»
S
I
D
E
B
A
R
«
O nosso Brasil de Mindlin, Villa Lobos, ETs e Lula
8 mar, 2010 por Carlos Lopes

Este texto, meio que começou a nascer em um final de semana, no qual faleceram dois brasileiros supimpas: o sambista Walter Alfaiate e o bibliófilo José Mindlin. Senti que o país ficou mais pobre e isso cutucou meus brios.

José Mindlin
José Mindlin

Digo “começou a nascer” porque de fato o texto atual foi inseminado no ano passado, mas até hoje era impossível transcrevê-lo para o mundo real das palavras escritas. Há bastante tempo não escrevo, fruto de um desinteresse crônico em compartilhar idéias escritas. Tenho preferido ler (livros) e assistir filmes e documentários, estudar cada vez mais, uma das minhas paixões. Inclusive, tem sido mais fácil escrever canções e gravá-las, apesar que todo o processo envolvido, muitas vezes, te faz perder o amor pela música. Mas isso é assunto para outro texto, este agora está reservado para uns pensamentos sobre o meu Brasil.

Repito e digo “o meu Brasil”, pois nem tudo pode ser repartido, pois somos pessoas com sentimentos diferentes e isso faz toda a diferença na hora de emitir um julgamento. E achismos não surgem apenas do povo iletrado, mas de profissionais esclarecidos, que acham que podem cuspir suas análises fundamentadas em racismo crônico. Se dependesse de muitos que cá nasceram, esse país seria uma colônia não mais da União Soviética do pós-guerra, como poderia ter sido antigamente, mas do mundanismo internacional. Já escrevi anteriormente que me causa repugnância quando alguém fala que “esse país é um lixo”, “só pode ser Brasil mesmo”, “país de preto” e coisas assim. Em primeira instância, essa elite que existe desde os tempos da colônia de Portugal ficou e ainda está muito fula porque, apesar dos escândalos, o PT ainda é o partido que manda no quintal e o seu porta-voz é o presidente mais popular do mundo, mesmo falando errado, coisa que horroriza a classe alta, que associa postura (o externo, o socialmente aceito) com bom comportamento. E essa associação quer nos continuar impondo presidente homem e branco. Um nordestino que fala errado não poderia, em “um país sério” sonhar em ser presidente, é o que pensam.

passado, presente e futuro
passado, presente e futuro

Se o Brasil ganhou o direito de sediar, principalmente a Olimpíada é porque Lula fez e aconteceu, colocou o Brasil no mapa. Ele soube usar a mídia a seu favor, o que no final das contas, conta a nosso favor. O sociólogo rancoroso, esse mesmo, que só sabe reclamar, não conseguiu. Por causa disso, dessa dor de cotovelo crônica, e apesar do seu francês fluente, o que ele pretende? Se hoje, americano (que ainda manda no mundo) sabe quem somos, que os brasileiros existem,é mais por causa da popularidade de Lula do que por causa dos nossos talentos. Isso se faz notar em produções cinematográficas como 2012, que despencou o nosso Cristo e com o atual seriado V (para fãs de Lost), que coloca uma nave-mãe gigante no ar falando português à frente do mesmo e popular Cristo Redentor (anexo imagem). Vejam bem: Nova Iorque, Los Angeles, Paris e… Rio.

Os ETs invadem o Rio
Os ETs invadem o Rio

Já escrevi também, que amo a ideia do Tropicalismo de Caetano e Gil e os filmes do cinema novo, que fundem o estrangeirismo com o olhar e o sentir local. O Brasil não deve se fechar, pois esse tipo de coisa gerou duas guerras mundiais, e coisas como o Iraque, o Irã e a Coreia do Norte. Há a necessidade de ensinar aos jovens, aos estudantes, e inclusive aos mais velhos, o orgulho de ser quem somos e ser como somos. Quando alguém comenta que o canto orfeônico do Villa Lobos, só foi possível em um contexto ditatorial, eu me pergunto, então por que não podemos resgatá-lo , se somos livres, e donos dos nossos narizes? Por que não voltar a ensinar música nas escolas? Para disponibilizarmos computadores em todos os colégios, é necessário educar o aluno para que ele não use a máquina (ainda mais) a serviço da futilidade.

1,2,3,4
1,2,3,4

Essa necessidade mórbida de olhar sempre para fora, se preocupar com o “primeiro” mundo e pisar no que temos de melhor, o “nosso”, aí sim, mesticismo é fruto de ignorância, medo e  covardia de deixar a pele escurecer e os cabelos encaracolarem. E o esquecimento, promovido pela mídia, faz parte dessa conspiração que pode ser alcunhada de educação regressiva, como um espelho embaçado que não reflete os nossos rostos e nem as nossas infinitas possibilidades. Muitas vezes, penso no que deve existir de baixa estima, quando o sujeito NÃO se vê na TV porque só há gente loura de olhos claros, biótipo alienígena e nazista. Isso só pode fazer o sujeito se sentir um lixo, e certamente o faz. Se você não abrir o olho, o negócio pode ficar feio mesmo, criando um ambiente para dominação cultural e inserção de valores que não são úteis para o nosso, aí sim, desenvolvimento e para a nossa liberdade, ainda que tardia. A mais perigosa das armas é a mídia, que inculta nas pessoas, o sentimento mesquinho de assimilar valores opressivos que deseducam.

Aconselho aos meus amigos leitores o excelente canal Futura, com um primor de programação; a TV Brasil, que está cada vez melhor; programas como Por Toda Minha Vida da Rede Globo e o fantástico documentário “O Homem que Engarrafava Nuvens” de Lírio Ferreira, diretor de Baile Perfumado e Cartola – Música para os Olhos sobre o compositor Humberto Teixeira (1915-1979), o “doutor do baião”, parceiro de Luiz Gonzaga.

Amigos e leitores, olhem e sintam o Brasil com outros olhos, com orgulho de quem sabe quem são. Se vocês não gostam do Brasil é porque não gostam de vocês, pois nós somos o Brasil. E ninguém mais pode ser.

blog_Cartaz-OHEN_JB

Adeus Oiticica, a Queimada da Cultura Brasileira
17 out, 2009 por Carlos Lopes

“Na realidade a sucessão de obras é para fazer inteligível o que eu sou. Eu passo a me conhecer através do que faço. Que na realidade  não sei o que sou. Porque se é invenção eu não posso saber. Se já soubesse o que seriam essas coisas não seria mais invenção. A existência delas é que possibilita a ‘concreção’ “

(Helio Oiticica)

1968 - Caetano e Parangolé de Hélio

1968 - Caetano e Parangolé de Hélio

Esse sábado certamente não amanheceu como outro qualquer, não porque há uma chuva ácida em andamento e nem porque criminosos do Morro dos Macacos na zona norte do Rio derrubaram um helicóptero da polícia.

