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O nosso Brasil de Mindlin, Villa Lobos, ETs e Lula
8 mar, 2010 por Carlos Lopes

Este texto, meio que começou a nascer em um final de semana, no qual faleceram dois brasileiros supimpas: o sambista Walter Alfaiate e o bibliófilo José Mindlin. Senti que o país ficou mais pobre e isso cutucou meus brios.

José Mindlin
José Mindlin

Digo “começou a nascer” porque de fato o texto atual foi inseminado no ano passado, mas até hoje era impossível transcrevê-lo para o mundo real das palavras escritas. Há bastante tempo não escrevo, fruto de um desinteresse crônico em compartilhar idéias escritas. Tenho preferido ler (livros) e assistir filmes e documentários, estudar cada vez mais, uma das minhas paixões. Inclusive, tem sido mais fácil escrever canções e gravá-las, apesar que todo o processo envolvido, muitas vezes, te faz perder o amor pela música. Mas isso é assunto para outro texto, este agora está reservado para uns pensamentos sobre o meu Brasil.

Repito e digo “o meu Brasil”, pois nem tudo pode ser repartido, pois somos pessoas com sentimentos diferentes e isso faz toda a diferença na hora de emitir um julgamento. E achismos não surgem apenas do povo iletrado, mas de profissionais esclarecidos, que acham que podem cuspir suas análises fundamentadas em racismo crônico. Se dependesse de muitos que cá nasceram, esse país seria uma colônia não mais da União Soviética do pós-guerra, como poderia ter sido antigamente, mas do mundanismo internacional. Já escrevi anteriormente que me causa repugnância quando alguém fala que “esse país é um lixo”, “só pode ser Brasil mesmo”, “país de preto” e coisas assim. Em primeira instância, essa elite que existe desde os tempos da colônia de Portugal ficou e ainda está muito fula porque, apesar dos escândalos, o PT ainda é o partido que manda no quintal e o seu porta-voz é o presidente mais popular do mundo, mesmo falando errado, coisa que horroriza a classe alta, que associa postura (o externo, o socialmente aceito) com bom comportamento. E essa associação quer nos continuar impondo presidente homem e branco. Um nordestino que fala errado não poderia, em “um país sério” sonhar em ser presidente, é o que pensam.

passado, presente e futuro
passado, presente e futuro

Se o Brasil ganhou o direito de sediar, principalmente a Olimpíada é porque Lula fez e aconteceu, colocou o Brasil no mapa. Ele soube usar a mídia a seu favor, o que no final das contas, conta a nosso favor. O sociólogo rancoroso, esse mesmo, que só sabe reclamar, não conseguiu. Por causa disso, dessa dor de cotovelo crônica, e apesar do seu francês fluente, o que ele pretende? Se hoje, americano (que ainda manda no mundo) sabe quem somos, que os brasileiros existem,é mais por causa da popularidade de Lula do que por causa dos nossos talentos. Isso se faz notar em produções cinematográficas como 2012, que despencou o nosso Cristo e com o atual seriado V (para fãs de Lost), que coloca uma nave-mãe gigante no ar falando português à frente do mesmo e popular Cristo Redentor (anexo imagem). Vejam bem: Nova Iorque, Los Angeles, Paris e… Rio.

Os ETs invadem o Rio
Os ETs invadem o Rio

Já escrevi também, que amo a ideia do Tropicalismo de Caetano e Gil e os filmes do cinema novo, que fundem o estrangeirismo com o olhar e o sentir local. O Brasil não deve se fechar, pois esse tipo de coisa gerou duas guerras mundiais, e coisas como o Iraque, o Irã e a Coreia do Norte. Há a necessidade de ensinar aos jovens, aos estudantes, e inclusive aos mais velhos, o orgulho de ser quem somos e ser como somos. Quando alguém comenta que o canto orfeônico do Villa Lobos, só foi possível em um contexto ditatorial, eu me pergunto, então por que não podemos resgatá-lo , se somos livres, e donos dos nossos narizes? Por que não voltar a ensinar música nas escolas? Para disponibilizarmos computadores em todos os colégios, é necessário educar o aluno para que ele não use a máquina (ainda mais) a serviço da futilidade.

1,2,3,4
1,2,3,4

Essa necessidade mórbida de olhar sempre para fora, se preocupar com o “primeiro” mundo e pisar no que temos de melhor, o “nosso”, aí sim, mesticismo é fruto de ignorância, medo e  covardia de deixar a pele escurecer e os cabelos encaracolarem. E o esquecimento, promovido pela mídia, faz parte dessa conspiração que pode ser alcunhada de educação regressiva, como um espelho embaçado que não reflete os nossos rostos e nem as nossas infinitas possibilidades. Muitas vezes, penso no que deve existir de baixa estima, quando o sujeito NÃO se vê na TV porque só há gente loura de olhos claros, biótipo alienígena e nazista. Isso só pode fazer o sujeito se sentir um lixo, e certamente o faz. Se você não abrir o olho, o negócio pode ficar feio mesmo, criando um ambiente para dominação cultural e inserção de valores que não são úteis para o nosso, aí sim, desenvolvimento e para a nossa liberdade, ainda que tardia. A mais perigosa das armas é a mídia, que inculta nas pessoas, o sentimento mesquinho de assimilar valores opressivos que deseducam.

