
Soluções Extremas
Acabei de assistir na Tevê que dois skinheads foram presos na Zona Leste de São Paulo por terem espancado um adolescente “emo” em uma praça do bairro do Tatuapé, ponto de encontros dessas tribos, às quatro da manhã. Primeiro, todo mundo sabe que os Skins são rapazes de difícil trato, sempre foram. São conhecidamente violentos, acreditam em várias bobagens (o conceito de diferença de “raça”, quando todos nós pertencemos a uma só: a raça humana) e inclusive na força física contra a inteligência, o livre pensar. E skin é como batedor de carteira, todo mundo tem uma história para contar. Por exemplo, já tentaram bater em uma amiga gaúcha que estava de bobs na Augusta há alguns anos. Duas skins – fêmeas – tentaram pegar de porrada minha amiguinha pelo pecado dela ser tatuada e ter cabelo grande.
O emo espancado se chama Juan Guilherme e foi o único a tomar sacode, porque seus amigos emo o abandonaram para apanhar sozinho de 5 skins. Aqui fica a pergunta: se os emos fossem verdadeiros defensores da sua fé, teriam apoiado o amiguinho e enfrentado a manada furiosa. Como deram no pé, fica claro que o instinto de sobrevivência falou mais alto. Até os hippies, conhecidamente pacíficos fariam algo, cantariam Hair ou dançariam seminus desaprovando a violência dos cabeças raspadas.
A fuga destrambelhada dos emos no Tatuapé nos prova que esse negócio de emo é apenas um modismo e não uma ideologia. Ideologia se defende, luta pelo que acredita. E Skin pode ser moda também? Mas é claro, ainda mais se a criatura que escolheu o carequismo, optou por esse caminho por motivos ainda mais equivocados do que simplesmente ser um nacionalista racista.
Final da história: os skins vão responder por tentativa de homicídio e podem pegar de oito a 12 anos de prisão.
Acréscimo: o jornalismo do SBT chamou os emos de GLS, não citou a palavra emo…
http://www.omartelo.com/omartelo12/materia1.html

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