeita misturada com inglês debochado e coluna social, Ezequiel influenciou uma legião de fãs, que se tornaram críticos musicais, a partir dos anos 80. Eu mesmo, segui adiante com minhas próprias pernas e coragem, mas certamente, entre os responsáveis pela fagulha inicial, aponto, sem dúvida o dedo para o seu “Zeca Jagger”, que depois na revista Pop de São Paulo, durante a eclosão punk em 1977, alterou a sua alcunha para “Zeca Rotten” além de outros codinomes e personas como “Zeca Zimmerman” e “Angela Dust”. Era muitos em um corpo. Todos, um só. Exagerado, jogado aos nossos pés. Nosso Lester Bangs de Belo Horizonte, ave lisérgica com asas esplêndidas que cobriam a luz do sol para que a nossa razão crítica planasse nas trevas do pensar. Razão da falta de razão.
Tudo o que fazemos, escrevemos ou compomos influencia alguém lá no outro lado do planeta, isso é fato. E ironia das ironias celestiais, fomos surpreendidos com a sincronicidade final que permitiu que Deus levasse Ezequiel, nome de anjo caído e elevado, na mesma data da pessoa que era como o seu próprio retrato de Dorian Gray, rejuvenescido.
Baron Rojo
Seu último trabalho foi o livro “Barão Vermelho – Por que a gente é assim?” lançado em 2008 e escrito com o baterista Guto Goffi e o jornalista Rodrigo Pinto.
Presto aqui, minha sincera homenagem reproduzindo trechos dos comentários do irrecuperável rebelde, a começar pelo primeiro texto que li, saído da pena do mestre:
“Com “Their Satanic Majesties Request”, os marginais do rock inglês conseguiram fazer um álbum surpreendente que, apesar de obedecer à mesma fórmula do show-contínuo já usado pelos Beatles em Sgt. Pepper´s, está mais ligado às experiências musicais de vanguarda (…) o resultado obtido aqui (…) alcança um clima de angustiante paroxismo.” (Jornal da Tarde, 21/10/69)
“…Basta, como eu, ouvir as centenas de lançamentos do jazz-rock ou jazz-elétrico lançados a partir de 1971 para se perceber que tudo não passa de uma descarada mentira.(…) Quando meto o pau em um Vitor Assis Brasil, todo mundo me chama de burro. Eu, burro? Mal informado é quem me chama de burro. Podiam é me chamar de macaco velho e portanto sábio em pular pra outros galhos (…) Genial é o meu guru Hermeto Paschoal, ele como Miles Davis, sabe o segredo da música do futuro. Porque o jazz-elétrico, my friends, já era.” (“Rock, A História e A Glória” 20)
“Apesar de seis LPs totalmente repulsivos, tiro o meu chapéu para Acquiring the Taste do Gentle Giant. Aqui a receita de misturar rock, jazz e música clássica deu em algo totalmente gênio.” (“Rock, A História e A Glória” 10)
“É impossível ouvir qualquer tempestade do Led Zeppelin sem a cabeça feita. E foi o que fiz para saborear Presence. E não aconselho aos incautos a fazerem o mesmo. Depois de ouvir os dois lados desse arrasa-quarteirão estava literalmente em frangalhos no chão. Não tinha forças nem para me levantar, nem para esboçar o mínimo gesto. Tinha impressão de que havia sido massacrado por dez marginais perigosíssimos.” (“Rock, A História e A Glória” 20)
“… a música, propriamente dita, do Wish You Were Here do Pink Floyd é uma bobagem. Mas isso é secundário, já que o Floyd está mesmo num beco sem saída. Depois do Atom Heart Mother, o som do quarteto virou uma encheção de lingüiça.” (“Rock, A História e A Glória” 11 – 6/10/75)
“Não há nenhum exagero em dizer que o Quadrophenia do The Who está para o rock, assim como o “Retrato do Artista Quando jovem” de James Joyce, está para a literatura inglesa.” (Jornal da Tarde, 7 de junho de 1974)
“Não há nada como um dia após o outro: o Beatle mais babaca acabou passando os outros para trás.” (Ezequiel sobre o LP Venus and Mars dos Wings na “Rock, A História e A Glória” 10)
“A gente pode não mudar a TV brasileira, mas a gente vai tentar”, foi a última frase do apresentador Marcos Mion ao término do primeiro programa mezzo jornalismo jovem, mezzo humor apimentado com crítica social antenada, mezzo programa de auditório. Visivelmente animado, e talvez aliviado por ter estreado, o apresentador sabe que hoje fez a diferença na modorrenta TV aberta brasileira. Por isso, e se possível, que tenha vida longa, mas que venha para mudar e não para manter o continuísmo tão ao gosto da audiência média cansada.