O sábado havia começado bem ao receber a mensagem de uma amiga que está na França: “Resolvi que não vou mais entrar em museu até segunda, senão não faço outra coisa. Obs: museu de país que valoriza cultura é uma felicidade sem fim.”

Meu semblante mudou e logo depois liguei a TV.

Ingênuo que sou, coitado de mim.

Como se não bastasse o desprazer de ver um helicóptero queimado e dois policiais mortos, uma outra notícia incendiária derrubou meu sábado: o acervo de um dos fundadores do neoconcretismo, o artista Hélio Oiticica, falecido em 1980, que se queimou entre sexta e sábado.  Se fossem perdidos “meia dúzia de objetos”, a perda já seria irreparável, mas o problema é que simplesmente perdeu-se 90% das obras do artista que não estavam seguradas, um prejuízo calculado em 200 milhôes de dólares. Só se salvaram CDs e arquivos de computador. E lá se foram todos os parangolés. Queimou-se o Tropicalismo, a idéia do Brasil novo, a possibilidade do inédito, do eterno velho Brasil renovado. Fica a lição: as chamas da ignorância destroem, mas não podem vencer. Jamais.

O acervo do artista, guardado no primeiro andar da casa da família no bairro do Jardim Botânico no Rio de Janeiro, se perdeu enquanto seus parentes, que estavam no segundo andar, sentiram um forte cheiro de queimado.

Hélio em forma de Arte

Hélio em forma de Arte

O pior dessa história é que a prefeitura teve um longo entrevero com a família pela posse e preservação das obras.  Em 1981, foi criado sob responsabilidade da família, o Projeto Hélio Oiticica. Em 1996, a secretaria municipal de artes do Rio de Janeiro fundou um centro de artes para abrigar todo o acervo, mas brigas entre a família e o governo por causa de (não) pagamentos azedaram o diálogo. Em abril de 2009, os herdeiros de Hélio suspenderam uma exposição, alegando falta de pagamento, que foi regularizado, mas a família não devolveu a maior parte das obras, que estava na reserva técnica do Projeto Hélio Oiticica, que segundo eles, possuía as condições necessárias para a preservação das obras, as mesmas que foram queimadas ontem, seis meses após a contenda.

Jandira Feghali, a secretária de cultura lamentou a perda, mas declarou que a prefeitura lutou pelas obras. César, o irmão de Oiticica que se dedicou a proteger a obra do irmão, declarou emocionado que assume sua falha, apesar da sala na qual ocorreu a tragédia, ter controle de umidade e temperatura.

Para variar, quem perde é o Brasil, quem perde é a arte mundial.

OLIMPÍADAS, DESENVOLVIMENTO E INCLUSÃO SOCIAL
3 out, 2009 por Carlos Lopes

2016

2016

66 votos contra 32.

A vitória do Brasil como futura sede das Olimpíadas em 2016 representa a superação dos nossos defeitos através do esporte e da política; simboliza um momento histórico: o caminho inevitável para o desenvolvimento. Digo isso, porque o Rio pode ser o cartão postal e a sede, mas acima disso, a cidade sintetiza o melhor e o pior deste país, a vitória é de todos nós, é uma conquista do Brasil.

Cartada Final

Cartada Final

Temos menos de 7 anos para superar todos os nossos limites.

Basta o leitor analisar a sequência dos fatos para comprovar que, apesar dos críticos, o país caminha sempre em frente: Collor, FHC, Lula, BRIC, G20, Pré-Sal, Copa do Mundo e Olimpíadas.

O Cara

O Cara

No dia 2 de abril em Londres, Obama chamou Lula de “o cara” na reunião do G20 e em 2 de outubro ganhamos dos Estados Unidos, sem tapetão e na moral. Os republicanos norte-americanos devem ter soltado fogos.

“Sim, nós podemos.”

A conseqüência desse inexorável caminhar, pode ter nascido na frase de Collor que se referia aos carros nacionais como “carroças”, passando pelo FHC e uma nova política econômica, mas foi no momento Lula que essa mudança de paradigma assumiu sua grande forma com um presidente carismático e de liderança indubitável na América do Sul. O complexo de vira-latas acaba aqui, não temos que ser norte- americanos, não temos que ser como os europeus, só temos que crescer com trabalho e respeito pelos exemplos vitoriosos e escaldados pelos fracassos.

Vitória do Coração

Vitória do Coração

A nossa vitória nas Olimpíadas é a possibilidade de erguer a tocha de um país único, mulato sim, místico sim, cheio de problemas mas muito criativo e trabalhador.

E a eleição vitoriosa no COI não foi consequência da exploração de nossas mazelas, mas de nossas conquistas. O campeão Brasil ganhou quando incluímos na sociedade as comunidades carentes, quando somamos o rico ao pobre, do descendente de imigrantes ao ex- escravizado, quando buscamos soluções próprias. O Brasil soma, sintetiza, regurgita o Bispo Sardinha sem espinhas.

Daniel Dias

Daniel Dias

O fator emocional contou muito a nosso favor. A presença dos mui conhecidos Paulo Coelho e Pelé, principalmente o segundo – o rei do futebol, antes um garoto pobre -, mostrou que o caminho do Brasil é a soma dos extremos, da aliança do morro com o asfalto, da inserção social. A dupla vitoriosa foi o nadador paraolímpico Daniel Dias, um garoto de 16 anos que superou suas limitações, e a atleta Bárbara Leôncio, uma menina que corria descalça e vencia todos os garotos até sagrar-se campeã mundial juvenil nos 200 metros rasos.

Bárbada Leôncio

Bárbada Leôncio

65 milhões de jovens brasileiros farão parte dessa inclusão social através do esporte.

