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O ADEUS DE EZEQUIEL NEVES, O EXAGERADO
8 jul, 2010 por Carlos Lopes

Ezequiel Neves, um dos mestres da escrita roqueira se foi deste mundo aos 74 anos,  em 7 de julho de 2010, curiosamente no mesmo dia em que Cazuza decidiu partir desse mar de lágrimas para o paraíso dos grandes poetas brasileiros, há vinte anos.  Que coisa… Sincronicidade braba.

Ezequiel era produtor (do Barão Vermelho, primeira casa de Cazuza), jornalista e artista barroco, que tão bem soube desprezar o mundo que ele considerava “careta” ao se expressar através de mil firulas linguísticas em resenhas que muito me encantaram na fina flor da idade. E assim 20 anos após Cazuza, a sua grande “criação”, o seu autorretrato, Ezequiel pediu asilo da materialidade, pegou a mochila e embarcou para outra galáxia ao som dos Rolling Stones. Tal “pai”, tal “filho”, o exagerado codinome do beija-flor de Ipanema nos deu adeus.

Sincronicidade amorosa
Sincronicidade amorosa

A última vez que o vi pessoalmente foi na pré-estreia do filme Shine a Light dos Rolling Stones, acho que em 2007 e ele lá, batendo um papo com Jamari França, outra criatura pensante gerada das páginas de leitores da Rolling Stone brasileira, que Ezequiel coeditou em versão pirata nos anos 70. Aquela cena no cinema me fez recordar de muita coisa, do meu primeiro LP de rock e é claro, da primeira publicação de rock que adquiri com minhas parcas economias, lá com meus 12 anos: “Rock: A História e A Glória”, uma revista preto e branca com 24 ricas páginas, escrita por quem havia de melhor na nossa imprensa: Tárik de Souza, Ana Maria Baiana e Ezequiel Neves, o último, o enfant  terrible da crítica roqueira, o sétimo Rolling Stone, o eterno Barão Vermelho, o insaciável Dionísio.

Não há como relatar aos amigos e leitores, toda a admiração que tenho e continuarei a ter por esse personagem que me educou nos meandros da crítica, não como um mestre presente, mas como todo bom rebelde, como um mestre ausente fisicamente, mas presente em cada edição da minha querida revista preto e branca, na mesma época em que me arrisquei a  comprar a revista bicolor (ou tricolor) do Fradim, escrita pelo cartunista Henfil, que me proporcionou vários arrepios com as histórias daquele frade perversamente lascivo. Assim era Ezequiel, chegado a nos dar arrepios. A banca de jornais me parecia mais livre do que a minha casa, na época da “ditacuja”.

Pelado, Pelado, Nu Com A Mão No Bolso
Pelado, Pelado, Nu Com A Mão No Bolso

Com sua escrita insatisfeita misturada com inglês debochado e coluna social, Ezequiel influenciou uma legião de fãs, que se tornaram críticos musicais, a partir dos anos 80. Eu mesmo, segui adiante com minhas próprias pernas e coragem, mas certamente, entre os responsáveis pela fagulha inicial, aponto, sem dúvida o dedo para o seu “Zeca Jagger”, que depois na revista Pop de São Paulo, durante a eclosão punk em 1977, alterou a sua alcunha para “Zeca Rotten” além de outros codinomes e personas como “Zeca Zimmerman” e “Angela Dust”. Era muitos em um corpo. Todos, um só. Exagerado, jogado aos nossos pés. Nosso Lester Bangs de Belo Horizonte, ave lisérgica com asas esplêndidas que cobriam a luz do sol para que a nossa razão crítica planasse nas trevas do pensar. Razão da falta de razão.

Tudo o que fazemos, escrevemos ou compomos influencia alguém lá no outro lado do planeta, isso é fato. E ironia das ironias celestiais, fomos surpreendidos com a sincronicidade final que permitiu que Deus levasse Ezequiel, nome de anjo caído e elevado, na mesma data da pessoa que era como o seu próprio retrato de Dorian Gray, rejuvenescido.

Baron Rojo

Baron Rojo

Seu último trabalho foi o livro “Barão Vermelho – Por que a gente é assim?” lançado em 2008 e escrito com o baterista Guto Goffi e o jornalista Rodrigo Pinto.

Presto aqui, minha sincera homenagem reproduzindo trechos dos comentários do irrecuperável rebelde, a começar pelo primeiro texto que li, saído da pena do mestre:

“Com “Their Satanic Majesties Request”, os marginais do rock inglês conseguiram fazer um álbum surpreendente que, apesar de obedecer à mesma fórmula do show-contínuo já usado pelos Beatles em Sgt. Pepper´s, está mais ligado às experiências musicais de vanguarda (…) o resultado obtido aqui (…) alcança um clima de angustiante paroxismo.” (Jornal da Tarde, 21/10/69)

“…Basta, como eu, ouvir as centenas de lançamentos do jazz-rock ou jazz-elétrico lançados a partir de 1971 para se perceber que tudo não passa de uma descarada mentira.(…) Quando meto o pau em um Vitor Assis Brasil, todo mundo me chama de burro. Eu, burro? Mal informado é quem me chama de burro. Podiam é me chamar de macaco velho e portanto sábio em pular pra outros galhos (…) Genial é o meu guru Hermeto Paschoal, ele como Miles Davis, sabe o segredo da música do futuro. Porque o jazz-elétrico, my friends, já era.” (“Rock, A História e A Glória” 20)

“Apesar de seis LPs totalmente repulsivos, tiro o meu chapéu para Acquiring the Taste do Gentle Giant. Aqui a receita de misturar rock, jazz e música clássica deu em algo totalmente gênio.” (“Rock, A História e A Glória” 10)

“É impossível ouvir qualquer tempestade do Led Zeppelin sem a cabeça feita. E foi o que fiz para saborear Presence. E não aconselho aos incautos a fazerem o mesmo. Depois de ouvir os dois lados desse arrasa-quarteirão estava literalmente em frangalhos no chão. Não tinha forças nem para me levantar, nem para esboçar o mínimo gesto. Tinha impressão de que havia sido massacrado por dez marginais perigosíssimos.” (“Rock, A História e A Glória” 20)

