Manueeeel!!! O maior homem do mundo, homem sábio e profundo, semeou conhecimento...
“Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme e traficante se vicia” “Não saio com mulheres famosas pois não pago acima da tabela” “Tudo é tudo e nada é nada” “Passou de branco, preto é. Não existe esse negócio de mulato. Mulato para mim é cor de mula” “Gosto de cantar com sentimentos. Se você não transmitir sentimento, não atinge ninguém” “Os meus cachorros são os meus melhores amigos”
O “Tim Maia Racional” de 1975 é venerado como uma das maiores jóias do nosso cancioneiro, assim como o retorno dos Mutantes, bancado pelos gringos e não pela mídia nacional. A diferença é que apesar dos Mutantes serem mortos vivos, ainda assim estão mais vivos do que o Tim que só pode olhar mesmo de cima e pedir a Deus que aumente os graves e melhore o som. Mas o intuito desse texto é desmistificar o lugar-comum, que afirma que somente os “Racionais” são discos dignos de culto. Nada mais longe da verdade.
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Durante a ditadura nos anos 70 e apesar de toda repressão, os jovens só queriam viver como jovens, curtir um som, vestir as roupas mais legais, ganhar a menina do baile. Esse processo ocorre com todas as classes sociais e não poderia ser diferente em nenhum outro lugar. As comunidades negras influenciadas pelo som do mestre James Brown deram início a um movimento que transformou o “I´m Black And I´m Proud” em uma versão nacional do orgulho negro. A música foi o veículo mais utilizado, bem mais do que a política. O movimento Black Rio teve entre seus expoentes um ex-dançarino chamado Rodrigues Cortes ou Gerson King Combo, que após rodar muito (inclusive como vocalista de apoio do Wilson Simonal) teve a chance de registrar em seu primeiro LP solo em 1977 uma pérola chamada “Mandamentos Black” onde dizia que um black de verdade deveria “amar como ama um black”. A partir daí veio o sucesso, o carrão e as roupas vistosas mas tudo isso acabou em pouco tempo. Alijado do mercado, voltou à obscuridade. Muitos anos depois reapareceu do nada em uma participação na banda Clave de Soul na finada casa Ballroom no bairro do Humaitá no Rio em 14 de setembro de 1998. Após trocarmos umas figurinhas, marcamos a entrevista que durou 4 horas. Mas só me dei por vencido, quando o próprio Gerson me pediu um intervalo para participar de um churrasco com os vizinhos.