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Depois do império do Amor, agora foi a vez da seleção do Brasil cair, já foi tarde
5 jul, 2010 por Carlos Lopes
Destemperado

Destemperado

Na hora da queda só lembraram do Dunga, mas me diga com quem tu andas e te direis quem és. O Dunga na história da Branca de Neve não andava sozinho…

O Dunga não é o único culpado e nem os jogadores.

Vocês leram algo sobre o auxiliar-técnico Jorginho ter influenciado o Dunga sobre essa história de só convocar bom moço para a Copa? Alguém aí lembra que o mesmo indivíduo citado quis tirar o símbolo do América só porque era a representação de um diabo, o Brasinha?

Não tenho mais o que acrescentar após dezenas de ótimos textos rolando na imprensa oficial e oficiosa sobre a derrocada do Brasil. Só faço aqui uma observação sobre quando a questão religiosa (pessoal) interfere no trabalho coletivo.

Brasinha Pegando Fogo!

Brasinha Pegando Fogo!

Tenho minha religião ou minha filosofia de vida mas não vou explicá-la ou te empurrá-la goela abaixo se você não me permitir. Infelizmente, muitos evangélicos não pedem permissão, eles estão imbuídos de uma convicção cega, que muitas vezes é agressiva. Respeito é bom e eu gosto. Não me interessa esmiuçar o assunto, apontar o dedo para uma igreja ou outras, não estou aqui para isso, fiz a minha parte ao citar no último Martelo (19) tanto o espírita Chico Xavier, o criador da Conscienciologia Waldo Vieira e o pastor Caio Fábio. Tem para todos.

Soldados, À Batalha!

Soldados, À Batalha!

Um menino veio fazer um conserto aqui em casa e após conversarmos sobre alguns assuntos em geral, antes de ir embora, ele me falou que o caos vai tomar conta do Brasil se a lei que proíbe a discriminação contra os homossexuais passar. De onde veio esse assunto? Ele deve ter achado que eu era liberal demais ou homossexual demais. Meu amigo, nem um nem outro, mas também não vou na conversa alheia sem estudar o assunto. Discriminação é feio mesmo e a Sociedade como um todo tem que se preparar para conviver com as diferenças, o que a Sociedade do Dunga não quis fazer. Discriminação é uma coisa, Imposição é outra. As pessoas só respeitam o próximo, as diferenças se forem educadas para isso, mas quando usam, em vão, o nome de Deus para atacar o próximo, o fazem com convicção. Mas esse não é o único problema da sociedade, é o próprio ser humano. Conheço péssimas histórias sobre gente muito boa, expoentes em nossa sociedade, que nem são evangélicos. Apenas são gente como todos nós. O pastor incentiva o Segregacionismo, a televisão incentiva o Ego, os amantes só buscam parceiros estéticamente perfeitos, a mídia vende prostituição como se fosse Amor, o Dunga assina com uma cervejaria… A culpa não é só de um grupo, mas é geral, quando você não entende que há que se respeitar as diferenças. Isso não tem nada a ver com moral, com caráter. O diferente é diferente, não é um defeito genético, é uma escolha.

Um golpe de Estado é desferido em um governante que não tem mais condições morais para governar.
O golpe é errado, as vezes é necessário. Basta você pegar o livro e estudar, não vou citar exemplos sem poder esmiuçá-los, seria leviano.

Por que ninguém tirou o Dunga da seleção em 4 anos? Os milicos tiraram o Saldanha estrategicamente, antes do embarque e o Brasil ganhou. Não importa o Saldanha, importa a Vitória.

O que o Dunga, Jorginho e os outros discúpulos fizeram? Se fecharam em uma seita secreta como os nazistas e chegaram ao poder, não com um incêndio no parlamento, mas com o apoio da CBF…
Estranho, não é? Se você chegar todo dia em casa e achar que a sua filha está chorando muito, quem você vai culpar? A empregada, é claro. Mas se a sua filha for bem no colégio, você NÃO elogiará a empregada, não é? Aí será só mérito da sua filha. É a política do resultado. Os exemplos
escondem coisas ocultas e são apenas o que são: aparências ou a ponta do iceberg.