“… a música, propriamente dita, do Wish You Were Here do Pink Floyd é uma bobagem. Mas isso é secundário, já que o Floyd está mesmo num beco sem saída. Depois do Atom Heart Mother, o som do quarteto virou uma encheção de lingüiça.” (“Rock, A História e A Glória” 11 – 6/10/75)

“Não há nenhum exagero em dizer que o Quadrophenia do The Who está para o rock, assim como o “Retrato do Artista Quando jovem” de James Joyce, está para a literatura inglesa.” (Jornal da Tarde, 7 de junho de 1974)

“Não há nada como um dia após o outro: o Beatle mais babaca acabou passando os outros para trás.” (Ezequiel sobre o LP Venus and Mars dos Wings na “Rock, A História e A Glória” 10)

Depois do império do Amor, agora foi a vez da seleção do Brasil cair, já foi tarde
5 jul, 2010 por Carlos Lopes
Destemperado

Destemperado

Na hora da queda só lembraram do Dunga, mas me diga com quem tu andas e te direis quem és. O Dunga na história da Branca de Neve não andava sozinho…

O Dunga não é o único culpado e nem os jogadores.

Vocês leram algo sobre o auxiliar-técnico Jorginho ter influenciado o Dunga sobre essa história de só convocar bom moço para a Copa? Alguém aí lembra que o mesmo indivíduo citado quis tirar o símbolo do América só porque era a representação de um diabo, o Brasinha?

Não tenho mais o que acrescentar após dezenas de ótimos textos rolando na imprensa oficial e oficiosa sobre a derrocada do Brasil. Só faço aqui uma observação sobre quando a questão religiosa (pessoal) interfere no trabalho coletivo.

Brasinha Pegando Fogo!

Brasinha Pegando Fogo!

Tenho minha religião ou minha filosofia de vida mas não vou explicá-la ou te empurrá-la goela abaixo se você não me permitir. Infelizmente, muitos evangélicos não pedem permissão, eles estão imbuídos de uma convicção cega, que muitas vezes é agressiva. Respeito é bom e eu gosto. Não me interessa esmiuçar o assunto, apontar o dedo para uma igreja ou outras, não estou aqui para isso, fiz a minha parte ao citar no último Martelo (19) tanto o espírita Chico Xavier, o criador da Conscienciologia Waldo Vieira e o pastor Caio Fábio. Tem para todos.

Soldados, À Batalha!

Soldados, À Batalha!

Um menino veio fazer um conserto aqui em casa e após conversarmos sobre alguns assuntos em geral, antes de ir embora, ele me falou que o caos vai tomar conta do Brasil se a lei que proíbe a discriminação contra os homossexuais passar. De onde veio esse assunto? Ele deve ter achado que eu era liberal demais ou homossexual demais. Meu amigo, nem um nem outro, mas também não vou na conversa alheia sem estudar o assunto. Discriminação é feio mesmo e a Sociedade como um todo tem que se preparar para conviver com as diferenças, o que a Sociedade do Dunga não quis fazer. Discriminação é uma coisa, Imposição é outra. As pessoas só respeitam o próximo, as diferenças se forem educadas para isso, mas quando usam, em vão, o nome de Deus para atacar o próximo, o fazem com convicção. Mas esse não é o único problema da sociedade, é o próprio ser humano. Conheço péssimas histórias sobre gente muito boa, expoentes em nossa sociedade, que nem são evangélicos. Apenas são gente como todos nós. O pastor incentiva o Segregacionismo, a televisão incentiva o Ego, os amantes só buscam parceiros estéticamente perfeitos, a mídia vende prostituição como se fosse Amor, o Dunga assina com uma cervejaria… A culpa não é só de um grupo, mas é geral, quando você não entende que há que se respeitar as diferenças. Isso não tem nada a ver com moral, com caráter. O diferente é diferente, não é um defeito genético, é uma escolha.

Um golpe de Estado é desferido em um governante que não tem mais condições morais para governar.
O golpe é errado, as vezes é necessário. Basta você pegar o livro e estudar, não vou citar exemplos sem poder esmiuçá-los, seria leviano.

Por que ninguém tirou o Dunga da seleção em 4 anos? Os milicos tiraram o Saldanha estrategicamente, antes do embarque e o Brasil ganhou. Não importa o Saldanha, importa a Vitória.

O que o Dunga, Jorginho e os outros discúpulos fizeram? Se fecharam em uma seita secreta como os nazistas e chegaram ao poder, não com um incêndio no parlamento, mas com o apoio da CBF…
Estranho, não é? Se você chegar todo dia em casa e achar que a sua filha está chorando muito, quem você vai culpar? A empregada, é claro. Mas se a sua filha for bem no colégio, você NÃO elogiará a empregada, não é? Aí será só mérito da sua filha. É a política do resultado. Os exemplos
escondem coisas ocultas e são apenas o que são: aparências ou a ponta do iceberg.

Ao mesmo tempo, semprei achei o Bruno goleiro um bobão, mas ele defendia bem e o Flamengo foi deixando passar. O Adriano é mais simpático, mas mentiu mesmo, não respeitou muita gente e foram deixando passar. Foi o Campeão Brasileiro da Falta de Moral.

Tem uma moda de adolescente na internet que é estuprar, você sabia? Mas na sua casa pode ter outra dessas modas: trair.

Existe essa tendência em todosfutebol_dunga nós de contar com resultados e de não querer esquentar a cabeça.
Quando o Dunga convocou os seus soldados, com sólida base moral, experiência e obediência ele tentou se precaver de problemas, do caos, mas como o próprio Jung cansou de alertar, o caos faz parte da vida.

Enfim, todo chefe tem o direito de ordenar a bagunça à sua maneira e Dunga teve a chance dele.