Mion Man
O grupo de “Legendários” comandados por Mion inclui o seu clone mudo, João Gordo e “os” Hermes e Renato”s”. Por questões contratuais, “os” H. e R. não podem fazer uso dos seus personagens patenteados pela antiga emissora, que não teve o nome mencionado na nova atração – quiçá, uma boa estratégia de marketing. Farpas para a MTV saíram pelos poros para acertar o alvo, mas como se diz, a fila anda. A antiga emissora já contratou um novo grupo de humoristas e a vida prossegue, sendo que a MTV não tem a verba da Record, que por sinal, não esconde o seu grande objetivo, que é arrancar a Globo do mapa, e impor um novo tipo de imperialismo, o da audiência com objetivos religiosos.
Há uma dicotomia curiosa que rola há bastante tempo entre as duas maiores emissoras do país, ambas com qualidades e defeitos. Se a Globo nasceu de algum acordo escuso com a Time Life e por tabela, com o imperialismo norte-americano, isso já acabou, são águas passadas, pois a Globo fez mais pela cultura desse país do que todos os governos civis. A Record também não esconde que pretende alcançar a presidência da República, como a mesma Globo fez ao seu modo, quando apoiou Fernando Collor para liderar a nação, contra o ainda muito nordestino “sapo barbudo”. Enfim, eles que são brancos que se entendam, eu quero é ver TV e de preferência, de qualidade.
Se uma coisa realmente me incomodou foi o formato de auditório, e a anaconda utilização do sexismo com dançarinas fazendo chifrinhos com as mãos. Imagino o quanto deve ter custado de debates e divergências nas reuniões de produção, para inserir tantas possibilidades dentro de um formato que pudesse ser assistido pela média da audiência. Mas essa opção, dançarinas do capeta, os aproxima dos Brothers e do Pânico, quando deveria afastá-los para crescer com independência e com um rosto realmente novo para informar e fazer rir com leveza e graça. Claro, que entendo a motivação e os lógicos argumentos para a inclusão dessas moças: a audiência masculina, mas se houvesse justiça na TV, incluiríam homens igualmente seminus e rebolativos. Mas deixando esse assunto de lado, o melhor do programa é a boa quantidade de matérias críticas como racismo e preservação do meio-ambiente. Os acertos serão feitos com o tempo e rezo para que cheguem a um consenso e que esse consenso traga à bojo a tal e desejada audiência.
Legionários, sejam bem-vindos, desde que seja pelo não continuísmo, mas para que muitos como eu não continuem acreditando que faleceremos vendo a TV brasileira aberta, mais covarde do que já é. Derrubem os muros, façam o possível, pois a tal da fila anda.
E verdade seja dita, esta não é apenas uma análise sobre televisão, mas sim uma análise política, pois tudo na vida é política, inclusive o que você ouve ou assiste.
À luz de velas em Ipanema
Ipanema, sexta feira da paixão à noite. Não esperava encontrar uma procissão católica no meio do caminho, o caminho em meio à procissão na movimentada avenida principal do bairro. Gosto do inusitado, mesmo, e de certa forma prefiro que o acaso – de boa cepa – determine o andamento das coisas da vida. Claro que para os fiéis, não há nada de inusitado na Semana Santa, uma data aguardada e para a qual prepararam antecipadamente uma alinhada procissão. Mas eu, como muitos, não lembrei ou não priorizei a data e o encontro foi um colírio inesperado, para quem há pouco mais de um mês viu a cidade tomada por blocos carnavalescos de mijões. Melhor, o cheiro de incenso e a luz de velas que não agridem os nossos narizes. Não me cabe aqui questionar se a tradição religiosa é uma procissão mítica sem razão de ser. Gosto de manifestações sem gritaria, julgamentos e na maior paz. Religião, “religiosamente” tem a ver com introspecção e isso me faz bem, me faz pensar. Gritaria é bom para debates esportivos na telinha, faz mais sentido. Jogo de hunos, debate em forma de zurros.
Homens de Preto
Quando era moleque, comia carne na Semana Santa, só de implicância, mas a gente cresce e para com essas bobagens. Se quiser comer que coma, mas sem pressão de vegetarianos ou religiosos e no maior respeito.
Grandes festas populares nos são impostas como manifestações de cunho social e cultural. Na última década, o carnaval no Rio cresceu demasiadamente, tomando conta de cada rua e viela desta cidade, sem nos dar a opção da escolha. Ou dá ou desce. Quem não quer se adaptar que dê o seu jeito. Não fico dançando na rua, mas não me aborreço, a não ser com os bêbados que não estejam abertos a diálogo e a imposições a menos de um metro. Essa reflexão curiosa ocorreu na última festança de fevereiro, a imposição da festa, a imposição da alegria a qualquer custo. Seria a manifestação religiosa, a imposição da tristeza católica, da serenidade budista ou da gritaria evangélica? Do mesmo jeito, se não dá, desce. Se você é um sujeito que não gosta de carnaval, procissão, copa do mundo e eleição presidencial, é mister mudar de planeta. Não tem jeito. Agora se você sabe que tudo que começa, a dor e a amor, tem início, meio e fim, você aprendeu algo, inclusive a viver. Não dá para fazer o mundo com a nossa cara, mas dá para fazer um acordão.