Ao mesmo tempo, semprei achei o Bruno goleiro um bobão, mas ele defendia bem e o Flamengo foi deixando passar. O Adriano é mais simpático, mas mentiu mesmo, não respeitou muita gente e foram deixando passar. Foi o Campeão Brasileiro da Falta de Moral.

Tem uma moda de adolescente na internet que é estuprar, você sabia? Mas na sua casa pode ter outra dessas modas: trair.

Existe essa tendência em todosfutebol_dunga nós de contar com resultados e de não querer esquentar a cabeça.
Quando o Dunga convocou os seus soldados, com sólida base moral, experiência e obediência ele tentou se precaver de problemas, do caos, mas como o próprio Jung cansou de alertar, o caos faz parte da vida.

Enfim, todo chefe tem o direito de ordenar a bagunça à sua maneira e Dunga teve a chance dele.

Com ou sem Escobar, que venha o próximo.

Uma observação final: Já pensaram o que vai ser se o Uruguai ganhar a Copa de 2014 no Maracanã?

Semana Santa e Santo Carnaval, dois lados da mesma moeda
3 abr, 2010 por Carlos Lopes
À luz de velas em Ipanema

À luz de velas em Ipanema

Ipanema, sexta feira da paixão à noite. Não esperava encontrar uma procissão católica no meio do caminho, o caminho em meio à procissão na movimentada avenida principal do bairro. Gosto do inusitado, mesmo, e de certa forma prefiro que o acaso – de boa cepa – determine o andamento das coisas da vida. Claro que para os fiéis, não há nada de inusitado na Semana Santa, uma data aguardada e para a qual prepararam antecipadamente uma alinhada procissão. Mas eu, como muitos, não lembrei ou não priorizei a data e o encontro foi um colírio inesperado, para quem há pouco mais de um mês viu a cidade tomada por blocos carnavalescos de mijões.  Melhor, o cheiro de incenso e a luz de velas que não agridem os nossos narizes.  Não me cabe aqui questionar se a tradição religiosa é uma procissão mítica sem razão de ser. Gosto de manifestações sem gritaria, julgamentos e na maior paz. Religião, “religiosamente” tem a ver com introspecção e isso me faz bem, me faz pensar. Gritaria é bom para debates esportivos na telinha, faz mais sentido. Jogo de hunos, debate em forma de zurros.

Homens de Preto

Homens de Preto

Quando era moleque, comia carne na Semana Santa, só de implicância, mas a gente cresce e para com essas bobagens. Se quiser comer que coma, mas sem pressão de vegetarianos ou religiosos e no maior respeito.

Grandes festas populares nos são impostas como manifestações de cunho social e cultural. Na última década, o carnaval no Rio cresceu demasiadamente, tomando conta de cada rua e viela desta cidade, sem nos dar a opção da escolha. Ou dá ou desce. Quem não quer se adaptar que dê o seu jeito. Não fico dançando na rua, mas não me aborreço, a não ser com os bêbados que não estejam abertos a diálogo e a imposições a menos de um metro. Essa reflexão curiosa ocorreu na última festança de fevereiro, a imposição da festa, a imposição da alegria a qualquer custo. Seria a manifestação religiosa, a imposição da tristeza católica, da serenidade budista ou da gritaria evangélica? Do mesmo jeito, se não dá, desce. Se você é um sujeito que não gosta de carnaval, procissão, copa do mundo e eleição presidencial, é mister mudar de planeta. Não tem jeito. Agora se você sabe que tudo que começa, a dor e a amor, tem início, meio e fim, você aprendeu algo, inclusive a viver. Não dá para fazer o mundo com a nossa cara, mas dá para fazer um acordão.

As costas

As costas

Textos são peças complexas de oratória mental, entendidas como podem pelos leitores. Aqui não há ou jaz uma carta contra a alegria ou à introspecção religiosa, mas sim uma carta a favor do respeito e da liberdade de expressão. Somos todos peças de uma grande e confusa verdade universal. Na maior paz. Amém.