Com ou sem Escobar, que venha o próximo.

Uma observação final: Já pensaram o que vai ser se o Uruguai ganhar a Copa de 2014 no Maracanã?

O Império do Amor Caiu; Flamengo e o Imperador
18 abr, 2010 por Carlos Lopes

A vitória do Botafogo sobre o Flamengo representa bem mais do que a conquista do Campeonato Carioca de 2010 pelo grupo alvinegro. É uma vitoria íntima, que pode ser entendida como a vitória do bem contra o mal.

O Imperador

O Imperador

Muitos se erguem contra os desmandos da polícia, da política, contra o desmatamento, vários participaram da passeata no Rio contra a tunga do Pré-Sal, mas poucos lutam por valores mais nobres, pela família, e contra a descriminalização das drogas. Se você faz parte da elite intelectual, não é de bom tom, falar contra as drogas, pega mal. Alguns assuntos espinhosos são convenientemente esquecidos ou não priorizados. A maioria não quer lidar com a verdade, todos veem, mas preferem não enxergar. E a verdade não é algo popular, dá trabalho, cansa, e além disso não dá voto, não vende jornal, não dá audiência. Ao contrário, “amarrar mulher na árvore” é manchete certa.

Alguns dias após o incidente ocorrido entre a ex-noiva do jogador Adriano e o próprio, no qual “dizem” que o jogador teria amarrado a mulher na árvore para que ela sossegasse após uma crise de ciúmes, um jornal popular carioca publicou na primeira página a foto de uma modelo amarrada vocês sabem onde, com algum texto indicando que a última moda era amarrar mulher em árvore. Piada? Chacota? Não, é o império do amor.

A alcunha “Imperador” não lhe cabe como sinônimo para um governante esclarecido, equilibrado, porque na verdade seus súditos não o veem assim. Eles o idolatram como o todo poderoso que reina acima do bem e do mal, que tudo pode como se fosse um Nero déspota e louco. Ser “Imperador” não é apenas culpa de quem carrega o título, mas de todos os seus súditos, inclusive daqueles que compram o famoso papelote com a imagem do jogador estampada no pacotinho e acham graça. Isso sim é ser popular, tá nas bocas, tá nos narizes dessa gente feliz. O “imperador”, seja Nero, César, ou AdrianUS sempre é perdoado desde que forneça pão e circo ao povo em forma de gols, migalhas para os miseráveis que trafegam em trens lotados e que ganham uma miséria. Essa filosofia pessoal é suportada pelos torcedores e pelo clube no qual trabalha, e tida como uma coisa menor, excentricidade de uma celebridade milionária que encara a vida como “algo passageiro”. O ser supremo prega que “só vai trabalhar quando quer” e “bebo sim, tenho um problema, mas desejo melhorar”. É só lembrar do noticiário ligado à dupla de atacantes do “Império do Amor”, que não era dos mais familiares: amizade com traficantes armados, mulheres à beira de um ataque de nervos, alcoolismo, indisciplina, problemas pessoais, tudo isso encarado com muito carinho pelo clube, que oferta pequenas punições para satisfazer a opinião pública.

Quem não se lembra de outro jogador que foi denunciado por “brincar” com travestis em motel e cujo caso virou chacota, pois os travecos nem eram apresentáveis? E quando o presidente disse que o tal jogador estava gordinho? Sua resposta foi irritadiça, e ao invés de tratar da saúde em respeito aos torcedores, se referiu à cachaça que o comandante da nação costuma sorver.

Este texto não é uma crítica a um clube em especial, pois quem não ama o Andrade, o Zico e o Júnior?, mas é sim uma crítica frontal a uma forma de se levar a vida, que influencia jovens como se o único objetivo de alguém que sai de sua comunidade e que vence as dificuldades do seu meio ambiente é se tornar uma celebridade excêntrica.

E impérios humanos caem pois nada é eterno. As pessoas passam e as instituições ficam. Elas são eternas e sobrevivem a turbulências momentâneas. Não é porque se perde um campeonato que o mundo acaba, mas o campeonato acaba quando o clube passa a mão na cabeça de quem quer que seja, por causa de títulos, de fama, de poder.

Joel-Santana-Campeão-da-Taça-GB-2010

E antes que me esqueça, Joel Santana é um paizão, o time do Botafogo uma família e o ataque MERCOSUL, o símbolo da união do continente latino. Esses sim são valores respeitáveis.

Semana Santa e Santo Carnaval, dois lados da mesma moeda
3 abr, 2010 por Carlos Lopes
À luz de velas em Ipanema

À luz de velas em Ipanema

Ipanema, sexta feira da paixão à noite. Não esperava encontrar uma procissão católica no meio do caminho, o caminho em meio à procissão na movimentada avenida principal do bairro. Gosto do inusitado, mesmo, e de certa forma prefiro que o acaso – de boa cepa – determine o andamento das coisas da vida. Claro que para os fiéis, não há nada de inusitado na Semana Santa, uma data aguardada e para a qual prepararam antecipadamente uma alinhada procissão. Mas eu, como muitos, não lembrei ou não priorizei a data e o encontro foi um colírio inesperado, para quem há pouco mais de um mês viu a cidade tomada por blocos carnavalescos de mijões.  Melhor, o cheiro de incenso e a luz de velas que não agridem os nossos narizes.  Não me cabe aqui questionar se a tradição religiosa é uma procissão mítica sem razão de ser. Gosto de manifestações sem gritaria, julgamentos e na maior paz. Religião, “religiosamente” tem a ver com introspecção e isso me faz bem, me faz pensar. Gritaria é bom para debates esportivos na telinha, faz mais sentido. Jogo de hunos, debate em forma de zurros.

Homens de Preto

Homens de Preto

Quando era moleque, comia carne na Semana Santa, só de implicância, mas a gente cresce e para com essas bobagens. Se quiser comer que coma, mas sem pressão de vegetarianos ou religiosos e no maior respeito.