Aconselho aos meus amigos leitores o excelente canal Futura, com um primor de programação; a TV Brasil, que está cada vez melhor; programas como Por Toda Minha Vida da Rede Globo e o fantástico documentário “O Homem que Engarrafava Nuvens” de Lírio Ferreira, diretor de Baile Perfumado e Cartola – Música para os Olhos sobre o compositor Humberto Teixeira (1915-1979), o “doutor do baião”, parceiro de Luiz Gonzaga.

Amigos e leitores, olhem e sintam o Brasil com outros olhos, com orgulho de quem sabe quem são. Se vocês não gostam do Brasil é porque não gostam de vocês, pois nós somos o Brasil. E ninguém mais pode ser.

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Novidades Informática
16 jan, 2010 por Carlos Lopes

Assisti na TV, uma matéria sobre a Feira de Informática em Las Vegas e os novos  computadores híbridos. Assim tomei conhecimento do que é um tablet ou “slate PC”, aparelho que mistura notebook e celular. Para nosso desespero e necessidade, o mundo da informática não para. E não basta mais ser um mero computador com suas usuais funções: ele tem que poder fazer quase tudo. A Apple é responsável pelo tablet, mas as outras empresas correm para não ficar atrás no mercadão.

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A Lenovo manda ver no seu Ideapad U1 Hybrid, uma mistura de netbook e tablet, um computador que é a soma de dois aparelhos, para que o usuário escolha qual quer usar conforme a necessidade.  Quando está na sua posição original, de garra, como diz a Lenovo, o U1 tem uma tela de LED de 11,6 polegadas, 16 Gbytes de disco de estado sólido e roda o Windows 7. Quando a tela sensível ao toque é removida, transforma-se em um tablet e roda o Skylight, uma versão do Linux personalizada pela Lenovo. O U1 Hybrid compartilha bateria, conexão 3G, informações e documentos. A empresa afirma que o usuário pode navegar pelo laptop e, quando muda para o tablet, pode prosseguir a partir do ponto em que parou.

A Samsung apresentou o protótipo de um laptop com tela transparente feita em Oled. O aparelho tem tela de 14 polegadas com 40% de transparência, ante os 25% dos computadores tradicionais. Isso faz com que a imagem vista no dispositivo seja rápida o
suficiente para eliminar interferências óticas entre imagens em 3D.

Tablet da Apple

Tablet da Apple

A Intel apresentou o novo modelo do notebook educacional Classmate PC, que ganhou tela giratória sensível ao toque com capacidade de ser transformada em um tablet.

A Microsoft apresentou um protótipo da HP. O dispositivo conta com tela sensível ao toque e é multimídia, permitindo ver vídeos, navegar pela internet e ler livros. Os aparelhos são mais poderosos do que um celular e quase tão potentes quanto um computador.

E as câmeras fotográficas digitais, que deslancham com melhor e maior definição?

Na Feira, os produtos possuem algo como 14 Mpixels para foto e 1.080p para vídeo e apresentam funções como reconhecimento de rostos.

Um dos destaques foi o anúncio da Polaroid, que venderá filmes (Sim! Filmes!) a partir da primavera norte-americana. O pacote de filme com dez poses custará US$ 27,99.

Polaroid

Polaroid

A Kodak mostrou a câmera Slice Touchscreen, que armazena até 5.000 fotos em sua memória. O aparelho facilita o compartilhamento das imagens em redes sociais e tem função de reconhecimento de rostos. Outro item da marca é a câmera de vídeo Playsport, resistente a água em até três metros de profundidade, segundo informações da empresa.

A Samsung mostrou vários modelos, entre eles o NX10, com 14,6 Mpixels de resolução e capaz de fazer filmes em alta definição. A câmera conta com uma tela de três polegadas feita em Amoled -de acordo com a Samsung, isso permite ao fotógrafo ver melhor as imagens que captura, mesmo quando a luz do sol é estiver forte.

A Sony apresentou um novo modelo da linha Cyber-shot, o DSC-HX5V, que conta com megazoom ótico de dez vezes, GPS e sensor que ajuda na hora de fazer fotos com pouca luz. É capaz ainda de capturar vídeos em Full HD. Custará US$ 350.

A Panasonic anunciou câmeras e, também, um cartão do tipo SDXC com capacidade de armazenamento de 64 Gbytes -e haja espaço em seu computador para tantas imagens.

A Sanyo mostrou a Xacti VPC-CS1, filmadora portátil com apenas 2,7 centímetros de espessura. O modelo grava vídeos em alta definição e também captura fotos com 8 Mpixels de resolução.

Outro destaque foi o Eye-Fi Pro, cartão com 8 Gbytes de memória e dotado de Wi-Fi.

Na onda do 3D, a DXG anunciou que produzirá câmeras de vídeo capazes de fazer imagens desse tipo.

