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Sexo, Pornografia e Falsa Liberdade.
19 set, 2009 por Carlos Lopes
descoberta

descoberta

Nesta sexta a ficha caiu.

Há um tempo, um assunto me incomodava, mas como se diz, deixava para lá, porque não era problema meu. Não assisto sexo na TV e nunca vi um filme pornô. Quero dizer, minto, só vi um, uma vez na casa de amigos adolescentes que, por uma questão de sociabilidade, tive que comparecer pela curiosidade e para exibir a minha normalidade. Claro, que todos adoraram, ou fingiram adorar e naquele ritual coletivo, todos aprendemos que as mulheres não são apenas mães, são prostitutas.

Meus pais nunca falaram sobre sexo comigo. Para meu pai, o homem devia sempre ser o “comedor” e minha mãe achava que não era conversa para se ter com filho. O que acontece é que a falta de diálogo, nos leva sempre ao lugar comum, que é ver revistas nas quais mulheres surgem como objetos fornicantes e assistir filmagens com mulheres americanizadas com implantes, e próteses serem dominadas por machos vigorosos. A partir daí, após a primeira visão distorcida da cópula, tudo está arruinado. Não há mais volta. Aprende-se tudo errado, criam-se mitos e muito pelo contrário, não se dá ao cliente a opção da escolha: apenas uma forma de se fazer sexo é imposta. O espectador já pode se considerar lobotomizado, nunca mais, em sua fase adolescente, elogiará uma comédia romântica, por medo de ser considerado baitola.  O proibido, antes que me esqueça, não tem mais nada de oculto, e está pertinho de você, aqui mesmo na internet, ao toque de um botão.

conhecimento

conhecimento

Provavelmente todos já leram aquele pensamento que diz que “quando eles vieram pegar os judeus, você não fez nada porque não era judeu, mas no dia que eles vieram te pegar, não havia ninguém para socorrê-lo”. Foi assim que me senti nesta sexta, quando a ficha caiu. Muitos querem nos fazer acreditar que o desvio de caráter e de conduta, é algo lícito, normal. E o que se esconde por trás de uma educação distorcida que exibe sexo entre duas mulheres e um homem, que exibe troca de casais como sendo a mais contundente prova de liberdade, da consumação do direito de escolha? Dinheiro, dinheiro e dinheiro. O que mais cresce nesse mundo, fora as contas e dá lucro de cornucópia? Sexo. Isso desde o início dos tempos. A diferença é que antes não havia televisão ou internet.

Assim teve início a minha sexta.

À tarde vi um programa de auditório, no qual garotas de programa falavam sobre os clientes, prioritariamente homens casados. Alguém citou uma pesquisa recente , que afirma que praticamente há um empate técnico, entre traição feminina ou masculina. Os sexos não se superam no quesito traição, há uma equivalência nas intenções, empatam quase de igual para igual. Disseram que o problema é genético, outros que é cultural. As pessoas traídas faziam papel de coitadas e as que vendem o corpo ou traem, o que dá no mesmo, se justificam, usando as palavras dinheiro e liberdade. Atenção: muitos compram liberdade com dinheiro, outros dizem que dinheiro traz felicidade. Felicidade e liberdade caminham juntas, pelo visto.

soma

soma

À noite na mesma sexta, zapeando através dos canais, passei pelo Multishow e vi uma mulher chupando outra e sendo penetrada por trás ao mesmo tempo. Se não descrever o que vi, também não posso descrever o que me passou pela cabeça. É um canal a cabo e nessa barafunda de emissoras e programações, pode-se ver sexo grupal ou um pastor pregando em nome de Jesus. A escolha é de cada um, vê quem quer. E é claro, o tal canal só exibe a sua orgia após a meia noite, horário considerado próprio para isso, mas o problema não é a exibição, são 3 palavras que há por trás dessa história: “liberdade”, “felicidade” e “dinheiro”. Concordo que cada um vê o que quer, acredita no que quiser, mas a partir dessa sexta, a tal da frase da guerra, citada anteriormente, começou a fazer muito mais sentido do que antes. Há diferenças e semelhanças entre religião e o sexo, e às vezes até confluem na mesma direção, como no tantra. Mas há coisa pior do que ver casais fornicando na televisão, e uma pequena listinha inclui egoísmo, inveja, racismo, preconceito, vício, roubo e assassinato. O problema é a educação distorcida que ensina como “se” deve fazer; a falsa educação que diz que existe diferença entre amor e sexo.

O homem que é homem trai porque é macho, não respeita casamento, não respeita amor, não respeita a dor alheia; e a mulher que trai está certa porque ela precisa “viver o momento”, “seguir sua verdade interior”, “ser livre”, “ser moderna”. É isso o que ensinam. Pois é, vê quem quer, ouve quem quer. É o preço da liberdade.