Grandes festas populares nos são impostas como manifestações de cunho social e cultural. Na última década, o carnaval no Rio cresceu demasiadamente, tomando conta de cada rua e viela desta cidade, sem nos dar a opção da escolha. Ou dá ou desce. Quem não quer se adaptar que dê o seu jeito. Não fico dançando na rua, mas não me aborreço, a não ser com os bêbados que não estejam abertos a diálogo e a imposições a menos de um metro. Essa reflexão curiosa ocorreu na última festança de fevereiro, a imposição da festa, a imposição da alegria a qualquer custo. Seria a manifestação religiosa, a imposição da tristeza católica, da serenidade budista ou da gritaria evangélica? Do mesmo jeito, se não dá, desce. Se você é um sujeito que não gosta de carnaval, procissão, copa do mundo e eleição presidencial, é mister mudar de planeta. Não tem jeito. Agora se você sabe que tudo que começa, a dor e a amor, tem início, meio e fim, você aprendeu algo, inclusive a viver. Não dá para fazer o mundo com a nossa cara, mas dá para fazer um acordão.

As costas

As costas

Textos são peças complexas de oratória mental, entendidas como podem pelos leitores. Aqui não há ou jaz uma carta contra a alegria ou à introspecção religiosa, mas sim uma carta a favor do respeito e da liberdade de expressão. Somos todos peças de uma grande e confusa verdade universal. Na maior paz. Amém.

Vermelho e Branco

Vermelho e Branco

O nosso Brasil de Mindlin, Villa Lobos, ETs e Lula
8 mar, 2010 por Carlos Lopes

Este texto, meio que começou a nascer em um final de semana, no qual faleceram dois brasileiros supimpas: o sambista Walter Alfaiate e o bibliófilo José Mindlin. Senti que o país ficou mais pobre e isso cutucou meus brios.

José Mindlin
José Mindlin

Digo “começou a nascer” porque de fato o texto atual foi inseminado no ano passado, mas até hoje era impossível transcrevê-lo para o mundo real das palavras escritas. Há bastante tempo não escrevo, fruto de um desinteresse crônico em compartilhar idéias escritas. Tenho preferido ler (livros) e assistir filmes e documentários, estudar cada vez mais, uma das minhas paixões. Inclusive, tem sido mais fácil escrever canções e gravá-las, apesar que todo o processo envolvido, muitas vezes, te faz perder o amor pela música. Mas isso é assunto para outro texto, este agora está reservado para uns pensamentos sobre o meu Brasil.

Repito e digo “o meu Brasil”, pois nem tudo pode ser repartido, pois somos pessoas com sentimentos diferentes e isso faz toda a diferença na hora de emitir um julgamento. E achismos não surgem apenas do povo iletrado, mas de profissionais esclarecidos, que acham que podem cuspir suas análises fundamentadas em racismo crônico. Se dependesse de muitos que cá nasceram, esse país seria uma colônia não mais da União Soviética do pós-guerra, como poderia ter sido antigamente, mas do mundanismo internacional. Já escrevi anteriormente que me causa repugnância quando alguém fala que “esse país é um lixo”, “só pode ser Brasil mesmo”, “país de preto” e coisas assim. Em primeira instância, essa elite que existe desde os tempos da colônia de Portugal ficou e ainda está muito fula porque, apesar dos escândalos, o PT ainda é o partido que manda no quintal e o seu porta-voz é o presidente mais popular do mundo, mesmo falando errado, coisa que horroriza a classe alta, que associa postura (o externo, o socialmente aceito) com bom comportamento. E essa associação quer nos continuar impondo presidente homem e branco. Um nordestino que fala errado não poderia, em “um país sério” sonhar em ser presidente, é o que pensam.

passado, presente e futuro
passado, presente e futuro

Se o Brasil ganhou o direito de sediar, principalmente a Olimpíada é porque Lula fez e aconteceu, colocou o Brasil no mapa. Ele soube usar a mídia a seu favor, o que no final das contas, conta a nosso favor. O sociólogo rancoroso, esse mesmo, que só sabe reclamar, não conseguiu. Por causa disso, dessa dor de cotovelo crônica, e apesar do seu francês fluente, o que ele pretende? Se hoje, americano (que ainda manda no mundo) sabe quem somos, que os brasileiros existem,é mais por causa da popularidade de Lula do que por causa dos nossos talentos. Isso se faz notar em produções cinematográficas como 2012, que despencou o nosso Cristo e com o atual seriado V (para fãs de Lost), que coloca uma nave-mãe gigante no ar falando português à frente do mesmo e popular Cristo Redentor (anexo imagem). Vejam bem: Nova Iorque, Los Angeles, Paris e… Rio.

Os ETs invadem o Rio
Os ETs invadem o Rio

Já escrevi também, que amo a ideia do Tropicalismo de Caetano e Gil e os filmes do cinema novo, que fundem o estrangeirismo com o olhar e o sentir local. O Brasil não deve se fechar, pois esse tipo de coisa gerou duas guerras mundiais, e coisas como o Iraque, o Irã e a Coreia do Norte. Há a necessidade de ensinar aos jovens, aos estudantes, e inclusive aos mais velhos, o orgulho de ser quem somos e ser como somos. Quando alguém comenta que o canto orfeônico do Villa Lobos, só foi possível em um contexto ditatorial, eu me pergunto, então por que não podemos resgatá-lo , se somos livres, e donos dos nossos narizes? Por que não voltar a ensinar música nas escolas? Para disponibilizarmos computadores em todos os colégios, é necessário educar o aluno para que ele não use a máquina (ainda mais) a serviço da futilidade.