Dalva e Herivelto
9 jan, 2010 por Carlos Lopes
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Trio de Ouro

Em janeiro, a Globo exibiu uma minissérie irretocável em 5 episódios: “Dalva e Herivelto: Uma Canção de Amor”. Feita com requintes cinematográficos, e até mesmo melhor do que vários filmes nacionais produzidos para a telona, a série encantou pelo talento da direção, do texto e dos atores, destacando a melhor atuação da carreira de Adriana Esteves como a sofrida cantora Dalva de Oliveira.

Desce criança acompanho as adaptações dos clássicos de nossa literatura feitas pela Globo, que tantas vezes mudou de diretores e atores, mas que continua sendo a única emissora brasileira capaz de transformar televisão em arte. Inclusive espero que a emissora exiba mais adaptações à noite, dando o devido espaço a produtos verdadeiramente artísticos. O horário impróprio, a famosa hora de dormir para quem desperta as 6 da manhã, não favorece que a maioria dos trabalhadores possa assistir produções desse porte, mas se o mercado não permite que grandes obras sejam exibidas mais cedo, que seja lançado urgentemente o DVD da série em magazines populares para que todos possam vê-la.

O Passado Ronda

O Passado Ronda

A história do amor e da famosa separação do casal Dalva de Oliveira e do seu “criador” , o compositor Herivelto Martins foi contada em livro por um dos filhos dessa união, o cantor Pery Ribeiro. O relato é emocionante e foi devidamente adaptado para que não se perdesse a intenção da obra: falar sobre o falho amor humano e relembrar ou lembrar ao público atual que não existe só música pop e que artistas nascem, crescem e morrem como se não existissem, como se não tivessem importância quando saem de moda ou envelhecem. Uma das cenas mais tocantes da história mostra Dalva, já idosa, ainda procurando um amor (apesar de saber que o mulherengo Herivelto foi o único) cantando em churrascarias e circos para sobreviver.

Lembro de assistir com minha mãe à Dalva, com cabelos embranquecidos, cantando na TV Tupi com o filho Pery, ainda com imagem em preto e branco e TV com válvulas G & E. Às vezes minha mãe tentava contar algo sobre a tortuosa relação da cantora com Herivelto. Mas eu era uma criança que nem havia dado um beijo na boca, eu não poderia entender o que é sofrer por amor. Ainda era cedo para mim. Mais tarde viveria a mesma situação e então saberia como é amar sem ser amado, ser amigo de uma pessoa que não é sua amiga. A gente cai, mas aprende ou pelo menos acha que aprende. Certa vez ela me disse que ia à Rádio Nacional, no prédio na Praça Mauá no Rio, para ver as favoritas Marlene e Emilinha. Eram tempos antes da Bossa Nova e do Rock and Roll, tempos de um Brasil menos internacionalizado e mais ingênuo em um mundo mais ingênuo. Cresci ouvindo os sambas e boleros dos LPs dos meus pais, que incluíam Miltinho, Nelson Gonçalves, Clementina de Jesus e Elizeth Cardoso. Por mais que eu não gostasse ou não entendesse esse estilo musical na época, a ficha acabou caindo mais tarde, há alguns anos. Hoje ouço o que meus pais escutavam com imenso prazer. Respeito a nossa música e na minha casa, samba e rock convivem muito bem tropicalísiticamente.

Se há uma única falha foi a divulgação que comparou o casal brasileiro a Sid (dos Sex Pistols) e Nancy. Uma comparação desonrosa e submissa, que propõe indiretamente que para se conhecer o Brasil é necessário antes compará-lo com o que vem do exterior. Ora, me poupe, me economize.

dalva

Fábio Assunção e Adriana Esteves

“A gente falou e pensou muito sobre o amor com esse trabalho. Dalva falava que o que ela tinha de mais importante, de tudo que ela viveu, foi por causa do amor, ou pela falta dele. O amor ficou muito forte em mim durante esse período. E um amor que estava diretamente direcionado a mim, estava na minha cara todos os dias, era meu amor por ele [Fábio]. E o amor que ele transmitia por mim. Ele me emocionava a cada dia com a presença, companheirismo, entrega. Aquilo foi uma das formas de amor que ficou mais clara na minha vida. Esse trabalho solidifica nossa vida e trajetória. É um caminho não só pessoal, mas profissional também. Temos o mesmo tempo de profissão, e, eventualmente, trabalhamos juntos. Foi um presente esse romance desse casal para selar nossa parceria pessoal e profissional” Adriana Esteves em depoimento à Famosidades.

O MARTELO 17 NO AR
21 dez, 2009 por Carlos Lopes

Poesia e vida de Patativa do Assaré; A Família José Sarney;  Jeannie e Samantha (histórias das produções da TV); FMI e as relações internacionais (comerciais e políticas); A médium americana J. Z. Knight de “Quem Somos Nós?”; o Desenhista J. Carlos em Tempos de Guerra; Patrícia Pillar e o filme sobre Waldick Soriano; o filme Fim do Silêncio sobre Aborto no Brasil; o fotógrafo e surfista Clark Little; a Pintora Tamara de Lempicka; Entrevista com a banda BISK8; o Desenho Animado Flapjack; Maria Rita Kelh; Cinema; Literatura; Colunas e Muito Mais.