As costas
Textos são peças complexas de oratória mental, entendidas como podem pelos leitores. Aqui não há ou jaz uma carta contra a alegria ou à introspecção religiosa, mas sim uma carta a favor do respeito e da liberdade de expressão. Somos todos peças de uma grande e confusa verdade universal. Na maior paz. Amém.
Vermelho e Branco
Este texto, meio que começou a nascer em um final de semana, no qual faleceram dois brasileiros supimpas: o sambista Walter Alfaiate e o bibliófilo José Mindlin. Senti que o país ficou mais pobre e isso cutucou meus brios.
Digo “começou a nascer” porque de fato o texto atual foi inseminado no ano passado, mas até hoje era impossível transcrevê-lo para o mundo real das palavras escritas. Há bastante tempo não escrevo, fruto de um desinteresse crônico em compartilhar idéias escritas. Tenho preferido ler (livros) e assistir filmes e documentários, estudar cada vez mais, uma das minhas paixões. Inclusive, tem sido mais fácil escrever canções e gravá-las, apesar que todo o processo envolvido, muitas vezes, te faz perder o amor pela música. Mas isso é assunto para outro texto, este agora está reservado para uns pensamentos sobre o meu Brasil.
Repito e digo “o meu Brasil”, pois nem tudo pode ser repartido, pois somos pessoas com sentimentos diferentes e isso faz toda a diferença na hora de emitir um julgamento. E achismos não surgem apenas do povo iletrado, mas de profissionais esclarecidos, que acham que podem cuspir suas análises fundamentadas em racismo crônico. Se dependesse de muitos que cá nasceram, esse país seria uma colônia não mais da União Soviética do pós-guerra, como poderia ter sido antigamente, mas do mundanismo internacional. Já escrevi anteriormente que me causa repugnância quando alguém fala que “esse país é um lixo”, “só pode ser Brasil mesmo”, “país de preto” e coisas assim. Em primeira instância, essa elite que existe desde os tempos da colônia de Portugal ficou e ainda está muito fula porque, apesar dos escândalos, o PT ainda é o partido que manda no quintal e o seu porta-voz é o presidente mais popular do mundo, mesmo falando errado, coisa que horroriza a classe alta, que associa postura (o externo, o socialmente aceito) com bom comportamento. E essa associação quer nos continuar impondo presidente homem e branco. Um nordestino que fala errado não poderia, em “um país sério” sonhar em ser presidente, é o que pensam.
Se o Brasil ganhou o direito de sediar, principalmente a Olimpíada é porque Lula fez e aconteceu, colocou o Brasil no mapa. Ele soube usar a mídia a seu favor, o que no final das contas, conta a nosso favor. O sociólogo rancoroso, esse mesmo, que só sabe reclamar, não conseguiu. Por causa disso, dessa dor de cotovelo crônica, e apesar do seu francês fluente, o que ele pretende? Se hoje, americano (que ainda manda no mundo) sabe quem somos, que os brasileiros existem,é mais por causa da popularidade de Lula do que por causa dos nossos talentos. Isso se faz notar em produções cinematográficas como 2012, que despencou o nosso Cristo e com o atual seriado V (para fãs de Lost), que coloca uma nave-mãe gigante no ar falando português à frente do mesmo e popular Cristo Redentor (anexo imagem). Vejam bem: Nova Iorque, Los Angeles, Paris e… Rio.
Já escrevi também, que amo a ideia do Tropicalismo de Caetano e Gil e os filmes do cinema novo, que fundem o estrangeirismo com o olhar e o sentir local. O Brasil não deve se fechar, pois esse tipo de coisa gerou duas guerras mundiais, e coisas como o Iraque, o Irã e a Coreia do Norte. Há a necessidade de ensinar aos jovens, aos estudantes, e inclusive aos mais velhos, o orgulho de ser quem somos e ser como somos. Quando alguém comenta que o canto orfeônico do Villa Lobos, só foi possível em um contexto ditatorial, eu me pergunto, então por que não podemos resgatá-lo , se somos livres, e donos dos nossos narizes? Por que não voltar a ensinar música nas escolas? Para disponibilizarmos computadores em todos os colégios, é necessário educar o aluno para que ele não use a máquina (ainda mais) a serviço da futilidade.
Essa necessidade mórbida de olhar sempre para fora, se preocupar com o “primeiro” mundo e pisar no que temos de melhor, o “nosso”, aí sim, mesticismo é fruto de ignorância, medo e covardia de deixar a pele escurecer e os cabelos encaracolarem. E o esquecimento, promovido pela mídia, faz parte dessa conspiração que pode ser alcunhada de educação regressiva, como um espelho embaçado que não reflete os nossos rostos e nem as nossas infinitas possibilidades. Muitas vezes, penso no que deve existir de baixa estima, quando o sujeito NÃO se vê na TV porque só há gente loura de olhos claros, biótipo alienígena e nazista. Isso só pode fazer o sujeito se sentir um lixo, e certamente o faz. Se você não abrir o olho, o negócio pode ficar feio mesmo, criando um ambiente para dominação cultural e inserção de valores que não são úteis para o nosso, aí sim, desenvolvimento e para a nossa liberdade, ainda que tardia. A mais perigosa das armas é a mídia, que inculta nas pessoas, o sentimento mesquinho de assimilar valores opressivos que deseducam.