1,2,3,4
1,2,3,4

Essa necessidade mórbida de olhar sempre para fora, se preocupar com o “primeiro” mundo e pisar no que temos de melhor, o “nosso”, aí sim, mesticismo é fruto de ignorância, medo e  covardia de deixar a pele escurecer e os cabelos encaracolarem. E o esquecimento, promovido pela mídia, faz parte dessa conspiração que pode ser alcunhada de educação regressiva, como um espelho embaçado que não reflete os nossos rostos e nem as nossas infinitas possibilidades. Muitas vezes, penso no que deve existir de baixa estima, quando o sujeito NÃO se vê na TV porque só há gente loura de olhos claros, biótipo alienígena e nazista. Isso só pode fazer o sujeito se sentir um lixo, e certamente o faz. Se você não abrir o olho, o negócio pode ficar feio mesmo, criando um ambiente para dominação cultural e inserção de valores que não são úteis para o nosso, aí sim, desenvolvimento e para a nossa liberdade, ainda que tardia. A mais perigosa das armas é a mídia, que inculta nas pessoas, o sentimento mesquinho de assimilar valores opressivos que deseducam.

Aconselho aos meus amigos leitores o excelente canal Futura, com um primor de programação; a TV Brasil, que está cada vez melhor; programas como Por Toda Minha Vida da Rede Globo e o fantástico documentário “O Homem que Engarrafava Nuvens” de Lírio Ferreira, diretor de Baile Perfumado e Cartola – Música para os Olhos sobre o compositor Humberto Teixeira (1915-1979), o “doutor do baião”, parceiro de Luiz Gonzaga.

Amigos e leitores, olhem e sintam o Brasil com outros olhos, com orgulho de quem sabe quem são. Se vocês não gostam do Brasil é porque não gostam de vocês, pois nós somos o Brasil. E ninguém mais pode ser.

blog_Cartaz-OHEN_JB

Novidades Informática
16 jan, 2010 por Carlos Lopes

Assisti na TV, uma matéria sobre a Feira de Informática em Las Vegas e os novos  computadores híbridos. Assim tomei conhecimento do que é um tablet ou “slate PC”, aparelho que mistura notebook e celular. Para nosso desespero e necessidade, o mundo da informática não para. E não basta mais ser um mero computador com suas usuais funções: ele tem que poder fazer quase tudo. A Apple é responsável pelo tablet, mas as outras empresas correm para não ficar atrás no mercadão.

Idea_Pad_U1Idea Pad U1

A Lenovo manda ver no seu Ideapad U1 Hybrid, uma mistura de netbook e tablet, um computador que é a soma de dois aparelhos, para que o usuário escolha qual quer usar conforme a necessidade.  Quando está na sua posição original, de garra, como diz a Lenovo, o U1 tem uma tela de LED de 11,6 polegadas, 16 Gbytes de disco de estado sólido e roda o Windows 7. Quando a tela sensível ao toque é removida, transforma-se em um tablet e roda o Skylight, uma versão do Linux personalizada pela Lenovo. O U1 Hybrid compartilha bateria, conexão 3G, informações e documentos. A empresa afirma que o usuário pode navegar pelo laptop e, quando muda para o tablet, pode prosseguir a partir do ponto em que parou.

A Samsung apresentou o protótipo de um laptop com tela transparente feita em Oled. O aparelho tem tela de 14 polegadas com 40% de transparência, ante os 25% dos computadores tradicionais. Isso faz com que a imagem vista no dispositivo seja rápida o
suficiente para eliminar interferências óticas entre imagens em 3D.

Tablet da Apple

Tablet da Apple

A Intel apresentou o novo modelo do notebook educacional Classmate PC, que ganhou tela giratória sensível ao toque com capacidade de ser transformada em um tablet.

A Microsoft apresentou um protótipo da HP. O dispositivo conta com tela sensível ao toque e é multimídia, permitindo ver vídeos, navegar pela internet e ler livros. Os aparelhos são mais poderosos do que um celular e quase tão potentes quanto um computador.

E as câmeras fotográficas digitais, que deslancham com melhor e maior definição?

Na Feira, os produtos possuem algo como 14 Mpixels para foto e 1.080p para vídeo e apresentam funções como reconhecimento de rostos.

Um dos destaques foi o anúncio da Polaroid, que venderá filmes (Sim! Filmes!) a partir da primavera norte-americana. O pacote de filme com dez poses custará US$ 27,99.

Polaroid

Polaroid

A Kodak mostrou a câmera Slice Touchscreen, que armazena até 5.000 fotos em sua memória. O aparelho facilita o compartilhamento das imagens em redes sociais e tem função de reconhecimento de rostos. Outro item da marca é a câmera de vídeo Playsport, resistente a água em até três metros de profundidade, segundo informações da empresa.

A Samsung mostrou vários modelos, entre eles o NX10, com 14,6 Mpixels de resolução e capaz de fazer filmes em alta definição. A câmera conta com uma tela de três polegadas feita em Amoled -de acordo com a Samsung, isso permite ao fotógrafo ver melhor as imagens que captura, mesmo quando a luz do sol é estiver forte.

A Sony apresentou um novo modelo da linha Cyber-shot, o DSC-HX5V, que conta com megazoom ótico de dez vezes, GPS e sensor que ajuda na hora de fazer fotos com pouca luz. É capaz ainda de capturar vídeos em Full HD. Custará US$ 350.

A Panasonic anunciou câmeras e, também, um cartão do tipo SDXC com capacidade de armazenamento de 64 Gbytes -e haja espaço em seu computador para tantas imagens.

A Sanyo mostrou a Xacti VPC-CS1, filmadora portátil com apenas 2,7 centímetros de espessura. O modelo grava vídeos em alta definição e também captura fotos com 8 Mpixels de resolução.

Outro destaque foi o Eye-Fi Pro, cartão com 8 Gbytes de memória e dotado de Wi-Fi.

Na onda do 3D, a DXG anunciou que produzirá câmeras de vídeo capazes de fazer imagens desse tipo.