Leia em www.omartelo.com

mustangmartelo@gmail.com

O Martelo 17 tá genialmente enfeitiçado.

O Martelo 17 tá genialmente enfeitiçado.

OLIMPÍADAS, DESENVOLVIMENTO E INCLUSÃO SOCIAL
3 out, 2009 por Carlos Lopes

2016

2016

66 votos contra 32.

A vitória do Brasil como futura sede das Olimpíadas em 2016 representa a superação dos nossos defeitos através do esporte e da política; simboliza um momento histórico: o caminho inevitável para o desenvolvimento. Digo isso, porque o Rio pode ser o cartão postal e a sede, mas acima disso, a cidade sintetiza o melhor e o pior deste país, a vitória é de todos nós, é uma conquista do Brasil.

Cartada Final

Cartada Final

Temos menos de 7 anos para superar todos os nossos limites.

Basta o leitor analisar a sequência dos fatos para comprovar que, apesar dos críticos, o país caminha sempre em frente: Collor, FHC, Lula, BRIC, G20, Pré-Sal, Copa do Mundo e Olimpíadas.

O Cara

O Cara

No dia 2 de abril em Londres, Obama chamou Lula de “o cara” na reunião do G20 e em 2 de outubro ganhamos dos Estados Unidos, sem tapetão e na moral. Os republicanos norte-americanos devem ter soltado fogos.

“Sim, nós podemos.”

A conseqüência desse inexorável caminhar, pode ter nascido na frase de Collor que se referia aos carros nacionais como “carroças”, passando pelo FHC e uma nova política econômica, mas foi no momento Lula que essa mudança de paradigma assumiu sua grande forma com um presidente carismático e de liderança indubitável na América do Sul. O complexo de vira-latas acaba aqui, não temos que ser norte- americanos, não temos que ser como os europeus, só temos que crescer com trabalho e respeito pelos exemplos vitoriosos e escaldados pelos fracassos.

Vitória do Coração

Vitória do Coração

A nossa vitória nas Olimpíadas é a possibilidade de erguer a tocha de um país único, mulato sim, místico sim, cheio de problemas mas muito criativo e trabalhador.

E a eleição vitoriosa no COI não foi consequência da exploração de nossas mazelas, mas de nossas conquistas. O campeão Brasil ganhou quando incluímos na sociedade as comunidades carentes, quando somamos o rico ao pobre, do descendente de imigrantes ao ex- escravizado, quando buscamos soluções próprias. O Brasil soma, sintetiza, regurgita o Bispo Sardinha sem espinhas.

Daniel Dias

Daniel Dias

O fator emocional contou muito a nosso favor. A presença dos mui conhecidos Paulo Coelho e Pelé, principalmente o segundo – o rei do futebol, antes um garoto pobre -, mostrou que o caminho do Brasil é a soma dos extremos, da aliança do morro com o asfalto, da inserção social. A dupla vitoriosa foi o nadador paraolímpico Daniel Dias, um garoto de 16 anos que superou suas limitações, e a atleta Bárbara Leôncio, uma menina que corria descalça e vencia todos os garotos até sagrar-se campeã mundial juvenil nos 200 metros rasos.

Bárbada Leôncio

Bárbada Leôncio

65 milhões de jovens brasileiros farão parte dessa inclusão social através do esporte.

Todos que assistiram o povo nas ruas em cada um dos países concorrentes e que viu os 30 mil que estavam na praia de Copacabana, anteciparam a nossa vitória, a vitória da vontade. Olhe para os japoneses sem garra e os americanos preocupados com o aumento dos impostos e por fim a derrota dos hermanos espanhóis, que prepotentemente não queriam nos dar a chance de sermos o primeiro país na Sul América a sediar uma Olimpíada.

“Uma imagem vale mil palavras.”

Sexta, o dia do resultado, foi ponto facultativo para os funcionários da Prefeitura e dia livre para os estudantes, como não? Qualquer crítico que se levantar contra essa tática é apenas um ingênuo, porque a cidade não parou por causa disso, ela prosseguiu produzindo e mesmo assim havia uma massa emocionada na praia para representar o Brasil nas televisões e internets de todo o mundo.

Em entrevista, imediatamente após a vitória arrasadora e até certo ponto surpreendente, Lula, um presidente emocionado, e um tremendo pé-quente, declarou:

“As pessoas falam: não pode fazer uma olimpíada porque tem criança pobre, porque tem favela, porque precisa investir na educação. É preciso a gente fazer tudo isso (…) e provar que a alma generosa do brasileiro vai fazer a mais extraordinária olimpíada que o Brasil já viu, que o mundo já viu.”

Este texto não se refere e nem pretende analisar os futuros desafios que teremos para desenvolver e preparar o Rio de Janeiro em 7 anos, esse é um momento de festa, mas como disse o presidente o trabalho começou “ontem”. A sociedade tanto civil como política, já está devidamente estruturada para controlar os excessos e implementar os desafios. Os pontos que cito devem ser analisados, com atenção. Provavelmente, falaremos sobre isso, e muito.