Aconselho aos meus amigos leitores o excelente canal Futura, com um primor de programação; a TV Brasil, que está cada vez melhor; programas como Por Toda Minha Vida da Rede Globo e o fantástico documentário “O Homem que Engarrafava Nuvens” de Lírio Ferreira, diretor de Baile Perfumado e Cartola – Música para os Olhos sobre o compositor Humberto Teixeira (1915-1979), o “doutor do baião”, parceiro de Luiz Gonzaga.
Amigos e leitores, olhem e sintam o Brasil com outros olhos, com orgulho de quem sabe quem são. Se vocês não gostam do Brasil é porque não gostam de vocês, pois nós somos o Brasil. E ninguém mais pode ser.
“Na realidade a sucessão de obras é para fazer inteligível o que eu sou. Eu passo a me conhecer através do que faço. Que na realidade não sei o que sou. Porque se é invenção eu não posso saber. Se já soubesse o que seriam essas coisas não seria mais invenção. A existência delas é que possibilita a ‘concreção’ “
(Helio Oiticica)
1968 - Caetano e Parangolé de Hélio
Esse sábado certamente não amanheceu como outro qualquer, não porque há uma chuva ácida em andamento e nem porque criminosos do Morro dos Macacos na zona norte do Rio derrubaram um helicóptero da polícia.
O sábado havia começado bem ao receber a mensagem de uma amiga que está na França: “Resolvi que não vou mais entrar em museu até segunda, senão não faço outra coisa. Obs: museu de país que valoriza cultura é uma felicidade sem fim.”
Meu semblante mudou e logo depois liguei a TV.
Ingênuo que sou, coitado de mim.
Como se não bastasse o desprazer de ver um helicóptero queimado e dois policiais mortos, uma outra notícia incendiária derrubou meu sábado: o acervo de um dos fundadores do neoconcretismo, o artista Hélio Oiticica, falecido em 1980, que se queimou entre sexta e sábado. Se fossem perdidos “meia dúzia de objetos”, a perda já seria irreparável, mas o problema é que simplesmente perdeu-se 90% das obras do artista que não estavam seguradas, um prejuízo calculado em 200 milhôes de dólares. Só se salvaram CDs e arquivos de computador. E lá se foram todos os parangolés. Queimou-se o Tropicalismo, a idéia do Brasil novo, a possibilidade do inédito, do eterno velho Brasil renovado. Fica a lição: as chamas da ignorância destroem, mas não podem vencer. Jamais.
O acervo do artista, guardado no primeiro andar da casa da família no bairro do Jardim Botânico no Rio de Janeiro, se perdeu enquanto seus parentes, que estavam no segundo andar, sentiram um forte cheiro de queimado.
Hélio em forma de Arte
O pior dessa história é que a prefeitura teve um longo entrevero com a família pela posse e preservação das obras. Em 1981, foi criado sob responsabilidade da família, o Projeto Hélio Oiticica. Em 1996, a secretaria municipal de artes do Rio de Janeiro fundou um centro de artes para abrigar todo o acervo, mas brigas entre a família e o governo por causa de (não) pagamentos azedaram o diálogo. Em abril de 2009, os herdeiros de Hélio suspenderam uma exposição, alegando falta de pagamento, que foi regularizado, mas a família não devolveu a maior parte das obras, que estava na reserva técnica do Projeto Hélio Oiticica, que segundo eles, possuía as condições necessárias para a preservação das obras, as mesmas que foram queimadas ontem, seis meses após a contenda.
Jandira Feghali, a secretária de cultura lamentou a perda, mas declarou que a prefeitura lutou pelas obras. César, o irmão de Oiticica que se dedicou a proteger a obra do irmão, declarou emocionado que assume sua falha, apesar da sala na qual ocorreu a tragédia, ter controle de umidade e temperatura.
Para variar, quem perde é o Brasil, quem perde é a arte mundial.
Fernando Alonso e Nelson Piquet Jr bem que tentaram, mas não conseguiram fazer das suas em Singapura. Esquecendo essas baixarias da Fórmula 1, que tal falarmos dos aspectos positivos do país?