Todos que assistiram o povo nas ruas em cada um dos países concorrentes e que viu os 30 mil que estavam na praia de Copacabana, anteciparam a nossa vitória, a vitória da vontade. Olhe para os japoneses sem garra e os americanos preocupados com o aumento dos impostos e por fim a derrota dos hermanos espanhóis, que prepotentemente não queriam nos dar a chance de sermos o primeiro país na Sul América a sediar uma Olimpíada.

“Uma imagem vale mil palavras.”

Sexta, o dia do resultado, foi ponto facultativo para os funcionários da Prefeitura e dia livre para os estudantes, como não? Qualquer crítico que se levantar contra essa tática é apenas um ingênuo, porque a cidade não parou por causa disso, ela prosseguiu produzindo e mesmo assim havia uma massa emocionada na praia para representar o Brasil nas televisões e internets de todo o mundo.

Em entrevista, imediatamente após a vitória arrasadora e até certo ponto surpreendente, Lula, um presidente emocionado, e um tremendo pé-quente, declarou:

“As pessoas falam: não pode fazer uma olimpíada porque tem criança pobre, porque tem favela, porque precisa investir na educação. É preciso a gente fazer tudo isso (…) e provar que a alma generosa do brasileiro vai fazer a mais extraordinária olimpíada que o Brasil já viu, que o mundo já viu.”

Este texto não se refere e nem pretende analisar os futuros desafios que teremos para desenvolver e preparar o Rio de Janeiro em 7 anos, esse é um momento de festa, mas como disse o presidente o trabalho começou “ontem”. A sociedade tanto civil como política, já está devidamente estruturada para controlar os excessos e implementar os desafios. Os pontos que cito devem ser analisados, com atenção. Provavelmente, falaremos sobre isso, e muito.

  • O Rio retoma seu papel de capital, perdido desde a transferência para Brasília.
  • A união política faz a força: Lula, Cabral e Paes. Melhor ganhando juntos do que perdendo separados. Cansei de ver minha cidade perder por causa de divergências políticas. Quero o Brasil maior e o Rio melhor.
  • Como se prevê, haverá atrasos nas obras para a nova cidade remodelada, mas não acredito em grandes desvios de verba, porque o tempo é curto e em pelo menos 7 anos caminharemos “no sapatinho”, sem grandes assaltos ao dinheiro público, porque há a necessidade de cumprir os prazos e resolver problemas de transporte, saúde, ecologia, hotelaria e segurança em menos de uma década. Muita coisa para pouco tempo. A cara do país muda a partir de agora; os mais capacitados investidores brasileiros farão parte da aliança da vitória, construirão não mais a nação do futuro, mas o país do presente. Não há mais tempo para roubo e demagogia.
  • Em 2016, o Brasil será a quinta economia mundial.
  • O Pré-Sal já mudou e vai mudar este país.
  • Dilma, apesar da falta de carisma, ganhou um empurrãozinho em sua campanha presidencial.

A Dinamarca é pé quente.

SINGAPURA, É PROIBIDO NÃO PROIBIR
23 set, 2009 por Carlos Lopes


a-comunidade-chino-indonesia-em-singapura_singapore-skyline

Fernando Alonso e Nelson Piquet Jr bem que tentaram, mas não conseguiram fazer das suas em Singapura. Esquecendo essas baixarias da Fórmula 1, que tal falarmos dos aspectos positivos do país?

O que o senhor, ou senhora leitor(a) diria sobre um país que condena quem pichar uma parede com uma boa multa de 4 mil reais? E se a mesma pichação for difícil de ser limpa que tal o acréscimo de 3 a 8 chibatadas? E se o sujeito não der descarga no banheiro público que tal 300 reais de multa? E o que o senhor diria de 2 mil reais se jogar lixo na rua? E se falar no celular dentro do carro, que tal ser preso na hora? E tráfico de drogas que é punível com a pena de morte? E chiclete que é considerado um dos maiores inimigos por causa dos gastos com limpeza pública, que são cobrados do povo? Para muitos pode parecer o inferno sobre a Terra, mas para outros soa como o paraíso.

Quem Pode Ri

Pode Quem Ri Ou Ri Quem Pode?

A República de Singapura (com S de acordo com a nova ortografia), literalmente a Cidade do Leão, se localiza entre a Malásia e a Indonésia, e é uma ex-colônia britânica composta por uma ilha principal e 63 ilhas menores. Singapura é provavelmente o único lugar do mundo no qual se vê um casamento malaio ao lado de um casamento chinês, coisa rara em outros locais asiáticos. A capital deste país, também chamada Singapura, é única em bons modos, e livre de impostos, faz do turista um item desejado pelo comércio local. O país possui um único partido vitorioso desde sua independência em 1965, e ninguém reclama por causa disso. Seu único grande problema ocorreu quando o Japão os invadiu em 1942 na Segunda Guerra, na época que os nipônicos acreditavam que Deus era japonês e não brasileiro.

O inglês é a língua do comércio, mas existe um “portunhol” local chamado Singlish, utilizado pelos cidadãos que não aprenderam bem o idioma.

Shenise - Miss Singapura

Shenise - Miss Singapura

Singapura pode não ser o paraíso da ultra diversão decadente ocidental (como diriam os antigos regimes comunistas), pois o que vale lá é o bem estar da maioria e não a vontade do indivíduo. A diversão favorita do povo é o cinema, com todo mundo sentadinho nas cadeiras, coisa super educada. Mas não se assustem: não há ninguém com cara e jeito de norte-coreano, e eles até são chegados a uma piadinha, tal como no anúncio do novo sanduíche da Burger King local com 17 centímetros de largura. O cartaz brinca com o termo “blowjob” (boquete) e com a frase “vai explodir na sua boca”.

buger-king_super-seven-inch

NOOOSSA!

Mas antes que alguém pense ao contrário, as pessoas em “Singa” são super normais, mas sem os excessos dos ocidentais, consomem bastante, mas com a cabeça no lugar. E o povo é bastante inteligente. Nesse ano, uma equipe de estudantes local levou um prêmio de US$ 10 mil por desenvolver um sistema comercialmente viável de aquecimento de água, no qual canos, construídos embaixo das estradas, aquecem a água, em uma alternativa mais sustentável do que aquecimento elétrico ou a gás. Essa pode será solução para países quentes como os que existem na África, América Latina, Oceania e grande parte da Ásia.