Vermelho e Branco

Vermelho e Branco

Dalva e Herivelto
9 jan, 2010 por Carlos Lopes
dalva_trio

Trio de Ouro

Em janeiro, a Globo exibiu uma minissérie irretocável em 5 episódios: “Dalva e Herivelto: Uma Canção de Amor”. Feita com requintes cinematográficos, e até mesmo melhor do que vários filmes nacionais produzidos para a telona, a série encantou pelo talento da direção, do texto e dos atores, destacando a melhor atuação da carreira de Adriana Esteves como a sofrida cantora Dalva de Oliveira.

Desce criança acompanho as adaptações dos clássicos de nossa literatura feitas pela Globo, que tantas vezes mudou de diretores e atores, mas que continua sendo a única emissora brasileira capaz de transformar televisão em arte. Inclusive espero que a emissora exiba mais adaptações à noite, dando o devido espaço a produtos verdadeiramente artísticos. O horário impróprio, a famosa hora de dormir para quem desperta as 6 da manhã, não favorece que a maioria dos trabalhadores possa assistir produções desse porte, mas se o mercado não permite que grandes obras sejam exibidas mais cedo, que seja lançado urgentemente o DVD da série em magazines populares para que todos possam vê-la.

O Passado Ronda

O Passado Ronda

A história do amor e da famosa separação do casal Dalva de Oliveira e do seu “criador” , o compositor Herivelto Martins foi contada em livro por um dos filhos dessa união, o cantor Pery Ribeiro. O relato é emocionante e foi devidamente adaptado para que não se perdesse a intenção da obra: falar sobre o falho amor humano e relembrar ou lembrar ao público atual que não existe só música pop e que artistas nascem, crescem e morrem como se não existissem, como se não tivessem importância quando saem de moda ou envelhecem. Uma das cenas mais tocantes da história mostra Dalva, já idosa, ainda procurando um amor (apesar de saber que o mulherengo Herivelto foi o único) cantando em churrascarias e circos para sobreviver.

Lembro de assistir com minha mãe à Dalva, com cabelos embranquecidos, cantando na TV Tupi com o filho Pery, ainda com imagem em preto e branco e TV com válvulas G & E. Às vezes minha mãe tentava contar algo sobre a tortuosa relação da cantora com Herivelto. Mas eu era uma criança que nem havia dado um beijo na boca, eu não poderia entender o que é sofrer por amor. Ainda era cedo para mim. Mais tarde viveria a mesma situação e então saberia como é amar sem ser amado, ser amigo de uma pessoa que não é sua amiga. A gente cai, mas aprende ou pelo menos acha que aprende. Certa vez ela me disse que ia à Rádio Nacional, no prédio na Praça Mauá no Rio, para ver as favoritas Marlene e Emilinha. Eram tempos antes da Bossa Nova e do Rock and Roll, tempos de um Brasil menos internacionalizado e mais ingênuo em um mundo mais ingênuo. Cresci ouvindo os sambas e boleros dos LPs dos meus pais, que incluíam Miltinho, Nelson Gonçalves, Clementina de Jesus e Elizeth Cardoso. Por mais que eu não gostasse ou não entendesse esse estilo musical na época, a ficha acabou caindo mais tarde, há alguns anos. Hoje ouço o que meus pais escutavam com imenso prazer. Respeito a nossa música e na minha casa, samba e rock convivem muito bem tropicalísiticamente.

Se há uma única falha foi a divulgação que comparou o casal brasileiro a Sid (dos Sex Pistols) e Nancy. Uma comparação desonrosa e submissa, que propõe indiretamente que para se conhecer o Brasil é necessário antes compará-lo com o que vem do exterior. Ora, me poupe, me economize.

dalva

Fábio Assunção e Adriana Esteves

“A gente falou e pensou muito sobre o amor com esse trabalho. Dalva falava que o que ela tinha de mais importante, de tudo que ela viveu, foi por causa do amor, ou pela falta dele. O amor ficou muito forte em mim durante esse período. E um amor que estava diretamente direcionado a mim, estava na minha cara todos os dias, era meu amor por ele [Fábio]. E o amor que ele transmitia por mim. Ele me emocionava a cada dia com a presença, companheirismo, entrega. Aquilo foi uma das formas de amor que ficou mais clara na minha vida. Esse trabalho solidifica nossa vida e trajetória. É um caminho não só pessoal, mas profissional também. Temos o mesmo tempo de profissão, e, eventualmente, trabalhamos juntos. Foi um presente esse romance desse casal para selar nossa parceria pessoal e profissional” Adriana Esteves em depoimento à Famosidades.