O que o senhor, ou senhora leitor(a) diria sobre um país que condena quem pichar uma parede com uma boa multa de 4 mil reais? E se a mesma pichação for difícil de ser limpa que tal o acréscimo de 3 a 8 chibatadas? E se o sujeito não der descarga no banheiro público que tal 300 reais de multa? E o que o senhor diria de 2 mil reais se jogar lixo na rua? E se falar no celular dentro do carro, que tal ser preso na hora? E tráfico de drogas que é punível com a pena de morte? E chiclete que é considerado um dos maiores inimigos por causa dos gastos com limpeza pública, que são cobrados do povo? Para muitos pode parecer o inferno sobre a Terra, mas para outros soa como o paraíso.
Pode Quem Ri Ou Ri Quem Pode?
A República de Singapura (com S de acordo com a nova ortografia), literalmente a Cidade do Leão, se localiza entre a Malásia e a Indonésia, e é uma ex-colônia britânica composta por uma ilha principal e 63 ilhas menores. Singapura é provavelmente o único lugar do mundo no qual se vê um casamento malaio ao lado de um casamento chinês, coisa rara em outros locais asiáticos. A capital deste país, também chamada Singapura, é única em bons modos, e livre de impostos, faz do turista um item desejado pelo comércio local. O país possui um único partido vitorioso desde sua independência em 1965, e ninguém reclama por causa disso. Seu único grande problema ocorreu quando o Japão os invadiu em 1942 na Segunda Guerra, na época que os nipônicos acreditavam que Deus era japonês e não brasileiro.
O inglês é a língua do comércio, mas existe um “portunhol” local chamado Singlish, utilizado pelos cidadãos que não aprenderam bem o idioma.
Shenise - Miss Singapura
Singapura pode não ser o paraíso da ultra diversão decadente ocidental (como diriam os antigos regimes comunistas), pois o que vale lá é o bem estar da maioria e não a vontade do indivíduo. A diversão favorita do povo é o cinema, com todo mundo sentadinho nas cadeiras, coisa super educada. Mas não se assustem: não há ninguém com cara e jeito de norte-coreano, e eles até são chegados a uma piadinha, tal como no anúncio do novo sanduíche da Burger King local com 17 centímetros de largura. O cartaz brinca com o termo “blowjob” (boquete) e com a frase “vai explodir na sua boca”.
NOOOSSA!
Mas antes que alguém pense ao contrário, as pessoas em “Singa” são super normais, mas sem os excessos dos ocidentais, consomem bastante, mas com a cabeça no lugar. E o povo é bastante inteligente. Nesse ano, uma equipe de estudantes local levou um prêmio de US$ 10 mil por desenvolver um sistema comercialmente viável de aquecimento de água, no qual canos, construídos embaixo das estradas, aquecem a água, em uma alternativa mais sustentável do que aquecimento elétrico ou a gás. Essa pode será solução para países quentes como os que existem na África, América Latina, Oceania e grande parte da Ásia.
Oriente e Ocidente
Essa metrópole do sudeste asiático incorpora o melhor do ocidente e do oriente, unindo tradições e modernidade, tendo à frente um partido político praticamente único e muitíssimas proibições para todos os segmentos sociais; no país há placa de proibido em tudo quanto é lado.
Para os endinheirados, um passeio pela Orchard Road com suas lojas chiques e restaurantes finos é a boa, e que tal pegar uma prainha em Sentosa e passear na roda-gigante de onde pode-se admirar os maravilhosos edifícios e as belas paisagens da cidade? Com 4 milhões de habitantes e PIB de US$ 84,4 bilhões (1998), o local é uma das terras promissoras, símbolo da prosperidade dos “tigres asiáticos”.
Templo Budista
O bairro colonial da capital é dominado pelo parque Ford Canning , construído em 1819 sobre um campo santo malaio e sobre um cemitério no qual estão enterrados alguns dos primeiros colonos europeus que se estabeleceram na ilha. Ao norte do parque encontra-se o Museu e a Galeria de Arte Nacional, famosa por sua coleção de objetos de jade e o Distrito Financeiro Central, o coração comercial do país com seus muitos arranha-céus.
No centro muçulmano de Singapura temos a mesquita Malabar Muslim Jama-Ath, uma construção coberta com azulejos azuis que adquirem um aspecto fantástico ao entardecer durante o Ramadan. Na esquina de Serangoon com Belilios encontra-se o Templo Veerama Kali Amman, uma construção dedicada a Kali. O Sri Srivinasa Perumal é um extenso templo dedicado a Vishnu, no qual vê-se uma estátua de Perumal, o Vishnu e seus consortes Lakshmi e Andal. No Templo de Sakaya Muni Buddha Gaya há uma figura de Buda com 15 metros de altura detalhadamente pintada com cores brilhantes.
Quinze Metros
O setor econômico encontra-se no oeste da cidade, convivendo com vários parques temáticos chineses como o Haw Par Villa, que versa sobre a mitologia chinesa e o Tang Dinasty City, representação da China no século XVII. Também há o Parque das Aves Jurong, no qual estão os Jardins Chineses e Japoneses, além do Centro de Ciências de Singapura. Não muito longe há uma reserva de crocodilos.