Dalva e Herivelto
9 jan, 2010 por Carlos Lopes
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Trio de Ouro

Em janeiro, a Globo exibiu uma minissérie irretocável em 5 episódios: “Dalva e Herivelto: Uma Canção de Amor”. Feita com requintes cinematográficos, e até mesmo melhor do que vários filmes nacionais produzidos para a telona, a série encantou pelo talento da direção, do texto e dos atores, destacando a melhor atuação da carreira de Adriana Esteves como a sofrida cantora Dalva de Oliveira.

Desce criança acompanho as adaptações dos clássicos de nossa literatura feitas pela Globo, que tantas vezes mudou de diretores e atores, mas que continua sendo a única emissora brasileira capaz de transformar televisão em arte. Inclusive espero que a emissora exiba mais adaptações à noite, dando o devido espaço a produtos verdadeiramente artísticos. O horário impróprio, a famosa hora de dormir para quem desperta as 6 da manhã, não favorece que a maioria dos trabalhadores possa assistir produções desse porte, mas se o mercado não permite que grandes obras sejam exibidas mais cedo, que seja lançado urgentemente o DVD da série em magazines populares para que todos possam vê-la.

O Passado Ronda

O Passado Ronda

A história do amor e da famosa separação do casal Dalva de Oliveira e do seu “criador” , o compositor Herivelto Martins foi contada em livro por um dos filhos dessa união, o cantor Pery Ribeiro. O relato é emocionante e foi devidamente adaptado para que não se perdesse a intenção da obra: falar sobre o falho amor humano e relembrar ou lembrar ao público atual que não existe só música pop e que artistas nascem, crescem e morrem como se não existissem, como se não tivessem importância quando saem de moda ou envelhecem. Uma das cenas mais tocantes da história mostra Dalva, já idosa, ainda procurando um amor (apesar de saber que o mulherengo Herivelto foi o único) cantando em churrascarias e circos para sobreviver.

Lembro de assistir com minha mãe à Dalva, com cabelos embranquecidos, cantando na TV Tupi com o filho Pery, ainda com imagem em preto e branco e TV com válvulas G & E. Às vezes minha mãe tentava contar algo sobre a tortuosa relação da cantora com Herivelto. Mas eu era uma criança que nem havia dado um beijo na boca, eu não poderia entender o que é sofrer por amor. Ainda era cedo para mim. Mais tarde viveria a mesma situação e então saberia como é amar sem ser amado, ser amigo de uma pessoa que não é sua amiga. A gente cai, mas aprende ou pelo menos acha que aprende. Certa vez ela me disse que ia à Rádio Nacional, no prédio na Praça Mauá no Rio, para ver as favoritas Marlene e Emilinha. Eram tempos antes da Bossa Nova e do Rock and Roll, tempos de um Brasil menos internacionalizado e mais ingênuo em um mundo mais ingênuo. Cresci ouvindo os sambas e boleros dos LPs dos meus pais, que incluíam Miltinho, Nelson Gonçalves, Clementina de Jesus e Elizeth Cardoso. Por mais que eu não gostasse ou não entendesse esse estilo musical na época, a ficha acabou caindo mais tarde, há alguns anos. Hoje ouço o que meus pais escutavam com imenso prazer. Respeito a nossa música e na minha casa, samba e rock convivem muito bem tropicalísiticamente.

Se há uma única falha foi a divulgação que comparou o casal brasileiro a Sid (dos Sex Pistols) e Nancy. Uma comparação desonrosa e submissa, que propõe indiretamente que para se conhecer o Brasil é necessário antes compará-lo com o que vem do exterior. Ora, me poupe, me economize.

dalva

Fábio Assunção e Adriana Esteves

“A gente falou e pensou muito sobre o amor com esse trabalho. Dalva falava que o que ela tinha de mais importante, de tudo que ela viveu, foi por causa do amor, ou pela falta dele. O amor ficou muito forte em mim durante esse período. E um amor que estava diretamente direcionado a mim, estava na minha cara todos os dias, era meu amor por ele [Fábio]. E o amor que ele transmitia por mim. Ele me emocionava a cada dia com a presença, companheirismo, entrega. Aquilo foi uma das formas de amor que ficou mais clara na minha vida. Esse trabalho solidifica nossa vida e trajetória. É um caminho não só pessoal, mas profissional também. Temos o mesmo tempo de profissão, e, eventualmente, trabalhamos juntos. Foi um presente esse romance desse casal para selar nossa parceria pessoal e profissional” Adriana Esteves em depoimento à Famosidades.

O MARTELO 17 NO AR
21 dez, 2009 por Carlos Lopes

Poesia e vida de Patativa do Assaré; A Família José Sarney;  Jeannie e Samantha (histórias das produções da TV); FMI e as relações internacionais (comerciais e políticas); A médium americana J. Z. Knight de “Quem Somos Nós?”; o Desenhista J. Carlos em Tempos de Guerra; Patrícia Pillar e o filme sobre Waldick Soriano; o filme Fim do Silêncio sobre Aborto no Brasil; o fotógrafo e surfista Clark Little; a Pintora Tamara de Lempicka; Entrevista com a banda BISK8; o Desenho Animado Flapjack; Maria Rita Kelh; Cinema; Literatura; Colunas e Muito Mais.

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mustangmartelo@gmail.com

O Martelo 17 tá genialmente enfeitiçado.

O Martelo 17 tá genialmente enfeitiçado.

OLIMPÍADAS, DESENVOLVIMENTO E INCLUSÃO SOCIAL
3 out, 2009 por Carlos Lopes

2016

2016

66 votos contra 32.

A vitória do Brasil como futura sede das Olimpíadas em 2016 representa a superação dos nossos defeitos através do esporte e da política; simboliza um momento histórico: o caminho inevitável para o desenvolvimento. Digo isso, porque o Rio pode ser o cartão postal e a sede, mas acima disso, a cidade sintetiza o melhor e o pior deste país, a vitória é de todos nós, é uma conquista do Brasil.

Cartada Final

Cartada Final

Temos menos de 7 anos para superar todos os nossos limites.

Basta o leitor analisar a sequência dos fatos para comprovar que, apesar dos críticos, o país caminha sempre em frente: Collor, FHC, Lula, BRIC, G20, Pré-Sal, Copa do Mundo e Olimpíadas.