Oriente e Ocidente

Oriente e Ocidente

Essa metrópole do sudeste asiático incorpora o melhor do ocidente e do oriente, unindo tradições e modernidade, tendo à frente um partido político praticamente único e muitíssimas proibições para todos os segmentos sociais; no país há placa de proibido em tudo quanto é lado.

Para os endinheirados, um passeio pela Orchard Road com suas lojas chiques e restaurantes finos é a boa, e que tal pegar uma prainha em Sentosa e passear na roda-gigante de onde pode-se admirar os maravilhosos edifícios e as belas paisagens da cidade? Com 4 milhões de habitantes e PIB de US$ 84,4 bilhões (1998), o local é uma das terras promissoras, símbolo da prosperidade dos “tigres asiáticos”.

Templo Budista

Templo Budista

O bairro colonial da capital é dominado pelo parque Ford Canning , construído em 1819 sobre um campo santo malaio e sobre um cemitério no qual estão enterrados alguns dos primeiros colonos europeus que se estabeleceram na ilha. Ao norte do parque encontra-se o Museu e a Galeria de Arte Nacional, famosa por sua coleção de objetos de jade e o Distrito Financeiro Central, o coração comercial do país com seus muitos arranha-céus.

No centro muçulmano de Singapura temos a mesquita Malabar Muslim Jama-Ath, uma construção coberta com azulejos azuis que adquirem um aspecto fantástico ao entardecer durante o Ramadan. Na esquina de Serangoon com Belilios encontra-se o Templo Veerama Kali Amman, uma construção dedicada a Kali. O Sri Srivinasa Perumal é um extenso templo dedicado a Vishnu, no qual vê-se  uma estátua de Perumal, o Vishnu e seus consortes Lakshmi e Andal. No Templo de Sakaya Muni Buddha Gaya há uma figura de Buda com 15 metros de altura detalhadamente pintada com cores brilhantes.

Quinze Metros

Quinze Metros

O setor econômico encontra-se no oeste da cidade, convivendo com vários parques temáticos chineses como o Haw Par Villa, que versa sobre a mitologia chinesa e o Tang Dinasty City, representação da China no século XVII. Também há o Parque das Aves Jurong, no qual estão os Jardins Chineses e Japoneses, além do Centro de Ciências de Singapura. Não muito longe há uma reserva de crocodilos.

O primeiro ministro de Singapura, Lee Hsien Loong, fez um discurso no dia 9 de agosto, dia nacional do país, sobre diferenças religiosas e étnicas ao invés dos habituais discursos sobre bebês e bônus. Tal lá como cá, os evangélicos andam a tomar conta da cabeça dos necessitados, e já sendo considerado um problema, eis o que o homem forte falou: “O governo tem que se manter secular. A autoridade vem do povo (…) não de um livro sagrado. (…) outros grupos têm visões diferentes e crenças diferentes e apesar de respeitarmos isso, o debate público não pode ser sobre qual religião está certa ou qual está errada, tem que ser sobre considerações seculares e racionais, interesse público e o que é melhor para Singapura. (…) vamos partilhar uma refeição reconhecendo que não somos iguais. Não desencorajem as pessoas de interagir. Não façam com que seja difícil que sejamos um povo.”

Taí um país (quase) perfeito.

Passagem Para causo 011 Cingapura from Canal Futura on Vimeo.

20 IDEIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO!
22 set, 2009 por Carlos Lopes

Segundo matéria da revista Galileu, existem “100 ideias que vão mudar o mundo”. Como 100 é um número muito looongo (e dubiamente curioso, pois “sem” é igual a nada), escolhi as 20 mais curiosas – para tudo quanto é gosto.

20 Grandes Ideias

20 Grandes Ideias

Essa pré-seleção não quer dizer que somos obrigados a saber tudo, pois o mundo muda rapidamente e nós, nem tanto. Mas as vantagens serão, um dia, partilhadas com todos.

Por falar nisso, você não sente que te fazem sentir um deslocado, só porque você não sabe tudo sobre tudo, como se isso fosse mais importante do que… tudo? ! Fábio Gandour, cientista-chefe da IBM Brasil, disse que: “Às vezes, o excesso de informação pode ser pior do que a falta dela.”

Pois é.

VINTE GRANDES IDEIAS

Combater O Aquecimento Global – Cientistas propõem soluções como pintar de branco o teto das casas, enviar espelhos refletores para orbitar no espaço e jogar grandes placas de plástico no mar, para refletir os raios solares e esfriar o planeta.

Reator Caseiro – Aparelho que aproveita a fotossíntese das algas para converter o gás carbônico e a luz em energia. O aparelho, feito com garrafas recicláveis foi desenvolvido por Michael Fischer da Universidade de Stanford nos Estados Unidos, e seu grande objetivo é retirar o material direto da atmosfera e sem ocupar solo fértil.

Baterias movidas a hidrogênio – Stan Ovshinsky, 84 anos, o sujeito que criou as baterias para celular está desenvolvendo essa novidade, inclusive para motores.

Por que Lâmpada Ainda é sinônimo de Boa Idéia?

Por que Lâmpada Ainda é Sinônimo de Boa Idéia?

Controlar objetos com a mente – O Mindflex, brinquedo feito em parceria com a fabricante Mattel, é controlado por ondas cerebrais. Sensores captam os comandos e enviam sinais para uma unidade que controla o ventilador interno de uma pequena bola, que flutua ao sabor do pensamento.

Pilha Humana – Baterias que geram energia com o andar do usuário (Pesam 1.6 quilo). O Biomechanical Energy Harvester é utilizado nos dois joelhos, pode gerar 5 watts em pouco tempo – o suficiente para carregar 10 celulares. Desenvolvido por Max Donelan, cinesiologista da universidade canadense Simon Fraser

Camisinha Diferente – O professor de educação sexual Jan Vinzenz Krause viu um lava-rápido e criou a camisinha em spray, com a qual o homem introduz seu pênis em uma pequena garrafa que o borrifa com látex, e após 3 minutos (essa é dose!) o resultado é mais seguro e a forma se adequa perfeitamente ao pênis sem a sensação desagradável da camisinha.

Airbags Pessoais para Idosos – As quedas são a maior causa de morte entre os idosos (65 anos ou mais). Os sensores detectam uma queda e as proteções são ativadas nos quadris e ao redor do pescoço em um décimo de segundo. A companhia japonesa Prop vende airbags para idosos que pesam 1 quilo por cerca de hum mil e quatrocentos dólares.