O primeiro ministro de Singapura, Lee Hsien Loong, fez um discurso no dia 9 de agosto, dia nacional do país, sobre diferenças religiosas e étnicas ao invés dos habituais discursos sobre bebês e bônus. Tal lá como cá, os evangélicos andam a tomar conta da cabeça dos necessitados, e já sendo considerado um problema, eis o que o homem forte falou: “O governo tem que se manter secular. A autoridade vem do povo (…) não de um livro sagrado. (…) outros grupos têm visões diferentes e crenças diferentes e apesar de respeitarmos isso, o debate público não pode ser sobre qual religião está certa ou qual está errada, tem que ser sobre considerações seculares e racionais, interesse público e o que é melhor para Singapura. (…) vamos partilhar uma refeição reconhecendo que não somos iguais. Não desencorajem as pessoas de interagir. Não façam com que seja difícil que sejamos um povo.”
Taí um país (quase) perfeito.
Passagem Para causo 011 Cingapura from Canal Futura on Vimeo.
Segundo matéria da revista Galileu, existem “100 ideias que vão mudar o mundo”. Como 100 é um número muito looongo (e dubiamente curioso, pois “sem” é igual a nada), escolhi as 20 mais curiosas – para tudo quanto é gosto.
20 Grandes Ideias
Essa pré-seleção não quer dizer que somos obrigados a saber tudo, pois o mundo muda rapidamente e nós, nem tanto. Mas as vantagens serão, um dia, partilhadas com todos.
Por falar nisso, você não sente que te fazem sentir um deslocado, só porque você não sabe tudo sobre tudo, como se isso fosse mais importante do que… tudo? ! Fábio Gandour, cientista-chefe da IBM Brasil, disse que: “Às vezes, o excesso de informação pode ser pior do que a falta dela.”
Pois é.
VINTE GRANDES IDEIAS
Combater O Aquecimento Global – Cientistas propõem soluções como pintar de branco o teto das casas, enviar espelhos refletores para orbitar no espaço e jogar grandes placas de plástico no mar, para refletir os raios solares e esfriar o planeta.
Reator Caseiro – Aparelho que aproveita a fotossíntese das algas para converter o gás carbônico e a luz em energia. O aparelho, feito com garrafas recicláveis foi desenvolvido por Michael Fischer da Universidade de Stanford nos Estados Unidos, e seu grande objetivo é retirar o material direto da atmosfera e sem ocupar solo fértil.
Baterias movidas a hidrogênio – Stan Ovshinsky, 84 anos, o sujeito que criou as baterias para celular está desenvolvendo essa novidade, inclusive para motores.
Por que Lâmpada Ainda é Sinônimo de Boa Idéia?
Controlar objetos com a mente – O Mindflex, brinquedo feito em parceria com a fabricante Mattel, é controlado por ondas cerebrais. Sensores captam os comandos e enviam sinais para uma unidade que controla o ventilador interno de uma pequena bola, que flutua ao sabor do pensamento.
Pilha Humana – Baterias que geram energia com o andar do usuário (Pesam 1.6 quilo). O Biomechanical Energy Harvester é utilizado nos dois joelhos, pode gerar 5 watts em pouco tempo – o suficiente para carregar 10 celulares. Desenvolvido por Max Donelan, cinesiologista da universidade canadense Simon Fraser
Camisinha Diferente – O professor de educação sexual Jan Vinzenz Krause viu um lava-rápido e criou a camisinha em spray, com a qual o homem introduz seu pênis em uma pequena garrafa que o borrifa com látex, e após 3 minutos (essa é dose!) o resultado é mais seguro e a forma se adequa perfeitamente ao pênis sem a sensação desagradável da camisinha.
Airbags Pessoais para Idosos – As quedas são a maior causa de morte entre os idosos (65 anos ou mais). Os sensores detectam uma queda e as proteções são ativadas nos quadris e ao redor do pescoço em um décimo de segundo. A companhia japonesa Prop vende airbags para idosos que pesam 1 quilo por cerca de hum mil e quatrocentos dólares.
Cirurgia Portátil – Raios ultrassom em menor intensidade têm calor suficiente para cauterizar ferimentos, mesmo quando há muita perda de sangue. Empresas já desenvolveram modelos portáteis que cauterizam veias e artérias ao fazer a incisão.
Mapa Genético – Em alguns anos, todos poderão ter seu genoma decifrado por um valor inferior a 400 dólares. A partir daí, remédios serão feitos sob medida e a prevenção será muito mais eficaz.
Magritte, um artista com ideias luminosas
Vacinas Contra Drogas – Thomas Kosten, especialista em drogas da Universidade de Medicina de Houston nos Estados Unidos, testou um experimento com 100 dependentes químicos. A vacina que ajuda a produzir anticorpos que neutralizam a cocaína, e que evita recaídas, foi bem-sucedida em 1/3 de 55 pacientes, que reduziram o consumo da droga.