O Cara

O Cara

No dia 2 de abril em Londres, Obama chamou Lula de “o cara” na reunião do G20 e em 2 de outubro ganhamos dos Estados Unidos, sem tapetão e na moral. Os republicanos norte-americanos devem ter soltado fogos.

“Sim, nós podemos.”

A conseqüência desse inexorável caminhar, pode ter nascido na frase de Collor que se referia aos carros nacionais como “carroças”, passando pelo FHC e uma nova política econômica, mas foi no momento Lula que essa mudança de paradigma assumiu sua grande forma com um presidente carismático e de liderança indubitável na América do Sul. O complexo de vira-latas acaba aqui, não temos que ser norte- americanos, não temos que ser como os europeus, só temos que crescer com trabalho e respeito pelos exemplos vitoriosos e escaldados pelos fracassos.

Vitória do Coração

Vitória do Coração

A nossa vitória nas Olimpíadas é a possibilidade de erguer a tocha de um país único, mulato sim, místico sim, cheio de problemas mas muito criativo e trabalhador.

E a eleição vitoriosa no COI não foi consequência da exploração de nossas mazelas, mas de nossas conquistas. O campeão Brasil ganhou quando incluímos na sociedade as comunidades carentes, quando somamos o rico ao pobre, do descendente de imigrantes ao ex- escravizado, quando buscamos soluções próprias. O Brasil soma, sintetiza, regurgita o Bispo Sardinha sem espinhas.

Daniel Dias

Daniel Dias

O fator emocional contou muito a nosso favor. A presença dos mui conhecidos Paulo Coelho e Pelé, principalmente o segundo – o rei do futebol, antes um garoto pobre -, mostrou que o caminho do Brasil é a soma dos extremos, da aliança do morro com o asfalto, da inserção social. A dupla vitoriosa foi o nadador paraolímpico Daniel Dias, um garoto de 16 anos que superou suas limitações, e a atleta Bárbara Leôncio, uma menina que corria descalça e vencia todos os garotos até sagrar-se campeã mundial juvenil nos 200 metros rasos.

Bárbada Leôncio

Bárbada Leôncio

65 milhões de jovens brasileiros farão parte dessa inclusão social através do esporte.

Todos que assistiram o povo nas ruas em cada um dos países concorrentes e que viu os 30 mil que estavam na praia de Copacabana, anteciparam a nossa vitória, a vitória da vontade. Olhe para os japoneses sem garra e os americanos preocupados com o aumento dos impostos e por fim a derrota dos hermanos espanhóis, que prepotentemente não queriam nos dar a chance de sermos o primeiro país na Sul América a sediar uma Olimpíada.

“Uma imagem vale mil palavras.”

Sexta, o dia do resultado, foi ponto facultativo para os funcionários da Prefeitura e dia livre para os estudantes, como não? Qualquer crítico que se levantar contra essa tática é apenas um ingênuo, porque a cidade não parou por causa disso, ela prosseguiu produzindo e mesmo assim havia uma massa emocionada na praia para representar o Brasil nas televisões e internets de todo o mundo.

Em entrevista, imediatamente após a vitória arrasadora e até certo ponto surpreendente, Lula, um presidente emocionado, e um tremendo pé-quente, declarou:

“As pessoas falam: não pode fazer uma olimpíada porque tem criança pobre, porque tem favela, porque precisa investir na educação. É preciso a gente fazer tudo isso (…) e provar que a alma generosa do brasileiro vai fazer a mais extraordinária olimpíada que o Brasil já viu, que o mundo já viu.”

Este texto não se refere e nem pretende analisar os futuros desafios que teremos para desenvolver e preparar o Rio de Janeiro em 7 anos, esse é um momento de festa, mas como disse o presidente o trabalho começou “ontem”. A sociedade tanto civil como política, já está devidamente estruturada para controlar os excessos e implementar os desafios. Os pontos que cito devem ser analisados, com atenção. Provavelmente, falaremos sobre isso, e muito.

  • O Rio retoma seu papel de capital, perdido desde a transferência para Brasília.
  • A união política faz a força: Lula, Cabral e Paes. Melhor ganhando juntos do que perdendo separados. Cansei de ver minha cidade perder por causa de divergências políticas. Quero o Brasil maior e o Rio melhor.
  • Como se prevê, haverá atrasos nas obras para a nova cidade remodelada, mas não acredito em grandes desvios de verba, porque o tempo é curto e em pelo menos 7 anos caminharemos “no sapatinho”, sem grandes assaltos ao dinheiro público, porque há a necessidade de cumprir os prazos e resolver problemas de transporte, saúde, ecologia, hotelaria e segurança em menos de uma década. Muita coisa para pouco tempo. A cara do país muda a partir de agora; os mais capacitados investidores brasileiros farão parte da aliança da vitória, construirão não mais a nação do futuro, mas o país do presente. Não há mais tempo para roubo e demagogia.
  • Em 2016, o Brasil será a quinta economia mundial.
  • O Pré-Sal já mudou e vai mudar este país.
  • Dilma, apesar da falta de carisma, ganhou um empurrãozinho em sua campanha presidencial.

A Dinamarca é pé quente.

SINGAPURA, É PROIBIDO NÃO PROIBIR
23 set, 2009 por Carlos Lopes


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Fernando Alonso e Nelson Piquet Jr bem que tentaram, mas não conseguiram fazer das suas em Singapura. Esquecendo essas baixarias da Fórmula 1, que tal falarmos dos aspectos positivos do país?

O que o senhor, ou senhora leitor(a) diria sobre um país que condena quem pichar uma parede com uma boa multa de 4 mil reais? E se a mesma pichação for difícil de ser limpa que tal o acréscimo de 3 a 8 chibatadas? E se o sujeito não der descarga no banheiro público que tal 300 reais de multa? E o que o senhor diria de 2 mil reais se jogar lixo na rua? E se falar no celular dentro do carro, que tal ser preso na hora? E tráfico de drogas que é punível com a pena de morte? E chiclete que é considerado um dos maiores inimigos por causa dos gastos com limpeza pública, que são cobrados do povo? Para muitos pode parecer o inferno sobre a Terra, mas para outros soa como o paraíso.