  • O Rio retoma seu papel de capital, perdido desde a transferência para Brasília.
  • A união política faz a força: Lula, Cabral e Paes. Melhor ganhando juntos do que perdendo separados. Cansei de ver minha cidade perder por causa de divergências políticas. Quero o Brasil maior e o Rio melhor.
  • Como se prevê, haverá atrasos nas obras para a nova cidade remodelada, mas não acredito em grandes desvios de verba, porque o tempo é curto e em pelo menos 7 anos caminharemos “no sapatinho”, sem grandes assaltos ao dinheiro público, porque há a necessidade de cumprir os prazos e resolver problemas de transporte, saúde, ecologia, hotelaria e segurança em menos de uma década. Muita coisa para pouco tempo. A cara do país muda a partir de agora; os mais capacitados investidores brasileiros farão parte da aliança da vitória, construirão não mais a nação do futuro, mas o país do presente. Não há mais tempo para roubo e demagogia.
  • Em 2016, o Brasil será a quinta economia mundial.
  • O Pré-Sal já mudou e vai mudar este país.
  • Dilma, apesar da falta de carisma, ganhou um empurrãozinho em sua campanha presidencial.

A Dinamarca é pé quente.

SINGAPURA, É PROIBIDO NÃO PROIBIR
23 set, 2009 por Carlos Lopes


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Fernando Alonso e Nelson Piquet Jr bem que tentaram, mas não conseguiram fazer das suas em Singapura. Esquecendo essas baixarias da Fórmula 1, que tal falarmos dos aspectos positivos do país?

O que o senhor, ou senhora leitor(a) diria sobre um país que condena quem pichar uma parede com uma boa multa de 4 mil reais? E se a mesma pichação for difícil de ser limpa que tal o acréscimo de 3 a 8 chibatadas? E se o sujeito não der descarga no banheiro público que tal 300 reais de multa? E o que o senhor diria de 2 mil reais se jogar lixo na rua? E se falar no celular dentro do carro, que tal ser preso na hora? E tráfico de drogas que é punível com a pena de morte? E chiclete que é considerado um dos maiores inimigos por causa dos gastos com limpeza pública, que são cobrados do povo? Para muitos pode parecer o inferno sobre a Terra, mas para outros soa como o paraíso.

Quem Pode Ri

Pode Quem Ri Ou Ri Quem Pode?

A República de Singapura (com S de acordo com a nova ortografia), literalmente a Cidade do Leão, se localiza entre a Malásia e a Indonésia, e é uma ex-colônia britânica composta por uma ilha principal e 63 ilhas menores. Singapura é provavelmente o único lugar do mundo no qual se vê um casamento malaio ao lado de um casamento chinês, coisa rara em outros locais asiáticos. A capital deste país, também chamada Singapura, é única em bons modos, e livre de impostos, faz do turista um item desejado pelo comércio local. O país possui um único partido vitorioso desde sua independência em 1965, e ninguém reclama por causa disso. Seu único grande problema ocorreu quando o Japão os invadiu em 1942 na Segunda Guerra, na época que os nipônicos acreditavam que Deus era japonês e não brasileiro.

O inglês é a língua do comércio, mas existe um “portunhol” local chamado Singlish, utilizado pelos cidadãos que não aprenderam bem o idioma.

Shenise - Miss Singapura

Shenise - Miss Singapura

Singapura pode não ser o paraíso da ultra diversão decadente ocidental (como diriam os antigos regimes comunistas), pois o que vale lá é o bem estar da maioria e não a vontade do indivíduo. A diversão favorita do povo é o cinema, com todo mundo sentadinho nas cadeiras, coisa super educada. Mas não se assustem: não há ninguém com cara e jeito de norte-coreano, e eles até são chegados a uma piadinha, tal como no anúncio do novo sanduíche da Burger King local com 17 centímetros de largura. O cartaz brinca com o termo “blowjob” (boquete) e com a frase “vai explodir na sua boca”.

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NOOOSSA!

Mas antes que alguém pense ao contrário, as pessoas em “Singa” são super normais, mas sem os excessos dos ocidentais, consomem bastante, mas com a cabeça no lugar. E o povo é bastante inteligente. Nesse ano, uma equipe de estudantes local levou um prêmio de US$ 10 mil por desenvolver um sistema comercialmente viável de aquecimento de água, no qual canos, construídos embaixo das estradas, aquecem a água, em uma alternativa mais sustentável do que aquecimento elétrico ou a gás. Essa pode será solução para países quentes como os que existem na África, América Latina, Oceania e grande parte da Ásia.

Oriente e Ocidente

Oriente e Ocidente

Essa metrópole do sudeste asiático incorpora o melhor do ocidente e do oriente, unindo tradições e modernidade, tendo à frente um partido político praticamente único e muitíssimas proibições para todos os segmentos sociais; no país há placa de proibido em tudo quanto é lado.

Para os endinheirados, um passeio pela Orchard Road com suas lojas chiques e restaurantes finos é a boa, e que tal pegar uma prainha em Sentosa e passear na roda-gigante de onde pode-se admirar os maravilhosos edifícios e as belas paisagens da cidade? Com 4 milhões de habitantes e PIB de US$ 84,4 bilhões (1998), o local é uma das terras promissoras, símbolo da prosperidade dos “tigres asiáticos”.