Hospitais-Hotéis. Imagine que beleza: concierges, iguais aos dos hotéis, para despachar documentos, lidar com burocracia e aliviar o trabalho das enfermeiras; e pré-internação com cadastro feito dias antes das cirurgias, com preferências alimentares e aviso antecipado sobre dificuldades de locomoção, entre outras vantagens.
Mente Sem Lembranças – Pesquisadores do Medical College of Georgia sugerem que é possível apagar memórias de curto e médio prazo ao alterar níveis da enzima CaMKII, que só é encontrada no cérebro. Os testes com ratos obtiveram resultados impressionantes.
Carros Que Estacionam Automaticamente – A primeira tecnologia surgiu em 1992 com o protótipo Futura da Volkswagen. A Toyota foi a primeira a vender veículos com a função: o modelo Prius foi lançado no Japão em 2003.
Avião Que Usa Energia Solar – O projeto suíço Solar Impulse trabalha na criação de um avião que é movido por energia solar e não polui.
Clonagem de Animais Extintos – Em fevereiro de 2009, uma espécie de bode desaparecida desde 2000 foi clonada pela primeira vez. Amostras de DNA foram repassadas para óvulos de cabras, mas é claro, é bom lembrar que são necessárias células intactas.
Grafeno, o novo Silício – Walter de Heer, professor de tecnologia da Universidade Georgia Tech, nos Estados Unidos, sugeriu que os transistores podem ser construídos com grafeno, uma substância composta de nanotubos de carbono. A velocidade dos computadores aumentaria em 100 vezes, que tal?
Roupas que Mudam Todos Os Dias – A empresa LLC de Chicago criou uma tela de LCD que não precisa de energia para mostrar imagens estáticas, que podem ser baixadas ou transmitidas via Bluetooth. Camisetas e tênis podem usar a tecnologia para criar roupas que mudam conforme o gosto do freguês.
Plástico-Bolha Eterno – A Bandai, fabricante japonês de brinquedos, criou o Mugen Puchi Puchi ou Infinite Pop Pop, um chaveiro elétrico com oito botões, que simula a sensação que a pessoa tem ao estourar uma bolha em uma folha de plástico-bolha.
TV Com Cheiro – A Sony criou um aparelho que enviaria pulsos ultrassônicos para estimular os sentidos do espectador.
Telas Digitais Flexíveis – Televisões, jornais, revistas, livros e até laptops terão esse material.
O guitarrista do Nirvana, Kurt Cobain está sempre lá, em off, no filme “Retrato de uma Ausência” desconfiando de tudo e de todos sem que seja necessária a presença de sua música ou do seu rosto. O filme é baseado no livro “Come As You Are” de Michael Azerrad, amigo do guitarrista, que o entrevistou durante 1992 e 1993.
caminhando e cantando...
O diretor A J Schnack produz cinema diletante na essência da palavra, composto por cenários, céus, paredes, imagens que reforçam as palavras de Cobain, a voz do filme, transformando os olhos do artista nos do espectador. Não se toca a música do Nirvana (segundo as palavras de Cobain, a banda que misturou “o som pesadão do Black Sabbath, com baladas pop e a música dos Beatles”) e a única vez na qual as fotos (em preto e branco) da banda são exibidas é no final, para dar por encerrada a via crúcis de depoimentos, sinceros e exagerados do sujeito que fugiu da minúscula Aberdeen (Washington), na qual o pai contava toras de árvores suicidadas, para a úmida Seattle, cidade que Cobain sempre amou odiar.
Kurt Cobain era um sujeito de certa forma puro (gostava de Vila Sésamo), um punk romântico, um hippie beat, um ET misturado com um poeta francês do final do século XIX ou apenas um bebê chorão? Quando sua primeira namorada sugeria “você precisa arrumar um emprego”, ele respondia “vou morar no carro” e ela dizia “deixa pra lá, vamos jantar”.
Será que ele nunca enfrentou a vida de fato? Cobain escolheu a morte para não enfrentar a vida, atormentado pelas dores da alma e por sua debilitada condição física? Desde o início se declara um ET, alguém jogado neste planeta sem saber o que fazer, aguardando a revelação de sua missão.
Em abril de 1994, um ano após o último contato com o jornalista (profissão que Cobain chama de “piores seres na face da Terra”) e músico Michael Azerrad, o guitarrista se matou. Na época, a imprensa e o público escolheram um alvo: sua esposa, a também roqueira Courtney Love, também acusada pelo próprio pai que a indicou como mandante do “assassinato”. Há alguma “mulher de roqueiro” que tenha sido mais perseguida do que Courtney Love? Apenas Yoko Ono! E uma das explicações, o próprio Kurt a tem: “Eu pedi mil vezes para os empresários fazerem algo e nada acontecia. Ela ligava, brigava pelo dinheiro para sustentar a nossa filha. Eles faziam tudo imediatamente, mas com certeza a xingavam de “vaca” assim que desligavam.”