Assistir essas coisas, mulheres e homens como vieram ao mundo, eu já vi, mas nesse momento aquela imagem bateu muito forte em mim, como forte foi a minha náusea, o meu desprezo contra uma empresa de comunicação que se presta a uma papel desses, que acredita que atende a todos os segmentos do público exibindo uma “verdade” distorcida, em nome de uma hipócrita liberdade de pensamento. Censura é uma palavra ignóbil para mim, é tão pornográfica quanto a entrevista com mulheres risonhas, que praticavam o swing entre casais;  como é imundo não lidar com a verdade, e como é sujo mentir socialmente para conquistar popularidade nesse universo de culto à celebridade.

i dream of eve

i dream of eve

O problema desse comportamento, dito liberal, é que não há qualquer verdade nessa premissa: isso não é liberdade, é prisão, é hipnose, é burrice.

O amor dos séculos anteriores, onde não havia aprendizado áudio-visual, certamente era mais misterioso. No máximo, desenhos eróticos e posteriormente fotografias, ensinavam o básico aos interessados, mas nada que fosse como um curso completo de como fazer cabelo, barba e bigode. Seria então, ingênuo ou errôneo, idealizar o amor? Imaginar como se poderia retirar o espartilho da amada? É, os tempos eram outros. Nós que nascemos em um mundo áudio-visual temos as nossas próprias questões para resolver, complexamente diferentes.

Já dizia Santo Agostinho que “nada de útil pode nascer de um lugar do qual se urina”. Mas onde há luz, há trevas, também não dá para ser como Lenin, que considerava sexo uma coisa burguesa, que desviava a atenção do trabalho.

Não dá para inibir todos os nossos instintos, negar que somos falhos, mas há uma coisa que aprendi: que quando se compreende que amor não é troca de parceiros, mas aprendizado em comum, você se liberta. O amor de fato existe e quando você o sente, nunca o esquece. O amor real cria uma energia própria que te eleva não à condição do fanatismo, mas à realização da unicidade entre dois seres que se completam, da soma entre os opostos, do homem e da mulher (e até mesmo do homem com o homem, como muitos acreditam) que se transformam em deuses, que aprendem a amar juntos. O sexo mostrado como necessidade fisiológica é uma distorção da realidade, é uma mentira perpetuada por quem não deseja educar o indivíduo à liberdade de escolha.


3 Respostas  
  • osabetudo escreveu:
    setembro 24th, 2009 at 03:57

    O amor que você descreve existe, sim, mas para quem está pronto a vivê-lo. Veja, para todos nós, chamamos de amor o sentimento mais forte que vivemos até então em nossas vidas. Quando fui adolescente e morria de desejo por uma namorada, achava ser amor (era o mais arrebatador sentimento que já havia sentido…). Hoje sei que há bem mais do que aquilo. Mas é para quem amadureceu. A diferença entre nós e o tempo de Romeu e Julieta é apenas a queda das proibições e inibições. Os personagens também confundiram tesão com amor, e cometeram suicídio por isso. Que a coisa está banalizada, está. O que podemos fazer é viver o amor verdadeiro que cada um encontrar e orientar os que vierem depois para o fato de que há (ou deveria haver) mais do que o gozo em uma relação.

  • vannia Takahashi escreveu:
    março 7th, 2010 at 13:51

    Até que enfim encontrei alguem que pensa exatamente como eu!
    Achei esse blog pq estava procurendo uma maneira de denunciar os canais de TV a cabo multshow, telecine, telecine max , ection para o Ministério Publico, pois os tempos mudaram os jovenhs de hoje não dormem mais às 11 hs… e muitos ficaqm vendo TV e como esses mesmos canais passam filmes normais não podemos bloquea-los e ai ficamos reduzidos a poucos canais. Tb acho que esses tipos de filmes distorcem o que realmente é amor.
    Gostaria muito de acabar com isso, não só me benificiaria tendo mais opções de filmes, assim como não poermitir que meninos e meninas tenham uma idéia deturpada do que é o amor.
    Se pudessemos juntar assinaturas de pessoas que são contra esse tipo de filmes pasando livremente nas TVs a cabo, poderíamos conseguir acabar com isso com uma denúncia ao MP. A final, ja existem canais próprios sobre esse tema. Quem quiser pague. Nós é que não fizemos contratos para ver lixo.
    Se vc se interessar, e só escrever um email para mim e daremos inicio ao témino dessas porcarias.Abçs

  • Carlos Lopes escreveu:
    março 8th, 2010 at 23:14

    Obrigado por escrever e ler. Tudo de bom.


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