Cirurgia Portátil – Raios ultrassom em menor intensidade têm calor suficiente para cauterizar ferimentos, mesmo quando há muita perda de sangue. Empresas já desenvolveram modelos portáteis que cauterizam veias e artérias ao fazer a incisão.

Mapa Genético – Em alguns anos, todos poderão ter seu genoma decifrado por um valor inferior a 400 dólares. A partir daí, remédios serão feitos sob medida e a prevenção será muito mais eficaz.

Magritte, um artista com ideias luminosas

Magritte, um artista com ideias luminosas

Vacinas Contra Drogas – Thomas Kosten, especialista em drogas da Universidade de Medicina de Houston nos Estados Unidos, testou um experimento com 100 dependentes químicos. A vacina que ajuda a produzir anticorpos que neutralizam a cocaína, e que evita recaídas, foi bem-sucedida em 1/3 de 55 pacientes, que reduziram o consumo da droga.

Hospitais-Hotéis. Imagine que beleza: concierges, iguais aos dos hotéis, para despachar documentos, lidar com burocracia e aliviar o trabalho das enfermeiras; e pré-internação com cadastro feito dias antes das cirurgias, com preferências alimentares e aviso antecipado sobre dificuldades de locomoção, entre outras vantagens.

Mente Sem Lembranças – Pesquisadores do Medical College of Georgia sugerem que é possível apagar memórias de curto e médio prazo ao alterar níveis da enzima CaMKII, que só é encontrada no cérebro. Os testes com ratos obtiveram resultados impressionantes.

Carros Que Estacionam Automaticamente – A primeira tecnologia surgiu em 1992 com o protótipo Futura da Volkswagen. A Toyota foi a primeira a vender veículos com a função: o modelo Prius foi lançado no Japão em 2003.

Avião Que Usa Energia Solar – O projeto suíço Solar Impulse trabalha na criação de um avião que é movido por energia solar e não polui.

Clonagem de Animais Extintos – Em fevereiro de 2009, uma espécie de bode desaparecida desde 2000 foi clonada pela primeira vez.  Amostras de DNA foram repassadas para óvulos de cabras, mas é claro, é bom lembrar que são necessárias células intactas.

Grafeno, o novo Silício – Walter de Heer, professor de tecnologia da Universidade Georgia Tech, nos Estados Unidos, sugeriu que os transistores podem ser construídos com grafeno, uma substância composta de nanotubos de carbono. A velocidade dos computadores aumentaria em 100 vezes, que tal?

Roupas que Mudam Todos Os Dias – A empresa LLC de Chicago criou uma tela de LCD que não precisa de energia para mostrar imagens estáticas, que podem ser baixadas ou transmitidas via Bluetooth. Camisetas e tênis podem usar a tecnologia para criar roupas que mudam conforme o gosto do freguês.

Plástico-Bolha Eterno – A Bandai, fabricante japonês de brinquedos, criou o Mugen Puchi Puchi ou Infinite Pop Pop, um chaveiro elétrico com oito botões, que simula a sensação que a pessoa tem ao estourar uma bolha em uma folha de plástico-bolha.

TV Com Cheiro – A Sony criou um aparelho que enviaria pulsos ultrassônicos para estimular os sentidos do espectador.

Telas Digitais Flexíveis – Televisões, jornais, revistas, livros e até laptops terão esse material.

Sexo, Pornografia e Falsa Liberdade.
19 set, 2009 por Carlos Lopes
descoberta

descoberta

Nesta sexta a ficha caiu.

Há um tempo, um assunto me incomodava, mas como se diz, deixava para lá, porque não era problema meu. Não assisto sexo na TV e nunca vi um filme pornô. Quero dizer, minto, só vi um, uma vez na casa de amigos adolescentes que, por uma questão de sociabilidade, tive que comparecer pela curiosidade e para exibir a minha normalidade. Claro, que todos adoraram, ou fingiram adorar e naquele ritual coletivo, todos aprendemos que as mulheres não são apenas mães, são prostitutas.

Meus pais nunca falaram sobre sexo comigo. Para meu pai, o homem devia sempre ser o “comedor” e minha mãe achava que não era conversa para se ter com filho. O que acontece é que a falta de diálogo, nos leva sempre ao lugar comum, que é ver revistas nas quais mulheres surgem como objetos fornicantes e assistir filmagens com mulheres americanizadas com implantes, e próteses serem dominadas por machos vigorosos. A partir daí, após a primeira visão distorcida da cópula, tudo está arruinado. Não há mais volta. Aprende-se tudo errado, criam-se mitos e muito pelo contrário, não se dá ao cliente a opção da escolha: apenas uma forma de se fazer sexo é imposta. O espectador já pode se considerar lobotomizado, nunca mais, em sua fase adolescente, elogiará uma comédia romântica, por medo de ser considerado baitola.  O proibido, antes que me esqueça, não tem mais nada de oculto, e está pertinho de você, aqui mesmo na internet, ao toque de um botão.

conhecimento

conhecimento

Provavelmente todos já leram aquele pensamento que diz que “quando eles vieram pegar os judeus, você não fez nada porque não era judeu, mas no dia que eles vieram te pegar, não havia ninguém para socorrê-lo”. Foi assim que me senti nesta sexta, quando a ficha caiu. Muitos querem nos fazer acreditar que o desvio de caráter e de conduta, é algo lícito, normal. E o que se esconde por trás de uma educação distorcida que exibe sexo entre duas mulheres e um homem, que exibe troca de casais como sendo a mais contundente prova de liberdade, da consumação do direito de escolha? Dinheiro, dinheiro e dinheiro. O que mais cresce nesse mundo, fora as contas e dá lucro de cornucópia? Sexo. Isso desde o início dos tempos. A diferença é que antes não havia televisão ou internet.

Assim teve início a minha sexta.