Templo Budista

Templo Budista

O bairro colonial da capital é dominado pelo parque Ford Canning , construído em 1819 sobre um campo santo malaio e sobre um cemitério no qual estão enterrados alguns dos primeiros colonos europeus que se estabeleceram na ilha. Ao norte do parque encontra-se o Museu e a Galeria de Arte Nacional, famosa por sua coleção de objetos de jade e o Distrito Financeiro Central, o coração comercial do país com seus muitos arranha-céus.

No centro muçulmano de Singapura temos a mesquita Malabar Muslim Jama-Ath, uma construção coberta com azulejos azuis que adquirem um aspecto fantástico ao entardecer durante o Ramadan. Na esquina de Serangoon com Belilios encontra-se o Templo Veerama Kali Amman, uma construção dedicada a Kali. O Sri Srivinasa Perumal é um extenso templo dedicado a Vishnu, no qual vê-se  uma estátua de Perumal, o Vishnu e seus consortes Lakshmi e Andal. No Templo de Sakaya Muni Buddha Gaya há uma figura de Buda com 15 metros de altura detalhadamente pintada com cores brilhantes.

Quinze Metros

Quinze Metros

O setor econômico encontra-se no oeste da cidade, convivendo com vários parques temáticos chineses como o Haw Par Villa, que versa sobre a mitologia chinesa e o Tang Dinasty City, representação da China no século XVII. Também há o Parque das Aves Jurong, no qual estão os Jardins Chineses e Japoneses, além do Centro de Ciências de Singapura. Não muito longe há uma reserva de crocodilos.

O primeiro ministro de Singapura, Lee Hsien Loong, fez um discurso no dia 9 de agosto, dia nacional do país, sobre diferenças religiosas e étnicas ao invés dos habituais discursos sobre bebês e bônus. Tal lá como cá, os evangélicos andam a tomar conta da cabeça dos necessitados, e já sendo considerado um problema, eis o que o homem forte falou: “O governo tem que se manter secular. A autoridade vem do povo (…) não de um livro sagrado. (…) outros grupos têm visões diferentes e crenças diferentes e apesar de respeitarmos isso, o debate público não pode ser sobre qual religião está certa ou qual está errada, tem que ser sobre considerações seculares e racionais, interesse público e o que é melhor para Singapura. (…) vamos partilhar uma refeição reconhecendo que não somos iguais. Não desencorajem as pessoas de interagir. Não façam com que seja difícil que sejamos um povo.”

Taí um país (quase) perfeito.

Passagem Para causo 011 Cingapura from Canal Futura on Vimeo.

20 IDEIAS QUE VÃO MUDAR O MUNDO!
22 set, 2009 por Carlos Lopes

Segundo matéria da revista Galileu, existem “100 ideias que vão mudar o mundo”. Como 100 é um número muito looongo (e dubiamente curioso, pois “sem” é igual a nada), escolhi as 20 mais curiosas – para tudo quanto é gosto.

20 Grandes Ideias

20 Grandes Ideias

Essa pré-seleção não quer dizer que somos obrigados a saber tudo, pois o mundo muda rapidamente e nós, nem tanto. Mas as vantagens serão, um dia, partilhadas com todos.

Por falar nisso, você não sente que te fazem sentir um deslocado, só porque você não sabe tudo sobre tudo, como se isso fosse mais importante do que… tudo? ! Fábio Gandour, cientista-chefe da IBM Brasil, disse que: “Às vezes, o excesso de informação pode ser pior do que a falta dela.”

Pois é.

VINTE GRANDES IDEIAS

Combater O Aquecimento Global – Cientistas propõem soluções como pintar de branco o teto das casas, enviar espelhos refletores para orbitar no espaço e jogar grandes placas de plástico no mar, para refletir os raios solares e esfriar o planeta.

Reator Caseiro – Aparelho que aproveita a fotossíntese das algas para converter o gás carbônico e a luz em energia. O aparelho, feito com garrafas recicláveis foi desenvolvido por Michael Fischer da Universidade de Stanford nos Estados Unidos, e seu grande objetivo é retirar o material direto da atmosfera e sem ocupar solo fértil.

Baterias movidas a hidrogênio – Stan Ovshinsky, 84 anos, o sujeito que criou as baterias para celular está desenvolvendo essa novidade, inclusive para motores.

Por que Lâmpada Ainda é sinônimo de Boa Idéia?

Por que Lâmpada Ainda é Sinônimo de Boa Idéia?

Controlar objetos com a mente – O Mindflex, brinquedo feito em parceria com a fabricante Mattel, é controlado por ondas cerebrais. Sensores captam os comandos e enviam sinais para uma unidade que controla o ventilador interno de uma pequena bola, que flutua ao sabor do pensamento.