Justiça Brasileira para Todos
21 mai, 2009 por Carlos Lopes
Nos fazem de palhaços

Nos fazem de palhaços

Há algumas semanas escrevi sobre o bate-boca no STF, o que me fez refletir (mais um pouco) sobre as classes dirigentes. Logo depois da escaramuça no Supremo tivemos a declaração estonteante do deputado federal Sérgio Moraes (PTB – RS) que dispensou o cargo de relator do caso do deputado Edmar Moreira (Sem partido – MG), acusado de uso irregular de verba indenizatória. Moraes perdeu a função após dizer que o colega era “boi de piranha” e que ele mesmo estava “se lixando para a opinião pública”. Vê-se que não dar a mínima para a opinião pública nunca foi exclusividade dos ditadores, muito pelo contrário. Nós, do outro lado do muro, ficamos tão anestesiados, tão cansados de tanta displicência e desrespeito conosco, que o primeiro ímpeto é desligar a TV, não ler notícias e não fazer mais nada. Mas as notícias entram em nossas vidas por osmose ou pelas manchetes de jornais espalhados pelas bancas. Então o que nos resta é separar o joio do trigo e gastar nossa energia com algo útil e digno, seja para a mente e para a alma.

O assunto da justiça brasileira nunca se esgota e os exemplos que escolhi mostram o ridículo da situação a começar pelo mais absurdo detodosm, que vi na TV e cuja matéria incluí com o texto.

Celestino, a cara do Brasil que é punido exemplarmente pela Justiça Cega

Celestino, a cara do Brasil que é punido exemplarmente pela Justiça Cega

O sapateiro aposentado Celestino Eugênio da Silva de 78 anos passou seis dias preso por um crime que aconteceu há 42 anos. Ele era acusado de homicídio, mas nunca teve a prisão decretada nem foi a julgamento. O mandado de prisão de 1999 levou uma década para ser cumprido entre atrasos e trâmites burocráticos, acreditem se quiser e o tal crime foi praticado há 42 anos, em 1967. Celestino foi solto ontem, após um alvará de soltura, que determinou a extinção do processo porque o prazo para o julgamento do crime foi prescrito.

E só houve esse caso no Brasil, o país da Justiça e dos justos? Fazendo uma pequena pesquisa encontrei vários, mas destaco esses dois:

Um portador de deficiência intelectual ficou preso injustamente por seis anos em Extrema, Minas Gerais. O homem foi parar por engano na cadeia em março de 2003, acusado de morte de um homem a pauladas. Natural de Pernambuco, ele foi confundido com o verdadeiro autor do crime, que também era pernambucano, e morreu em 2005. Os dois tinham nomes parecidos. Quando foi preso, o homem não estava com documentos. Como havia um mandato de prisão contra o criminoso, que tinha o nome semelhante, a polícia e a Justiça acharam que tinham prendido o homem certo. Há alguns meses, depois que ele fez tratamento de saúde, um policial desconfiou do engano e comunicou a Defensoria Pública.

Em 2008, Júlio Eglesias Soares recuperou a liberdade em Mato Grosso após permanecer um ano e seis meses preso por um crime que não cometeu. Soares foi preso e condenado no lugar do irmão, que assaltara uma agência bancária no interior do Estado em 2003 e dera o nome do próprio irmão para a polícia. A Defensoria Pública pediu revisão do processo assim que soube do caso.

Por essas e outras meus amigos e amigas, abram o olho porque não basta pagar as contas, impostos e cumprir suas obrigações. Saiba que a sua palavra parece que nada vale em um país com gente que se lixa para a opinião pública e que é regido por uma justiça modorrenta e várias vezes injusta. Somos todos personagens de um livro do Kafka.

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