À tarde vi um programa de auditório, no qual garotas de programa falavam sobre os clientes, prioritariamente homens casados. Alguém citou uma pesquisa recente , que afirma que praticamente há um empate técnico, entre traição feminina ou masculina. Os sexos não se superam no quesito traição, há uma equivalência nas intenções, empatam quase de igual para igual. Disseram que o problema é genético, outros que é cultural. As pessoas traídas faziam papel de coitadas e as que vendem o corpo ou traem, o que dá no mesmo, se justificam, usando as palavras dinheiro e liberdade. Atenção: muitos compram liberdade com dinheiro, outros dizem que dinheiro traz felicidade. Felicidade e liberdade caminham juntas, pelo visto.

soma

soma

À noite na mesma sexta, zapeando através dos canais, passei pelo Multishow e vi uma mulher chupando outra e sendo penetrada por trás ao mesmo tempo. Se não descrever o que vi, também não posso descrever o que me passou pela cabeça. É um canal a cabo e nessa barafunda de emissoras e programações, pode-se ver sexo grupal ou um pastor pregando em nome de Jesus. A escolha é de cada um, vê quem quer. E é claro, o tal canal só exibe a sua orgia após a meia noite, horário considerado próprio para isso, mas o problema não é a exibição, são 3 palavras que há por trás dessa história: “liberdade”, “felicidade” e “dinheiro”. Concordo que cada um vê o que quer, acredita no que quiser, mas a partir dessa sexta, a tal da frase da guerra, citada anteriormente, começou a fazer muito mais sentido do que antes. Há diferenças e semelhanças entre religião e o sexo, e às vezes até confluem na mesma direção, como no tantra. Mas há coisa pior do que ver casais fornicando na televisão, e uma pequena listinha inclui egoísmo, inveja, racismo, preconceito, vício, roubo e assassinato. O problema é a educação distorcida que ensina como “se” deve fazer; a falsa educação que diz que existe diferença entre amor e sexo.

O homem que é homem trai porque é macho, não respeita casamento, não respeita amor, não respeita a dor alheia; e a mulher que trai está certa porque ela precisa “viver o momento”, “seguir sua verdade interior”, “ser livre”, “ser moderna”. É isso o que ensinam. Pois é, vê quem quer, ouve quem quer. É o preço da liberdade.

Assistir essas coisas, mulheres e homens como vieram ao mundo, eu já vi, mas nesse momento aquela imagem bateu muito forte em mim, como forte foi a minha náusea, o meu desprezo contra uma empresa de comunicação que se presta a uma papel desses, que acredita que atende a todos os segmentos do público exibindo uma “verdade” distorcida, em nome de uma hipócrita liberdade de pensamento. Censura é uma palavra ignóbil para mim, é tão pornográfica quanto a entrevista com mulheres risonhas, que praticavam o swing entre casais;  como é imundo não lidar com a verdade, e como é sujo mentir socialmente para conquistar popularidade nesse universo de culto à celebridade.

i dream of eve

i dream of eve

O problema desse comportamento, dito liberal, é que não há qualquer verdade nessa premissa: isso não é liberdade, é prisão, é hipnose, é burrice.

O amor dos séculos anteriores, onde não havia aprendizado áudio-visual, certamente era mais misterioso. No máximo, desenhos eróticos e posteriormente fotografias, ensinavam o básico aos interessados, mas nada que fosse como um curso completo de como fazer cabelo, barba e bigode. Seria então, ingênuo ou errôneo, idealizar o amor? Imaginar como se poderia retirar o espartilho da amada? É, os tempos eram outros. Nós que nascemos em um mundo áudio-visual temos as nossas próprias questões para resolver, complexamente diferentes.

Já dizia Santo Agostinho que “nada de útil pode nascer de um lugar do qual se urina”. Mas onde há luz, há trevas, também não dá para ser como Lenin, que considerava sexo uma coisa burguesa, que desviava a atenção do trabalho.

Não dá para inibir todos os nossos instintos, negar que somos falhos, mas há uma coisa que aprendi: que quando se compreende que amor não é troca de parceiros, mas aprendizado em comum, você se liberta. O amor de fato existe e quando você o sente, nunca o esquece. O amor real cria uma energia própria que te eleva não à condição do fanatismo, mas à realização da unicidade entre dois seres que se completam, da soma entre os opostos, do homem e da mulher (e até mesmo do homem com o homem, como muitos acreditam) que se transformam em deuses, que aprendem a amar juntos. O sexo mostrado como necessidade fisiológica é uma distorção da realidade, é uma mentira perpetuada por quem não deseja educar o indivíduo à liberdade de escolha.

filme KURT COBAIN – RETRATO DE UMA AUSÊNCIA
27 jul, 2009 por Carlos Lopes

O guitarrista do Nirvana, Kurt Cobain está sempre lá, em off, no filme “Retrato de uma Ausência” desconfiando de tudo e de todos sem que seja necessária a presença de sua música ou do seu rosto. O filme é baseado no livro “Come As You Are” de Michael Azerrad, amigo do guitarrista, que o entrevistou durante 1992 e 1993.

caminhando e cantando...

caminhando e cantando...

O diretor A J Schnack produz cinema diletante na essência da palavra, composto por cenários, céus, paredes, imagens que reforçam as palavras de Cobain, a voz do filme, transformando os olhos do artista nos do espectador. Não se toca a música do Nirvana (segundo as palavras de Cobain, a banda que misturou “o som pesadão do Black Sabbath, com baladas pop e a música dos Beatles”) e a única vez na qual as fotos (em preto e branco) da banda são exibidas é no final, para dar por encerrada a via crúcis de depoimentos, sinceros e exagerados do sujeito que fugiu da minúscula Aberdeen (Washington), na qual o pai contava toras de árvores suicidadas, para a úmida Seattle, cidade que Cobain sempre amou odiar.

Kurt Cobain era um sujeito de certa forma puro (gostava de Vila Sésamo), um punk romântico, um hippie beat, um ET misturado com um poeta francês do final do século XIX ou apenas um bebê chorão? Quando sua primeira namorada sugeria “você precisa arrumar um emprego”, ele respondia “vou morar no carro” e ela dizia “deixa pra lá, vamos jantar”.

Será que ele nunca enfrentou a vida de fato? Cobain escolheu a morte para não enfrentar a vida, atormentado pelas dores da alma e por sua debilitada condição física? Desde o início se declara um ET, alguém jogado neste planeta sem saber o que fazer, aguardando a revelação de sua missão.

mãe e filha em evento social e cobain, o mito morto

Em abril de 1994, um ano após o último contato com o jornalista (profissão que Cobain chama de “piores seres na face da Terra”) e músico Michael Azerrad, o guitarrista se matou. Na época, a imprensa e o público escolheram um alvo: sua esposa, a também roqueira Courtney Love, também acusada pelo próprio pai que a indicou como mandante do “assassinato”.  Há alguma “mulher de roqueiro” que tenha sido mais perseguida do que Courtney Love? Apenas Yoko Ono! E uma das explicações, o próprio Kurt a tem: “Eu pedi mil vezes para os empresários fazerem algo e nada acontecia. Ela ligava, brigava pelo dinheiro para sustentar a nossa filha. Eles faziam tudo imediatamente, mas com certeza a xingavam de “vaca” assim que desligavam.”