Pilha Humana – Baterias que geram energia com o andar do usuário (Pesam 1.6 quilo). O Biomechanical Energy Harvester é utilizado nos dois joelhos, pode gerar 5 watts em pouco tempo – o suficiente para carregar 10 celulares. Desenvolvido por Max Donelan, cinesiologista da universidade canadense Simon Fraser

Camisinha Diferente – O professor de educação sexual Jan Vinzenz Krause viu um lava-rápido e criou a camisinha em spray, com a qual o homem introduz seu pênis em uma pequena garrafa que o borrifa com látex, e após 3 minutos (essa é dose!) o resultado é mais seguro e a forma se adequa perfeitamente ao pênis sem a sensação desagradável da camisinha.

Airbags Pessoais para Idosos – As quedas são a maior causa de morte entre os idosos (65 anos ou mais). Os sensores detectam uma queda e as proteções são ativadas nos quadris e ao redor do pescoço em um décimo de segundo. A companhia japonesa Prop vende airbags para idosos que pesam 1 quilo por cerca de hum mil e quatrocentos dólares.

Cirurgia Portátil – Raios ultrassom em menor intensidade têm calor suficiente para cauterizar ferimentos, mesmo quando há muita perda de sangue. Empresas já desenvolveram modelos portáteis que cauterizam veias e artérias ao fazer a incisão.

Mapa Genético – Em alguns anos, todos poderão ter seu genoma decifrado por um valor inferior a 400 dólares. A partir daí, remédios serão feitos sob medida e a prevenção será muito mais eficaz.

Magritte, um artista com ideias luminosas

Magritte, um artista com ideias luminosas

Vacinas Contra Drogas – Thomas Kosten, especialista em drogas da Universidade de Medicina de Houston nos Estados Unidos, testou um experimento com 100 dependentes químicos. A vacina que ajuda a produzir anticorpos que neutralizam a cocaína, e que evita recaídas, foi bem-sucedida em 1/3 de 55 pacientes, que reduziram o consumo da droga.

Hospitais-Hotéis. Imagine que beleza: concierges, iguais aos dos hotéis, para despachar documentos, lidar com burocracia e aliviar o trabalho das enfermeiras; e pré-internação com cadastro feito dias antes das cirurgias, com preferências alimentares e aviso antecipado sobre dificuldades de locomoção, entre outras vantagens.

Mente Sem Lembranças – Pesquisadores do Medical College of Georgia sugerem que é possível apagar memórias de curto e médio prazo ao alterar níveis da enzima CaMKII, que só é encontrada no cérebro. Os testes com ratos obtiveram resultados impressionantes.

Carros Que Estacionam Automaticamente – A primeira tecnologia surgiu em 1992 com o protótipo Futura da Volkswagen. A Toyota foi a primeira a vender veículos com a função: o modelo Prius foi lançado no Japão em 2003.

Avião Que Usa Energia Solar – O projeto suíço Solar Impulse trabalha na criação de um avião que é movido por energia solar e não polui.

Clonagem de Animais Extintos – Em fevereiro de 2009, uma espécie de bode desaparecida desde 2000 foi clonada pela primeira vez.  Amostras de DNA foram repassadas para óvulos de cabras, mas é claro, é bom lembrar que são necessárias células intactas.

Grafeno, o novo Silício – Walter de Heer, professor de tecnologia da Universidade Georgia Tech, nos Estados Unidos, sugeriu que os transistores podem ser construídos com grafeno, uma substância composta de nanotubos de carbono. A velocidade dos computadores aumentaria em 100 vezes, que tal?

Roupas que Mudam Todos Os Dias – A empresa LLC de Chicago criou uma tela de LCD que não precisa de energia para mostrar imagens estáticas, que podem ser baixadas ou transmitidas via Bluetooth. Camisetas e tênis podem usar a tecnologia para criar roupas que mudam conforme o gosto do freguês.

Plástico-Bolha Eterno – A Bandai, fabricante japonês de brinquedos, criou o Mugen Puchi Puchi ou Infinite Pop Pop, um chaveiro elétrico com oito botões, que simula a sensação que a pessoa tem ao estourar uma bolha em uma folha de plástico-bolha.

TV Com Cheiro – A Sony criou um aparelho que enviaria pulsos ultrassônicos para estimular os sentidos do espectador.

Telas Digitais Flexíveis – Televisões, jornais, revistas, livros e até laptops terão esse material.

O Martelo 16 no ar
15 set, 2009 por Carlos Lopes
www.omartelo.com

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Desenhos animados em 3D; A Maldição de Collor; Série de TV Diff´rent Strokes; A História do escritor Euclides da Cunha e entrevista com Anabelle Loivos, professora adjunta da UFRJ e coordenadora do projeto 100 Anos Sem Euclides; Atriz Gretchen Mol; Arte Negra no Harlem; Entrevista com a banda Faro e Os Vagabundos Iluminados; Grandes Personagens de Rua no Rio de Janeiro; A Arte dos Posters de Rock; Festival de Woodstock;  Presidentes da República Velha; A Música Oculta no Quadro A Santa Ceia; A Poesia de Nilton Bobato; Colunistas; Cinema; CD e DVDs.

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VHS e BLU-RAY
11 jun, 2009 por Carlos Lopes

DVD, Blu-Ray e VHS Juntos!

 


Imagine suas velhas fitas de vídeo transformando-se facilmente em maravilhosos blu-rays?