Quem Pode Ri

Pode Quem Ri Ou Ri Quem Pode?

A República de Singapura (com S de acordo com a nova ortografia), literalmente a Cidade do Leão, se localiza entre a Malásia e a Indonésia, e é uma ex-colônia britânica composta por uma ilha principal e 63 ilhas menores. Singapura é provavelmente o único lugar do mundo no qual se vê um casamento malaio ao lado de um casamento chinês, coisa rara em outros locais asiáticos. A capital deste país, também chamada Singapura, é única em bons modos, e livre de impostos, faz do turista um item desejado pelo comércio local. O país possui um único partido vitorioso desde sua independência em 1965, e ninguém reclama por causa disso. Seu único grande problema ocorreu quando o Japão os invadiu em 1942 na Segunda Guerra, na época que os nipônicos acreditavam que Deus era japonês e não brasileiro.

O inglês é a língua do comércio, mas existe um “portunhol” local chamado Singlish, utilizado pelos cidadãos que não aprenderam bem o idioma.

Shenise - Miss Singapura

Shenise - Miss Singapura

Singapura pode não ser o paraíso da ultra diversão decadente ocidental (como diriam os antigos regimes comunistas), pois o que vale lá é o bem estar da maioria e não a vontade do indivíduo. A diversão favorita do povo é o cinema, com todo mundo sentadinho nas cadeiras, coisa super educada. Mas não se assustem: não há ninguém com cara e jeito de norte-coreano, e eles até são chegados a uma piadinha, tal como no anúncio do novo sanduíche da Burger King local com 17 centímetros de largura. O cartaz brinca com o termo “blowjob” (boquete) e com a frase “vai explodir na sua boca”.

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NOOOSSA!

Mas antes que alguém pense ao contrário, as pessoas em “Singa” são super normais, mas sem os excessos dos ocidentais, consomem bastante, mas com a cabeça no lugar. E o povo é bastante inteligente. Nesse ano, uma equipe de estudantes local levou um prêmio de US$ 10 mil por desenvolver um sistema comercialmente viável de aquecimento de água, no qual canos, construídos embaixo das estradas, aquecem a água, em uma alternativa mais sustentável do que aquecimento elétrico ou a gás. Essa pode será solução para países quentes como os que existem na África, América Latina, Oceania e grande parte da Ásia.

Oriente e Ocidente

Oriente e Ocidente

Essa metrópole do sudeste asiático incorpora o melhor do ocidente e do oriente, unindo tradições e modernidade, tendo à frente um partido político praticamente único e muitíssimas proibições para todos os segmentos sociais; no país há placa de proibido em tudo quanto é lado.

Para os endinheirados, um passeio pela Orchard Road com suas lojas chiques e restaurantes finos é a boa, e que tal pegar uma prainha em Sentosa e passear na roda-gigante de onde pode-se admirar os maravilhosos edifícios e as belas paisagens da cidade? Com 4 milhões de habitantes e PIB de US$ 84,4 bilhões (1998), o local é uma das terras promissoras, símbolo da prosperidade dos “tigres asiáticos”.

Templo Budista

Templo Budista

O bairro colonial da capital é dominado pelo parque Ford Canning , construído em 1819 sobre um campo santo malaio e sobre um cemitério no qual estão enterrados alguns dos primeiros colonos europeus que se estabeleceram na ilha. Ao norte do parque encontra-se o Museu e a Galeria de Arte Nacional, famosa por sua coleção de objetos de jade e o Distrito Financeiro Central, o coração comercial do país com seus muitos arranha-céus.

No centro muçulmano de Singapura temos a mesquita Malabar Muslim Jama-Ath, uma construção coberta com azulejos azuis que adquirem um aspecto fantástico ao entardecer durante o Ramadan. Na esquina de Serangoon com Belilios encontra-se o Templo Veerama Kali Amman, uma construção dedicada a Kali. O Sri Srivinasa Perumal é um extenso templo dedicado a Vishnu, no qual vê-se  uma estátua de Perumal, o Vishnu e seus consortes Lakshmi e Andal. No Templo de Sakaya Muni Buddha Gaya há uma figura de Buda com 15 metros de altura detalhadamente pintada com cores brilhantes.

Quinze Metros

Quinze Metros

O setor econômico encontra-se no oeste da cidade, convivendo com vários parques temáticos chineses como o Haw Par Villa, que versa sobre a mitologia chinesa e o Tang Dinasty City, representação da China no século XVII. Também há o Parque das Aves Jurong, no qual estão os Jardins Chineses e Japoneses, além do Centro de Ciências de Singapura. Não muito longe há uma reserva de crocodilos.

O primeiro ministro de Singapura, Lee Hsien Loong, fez um discurso no dia 9 de agosto, dia nacional do país, sobre diferenças religiosas e étnicas ao invés dos habituais discursos sobre bebês e bônus. Tal lá como cá, os evangélicos andam a tomar conta da cabeça dos necessitados, e já sendo considerado um problema, eis o que o homem forte falou: “O governo tem que se manter secular. A autoridade vem do povo (…) não de um livro sagrado. (…) outros grupos têm visões diferentes e crenças diferentes e apesar de respeitarmos isso, o debate público não pode ser sobre qual religião está certa ou qual está errada, tem que ser sobre considerações seculares e racionais, interesse público e o que é melhor para Singapura. (…) vamos partilhar uma refeição reconhecendo que não somos iguais. Não desencorajem as pessoas de interagir. Não façam com que seja difícil que sejamos um povo.”

Taí um país (quase) perfeito.

Passagem Para causo 011 Cingapura from Canal Futura on Vimeo.

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