Uma das últimas falas do deprimido guitarrista, no término da película, o mostra em um momento familiar no qual Kurt pede um instante ao entrevistador para confirmar que levará a mamadeira para a filha, a pedido da companheira. “Pode deixar”, ele diz “Não esquecerei”. É a catarse final de dois adultos que não se relacionaram hipocritamente com o mundo exterior, que foram criados por famílias disfuncionais, e que juntos constroem um elo de esperança chamada Frances Bean Cobain, nome estranhamente escolhido para simbolizar o futuro inspirado pelo exemplo (ou desejo de Cobain) da suicida atriz de Seattle, Frances Farmer.

Leia o texto na íntegra em www.omartelo.com

Por que tantos não acreditam que o homem pousou na Lua?
20 jul, 2009 por Carlos Lopes

Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade”.

Pé Grande

Pé Grande

A frase emblemática esconde um fato bem curioso, mas não conspiratório: o primeiro passo na Lua foi dado com o pé ESQUERDO no histórico domingo, 20 de julho de 1969. 40 anos da primeira pegada do “homem” na Lua em 2009, ou para ser mais exato, 40 anos da presença de um humano (ou dois: os astronautas Neil Armstrong e Edwin ‘Buzz’ Aldrin) em solo lunar.

O que isso representa para a maioria das pessoas, que não acreditam que a alunissagem (palavra em voga à época) ocorreu? Apesar de muitos acreditarem que toda essa história não passa de uma bem montada farsa, teimo em discordar baseado na maior das evidências: a Mãe Rússia. A grande prova de que realmente houve o pouso na Lua vem do silêncio do arquirrival soviético. Era época de guerra fria, na verdade uma quase guerra nuclear com Cuba como bode expiatório. Se fosse uma farsa, vocês não acham que a USSR não colocaria a boca no trombone com provas fotográficas e tudo o mais? E as rochas recolhidas do solo lunar, que foram estudadas por todos os cientistas do mundo? O nome “águia” para o módulo de alunisagem não foi escolhido à toa: era para espezinhar, ainda mais, os comunistas. A águia soberana representava o domínio da tecnologia norte-americana,humilhada há vários anos pelos sucessos (iniciais) dos soviéticos com cachorras Laikas, chimpanzés, Gagarins,  Luna 9 e satélites Sputiks.

Ouviram do Ipiranga às margens plácidas!

Ouviram do Ipiranga às margens plácidas!

O comandante Neil Armstrong, um civil, era um engenheiro aeronáutico e piloto de testes que ajudou a desenvolver o avião X-15 da NASA, até hoje o avião que voou mais rápido e mais alto no mundo. Era um veterano da Gemini 8, missão do primeiro acoplamento entre naves, onde teve que fazer um pouso de emergência devido a defeitos com os controles. Segundo Deke Slayton, o chefe dos astronautas, sairia primeiro do Módulo Lunar “Eagle” basicamente porque a porta estava no lado dele. O seguiria imediatamente o piloto do módulo lunar, o coronel da Força Aérea Buzz Aldrin, piloto de testes e engenheiro com um Ph.D. em Astronáutica pelo M.I.T., onde desenvolveu o método matemático que seria usado nos computadores para garantir o acoplamento orbital. Era o astronauta com mais experiência em atividades extra-veiculares: 5 horas durante a missão Gemini 12. O piloto do Módulo de Comando e Serviço Michael Collins, engenheiro aeronáutico e piloto de testes da Força Aérea também era um veterano das Gemini. E a tripulação da missão Apollo 11 já estava escolhida antes de se saber que esta seria a missão da alunissagem. A pulsação de Neil Armstrong atingiu no momento decisivo do pouso 156 batidas por segundo. E olha que o astronauta estava parado em uma gravidade seis vezes menor do que a terrestre. A primeira pegada fotografada (foras as que não foram registradas) vai ficar como prova durante um bom tempo, talvez 100 mil anos (!) devido à falta de atmosfera. O local do pouso, o Mar da Tranquilidade foi escolhido por causa das temperaturas mais amenas, que em outros locais chega a números assombrosos.

De fato, é muita pobreza de espírito não aceitar e comemorar o fato do ser humano ter se superado para empreender tal viagem. E daí se foram os Estados Unidos? Se não fossem eles, seriam os soviéticos, e se não fossem os dois até hoje todo mundo estaria fazendo “Sieg Heil!”. E curiosamente, um ex-nazista participou do sucesso lunar: Wernher von Braun, o engenheiro alemão, criador dos foguetes “V” que arrassaram Londres na Segunda Guerra foi cooptado a  participar do projeto espacial americano através da operação Paperclip, que anexou criminosos de guerra à folha de pagamentos do governo americano. Se não fosse o “chucrute” nada de pouso na lua. Mas ambos, tanto o criminoso de guerra como os americanos tinham algo em comum: odiavam comunistas.

Qualé? Vai encarar mermão?

Qualé? Vai encarar mermão?

Uma pergunta freqüente é “como poderia o homem pousar na Lua em 1969 com aquela tecnologia de brinquedo”? E é esse fato, que torna a história mais incrível ainda. Um ano antes, em maio de 1968 o mundo estudantil ardia em chamas libertárias, os assassinatos de Robert Kennedy e Martin Luther King assombraram o mundo e o AI-5 no Brasil assombrou o Brasil. Woodstock, Guerra do Vietnã… Simplesmente não era o mesmo mundo de hoje e o pouso em nosso único satélite tornam o fato e o momento ainda mais incríveis. Fazer três homens viajarem em um foguete, em uma quase missão suicida (o discurso que seria lido por Richard Nixon, lamentando a morte dos astronautas já havia sido escrito) tanto devido ao combustível, altamente inflamável, como ao fato dos computadores de bordo serem mais obsoletos do que o seu relógio de pulso, transforma a história em um épico de superação. A Apollo 11, cujo número cabalístico tanto representa para a história americana (as torres do 11 de setembro de 2001) fez história, que não deve, nem em sonho, ser menosprezada.