Essa é a função do DMR-BR630V, um aparelho que junta um gravador de Blu-ray com um videocassete VHS!

O Panasonic 630V vem com um “Blu-ray Disc Recorder” capaz de gravar discos BR a uma velocidade de até 6x, disco rígido interno de 320GB, receptor de TV digital e análogo, porta para cartão de memória SD, porta USB e “VHS Video Tape Player”. O 630V tem também um sistema de programação remota via computador ou celular que funciona apenas no Japão.

O Panasonic 630V VHS/Blu-ray foi lançado somente para o mercado japonês no ano passado ao custo de US$1,462.

O Memorial e o Castelo de José Sarney
9 jun, 2009 por Carlos Lopes

Sempre que viajo peço para que me levem às igrejas e museus, meus locais favoritos juntamente com as praias. Há uma década estive no Maranhão e me mostraram o Memorial “do” José Sarney. Pasmado, perguntei: “Mas como assim? Um memorial para uma pessoa viva?” Rimos. Não nego que minha pergunta teve um tom de perseguição, preconceito e um questionamento inerente: “Só não se preserva a memória, o acervo pessoal de uma pessoa, após o seu falecimento?” Hummm?… Desculpem-me a ignorância, mas estou sendo sincero.

A sarna de Sarney

A sarna de Sarney

Esse encontro com o Memorial me chamou a atenção em relação à saga da família do “Dono do Mar” no Maranhão.

Duas coisinhas que descobri recentemente sobre Sarney:

O Ministério Público Federal move uma ação onde pede à Justiça que declare ilegal a doação do Convento das Mercês feita pelo Estado do Maranhão para a Fundação José Sarney. A ação se baseia no Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, que “organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional, estabelecendo normas gerais sobre o instituto do tombamento e seus efeitos”.

O Convento das Mercês (cuja recuperação custou US$ 9,5 milhões) foi tombado em 1974 e inscrito nos livros do Tombo Arqueológico e do Tombo de Belas Artes, ligados ao Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Mas em abril de 1990, o governo do Estado doou, ilegalmente, o prédio do antigo Convento a uma Fundação pertencente a Sarney. Na época da doação, a Fundação de Sarney se chamava Fundação da Memória Republicana que abrigaria o memorial José Sarney. Dez anos depois, no ano 2000, a instituição mudou de nome e passou a se chamar Fundação José Sarney.

Como se não bastasse o Memorial, há um caso recente envolvendo um castelo, mas dessa vez não é em Minas e o reboco caiu sobre as costas e a consciência do Marimbondo.

“Não sabia de nada”, foi o que o ex-Presidente da República disse ao ser perguntado porque depositavam 3.800,00 (quase 10 salários mínimos, renda da classe média brasileira) em sua conta, mensalmente pelo aluguel de um apartamento que ele jamais ocupou. O local é um “castelo” e se chma Quinta dos Lagos e está localizado em Portugal.

No final de sua Presidência em 1990, José Sarney adquiriu um castelo de 23.400 metros quadrados avaliado em R$ 30 milhões (10 milhões de euros). O castelo teria pertencido a Sarney pelo menos durante 4 anos; propriedade essa que nunca foi declarada à Justiça Eleitoral ou à Receita.

Dá-me um Castelo

Dá-me um Castelo

Mais detalhes sobre o castelo encontrei no blog do jornalista Hélio Fernandes: “Segundo a revista portuguesa “Olá”, um suplemento do jornal “Semanário”, Sarney comprou a Quinta dos Lagos por meio da Almonde Securities S.A., uma offshore com sede no Panamá, mas que tem os fundos geridos na Suíça. Os dois países (Panamá e Suíça) são “paraísos fiscais” (locais que gente endinheirada busca para abrir empresas quando pretende driblar o Fisco). A matéria é intitulada – como o romance policial de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão – “O mistério da estrada de Sintra”. Nela, a repórter Maria do Rosário informa que o procurador da Almonde Securities em Portugal, na época, Carlos Aguiar, embora não tenha negado a compra da Quinta dos Lagos por José Sarney, “recusou-se a prestar maiores esclarecimentos”. Além da reportagem da revista “Olá”, o blog http://riodasmacas.blogspot.com, que descreve lugares e curiosidades de Sintra, posta há bastante tempo a informação de que José Sarney foi um dos donos da Quinta dos Lagos (buscar no google “quinta dos lagos rio das maçãs”). Comprada [depois da morte do primeiro dono, Fernando Formigal de Morais] por um tal senhor Andersen, cônsul geral da Dinamarca, a Quinta dos Lagos também teve como proprietários a família Sibourg e o ex-presidente do Brasil José Sarney”, atesta o blog de Fernandes.

Talvez o ex-Presidente da República, atual presidente do Senado (chamado pela revista inglesa “The Economist”, em fevereiro passado, de representante do semifeudalismo na política brasileira) e imortal da Academia Brasileira de Letras se negue a deixar que seu “Marimbondo de Fogo” (livro de poemas de Sarney) se apague ou voe para longe.

E quem sabe, para mantê-lo vivo e queimando, o bicho necessite de escândalos.

»  Contato: mustangmartelo@gmail.com  
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