
2016
66 votos contra 32.
A vitória do Brasil como futura sede das Olimpíadas em 2016 representa a superação dos nossos defeitos através do esporte e da política; simboliza um momento histórico: o caminho inevitável para o desenvolvimento. Digo isso, porque o Rio pode ser o cartão postal e a sede, mas acima disso, a cidade sintetiza o melhor e o pior deste país, a vitória é de todos nós, é uma conquista do Brasil.

Cartada Final
Temos menos de 7 anos para superar todos os nossos limites.
Basta o leitor analisar a sequência dos fatos para comprovar que, apesar dos críticos, o país caminha sempre em frente: Collor, FHC, Lula, BRIC, G20, Pré-Sal, Copa do Mundo e Olimpíadas.

O Cara
No dia 2 de abril em Londres, Obama chamou Lula de “o cara” na reunião do G20 e em 2 de outubro ganhamos dos Estados Unidos, sem tapetão e na moral. Os republicanos norte-americanos devem ter soltado fogos.
“Sim, nós podemos.”
A conseqüência desse inexorável caminhar, pode ter nascido na frase de Collor que se referia aos carros nacionais como “carroças”, passando pelo FHC e uma nova política econômica, mas foi no momento Lula que essa mudança de paradigma assumiu sua grande forma com um presidente carismático e de liderança indubitável na América do Sul. O complexo de vira-latas acaba aqui, não temos que ser norte- americanos, não temos que ser como os europeus, só temos que crescer com trabalho e respeito pelos exemplos vitoriosos e escaldados pelos fracassos.

Vitória do Coração
A nossa vitória nas Olimpíadas é a possibilidade de erguer a tocha de um país único, mulato sim, místico sim, cheio de problemas mas muito criativo e trabalhador.
E a eleição vitoriosa no COI não foi consequência da exploração de nossas mazelas, mas de nossas conquistas. O campeão Brasil ganhou quando incluímos na sociedade as comunidades carentes, quando somamos o rico ao pobre, do descendente de imigrantes ao ex- escravizado, quando buscamos soluções próprias. O Brasil soma, sintetiza, regurgita o Bispo Sardinha sem espinhas.

Daniel Dias
O fator emocional contou muito a nosso favor. A presença dos mui conhecidos Paulo Coelho e Pelé, principalmente o segundo – o rei do futebol, antes um garoto pobre -, mostrou que o caminho do Brasil é a soma dos extremos, da aliança do morro com o asfalto, da inserção social. A dupla vitoriosa foi o nadador paraolímpico Daniel Dias, um garoto de 16 anos que superou suas limitações, e a atleta Bárbara Leôncio, uma menina que corria descalça e vencia todos os garotos até sagrar-se campeã mundial juvenil nos 200 metros rasos.

Bárbada Leôncio
65 milhões de jovens brasileiros farão parte dessa inclusão social através do esporte.
Todos que assistiram o povo nas ruas em cada um dos países concorrentes e que viu os 30 mil que estavam na praia de Copacabana, anteciparam a nossa vitória, a vitória da vontade. Olhe para os japoneses sem garra e os americanos preocupados com o aumento dos impostos e por fim a derrota dos hermanos espanhóis, que prepotentemente não queriam nos dar a chance de sermos o primeiro país na Sul América a sediar uma Olimpíada.
“Uma imagem vale mil palavras.”
Sexta, o dia do resultado, foi ponto facultativo para os funcionários da Prefeitura e dia livre para os estudantes, como não? Qualquer crítico que se levantar contra essa tática é apenas um ingênuo, porque a cidade não parou por causa disso, ela prosseguiu produzindo e mesmo assim havia uma massa emocionada na praia para representar o Brasil nas televisões e internets de todo o mundo.
Em entrevista, imediatamente após a vitória arrasadora e até certo ponto surpreendente, Lula, um presidente emocionado, e um tremendo pé-quente, declarou:
“As pessoas falam: não pode fazer uma olimpíada porque tem criança pobre, porque tem favela, porque precisa investir na educação. É preciso a gente fazer tudo isso (…) e provar que a alma generosa do brasileiro vai fazer a mais extraordinária olimpíada que o Brasil já viu, que o mundo já viu.”
Este texto não se refere e nem pretende analisar os futuros desafios que teremos para desenvolver e preparar o Rio de Janeiro em 7 anos, esse é um momento de festa, mas como disse o presidente o trabalho começou “ontem”. A sociedade tanto civil como política, já está devidamente estruturada para controlar os excessos e implementar os desafios. Os pontos que cito devem ser analisados, com atenção. Provavelmente, falaremos sobre isso, e muito.
- O Rio retoma seu papel de capital, perdido desde a transferência para Brasília.
- A união política faz a força: Lula, Cabral e Paes. Melhor ganhando juntos do que perdendo separados. Cansei de ver minha cidade perder por causa de divergências políticas. Quero o Brasil maior e o Rio melhor.
- Como se prevê, haverá atrasos nas obras para a nova cidade remodelada, mas não acredito em grandes desvios de verba, porque o tempo é curto e em pelo menos 7 anos caminharemos “no sapatinho”, sem grandes assaltos ao dinheiro público, porque há a necessidade de cumprir os prazos e resolver problemas de transporte, saúde, ecologia, hotelaria e segurança em menos de uma década. Muita coisa para pouco tempo. A cara do país muda a partir de agora; os mais capacitados investidores brasileiros farão parte da aliança da vitória, construirão não mais a nação do futuro, mas o país do presente. Não há mais tempo para roubo e demagogia.
- Em 2016, o Brasil será a quinta economia mundial.
- O Pré-Sal já mudou e vai mudar este país.
- Dilma, apesar da falta de carisma, ganhou um empurrãozinho em sua campanha presidencial.
A Dinamarca é pé quente.