As provas do pouso em 2009

A NASA divulgou as primeiras imagens dos locais de pouso das missões Apollo, feitas pela sonda LRO, cujo objetivo é mapear a superfície da Lua em busca de outros locais de pouso, para novas missões tripuladas, além da detecção de sinais da existência de gelo. Essa é a primeira vez que os equipamentos deixados na Lua pelos astronautas são fotografados, desde que foram deixados lá, há quase 40 anos. A LRO ainda não atingiu sua órbita definitiva, o que significa que ela será capaz de capturar novas imagens dos mesmos locais com resolução de duas a três vezes superior. A sonda passará diversas vezes pelo mesmos locais.

Olha lá, tá vendo algo?

Olha lá, tá vendo algo?

Agora sim.. :-)

Agora sim.. :-)

Filmes restaurados da Apollo 11

A NASA também liberou uma restauração do vídeo histórico da Apollo 11, que mostra os primeiros passos do homem na Lua. Várias fitas originais das gravações da chegada do homem à Lua foram regravadas com outros conteúdos mas, depois de um trabalho de “garimpagem” em vários estúdios e canais de TV, a NASA encontrou cópias em boa qualidade que haviam sido transmitidas diretamente para as emissoras e que foram mantidas em arquivo. A restauração tem qualidade bastante superior às vistas até hoje. Segundo a agência espacial, a restauração ainda está em andamento e novas cópias de melhor qualidade serão liberadas à medida que estiverem disponíveis.

Os filmes restaurados podem ser vistos no endereço: www.nasa.gov/multimedia/hd/apollo11.html.

O Memorial e o Castelo de José Sarney
9 jun, 2009 por Carlos Lopes

Sempre que viajo peço para que me levem às igrejas e museus, meus locais favoritos juntamente com as praias. Há uma década estive no Maranhão e me mostraram o Memorial “do” José Sarney. Pasmado, perguntei: “Mas como assim? Um memorial para uma pessoa viva?” Rimos. Não nego que minha pergunta teve um tom de perseguição, preconceito e um questionamento inerente: “Só não se preserva a memória, o acervo pessoal de uma pessoa, após o seu falecimento?” Hummm?… Desculpem-me a ignorância, mas estou sendo sincero.

A sarna de Sarney

A sarna de Sarney

Esse encontro com o Memorial me chamou a atenção em relação à saga da família do “Dono do Mar” no Maranhão.

Duas coisinhas que descobri recentemente sobre Sarney:

O Ministério Público Federal move uma ação onde pede à Justiça que declare ilegal a doação do Convento das Mercês feita pelo Estado do Maranhão para a Fundação José Sarney. A ação se baseia no Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, que “organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional, estabelecendo normas gerais sobre o instituto do tombamento e seus efeitos”.

O Convento das Mercês (cuja recuperação custou US$ 9,5 milhões) foi tombado em 1974 e inscrito nos livros do Tombo Arqueológico e do Tombo de Belas Artes, ligados ao Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Mas em abril de 1990, o governo do Estado doou, ilegalmente, o prédio do antigo Convento a uma Fundação pertencente a Sarney. Na época da doação, a Fundação de Sarney se chamava Fundação da Memória Republicana que abrigaria o memorial José Sarney. Dez anos depois, no ano 2000, a instituição mudou de nome e passou a se chamar Fundação José Sarney.

Como se não bastasse o Memorial, há um caso recente envolvendo um castelo, mas dessa vez não é em Minas e o reboco caiu sobre as costas e a consciência do Marimbondo.

“Não sabia de nada”, foi o que o ex-Presidente da República disse ao ser perguntado porque depositavam 3.800,00 (quase 10 salários mínimos, renda da classe média brasileira) em sua conta, mensalmente pelo aluguel de um apartamento que ele jamais ocupou. O local é um “castelo” e se chma Quinta dos Lagos e está localizado em Portugal.

No final de sua Presidência em 1990, José Sarney adquiriu um castelo de 23.400 metros quadrados avaliado em R$ 30 milhões (10 milhões de euros). O castelo teria pertencido a Sarney pelo menos durante 4 anos; propriedade essa que nunca foi declarada à Justiça Eleitoral ou à Receita.

Dá-me um Castelo

Dá-me um Castelo

Mais detalhes sobre o castelo encontrei no blog do jornalista Hélio Fernandes: “Segundo a revista portuguesa “Olá”, um suplemento do jornal “Semanário”, Sarney comprou a Quinta dos Lagos por meio da Almonde Securities S.A., uma offshore com sede no Panamá, mas que tem os fundos geridos na Suíça. Os dois países (Panamá e Suíça) são “paraísos fiscais” (locais que gente endinheirada busca para abrir empresas quando pretende driblar o Fisco). A matéria é intitulada – como o romance policial de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão – “O mistério da estrada de Sintra”. Nela, a repórter Maria do Rosário informa que o procurador da Almonde Securities em Portugal, na época, Carlos Aguiar, embora não tenha negado a compra da Quinta dos Lagos por José Sarney, “recusou-se a prestar maiores esclarecimentos”. Além da reportagem da revista “Olá”, o blog http://riodasmacas.blogspot.com, que descreve lugares e curiosidades de Sintra, posta há bastante tempo a informação de que José Sarney foi um dos donos da Quinta dos Lagos (buscar no google “quinta dos lagos rio das maçãs”). Comprada [depois da morte do primeiro dono, Fernando Formigal de Morais] por um tal senhor Andersen, cônsul geral da Dinamarca, a Quinta dos Lagos também teve como proprietários a família Sibourg e o ex-presidente do Brasil José Sarney”, atesta o blog de Fernandes.

Talvez o ex-Presidente da República, atual presidente do Senado (chamado pela revista inglesa “The Economist”, em fevereiro passado, de representante do semifeudalismo na política brasileira) e imortal da Academia Brasileira de Letras se negue a deixar que seu “Marimbondo de Fogo” (livro de poemas de Sarney) se apague ou voe para longe.

E quem sabe, para mantê-lo vivo e queimando, o bicho necessite de escândalos.

»  Contato: mustangmartelo@gmail.com  
© .:: O Martelo ::.