Uma das últimas falas do deprimido guitarrista, no término da película, o mostra em um momento familiar no qual Kurt pede um instante ao entrevistador para confirmar que levará a mamadeira para a filha, a pedido da companheira. “Pode deixar”, ele diz “Não esquecerei”. É a catarse final de dois adultos que não se relacionaram hipocritamente com o mundo exterior, que foram criados por famílias disfuncionais, e que juntos constroem um elo de esperança chamada Frances Bean Cobain, nome estranhamente escolhido para simbolizar o futuro inspirado pelo exemplo (ou desejo de Cobain) da suicida atriz de Seattle, Frances Farmer.
Leia o texto na íntegra em www.omartelo.com
Dá no couro.
Querida Ivete Sangalo.
Essa é uma carta que escrevi com o coração e a razão.
Não tenho o hábito de assistir o Altas Horas por causa do horário e também por causa dos entrevistados. Como todo grupo empresarial, o programa vende os produtos da emissora, dando destaque às suas produções e artistas, o que é bem natural. Nada contra. E como espectador livre tenho o direito de compactuar ou não.
Trabalho de madrugada no computador e sempre deixo a TV ligada. Por pura e completa preguiça estava na Globo. Esclareço que não vi o programa, apenas o ouvi. A entrevistada era você, Ivete Sangalo. Como gostei muito do novo trabalho “Pode Entrar”, do qual tomei conhecimento zapeando pelos canais até cair no Multishow, no qual foram exibidos episódios da gravação do CD em um estúdio na sua casa em Salvador, deixei rolar. Você é uma grande profissional, a maior estrela da nossa música, assim como Elis Regina foi há décadas. Claro que o repertório é completamente diferente, até mesmo por questões históricas e mercadológicas. A primeira vez na qual você me soou simpática foi por causa da gravação de “Coleção” de Cassiano (“Sei que você gosta de brincar de amores, mas comigo não”). E é claro ouvi “Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim” como todo mundo.
No Altas Horas de 19 de julho de 2009 ouvi o seu dueto com Marcelo Camelo, tocando a linda “Teus Olhos” (inclusive a versão ao vivo no programa me soou mais interessante do que a do CD/DVD). No quesito musical nota dez, mas aí é que veio a bomba.
A sexóloga Laura Müller aconselhou as mulheres a não engolirem sêmem por causa das bactérias, você respondeu brincando que sêmem “tem proteína”.
Releia e veja a palavra “vantagem” como sinônimo de “gozar”. O Brasil de hoje luta para se libertar daquele país do Gerson, o jogador, o país no qual “todo mundo tirava vantagem”. Não quero esse Brasil para mim, não quero esse mundo para mim, nem para os outros. Entendi o seu “gozar” no contexto. Mas por que não trocar a palavra “gozar” que soou chula por “amar”? Poderias ter dito: “Tem mais é que gozar com seu parceiro, ser fiel e amar muito”. Seria mais bonito e estaria à altura de uma pessoa pública.
Falar espontaneamente é uma coisa, ser McCartista é outra. Como o público do programa é “jovem”, você foi devidamente espontânea, como estou sendo agora e só te escrevo porque me incomodou e muito. Estou cansado de ver e ouvir as pessoas (na rua) dizerem que querem “viver o momento”, “serem felizes” e coisas do gênero, e ao mesmo não serem sinceras, “galinharem”, mentirem e arrastarem os outros ao poço sem fundo da mentira.
Essa é a base da sociedade, esse é o futuro do mundo, o futuro do Brasil, esses são os valores dos jovens que se acham melhores dos que as gerações anteriores, envelhecidas e com idéias envelhecidas?
A juventude não é a solução, a solução está no coração de todos nós, sejamos jovens, idosos, negros, brancos, índios, brasileiros, estrangeiros, homossexuais, evangélicos, budistas…
Enfim, a resposta está no exemplo e você é um exemplo para milhões de pessoas.
Seja fiel, ame e goze muito com o seu parceiro. Gozar é muito pouco.
Manueeeel!!! O maior homem do mundo, homem sábio e profundo, semeou conhecimento...
“Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme e traficante se vicia” “Não saio com mulheres famosas pois não pago acima da tabela” “Tudo é tudo e nada é nada” “Passou de branco, preto é. Não existe esse negócio de mulato. Mulato para mim é cor de mula” “Gosto de cantar com sentimentos. Se você não transmitir sentimento, não atinge ninguém” “Os meus cachorros são os meus melhores amigos”
O “Tim Maia Racional” de 1975 é venerado como uma das maiores jóias do nosso cancioneiro, assim como o retorno dos Mutantes, bancado pelos gringos e não pela mídia nacional. A diferença é que apesar dos Mutantes serem mortos vivos, ainda assim estão mais vivos do que o Tim que só pode olhar mesmo de cima e pedir a Deus que aumente os graves e melhore o som. Mas o intuito desse texto é desmistificar o lugar-comum, que afirma que somente os “Racionais” são discos dignos de culto. Nada mais longe da verdade.
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